Surpresas Da Vida
28 Você se lembra disso?
Notas iniciais
CASTIEL'S P.O.V.
Roma. Esse era o próximo destino. Em poucas horas chegaríamos a uma das mais belas cidades do planeta. E tudo isso se faz ainda mais belo porque tenho Dean ao meu lado.
Ele ainda está sofrendo. Eu queria poder fazer mais por ele, mas eu mal suporto a morte do meu melhor amigo, quanto mais ser ainda mais prestativo do que já estou sendo. Modéstia a parte, eu sou forte e estou vendo o resultado das minhas ações no rosto de Dean. A cada dia ele parece mais descansado, sorri mais, se encanta com a beleza dessa bela cidade e a cada dia que se passa, estamos mais próximos, mais conectados de alguma forma.
E eu ainda estou completamente apaixonado por ele.
Me dói o coração ver aquelas lágrimas escorrendo por seu rosto, me dói o coração ver que seus sorrisos, mesmo sendo sinceros, tem um quê de tristeza que os acompanha. Não acho que posso mais conviver com isso, mas eu tenho que me esforçar. Porque eu fiz uma promessa a Sam e, mesmo que eu quisesse, nunca seria capaz de abandoná-lo.
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Liguei para Sarah, dizendo que estávamos de saída. Ela fez as perguntas de sempre, se havíamos gostado e mais uma vez disse que sente muito pela morte de Sam e que ele era um amor. E, junto com as perguntas, dei as mesmas respostas de sempre. Disse-lhe que Paris era ótima e que Dean estava um pouco melhor, mais solto e que iríamos ficar bem. Agradeci pelos sentimentos por Sam e ela me informou que o carro nos levaria ao aeroporto em meia hora.
Suspirei ao desligar o telefone e andei até a sacada do nosso quarto, olhando para um Dean totalmente perdido em seus pensamentos e na bela vista que nos deleitava. Me aproximei dele e o abracei por trás, sentindo aquele cheiro inebriante que ele exalava, e depositei um beijo em seu ombro.
– O carro chega em meia hora – Sussurrei em seu ouvido e o vi suspirar.
– Se não estivéssemos indo para Roma, acho que não gostaria de sair daqui nunca – Ele levou uma das mãos aos meus braços que envolviam sua cintura, me fazendo um carinho.
– Sei como se sente.
– Posso te contar uma coisa, Cas?
– Você sabe que sim – Sorri para ele e ele se virou de frente para mim, escapando de meus braços.
Aquelas enormes esmeraldas me encaravam, suas bochechas ficaram levemente avermelhadas e não pude evitar sorrir ao perceber que ele estava com vergonha de algo.
– Lembra que você me contou das cartas? As que você escreve para o Sam?
– Lembro... – Eu ia dizer algo, mas esperei ele terminar.
– Eu tentei escrever ontem, depois que você dormiu – Ele desviou o olhar e voltou a encarar a bela Paris.
– Algum bom resultado? – Andei até ficar ao seu lado, observando a paisagem também.
Ele não me respondeu. E sua respiração começou a ficar mais pesada. Respirava fundo e sem um ritmo certo, chamando a minha atenção. Apenas virei o rosto e pude ver que poucas lágrimas escorriam de seus olhos, morrendo em seus lábios ou caindo em sua camisa. Meu coração se apertou ao ver aquela cena, mas um sorriso meio forçado apareceu em seus lábios.
– Eu comecei a escrever e... Eu não consegui dizer o que eu estava sentindo. Eu estou com tanta raiva dele, Castiel – Dean começou a soluçar e se virou para me dar um abraço.
– Raiva? Mas por quê?
– Ele me prometeu – O loiro soluçava entre as palavras, tentando se forçar a parar de chorar, mas sem força nenhuma para isso – Ele sabia que ele ia morrer e fez promessas que sabia que não conseguiria cumprir.
Fiquei em silêncio e apertei mais o abraço. Eu não sabia mais o que dizer.
– E ele não tinha o direito de fazer isso comigo, Cas. Como ele pôde?
– Ele queria passar mais tempo com você, Dean. Queria te ver sorrindo, não queria te preocupar – Eu consegui dizer, sentindo algumas lágrimas escorrendo de meus olhos também e Dean não respondeu. Chorou por mais alguns minutos e quando percebi que parou de soluçar, beijei o topo de sua cabeça – Está mais tranquilo?
– Estou sim, Cas. Me desculpe.
– Não há nada para se desculpar. Estou aqui para isso. Por você, não é?
– Fico feliz que esteja aqui – Ele separou o abraço e me olhou os olhos, depositando um beijo em meu rosto, perto de minha boca, e tive que me segurar para não beijar aqueles lábios dos quais eu sentia tanta falta.
– Enquanto você me quiser, não vou a lugar algum – Sequei suas lágrimas com a ponta dos dedos e ele pegou minha mão, sorrindo levemente.
– Vamos? Temos que deixar tudo pronto para quando o carro chegar.
Ele me guiou até o quarto e andamos por ele, checando se pegamos tudo o que era nosso. Vi Dean guardar algumas folhas de papel em sua bolsa... Deveriam ser as cartas. Minha curiosidade me invadiu por um instante e eu quis saber o que ele havia escrito. Mas eu não perguntaria, pois quando ele quisesse me contar, viria até mim.
Andamos novamente, ainda em silêncio, até a varanda. Puxamos dois bancos para perto da sacada e nos sentamos, apreciando aqueles últimos minutos de Paris. Céus, vou sentir falta daqui. E tenho certeza de que Dean também vai.
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Já estávamos no avião e Dean estava dormindo com a boca entreaberta deitado no meu ombro. Eu estava no assento da janela, ouvindo algumas músicas em meu celular e sentindo a respiração quente de Dean em meu braço. Uma de suas mãos estava apoiada sobre o meu braço e só percebi que ele havia acordado quando sua mão se mexeu.
– Bom dia, Dean – Eu sussurrei para ele, olhando-o nos olhos verdes.
Ele me encarou por um momento com os olhos abertos, como se nunca tivesse me visto antes. Fiquei confuso, mas continuei sorrindo suavemente.
– Bom dia, Cas – Ele se sentou direito na poltrona – Já estamos chegando?
– Sim, só mais uns 20 minutos e logo estaremos em Roma.
– Eu estou tão ansioso – Um sorriso muito aberto tomou conta de seus lábios.
– Imagino – Eu ri fraquinho – Sempre foi seu sonho.
– O Sammy te contou isso? – Ele pareceu surpreso por um instante, mas seu rosto, aos poucos, ganhou uma expressão pensativa.
– Não. Você me disse isso quando entrou no colégio e começou a andar com a gente. Acho que foi no seu terceiro ou quarto dia... Não, foi no quarto dia. Lembra que fomos até a casa de um dos garotos do futebol e comemos aquela pizza enorme de quatro queijos?
Ele não me respondeu, apenas pude ver um pequeno sorriso em sua boca, enquanto ele me olhava com os olhos um tanto arregalados.
– Naquele dia, você comeu mais de quatro pedaços daquela pizza. E depois que alguns dos rapazes foram embora, resolvemos ir até aquela praça perto de uma faculdade e ficamos conversando. O Sam não parava de dar em cima de você – Eu ri fraco de novo – E você disse que um dia iria para a Europa, mas seu sonho mesmo era conhecer Roma e todas as suas maravilhas. Acho que foram essas as palavras...
– Você se lembra disso?
Antes que eu pudesse responder a voz de uma das aeromoças soou por todo o avião, dizendo para nos sentarmos, afivelarmos os cintos e aguardar o pouso. Apenas sorri para Dean. Ele parecia mais surpreso do que antes, mas é... Eu me lembro daquele dia. Me lembro de tudo sobre ele. Às vezes eu queria esquecer, mas é impossível.
Ficamos em silêncio, nos olhando de vez em quando até que o avião começou a pousar. A respiração de Dean estava mais acelerada e pude notar que suas mãos estavam suando. Ele estava mesmo nervoso.
– Você está bem?
Assim que perguntei, ele praticamente se jogou no meu colo para conseguir ver pela janela. Eu ri, fazendo um carinho em seus ombros.
– Finalmente – Ele abriu seu melhor sorriso e olhou para mim.
Eu juro que meu coração falhou uma batida naquele momento.
Continua...
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