Suspiro

3 Capitulo 2


Notas iniciais
Espero que gostem. Quem será que está narrando?

No meio da noite, Brenda Plausini, uma garota que não era exatamente normal de 1,70 metros de altura, pele clara com pouco bronzeado e olhos azuis como a imensidão azul gelo dos polos acordou. Seus cabelos eram castanhos escuro lisos meio ondulados. Ela diria que era uma garota feia e sem sal, uma garota mais ou menos sem importância. Mas, eu, eu digo que ela é uma garota linda e maravilhosa, que seus olhos são como uma vastidão de gelo leve mas forte ao mesmo tempo que não é tão fácil assim de quebrar embora pareça. Suas curvas brasileiras delineadas sempre fizeram sucesso, mas ela nunca quis e não tinha tempo de prestar atenção nas reações alheias. Aliás lhe confidencio secretamente que fora até melhor.

Ela havia se assustado com o terrível pesadelo que tivera na madrugada. Havia sonhado que estava em uma mansão abandonada em uma fazenda também abandonada. Ela corria entre os pés de laranja lima, tentando fugir de algo desconhecido mas que queria matá-la com certeza. Ela corria com uma energia muito grande, mas como qualquer um, uma hora se cansou e mesmo que não quisesse foi obrigada a parar ao se deparar com uma estranha sala de pedra. Nela estava marcada uma inscrição escrita com símbolos estranhos. Intimidada com a saleta decidiu não entrar com medo de encontrar coisas piores lá dentro.

– Brenda! Brenda! – ouviu seu nome ser gritado ao longe e ao reconhece-lo congelou-se completamente, assim como seus olhos gelos pareciam ter virado gelo.

Foi um momento estranho para alguém como eu. Já que eu estava assistindo a tudo e é obvio que eu já tinha visto muita coisa na minha vida, mas aquilo nunca. As pupilas da garota se dilataram num branco profundo e tomaram conta de todo o seu olho. Pela sua expressão parecia congelada pelo terror absoluto como se o Érebo em pessoa estivesse na sua frente. Olhei para trás lentamente esperando ver o que tanto a afligia e me deparei com um garoto alto e moreno sendo decapitado por uma terrível escuridão. Era algo estranho e incomum, algo classificado popularmente como “fantasia” se eu contasse para outra pessoa, mas que naquele momento eu tinha absoluta certeza e pânico de que existia. Decidi que a Brenda já havia passado por coisas demais naquela noite e estalei os dedos a fazendo acordar aterrorizada e suando muito, além de ter me puxado bruscamente para sua realidade.

Suspiramos conjuntamente em alívio e eu sentei-me em um canto do quarto esperando suas reações. Ela sentou-se olhando para os lados procurando algum indicio de que ainda estava sonhando e depois respirou fundo novamente se tranquilizando e levantando provavelmente para beber água. Mas ao invés disso, ela foi olhar a janela. A lua cheia passava com toda a sua imensidão através das portas abertas da sacada e refletia nas paredes do quarto. Realmente Nix e Ártemis estavam fazendo muito bem o seu trabalho. A garota estava olhando hipnotizada para a lua, como se pudesse tocá-la. Um sonho que eu ainda não pudera realizar.

Avançou mais alguns passos até poder tocar na proteção de mármore decorada com desenhos delicados, que davam um toque mais fino ao pequeno quarto de 6 paredes pintadas de um roxo claro que continha apenas um guarda roupa branco de modelo antigo, uma cama de casal, tapete fofo de pele de urso que eu desaprovava embora também adicionasse um toque mais fino. Parando com as descrições, e voltando a nossa protagonista. Brenda respirava levemente e tranquila, respirando o ar gostoso da noite e observando a rua deserta. Tudo estava bem calmo e sereno. Mas de repente, as coisas mudaram bruscamente.

Vush!

O vento ficou rebelde e uma micro tempestade começou a se formar no trecho da rua onde a casa dela se encontrava. Um tornado se formou e apenas o que dava para ver era uma escuridão negra de poeira que foi se dissipando lentamente até restar...

Um garoto. Ele era branco com pouco bronzeado e seus cabelos eram pretos e lisos embora estivessem arrepiados pelo seu rosto. Usava uma touca de algodão tapando o resto. Seus cabelos na testa de certa forma emolduravam o seu rosto nem redondo nem quadrado, um meio termo entre as duas classificações. Tinha uma barba rala que o tornava sedutor e seus olhos verdes e nariz pouco arrebitado completavam toda a sedução. Estava vestido com uma blusa também de algodão cinza que delineava seus músculos bem definidos e uma calça jeans com um tênis chamado... Como é mesmo o nome que vocês falam? Ah é:Supra.

A boca da garota se abriu em um perfeito “O” e ela recuou alguns passos quase se esbarrando em mim sem saber. Ele sorriu para ela e segundos depois apareceu na sacada, assim como o Lucas havia feito. Revirei os olhos. Até parecia que hoje era o dia do teleporte. Ele avançou até ela e parou a centímetros como se esperando uma permissão para tocá-la. Ela recuou ainda mais completamente assustada não acreditando no que via.

– O que você está fazendo aqui? – ela falou cada palavra pausadamente.

– Eu vim ver como você estava.

– Ver como eu estava? – ela realmente não podia acreditar – Qual é! Primeiro você some da minha vida do nada, me deixando sozinha naquele inferno, sendo sujeita a todo o tipo de moléstia e agora você vem simplesmente ver como eu estou? – ela deu as costas balançando a cabeça incrédula.

– Eu tive os meus motivos! Eu não pude falar com ninguém naquela época. Se eu fosse falar com você, algo muito ruim poderia acontecer e ai sim você veria o real inferno! – ele falou gesticulando. Seus olhos imersos em agonia ao lembrar de algo.

– Do que você está falando garoto? E ainda mais que você simplesmente causa um mini tornado na minha rua! O que você acha que estava fazendo?

– Vou ter muito tempo para te explicar, mas só se você vier comigo. Eu prometo que lhe trarei de volta pronta e antes de ir para o colégio novo.

– Meu deus! Você realmente acha que eu vou sair com você, depois de tudo que me fez? – revirei os olhos. As vezes essa garota tem que tomar decisões precipitadas na vida e acaba fazendo tudo errado por não toma-las.

Estalei os dedos dando uma ajudinha para o garoto parado na porta da sacada. Vi seus olhos desfocarem e focarem novamente em menos de um segundo e depois com surpresa vi que o garoto havia percebido. Ele olhou ao redor do quarto e depois balançou a cabeça para dissipara a vaga ideia de que algo estivesse acontecendo. Eu provavelmente poderia ser expulsa por estar fazendo essas coisas, mas no futuro ainda me agradeceriam por isso. Ou não.

– Se acontecer alguma coisa comigo... – ela deixou a frase no ar como se não estivesse acreditando no que estava fazendo.

– Não vai acontecer nada. Eu só preciso te levar para um lugar pronto. Eu vou te proteger, eu prometo.

Assentimos juntas e ele pegou-a pela mão, o que nos fez sumir numa escuridão interessante e depois reaparecer em um parque. Espera, um parque? Mas o que... eles apareceram do completo nada, em frente aos balanços gastos e antigos que iam para a frente e para trás com a ajuda do vento. O lugar era rodeado por uma estrada e árvores que iam para todos os cantos. Opa, encruzilhadas. Sorri satisfeita e comecei a observar os dois. O garoto sorriu e a Brenda olhou ao redor assustada e apertando a mão dele. Ele a levou para uma das árvores e passou com ela ao lado da mesma desaparecendo no ar. Não aguento mais isso, estreitei os olhos enquanto sumíamos através de outra escuridão nada interessante. Eu estava nessa jornada sozinha e as vezes era realmente chato ter que ficar seguindo uma garotinha adolescente para todos os lugares. As horas do banheiro eram merecidamente as minhas folgas, já que onde eu vou sempre que isso acontece o tempo passa mais rápido e mais devagar. Entenda como quiser.

Caímos em pé em um corredor de terra que levava para mais direções desconhecidas que eu claro sabia que a certa seria direita. Ele virou a esquerda me deixando contrariada e ela o seguiu de perto ainda segurando em sua mão, até chegarem em um salão enorme e completamente ornamentado com lírios, chamas, cachoeiras, imagens representando ventanias. Todas as representações eram esculpidas de maneira delicada nas paredes e eu me perguntei levemente por que eu nunca soubera desse lugar. A mobília era feita de mogno preto com partes decoradas em branco e pareciam fazer parte de um árduo trabalho de ninfas. Mas ninfas não faziam isso. Ele o levou até uma plataforma grande onde estavam situados quatro tronos acolchoados com veludos de diferentes cores. Verde, vermelho, azul e branco. Neles estavam sentados dois homens e duas mulheres, os homens nas pontas e as mulheres no meio.

– Vejo que trouxe companhia meu querido aprendiz – o homem que estava sentado na ponta levantou-se e eu senti uma grande fonte de magia vindo dele.

– Sim, como o senhor me pediu – o homem sorriu de canto e o garoto deu um passo para trás.

– Ótimo Josh, muito obrigado, agora pode sair – ele abanou com a mão em um gesto meio grosseiro para que ele saísse.

– Mas o senhor me disse que eu poderia ficar – a voz do garoto tinha se alterado um pouco e a Brenda se agarrou a ele apavorada.

– Eu disse para você ir – o tal mestre falou com um tom final e o Josh foi obrigado a sair.

Ele tranquilizou a garota e a soltou, saindo em seguida por uma porta lateral. Troquei o peso para a perna esquerda e apenas observei a cena, curiosa do que poderia acontecer.

– Bem, imagino que você não saiba por que está aqui... – o homem perguntou e foi interrompido pela mulher no trono vermelho.

– Salomão, chega. Eu assumo daqui – Salomão sentou-se como quem pede desculpas e comprimiu os lábios numa linha reta – Desculpe-me por isso, não era tão necessário o Josh sair, mas devemos continuar.

Claro que ela poderia simplesmente ter mandado ele voltar, mas não mandou porque não queria desafirmar o respeito pelo tal Salomão. A garota assentiu levemente e suspirou. Ela querendo ou não teria que assumir uma postura firme, ou essas pessoas iriam fazer qualquer coisa que fizessem com ela se decidissem que ela fosse fraca. Claro que eu não deixaria, mas eles tentariam. Ela abaixou a cabeça por uns segundos e depois levantou o olhar de maneira superior, como se tivesse ouvido meus pensamentos. Cruzou os braços na altura dos seios e deixou a coluna ereta. A mulher se surpreendeu por alguns segundos e depois sorriu satisfeita.

– Então por favor, continuem.

– Sim, senhorita Plausini. Você foi trazida até aqui porque nasceu com um dom jamais revelado a todo o mundo e até o universo – franzi o cenho – nem os próprios deuses, que eu devo lhe dizer que existem, tem conhecimento desse poder a que me refiro – bom, então agora eu sei. Sorri satisfeita e receosamente.

– Poder?

– Sim. Na verdade, apenas os deuses maiores sabem. Os três maiores da mitologia grega, romana, egípcia e os maiores da nórdica sabem da nossa existência. Até por que nós de longe ajudamos a manter a ordem que precisa ser estabelecida.

– Ordem? – perguntamos em uníssono.

– Sim, você deve saber que há espíritos e deuses menores nas mitologias que são responsáveis pelo tempo, certo? – ela assentiu e eu também – as vezes eles não dão conta, ou fazem algo errado por estarem com sobrecarga. Ou nós simplesmente temos que fazer o destino acontecer.

– C-c-como assim?

– Muitas vezes alguns fenômenos naturais estão programados para acontecer e isso pode de alguma forma afetar os seres humanos. Então nós somos os encarregados de fazer acontecer.

– O que? Vocês matam as pessoas da sua própria espécie?

– Quando precisamos, sim – ela assentiu dura.

– Mas como vocês conseguem? Isso é terrível!

– Você irá aprender que muitas vezes é necessário para que o equilíbrio mundano seja mantido.

– Muitas vezes, não todas. Deve haver algo que possa impedir tudo isso! Meu Deus! Tantas pessoas mortas pela culpa de vocês!

– Aceitando ou não você deverá ser treinada antes que os seus poderes acabem a matando – ela respondeu seca e com os olhos frios – não seria muito ruim, já que você se mostra uma garota inconsequente. Mas diante do seu poder, temo que isso poderá causar um estrago não previsto e nós não queremos que a ordem seja abalada. Lutamos para que tudo ocorra bem por anos, não é por causa de uma garotinha idiota que nós vamos mudar isso – ela virou-se de costas balançando sua túnica vermelha que estava presa na cintura por uma faixa vermelha e guardas começaram a avançar lentamente até Brenda que os olhou horrorizada.

Dei um passo à frente dela e o Josh adentrou o salão estrondosamente e correu até ela. O Salomão levantou-se rapidamente e pôs-se numa postura defensiva com os braços prontos para lançar algo no garoto, mas eu criei uma leve barreira, porém poderosa que os protegeria e provavelmente iria o deixar confuso mas não me revelaria ali. Os dois seguraram as mãos uns do outro e nós imediatamente fomos sugados por um túnel escuro até o quarto dela. Eles caíram no tapete fofo e eu aterrissei em pé como um gato. Ele a abraçou apertado e ela retribuiu chorando e balbuciando algo como “meu Deus” e “não acredito”.

Naquele momento eu percebi a gravidade do que estava acontecendo e mesmo sendo quem eu sou, aquilo chegava a ser quase cruel. E como eu disse, sendo quem eu sou, estar pensando nisso significava que eu estava passando muito tempo com esta garota. E embora eu quisesse continuar lá e descobrir mais coisas, eu precisava ir para casa e investigar sobre aqueles humanos detestáveis que pareciam possuir maior poder do que eu. Estreitei os olhos e estalei os dedos para voltar para o meu aconchegante reino e fiquei assistindo automaticamente na minha mente tudo que estava acontecendo no quarto da Brenda.

Notas finais
Pronto, espero que gostem, 2bjs