Suspiro

4 Capitulo 3


Notas iniciais
Oioioi tudo bem com todos? Nova narradora, kk Espero que goostem.

Que? O que... Não. Acredito. Como ela acha que pode simplesmente contar a minha vida para todos sem minha permissão? E... Ai! Já entendi. Ela realmente pode. Mas ainda assim acho um desrespeito. E ainda mais, eu vou ter que continuar para ela. Se não fosse quem é, eu com certeza... Ai meu Deus, está bom! Voltando a tudo que estava acontecendo naquela noite, o Josh continuou me abraçando pelo que pareceram uns cinco minutos e eu continuei chorando por todo este tempo também. Até que eu parei e me afastei dele como se tivesse me dado um choque. Ele era um deles! Ele fazia tudo aquilo que ela havia me dito. Ele era responsável pela morte e destruição de milhares de vidas! Eu de jeito nenhum poderia me aproximar a uma pessoa assim. Levantei e recuei até minhas costas tocarem a parede e eu me encolher pela dor de ter batido em um cabideiro de ferro. Ele me olhou com a dor tomando-lhe os olhos e eu abaixei a cabeça ainda olhando para ele com olhos estreitos.

– P-p-or que você fez isso?

– Eu não posso ficar perto nem sequer tocar em uma pessoa como você – abracei o meu corpo.

– Que?

– É isso mesmo que você ouviu – levantei a cabeça, olhando diretamente nos olhos dele.

Josh levantou e respirou fundo me olhando um pouco transtornado. Correu pela sacada e pulou sobre ela e restando apenas o barulho fraco do vento depois de sua saída eu me joguei em minha cama abraçando-me ao travesseiro e apagando em seguida.

– Você precisa ir minha querida – olhei ao redor e não encontrei ninguém – nós podemos te ajudar, mas não podemos mudar muita coisa no seu destino.

– Se nos atrevermos a fazer isso, a ordem das coisas poderá ser modificada tragicamente.

– Nós não podemos correr o risco – mais outra voz falou naquela escuridão imensa e eu apenas girava cegamente procurando as três fontes.

– O que está acontecendo? Do que estão falando? Onde estou?

– Muitas perguntas que não podem ser respondidas.

– Pelo menos não agora.

– Apenas tome esse anel que está em seu bolso e o guarde com a sua vida.

– Anel? – perguntei e senti algo quente no bolso da minha jaqueta.

– Sim, esse anel poderá te ajudar a mudar as coisas.

– Se você o usar corretamente poderá salvar vidas.

– Agora vá minha menina. Vá e mude a sua história com graciosidade e triunfo.

– Esperamos que as suas obscuras origens não ressaiam na sua jornada e mente, agora tão confusas – a primeira voz falou e eu senti uma leve brisa roçar no meu rosto e ao meu redor.

Levemente fui caindo no chão de terra fria e molhada até só restar uma paisagem de uma praia a noite e uma imensidão negra e branca a minha frente. O vento frio me congelava e o meu cabelo balançava sobre o meu rosto apesar de estar espalhado na areia que agora estava branquinha como o normal. Sentei-me novamente e olhei ao redor, me perguntando onde eu estava. Parecia uma ilha comum, cheia de coqueiros e árvores nativas, o final da praia indo até onde eu não podia mais distinguir muita coisa. Levantei-me por fim e comecei a andar próxima às ondas cheias de espuma e sentir o cheio salgado do mar. Desde pequena eu sempre fora muito afeiçoada a ele e me acalmava estar tão perto. Para mim, a praia a noite era muito melhor, graças à brisa e a escuridão do mar.

– Quem é você? – uma voz suave e delicada vibrou próxima às árvores e eu olhei imediatamente para lá – Diga o seu nome!

– E-e-eu sou... Você é Calipso não é? – perguntei inquisitiva e uma garota de túnica branca saiu do esconderijo confuso de árvores nativas.

– Eu perguntei quem é você.

– Bom, eu sou apenas uma garota normal – olhei ao redor – Apenas sonhando.

– Sonhos para pessoas como você muitas vezes podem não ser o que parece filha da escuridão – aquilo me atingiu como um soco no estômago e de repente eu me senti sendo sugada por algo estranho, como se estivesse descendo por um ralo.

Acordei completamente assustada e confusa, no chão enrolada nas cobertas e suja de terra da cabeça aos pés, sem falar que eu estava sem sapatos e com as pontas dos meus dedos molhadas. Levantei ofegante e me perguntei por um segundo o que havia acontecido até me deparar com uma ridícula realidade. O sonho. Toquei no bolso da minha jaqueta e senti o volume que o anel fazia. Abri e o peguei. Era um tipo de aliança como se fosse uma coroa de flores. Era de ouro e a sua forma circular parecia como se fossem galhos intrincados com lírios embutidos. Mais assustada ainda, o guardei novamente no bolso e peguei a jaqueta, a pendurando no último cabide do meu armário e fechando a porta em seguida.

– Brenda! – ouvi a minha mãe me gritar do andar de baixo e suspirei de alívio por estar em minha realidade.

– Vou só tomar um banho! – gritei de volta e fui para o banheiro fazer a higiene matinal e tomar um bom banho para tirar toda aquela terra do meu cabelo.

Quando acabei, vesti uma calça jeans apertada e uma camisa branca com estampa Jackie Daniels e um dos meus coturnos. Arrumei o cabelo o mais rápido e bonito possível e desci com a mochila nas costas para a cozinha apenas pegando uma maçã. E correndo para entrar no carro do Raul antes que ele saísse. Mas antes que eu pudesse sequer chegar na porta da garagem no lado da casa eu ouvi uma voz suave e grave ao mesmo tempo atrás de mim. Congelei no lugar e depois me virei lentamente para apenas encontrar o nada. Balancei a cabeça para dissipar a ideia de que ele estivesse ali, mas assim que me virei ele estava na minha frente a mínimos centímetros de mim. Parei de respirar por alguns instantes e recuei um passo o fazendo sorrir.

Se não fosse quem fosse até poderia tê-lo achado fofo com aquele sorriso com covinhas, mas a sua cara de anjo escondia um pesadelo. Recuei outro passo e ele avançou um, abrindo os braços como se para me abraçar. Comecei a andar para trás e depois sai correndo, segurando a minha mochila nas costas. Corri até a esquina da rua o encontrando rindo a alguns metros e virei a esquerda indo na direção de um bosque que havia não muito longe. Quase fui atropelada por alguns carros que estavam passando, mas ao sinalizar com as mãos eles pararam quase em cima de mim. Continuei até chegar no bosque e fui entrando cada vez mais fundo na floresta. Perdi as contas de quantas raízes eu pulei e de quantas vezes pedaços de galhos cortaram-me o corpo.

Mas o cansaço me venceu e eu acabei tropeçando num tronco apodrecido coberto de musgo e cai direto no coração da floresta. Ouvi uma risada a minha frente e avistei o Lucas sorrindo para mim. Ele vestia uma camisa de manga azul escuro com listras brancas e azuis, uma toca cobrindo os cabelos loiros espalhados pela testa, um calça jeans e um all star. Ele parecia igualzinho ao que eu me lembrava. Era até difícil imaginar que um dia eu o tinha amado se eu não me lembrar que um dia ele fora apenas o garoto novato e fofinho que havia gostado da garota inteligente e legal da sala. Não era falta de humildade, as pessoas me achavam legal, eu que não me acho assim mas tudo bem.

Tentei me sentar escorregando pelo musgo mas apenas machuquei um pouco mais o tornozelo. Ele veio se aproximando em passos lentos e quando chegou se agachou na minha frente acariciando meu rosto com sua mão macia e quente. Fechei os olhos me lembrando dos momentos bons, mas tudo se manchou de negro quando... Ele me arrancou dos meus pensamentos quando me puxou pelos cabelos e me abraçou desajeitadamente e ofegante. Franzi o cenho e ele me empurrou de volta.

– Por que teve que ser assim?

– Como? – perguntei.

– Se você não tivesse... – a expressão dele se retorceu em dor.

– Não importa, eu só tenho que te levar.

– Me levar para onde?

– Você já foi lá, irá gostar se conhecer melhor – ele me puxou para seu colo e eu sem forças me deixei ir.

Notas finais
Mais mistério o/ espero que tenham gostado o/