Surpresas Da Vida
30 Boa noite, Cas.
Notas iniciais
CASTIEL'S P.O.V.
Seus lábios encontraram os meus e perdi a noção de qualquer coisa que estava a minha volta. Não sabia mais onde estava, ou que horas eram, ou que dia era, tudo o que eu sabia era que Dean estava me beijando. Meu coração estava acelerado e eu tentava ao máximo controlar a minha respiração, já que minha pulsação seria impossível. Tudo pareceu tão certo naquele momento, como se nada de ruim tivesse acontecido, como se nada fosse acontecer. Eu queria pausar aquele momento e me afogar nele para sempre.
Seu cheiro inebriante invadiu minhas narinas, amolecendo todo o meu corpo, enquanto nossos lábios se enroscavam lentamente, sem pressa alguma. A minha vontade era de agarrá-lo naquele momento e nunca mais deixá-lo ir.
– Que tal comermos alguma coisa? — Ele disse assim que encerrou o beijo.
Não respondi, apenas o encarei tentando descobrir o que estava acontecendo. Não estava reclamando, claro que não. Foi maravilhoso poder sentir o gosto dos seus lábios macios nos meus de novo, e foi bem melhor do que eu conseguia me lembrar, mas... Que merda foi essa?
Vinte minutos atrás ele estava choramingando porque queria ir para casa e triste por cauda de Sam, e agora ele está normal de novo. E o beijo? O que foi aquilo?! Porque não foi como naquela noite em que ele estava bêbado. Foi mais como aquele no parque... Foi cheio de carinho e sentimento e... Foi apaixonado. Da mesma forma que ele costumava beijar Sam. Que merda foi essa?
– Por que está me encarando desse jeito? Já está me deixando com medo. Vamos, eu estou faminto.
Dean se aproximou novamente de mim e me beijou gentilmente nos lábios, olhando-me com aqueles olhos verdes antes de sair da cama.
– O que foi isso, Dean? — Tive que perguntar.
– O que, Cas? — Ele disse com a inocência em sua expressão.
– O beijo. Eu não sei se quero ouvir a resposta, mas eu preciso saber — Esperei por uma resposta e me amaldiçoei por ter perguntado assim que eu vi o sorriso diminuir em seu rosto.
– Eu estava dizendo "obrigado" e "me desculpe".
Suspirei. Eu não sabia o que estava acontecendo. Sei porque ele agradeceu e se desculpou, mas não tinha outra forma de fazer isso sem ferrar completamente com a minha cabeça?
– E a que passo estamos?
– Podemos não falar sobre isso agora?
Percebi que Dean realmente não queria ficar analisando as coisas, principalmente aquele beijo. E eu não ficaria o forçando a falar sobre isso. Afinal, estamos em Roma, era o sonho dele, não poderia abalar sua felicidade. Seria o que ele precisasse de mim.
– Claro. Me desculpe, Dean.
– Agora, vamos. Coloque uma roupa decente, vamos comer uma macarronada.
Não consegui segurar uma leve risada ao ouvi-lo dizer aquilo. Macarrão, sério?
– O que é tão engraçado agora? — Ele me perguntou curioso.
– Estamos em Roma. E você quer comer macarrão? O que vem depois? Pizza?
– Eu vou te mostrar o que eu quis dizer, ok? Mas depois, agora vai se vestir.
– Já vou, mãe! – Brinquei e fui me trocar.
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DEAN'S P.O.V.
Estávamos jantando naquele restaurante maravilhoso do hotel. Pedi um macarrão com almôndegas para mim e coloquei um pouco no prato do Castiel para ele experimentar e decidir se iria querer também ou não. Ele olhava para mim com a expressão confusa e eu sei que era por causa do beijo, mas eu realmente não queria discutir aquilo agora. Fiquei feliz por ele entender e respeitar isso.
– Vamos, coma — Eu disse, em expectativa.
– Qual a diferença desse macarrão para o que nós fazemos em casa?
– Esse é uma delícia.
– Não pode ser tão bom — Ele simplesmente não acreditava em mim.
– Experimenta para ver.
Castiel pegou um pouco da massa com o garfo e levou a comida até a boca. Mastigou algumas vezes antes de arregalar os olhos, mostrando sua surpresa.
– Hmm...
– Bom, não é? Quer mais? – Perguntei sorrindo para ele. Eu disse que era bom.
– Por favor – O dono dos olhos azuis me respondeu ainda de boca cheia, sorrindo também.
Peguei o prato dele e coloquei um pouco mais da macarronada que pedi ao garçom.
– É muito, Deanno. Não vai sobrar para você — Ele disse, preocupado com a montanha de massa que estava na sua frente.
– Eu peço outro quando acabar. Agora vamos, me diz se não é o melhor macarrão da sua vida.
– É com certeza o melhor macarrão da minha vida – Castiel disse rindo e começou a comer.
Comemos em silencio, trocando olhares e sorrisos durante o jantar. Estava feliz por ele estar ali comigo, mas eu conseguia ver em seus olhos azuis a confusão que dominava sua mente. Ele não sabia o porquê de eu tê-lo beijado, mas eu sim. Só não posso dizer o motivo a ele sem ter 100% de certeza, porque ele é ótimo e não posso deixar que ele saia machucado.
"Cuida dele e deixa ele cuidar de você. Ele te ama muito e eu sei que você também o ama", as palavras da carta que Sam me deixou ficaram rondando a minha mente e quando eu estava escrevendo as cartas para ele, eu percebi o quanto Castiel era especial, o quão importante ele era na minha vida, sempre esteve lá por mim, sempre esteve apaixonado por mim. E parece que eu era o único que não percebia isso, porque eu estava tão encantado e cego pelo brilho do Sam, que eu me esqueci do meu melhor amigo, não percebi os olhares, os sorrisos, os toques, as palavras gentis e carinhosas... Mas eu vejo tudo isso agora. Vejo tudo o que me foi privado por tantos anos. Ele sempre cuidou de mim. Pobre, Cas. Eu o amo tanto, e acho que estou me apaixonando por ele também. Por isso eu o beijei, por isso eu não estou me sentindo mal, por isso aceitei uma cama de casal em qualquer um dos quartos daquele hotel.
Aquele beijo foi diferente, sabia? Claro que foi intenso como aquele do parque, e talvez até um pouco desengonçado como naquela noite em que eu estava bêbado e ele cuidou de mim, mas o que realmente o diferencia é que não foi por impulso, foi uma certeza que eu tive naquela hora, uma certeza que carrego comigo neste exato momento. A certeza de que eu o amo e de que ele me ama também. Isso é importante, não é?
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Depois do jantar, subimos novamente para o quarto. Ele estava calado e pensativo, como se estivesse fazendo uma decisão importante. Me sentei no sofá com ele ao meu lado.
– Podemos conversar agora?
– Claro, Cas. Me desculpe.
– Por que me beijou? — Ele foi direto ao assunto.
– Porque eu quis — Parecia a única resposta no momento.
– E o que ele significou?
– Significa que... — Pensei nas palavras que gostaria de dizer e um leve sorriso tomou conta de meus lábios — Olha, o Sam morreu e eu senti como se meu mundo fosse desmoronar, e realmente desmoronou por algum tempo, mas foi só até você voltar para aquele apartamento e cuidar de mim. Você sempre cuidou de mim, Castiel. Desde o primeiro dia em que nos conhecemos, sempre me perguntando como eu estava, me dando apoio, me trazendo de volta para a realidade. Claro que Sam era ótimo, sei que ele ainda é, não importa onde ele esteja, mas eu não posso negar o fato de que você é tão importante para mim quanto ele.
– Dean...
– Deixa eu terminar, Cas — Eu o interrompi — Você me amou, mesmo sabendo que enquanto eu estivesse com o Sammy, nunca poderíamos ficar juntos. Você me amou quando todas as coisas te diziam para me esquecer. Você me amou e se machucou, e eu sinto muito por isso. Se você ainda quiser, eu gostaria de te compensar por todos esses anos. Eu também te amo, Cas. Me desculpe só ver isso agora. Mas tem uma coisa que temos que considerar, eu ainda estou ferido, ainda tem um buraco enorme no meu coração, porque eu o amava também. Creio que não vai ser tão fácil de me suportar, pelo menos até eu acalmar meus pensamentos. Estou fazendo a maioria das coisas por impulso e isso não é bom, mas se tem alguém no mundo que pode me ajudar a superar essa perda e me salvar, esse alguém é você.
Ele ficou me olhando por um tempo. Seu rosto permanecia imóvel, mas eu podia ver seus olhos sorrindo para mim. Após alguns instantes, a realidade pareceu bater em seu rosto e um sorriso aberto dominou aqueles lábios rosados. Levei minhas mãos até seu rosto, fazendo um carinho em suas bochechas e o puxando para mais perto até selar nossos lábios suavemente.
– Agora, sabe o que o garçom me contou? — Eu perguntei, com nossos rostos ainda próximos.
– O quê? — Ele sorria abertamente.
– Vai ter um festival hoje à noite, com fogos de artifício. E aí, o que me diz?
– Vamos onde você quiser, Dean.
– Então, vamos. Depois vamos tomar um milkshake– Depositei um leve selinho em seus lábios e me levantei, estendendo uma mão para ele — Vamos?
– Vamos.
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Chegamos a uma praça que ficava perto da fontana di trevi, e assim que nos misturamos à multidão, os fogos começaram. Uma banda tocava uma suave música, enquanto o céu se iluminava. Um sorriso cresceu instantaneamente em meu rosto, enquanto eu olhava para as formas que se criavam no céu e dois braços me abraçavam por trás. Me senti protegido e em paz naquele momento.
Assim que consegui desviar minha atenção dos fogos, olhei para Castiel. Ele já estava me olhando com um leve sorriso nos lábios e os olhos brilhantes. Sorri ainda mais e me virei, ficando de frente para ele. Não existia mais Roma, ou festival, ou fogos de artifício, apenas aquelas duas safiras que me puxavam e me afogavam na imensidão da sua cor. Olhos tão lindos, tão familiares.
Eu o beijei e ele retribuiu imediatamente, eu não queria deixá-lo ir nunca mais.
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Voltamos ao hotel após algumas horas. Já estava de madrugada e estávamos cansados. Tomamos uma ducha rápida, primeiro ele, depois eu e nos deitamos na enorme cama do quarto de hotel. Eu estava aninhado em seu peito e podia ouvir as batidas aceleradas de seu coração.
– Promete que nunca vai me deixar?
– Claro, Dean. Como eu já disse antes, vou estar por perto, enquanto você me quiser por perto.
– Então você nunca vai embora — Eu disse baixinho, me aconchegando em seu corpo.
– Boa noite, meu anjo.
– Boa noite, Cas.
Fiquei deitado por um bom tempo e, mesmo estando cansado, não consegui dormir. Castiel já estava mergulhado em um sono profundo e eu não acreditava que tudo aquilo estava mesmo acontecendo. Em um momento eu era Dean, o cara que perdeu o namorado e foi um cretino com todos que se importavam com ele, e ele era só o Castiel, meu melhor amigo. Agora eu me sentia bem como a muito não me sentia e ele... Bem, ele era bem mais do que meu melhor amigo.
Me levantei da cama e andei até a sala, observando a fraca movimentação pelas janelas. Em cima do sofá eu vi a minha mochila, estranho, porque eu não me lembro de tê-la colocado aqui. Talvez tenha sido alguma camareira. Eu a abri e logo vi as cartas que escrevi para Sam. Resolvi me sentar e tentar de novo. Contar a ele o que eu havia descoberto, tenho certeza de que ele ficaria feliz.
Essa seria a minha última carta para ele, porque eu não precisaria mais delas para me sentir melhor. Comecei a escrever, sentindo as lágrimas se acumularem em meus olhos, sendo que algumas conseguiam escapar, mas não eram lágrimas de tristeza, muito pelo o contrário. Em poucos minutos a carta estava pronta.
"Você nunca disse adeus, sabe. Eu disse. Talvez centenas de vezes, talvez mais de milhares de vezes. E você nunca ouviu os meus ‘Adeus’, você nunca ouviu os meus choros e os meus gritos e os meus ‘Sinto muito’. Você não olhou para mim quando eu chamei o seu nome de novo e de novo. Você não me abraçou de volta quando eu te abracei. Você não disse ‘Eu te amo também, meu anjo’ como você costumava fazer. Eu não senti o calor em suas mãos, seus lábios nos meus ou seus olhos capturando o meu olhar.
Você era tão bom para mim e eu fui forçado a te deixar ir. Roubaram você de mim. Senti esse vazio por um bom tempo, porque eu não havia superado você e, talvez, eu nunca consiga, mas, como você queria, estou feliz agora. Não me entenda errado, eu sinto sua falta e imagino todos os dias como seria se você estivesse aqui, mas eu aprendi da pior maneira que a vida não é fácil e agora estou conformado com isso, porque, talvez graças a você, eu o tenho agora. E ele é ótimo. Com certeza você sabe disso.
Eu sinto sua falta, meu amor. Obrigado por tudo.
Para sempre seu, — D."
Eu a deixei em cima da escrivaninha e senti meus olhos pesarem, então voltei para a cama, me aninhando novamente no peito do Castiel e sentindo um de seus braços envolvendo meu corpo e me puxando para mais perto.
As palavras que eu coloquei na carta rondaram a minha mente até que o cansaço vencesse e eu caísse no sono.
Continua...
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