Suspiro Fatal
1 Capítulo I
Numa delegacia próxima da rua King Street, em Sidney, todos os funcionários trabalhavam em suas áreas, menos o policial Scott. Pensativo, o tempo passava e nada da ligação de sua mulher. O café que segurava em mãos esfriara. Percebeu assim que retornou o copo plástico a boca.
- Merda.
A três dias havia aceitado a um convite para uma festa noturna no bar Heaven's. Conhecido pelas bebidas e uma grande quantidade de mulheres, não poderia deixar de aceitar. Ainda mais quando o responsável pelo local é seu amigo, companheiro de passeios, Rodolfo.
- Então, temos outro evento.
O homem barbudo apareceu por entre as frestas da cortina frisada, cutucando o policial nos ombros. Este saíra do cômodo em silêncio, acenando para o delegado Gerard, que franziu o cenho ao homem sob as frestas. Scott rezava para que nenhuma pergunta a respeito de Rodolfo fosse feita. Ele não era compatível com as leis da justiça.
- O que você quer?
Scott puxava o velho pelos braços até um corredor vazio da delegacia. Qualquer descoberta do envolvimento de Scott com o bar Heaven's não poderia resultar em boa coisa.- Temos uma festa no sábado. As 23 hrs.
- Festa? Não poderia dar o convite noutro momento?
A voz do policial soou um tanto eufórica, como se não quisesse que ninguém soubesse da tal festa. Impossível. O sujeito de idade era o maior gerenciador de eventos em Sidney. E o local escolhido era sempre seu boteco.
- Não me trate assim. Ainda fui gentil de vir até aqui.
- Está bem, está bem. Quanto é?
- Veremos o preço na entrada. Você vai?
- Vou.
Os ingressos costumam ter um preço razoável, motivo do Heaven's sempre estar lotado. No domingo Scott aparecera por lá. Como sempre, bebera muito e pelas lembranças dormira com duas loiras num quarto dentro do próprio bar. Equipado com 5 suítes alugadas, raramente eram encontradas desocupadas. Agora lembranças de domingo lhe vinha a mente a todo vapor. E andara preocupado pois achara ter visto sua mulher passar em frente ao bar enquanto bebia cerveja com uma das loiras numa mesa que se localizava na calçada do aposento. E por não ter ligado no dia só esclarecia que sua mulher realmente o vira. Ela sempre liga. Estou ferrado.
— Está sonhando acordado, hein?
Saindo do corredor, Marlene apontava o rodo em sua direção, que estava jogado nos bancos. Ela era a única zeladora da delegacia, os traços da idade revelando que beirava os 55 anos. Ainda assim transparecia jovialidade.
- Que nada. Minha mulher não ligou hoje.
- É verdade... — Ela comentou como se estivesse espionando cada detalhe que fugia de sua rotina. — Sempre o vejo andando por aí com o celular no ouvido. Deve ter acontecido algo.
E aconteceu.
- É, acho que sim.
Repousando o rodo no chão, Marlene o observava de relance. No mesmo instante o piso da delegacia pareceu tremer ao se ouvir uma forte explosão. Algumas pessoas sentadas no banco da sala se entreolharam atônitas, onde saíram apressadas da delegacia. Marlene e o policial Scott tiveram a mesma reação em direção a janela de dentro da sala do delegado, que aparecera repentinamente na porta.
- O que aconteceu?!
Antes mesmo de receber resposta alguma, apressou-se em se debruçar na mesma janela, espremendo Scott e Marlene, que bufou e empurrou de volta. Do outro lado da rua funcionava um laboratório de pesquisas, que atualmente realizava um projeto com gases coloridos. Algo criado para substituir o neônio dos letreiros luminosos que lojas e empresas usam. Só que, naquele momento, uma nuvem incolor escapara de uma parede lateral do laboratório, que continha um grande buraco. Como uma substância que ansiava escapar para a atmosfera, o gás se espalhava pelo baixo ar até sumir de vez.
Na sala de pesquisas todos se encontravam agitados, não sabendo de onde tinha vindo a grande explosão. Alguns ajudantes correram em direção à sala restrita, onde as pesquisas realizadas era armazenadas. Vera, Julio e Mattias adentraram a sala apressadamente, seguindo dos ajudantes. Julio se habilitou a passar na frente dos colegas arrombando a porta da sala restrita. Quando a porta viera ao chão, o espaço foi tomado por uma onda de gás que invadira suas narinas imediatamente.
- As máscaras!
Vera e Mattias orientaram a todos vestirem as máscaras, feitas de fibra sintética, de sobra que continham penduradas nos jalecos. Apressadamente, Julio colocara uma no rosto adentrando o espaço que estava coberto por uma névoa. De dois tambores dos cinco que continha no cômodo liberavam uma fumaça incolor mais ainda sim perceptível de sua parte inferior.
-Ah, meus Deus. O gás...
Logo em seguida Vera entrara na sala, apressando-se em fechar os registros que liberavam o gás para os recipientes, que aos poucos o gás ia se dispersando.
Entretanto, por motivo da explosão desconhecida, os tanques racharam assim como a parede havia sido destruída. Fato que todos que estavam ali presentes enxergara minutos depois, quando estranhamente o gás se evaporava do local. A realidade não era que o mesmo estava simplesmente evaporando e, sim, encontrara um jeito de escapar dali. Tarde demais. Os pesquisadores infelizmente sabiam os efeitos desse gás em alguém. E o que mais temiam fora o que justamente havia acontecido.
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