Suspiro
7 Capitulo 6
Notas iniciais
Pelo resto do dia as duas garotas que moravam no dormitório quarenta e no enorme quarto de número dez ficaram arrumando suas roupas no enorme closet e costurando insígnias nas roupas da novata que acabara de chegar por necessidade de controlar seus poderes. Ela por incrível que pareça, pensava em apenas aprender o controle e depois simplesmente sumir, ir embora dali e fingir que nada disso era verdade. Obvio que seria impossível e eu não poderia deixar isso acontecer nunca, mas talvez não fosse tão ruim ela voltar a sua realidade e sua família.
– Me fale um pouco sobre seus amigos.
– Eu tenho poucos amigos que realmente gosto.
– Sério? Então me conte sobre eles – falou animada.
– Bom, eu...
– Vocês sempre começam frases com as palavras “bom” e “bem”? – perguntou irritada e abanou a mão para que a morena continuasse.
– São eles o Gustavo, a Maria, o Ricardo e o San.
– Nomes legais.
– A Maria não gosta que a chame de Maria.
– E vocês a chamam de que?
– De Fê.
– Quem são os populares aqui?
– Bom, tem uma garota chamada Thamica que manipula todos do colégio e namora com... – ela estacou como se acabasse de perceber que havia falado demais.
– Ela namora...
– Ela namora com o Josh.
A Brenda paralisou, seus olhos azuis gelo focaram no completo nada e ela ficou sem fala. Era surpresa até pra mim saber que o Josh era um dos garotos mais populares e namora com uma mera garotinha sem cérebro. Ele tinha me parecido uma pessoa realmente legal. Suspirei e sentei-me numa das poltronas do quarto de seis paredes pintadas de salmão. As camas tinham dorsal e eram de ferro decoradas com rococós e ficam encostadas no canto do quarto, com o banheiro separando as duas. O closet ficava a frente da maior cama e dava para pôr uma cama de solteiro ali facilmente. Haviam duas mesas de estudo feitas de mogno preto, cada uma em um lado do quarto. O que me impressionou é que mesmo que estivessem no subsolo, as paredes eram normais, de cimento e tijolos.
– Tudo bem, eu já esperava que isso fosse acontecer. Só me surpreendi.
– Mas boatos dizem que ele a trai quase sempre e que eles só namoram por status – ela pôs a mão na boca percebendo o que tinha feito e a garota a sua frente a olhou seca.
– Você pelo visto gosta de fofocar não é? – terminou de costurar a última peça e levantou para pô-la no cabide.
– É o costume.
– Terrível costume.
– Desculpe.
– Tudo bem – murmurou – Já é hora de jantar?
– Sim – Beatriz respondeu olhando no relógio.
– Onde comemos?
– Os lanches são aqui mesmo, mas as principais refeições são no refeitório do colégio que fica no terceiro andar.
– O colégio inteiro é no subsolo?
Ela sorriu e disse: — Vem comigo.
Tocou na garota e as duas se teleportaram para um enorme refeitório. Parecia mais como um enorme jardim a céu aberto. A lua iluminava a maior parte do lugar e as milhares de estrelas brilhavam juntamente. Já falei que Nix faz um trabalho maravilhoso? Já. A mais alta e menos bronzeada se deslumbrou automaticamente assim que se percebeu no lugar. Olhou ao redor com os olhos azuis brilhando de euforia e empolgação. Foi sendo levada pelas mesas até chegar numa mesa no fundo um pouco afastada onde quatro pessoas estavam sentadas conversando energicamente sobre uma série de TV. Pararam de falar assim que as viram e acenaram enquanto as duas ainda estavam um pouco longe.
– Ooooi! – Ricardo acenou para as duas e sorriu.
Era um garoto muito bonito. Alto e de pele negra, seus dentes eram branquíssimos e seus olhos eram muito verdes como grandes esmeraldas, estava vestindo um suéter “comum” com a insígnia do colégio. O outro garoto, o Gustavo era muito bonito também. Tinha a pele parda meio bronzeada e grandes olhos castanhos, suas bochechas eram de um meio termo fofo pois possuía covinhas, tinha uma barba rala e vestia uma blusa de gola polo e mangas também com a insígnia costurada. Assim como Ricardo, era alto e musculoso e seus dentes brilhavam com um sorriso quase... Aconchegante.
Os outros dois que estavam sentados do outro lado pareciam ser irmãos. Eram loiros dos olhos azuis e pareciam dois anjinhos, embora o garoto e a garota exibissem um físico bem definido. Todos sorriam para a caloura como se já a esperassem ali, e de fato esperavam. Sentaram-se as duas uma em cada ponta e todos se entre olharam decidindo quem falaria primeiro. Ricardo, o que parecia ser o diplomata do grupo, começou primeiro.
– Seja bem vinda! – sorriu amável e a garota retribuiu.
– Obrigada...
– Ricardo.
– Eu sou o San e essa é a minha irmã gêmea M... Fê – sorriu medroso ao encarar o olhar penetrante da irmã.
– Imaginei.
– E eu sou o Gustavo – o último murmurou.
– Prazer em conhece-los. Como já devem saber sou Brenda.
– Sim, as notícias correm rápido por aqui, apesar da quantidade de alunos.
– São muitos não é?
– Sim, embora hajam muitos quartos vagos nos dormitórios.
– Brenda? – uma voz desconhecida falou um pouco longe, atrás da mesa e todos olharam para trás sincronizadamente.
– Sim? – fitamos a garota loira de cabelos cacheados que iam até um pouco acima da cintura.
Ela vestia uma mini saia branca e um suéter rosa, com botas também brancas que iam até o joelho. Tinha olhos negros e sobrancelhas loiras também. A olhamos de cima a baixo e ela devolveu o olhar hostil.
– Vim lhe dar as boas vindas...
– Muitissimo obrigada querida, mas já o fizeram antes de você.
– Ótimo. Eu vim aqui para...
– Me convidar a sentar a sua mesa? Não obrigada, não quero sentar com pessoas fúteis como você – rosnou as palavras e todos, inclusive a tal Thamisia ficaram boquiabertos.
– Você tem ideia do que está fazendo? Ninguém recusa um convite meu para se sentar a minha mesa.
– Sua mesa? Tem seu nome marcado nela por acaso?
– Não, mas...
– Mas? Por favor queira se retirar, está atrapalhando a minha visão da lua querida, que é muito mais interessante que você.
A garota deu as costas incrédula e saiu indo até uma mesa que ficava no centro do refeitório. Todos olhavam para a Brenda boquiabertos e paralisados. Menos eu e o Gustavo, que olhávamos com certo humor. Não era de se esperar que uma simples caloura fosse chegar e pôr tudo de cabeça pra baixo. Talvez fosse apenas para manter o status de poderosa e não tivesse nenhum poder afinal. Embora seus olhos e o jeito como andava e olhava para as coisas emanasse energia mágica, leigos como mais da metade daqueles alunos nunca conseguiriam saber a verdade sem alguma prova. Mas eu e o Gustavo éramos naquele momento as únicas pessoas que sabiam a verdade. E não era porque ele tinha um poder elevado, porque ele não tinha. Era porque ele escondia um segredo, que eu sabia que custaria para vir a tona.
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