Na delegacia, todos olhavam atônitos para a estranha névoa que escapava do laboratório e o mais estranho era que ela caia, se dissipando quando tocada no solo. O delegado Gerard se encontrava confuso, observando pela janela a cena que provinha do laboratório. As pessoas na calçada evitavam se aproximar, se perguntando a todo momento o que causara a explosão.

- Temos que ir até lá averiguar — o policial Scott se distanciou da janela saindo pela porta de vidro da pequena sala. Gerard vinha logo atrás de si.

Ao cruzarem a calçada, Scott apanhou a arma enquanto se aproximava da origem do gás. A medida que a sola do sapato tocara na grama pode se observar enormes cilindros de aço no interior do aposento. Cauteloso, se aproximava vagarosamente enquanto era deixado para trás por Gerard, que bufara ao se aproximar.

- Polícia!

O distintivo em mãos era elevado, sendo possível que todos os que estavam lá dentro pudessem vê-lo. Da penumbra da escuridão uma mulher negra saía, seu rosto coberto por uma máscara branca.

- Espero que tenham localizado o possível vândalo — de suas mãos voara uma outra máscara, parecida com a que usava.

O policial Scott abaixou a arma após ver a mulher de máscara. Tinha uma leve impressão de a mesma não ser nenhuma terrorista. Colocando então a máscara em sua face, adentrou o local, seguindo a mulher de jaleco branco que começara a caminhar.

- Não foi um atentado para ferir — o delegado Gerard adentrou em seguida, observando o laboratório sujo de detritos da parede.

A mulher simplesmente ignorou a suposição do delegado, porém em um suspiro por trás de sua máscara demonstrou o mínimo de nervosismo. Scott, por sua vez, desviou o olhar para o delegado confuso.

- O que?

- A explosão — incrementou Gerard. — Quem a provocou não queria ferir pessoas.

- Quis deixar as paredes no chão — sussurrou Vera ao pegar um pedaço de tijolo caído.

- Na verdade, suponho que queiram o gás que produz — o delegado caminhou pela sala, bisbilhotando cada canto. — Afinal, qual é a composição disso?

- É uma mistura de dióxido de enxofre, nitrogênio e ácido sulfúrico.

A expressão que foi contida no semblante dos dois homens não era agradável. Vera curvou-se apanhando um chaveiro com chaves que permanecia em cima de uma prateleira e dirigiu-se até a porta.

- Tenho que verificar alguns arquivos sobre isto na minha sala.

A mulher de jaleco branco destrancou a porta de aço que se ligava a um longo corredor e sumiu após o trinco da pesada porta fechando-se novamente.

Os policiais se entreolharam pensativos e então cochicharam um ao outro.- O que acha desta composição leve? — Scott balbuciou quase no ouvido do delegado que se afastou com um passo para trás.

- Creio que isto traga alguma reação ao ser humano.

Eles se encararam novamente e perceberam que somente Scott estava com máscara. Gerard xingou algo e virou-se novamente para o comparsa.

- Eu não tenho máscara! Aquela maldita não me...

Com um tranco a porta de aço novamente se abriu. Dela entrou Vera com uma pasta preta e outra máscara nas mãos. Ao trancar novamente a porta, a mulher negra virou-se para Gerard e lhe jogou a máscara que lhe caiu em mãos. Seu sorriso era discreto e ela repousou a pasta preta em cima de um banco encaixado na prateleira. Gerard cortara imediatamente sua fala, colocando a máscara branca na face em silêncio.

- O que é esta pasta? — O policial se aproximou da pasta no banco. Esticou uma das mãos para apanhá-la e começou a folhear seus diversos plásticos.

- Alguns documentos deste gás — Vera tossiu, aproveitando para levar a mão esquerda discretamente no bolso do jaleco.

Do outro lado da sala Gerard sentiu ânsia. Não queria alarmar a ninguém. Maldito gás. Ele apenas continuava a andar pelo estabelecimento quando sentiu também sua garganta arder. Algumas tosses eram altas. Scott lhe lançara um olhar duvidoso, esquecendo da pasta em mãos.

- Você está bem?

Com um impulso, Vera desferira uma seringa de seu bolso no pescoço de Scott. Tiro certeiro. Agitado, o policial agarrara o pescoço da mulher gemendo e segundos depois ela desaparecera como a sala de pesquisas também. Gerard se encontrava de joelhos antes de cair no piso claro do laboratório instantes depois. Vera sorriu. Fez um pequeno sinal para uma câmera no canto da sala onde Mattias e Anderson adentravam pela porta de aço.

- Podem levá-los.

Os dois rapazes se propuseram a arrastar os corpos adormecidos para o interior do aposento, adentrando a duas portas seguintes no corredor. A mulher de curvas generosas deixou escapar um riso. Agora nada mais estaria no caminho da única chance do Laboratório CLP se tornar um lugar de lembranças, e sabia ela que, qualquer um que trabalhe ali se opor, tomará as devidas consequências.