Notas iniciais
Alexia está encrencada. Seria uma armadilha? Ruby tem que escolher. Red Coat toma a frente e deixa todos pasmos.

Dean fecha a porta do Impala e olha para a fumaça do céu. Jo e Veronica vêm ao seu encontro, ambas com água nos olhos. Jo abraça Dean e Veronica coloca a mão no ombro dele.

As luzes da ambulância e da polícia refletem no local. Dean queria chorar. Ele queria sair daquele local, mas não queria demonstrar tristeza. Não queria demonstrar a dor que tinha agora, que ia do nó forte em sua garganta ao resto todo do corpo.

Ele olha para Ruby. Ela está sentada, encostada no carro de Bobby. Mexia numa folhinha que encontrara no chão.

Ela e Dean se olharam por um momento. Ruby parecia humana, pelo menos desta vez.

E Dean não sabia como ela poderia ser a culpada.

12 horas antes.

Alexia era torturada. Estava presa á uma cadeira de ferro, com amarras nas mãos e nos pés. Já estava com câimbra de ficar ali.

Ela tem seus gritos abafados por uma fita que, para a felicidade dela, já estava se soltando. Mas ela ouviu os passos. Ouviu-o chegando. Red Coat estava vindo para matá-la.

Á vários quilômetros de distância dali, Dean jogou o resto de água que tinha em seu copo na pia do hotel. Estavam todos dormindo, em quartos diferentes. Sam com Ruby, Bobby com Ellen e Dean com Jo.

Dean queria muito ir atrás de Alexia, fazê-la revelar que ela era Red Coat, mas estava guardando esse momento. Ele ainda não havia contado para ninguém sobre a mensagem e sua conclusão dela.

No outro quarto, Sam e Ruby tinham outra noite de amor. Começou quando ele estava escovando os dentes. Ele estava sem camisa, e Ruby se aproximou, tocando sua cintura e colocando a mão por debaixo do calção dele.

– Você é muito safada. –disse ele, depois de lavar a boca.

Sam se virou e beijou ela. Beijou seu pescoço, seu braço, sua barriga.

– Você é meu agora... – Ela falava enquanto tirava sua própria blusa roxa.

Agora eles estavam deitados, nus, Ruby com a cabeça sobre o peito de Sam. Ele estava dormindo, mas ela não. Ela estava acordada, pensando sobre o que ela se tornou. Ruby era humana agora, sentia coisas de humanos. Mas ela sabia que aquilo não duraria para sempre. Em breve viriam buscá-la, e levá-la de volta para o inferno.

Ali do lado, Dean não conseguiu se conter. Ele pegou as chaves do Impala e começou a sair devagar do quarto.

– Dean? – chamou Jo. – Onde você vai?

Ele ascendeu a luz. Jo estava de pé, com os braços cruzados, como se não tivesse dormido.

– Eu... – começou Dean.

– Me explica no caminho. – Jo disse, pegando uma jaqueta que estivera na guarda da cadeira e calçando suas botas de couro sem salto.

Ela passa do lado de Dean e fica do lado do Impala.

– Você vem ou não? – pergunta ela.

Dean, perplexo, fecha a porta do quarto com cuidado e entra no carro.

__

Uma hora de viagem já haviam se passado. Dean contara a Jo sobre Alexia, a mensagem e suas suspeitas. Jo tentava ligar os pontos. Tudo batia em Alexia. O machucado, os sumiços, a aparição...

– Aquela faca na mão dela. – disse Jo, olhando pelo vidro embaçado. – Quando eu entrei na sala, vi ela com a faca. Era, assustador. Sabe o filme A Órfã? Eu vi a garotinha ali, onde estava sentada Alexia.

– O que é A Órfã? – pergunta Dean.

Jo olha para ele pasma. Ela abre a boca para falar mas percebe outra coisa.

– Olha! Dean!

Dean desacelera e olha para onde Jo está apontando. Era uma enorme casa na beira da estrada. As luzes no segundo andar estavam acesas.

– Uma casa? – pergunta ele.

– Não é uma casa qualquer. Sempre quando vínhamos no Bobby a mãe passava por esta casa e dizia que queria morar aqui, construir o bar e ficarmos mais perto do ferro-velho. Mas aí, quando viemos falar com os donos, disseram que a casa não poderia ser habitada pois estava condenada a cair. – explicou Jo. – Ninguém pode morar aqui.

Apesar do local ser muito, muito velho, o quintal é muito bonito. Altas palmeiras e árvores tapam um outro cômodo, separado da casa.

Dean fixa o olhar na janela. Mas então, movimentos do lado de fora fazem ele desviar o olhar para o quintal da mansão. Na floresta, estava ele, ou ela. O Red Coat.

– Saca! – diz Dean olhando para Red Coat.

Jo olha e solta um arquejo. Eles descem do carro e vão em direção ao anônimo. O Red Coat corre para dentro da casa.

– Tenho chance! – fala Dean.

– Não! – Jo murmura, parando Dean. — Eu vou com você.

Dean olha fixamente para ela.

– Jo, você não pode se arriscar. Está doente!

Jo abre o Impala e pega uma pistola e uma lanterna no porta-luvas.

– Foda-se a minha doença. Eu não vou deixar de capturar Red Coat por causa dessa merda.

Ela toma a frente de Dean e começa a subir nos degraus da casa, lentamente para não fazer barulho. Dean balança a cabeça e a segue.

Eles entram na casa. Está muito escuro e sombrio lá dentro. Com certeza era uma casa onde cabia no mínimo, cem pessoas. Era muito velha, suja e cheia de aranhas. Havia muitas folhas secas dentro da casa.

O primeiro andar parecia quieto, como se ninguém tivesse passado por ali para entrar.

– Pss! – chamou Jo baixinho. Ela apontava a lanterna para as escadas.

Dean se aproximou e viu que havia sangue ali. Então eles começaram a seguir a trilha de sangue, que levava ao segundo andar.As luzes estavam acesas. Havia um grande corredor com sete portas e uma dobrada no fim. Nas paredes, retratos e quadros antigos. Um dos quadros era a planta da casa vista de cima.

Na representação da planta, o primeiro andar tinha uma enorme sala, uma cozinha e uma sala de jantar. No segundo, o corredor que eles estavam tinha três quartos, dois banheiros e uma sala de jogos. Jo acompanhou o dedo pelo quadro. Na dobrada que tinha ali, havia outro corredor com mais quatro portas. Então havia outra dobrada, que levava ao corredor final, com uma escadinha levando ao sótão.

Eles ouviram alguns grunhidos. Parecia vir de algum dos quartos. Então, eles começaram a abrir um por um. Quando Jo foi abrir a terceira porta, deu um grito de susto.

Era Veronica. Apontando uma arma para Jo.\"\"

– Veronica! – grita Jo antes que a outra caçadora atire.

– Jo? – diz Veronica baixando a arma.

Dean alcança Jo e olha para Veronica, surpreso.

– O que você está fazendo aqui?

Dean e Jo entram no quarto. Está bem novo, com livros numa estante e uma cama bagunçada. Veronica força os olhos.

– Rodric desapareceu do hotel onde estávamos. Eu acordei e ele sumiu.

Jo olha para Dean. Ambos com olhares que transmitem dúvida.

– Recebi uma mensagem de Red Coat com esse endereço. Dizia que Rodric estaria aqui.

Ela olha em volta do quarto. Então, Red Coat surge no corredor e fecha a porta onde eles estão.

– Não! – grita Veronica fazendo força contra a porta.

– Dean, ajuda! – diz Jo indo em direção a porta também.

Dean chega dando voadoras na porta, socos, empurrando com força. Mas havia alguma coisa muito mais pesada do lado de fora.

__

Alexia ouve gritos pela casa. Ela sabia que havia alguém lá.

Agora que havia retirado a fita da boca, ela usava os dentes para desamarrar as mãos. Uma delas já havia sido solta, e agora Alexia só desamarrava o nó da outra.

Ela estava exausta. Ainda estava com a mesma roupa desde que tivera o carro explodido. Não tinha tido tempo de tomar banho. Foi muito rápido: ficar vinte minutos num bar, sair para encontrar um hotel barato e então, quando finalmente encontrar, ser dopada por Red Coat. Foi assim desde que fugiu do carro de Bobby. Ficou inconsciente por quase um dia inteiro, e quando acordou estava amarrada naquela cadeira, naquela casa, naquele lugar estúpido.

Alexia esperava que fosse Dean lá fora. Talvez ele tivesse lido a mensagem, ido até o hotel que ela estava e depois seguido algum rastro que Red Coat deixara.

Aliás, onde estava Red Coat? Ele havia saído há umas duas horas e então não voltou mais. A cada minuto, Alexia imaginava que ele estivesse entrando naquela porta.

Finalmente, ela soltou as duas mãos. Rapidamente, desamarrou os pés e correu até a porta, onde espiou pelo corredor.

Não havia ninguém. Ela ouviu um barulho antes de sair. Dentro da sala onde estava. Alexia então foi até um roupeiro velho dentro do quarto e o abriu.

Estava ali. Dinamites. Tinham acabados de ser ativados, e marcavam 15 minutos. Ainda tinha um bilhete de Red Coat embaixo:

Se você sair, bum. Não se pergunte como. Apenas obedeça.

– Red Coat.

__

Sam entrou com Ruby na casa. Eles haviam recebido também uma mensagem de Red Coat, dizendo que Dean estava em apuros com Jo. Eles acordaram Bobby e Ellen e vieram rapidamente. Bobby e Ellen ficaram do lado de fora, esperando qualquer sinal.

– Tem certeza que é aqui? – disse Ruby avaliando o lugar.

– Sim. – fala Sam com a arma em punhos.

Eles ouvem batidas e chutes, que vem do segundo andar.

– DEAN? –grita Sam. Ele recebe o ‘SAMMY!’ de volta. – Vem, Ruby.

Eles correm para as escadas, e quando chegam ao segundo andar dão de cara com Red Coat.

– Filho da mãe! – grita Sam e avança para cima dele.

Eles lutam. Red Coat dá três socos em Sam e o derruba, atirando-o do outro lado do corredor. Ruby avança para Red Coat mas é rendida e atirada no chão.

Red Coat saca duas pistolas. Uma ele aponta para Ruby, outra para Sam. Depois, ele joga uma faca para Ruby e fala:

– Estão sem saída. Você, demônio, vai matá-lo agora com essa faca. Ou eu mesmo farei e ainda castigarei os que estão dentro dessa sala.

A voz era grossa, como a de um robô e soava horripilantemente.

Ruby hesitou. Ela levantou com a faca na mão e olhou para Sam.

– Você não precisa fazer isso, Ruby. – diz Sam.

– Ele vai matar todos nós. Todos. – fala Ruby, nervosa.

Dean continua a chutar. Jo e Veronica dão tiros na porta. O móvel que os impede de sair dali é um guarda roupa enorme.

– Faça. Agora. – murmura Red Coat com sua voz de robô.

Ruby olha para Sam. Ela vira a cabeça e vê Red Coat colocar o dedo no gatilho das duas armas.

– Você vai ficar bem Sam. – diz a demônio enfia a faca na barriga dele.

Sam urra de dor. Ele segura-se no ombro de Ruby, e vai caindo de joelhos.

– VIU? SEU FILHO DA PUTA! ESTÁ DESTRUINDO AS NOSSAS VIDAS! — Berrou Ruby. – NÃO ESTÁ SATISFEITO AINDA?

Red Coat balança a cabeça. Em seguida usa uma arma e dá um tiro na barriga e outro na perna de Sam.

– SAMMY! – grita Dean do outro lado, e então usa toda sua força para derrubar a porta e o roupeiro.

Uma fumaça toma conta do ambiente quando o roupeiro e a porta são derrubados. Quando o pó baixa, Ruby se vê com a faca na mão, sem reação. Dean, Jo e Veronica estão olhando para ela.

Dean avança para Sam e o abraça.

– Sammy! Sam! Sam! – ele berra, mas para Ruby sai apenas um som baixo e em câmera lenta.

Ela se encosta na parede e começa a escorregar, até cair sentada no chão. O Red Coat havia fugido dali. Ela seria a culpada agora.

Os próximos três minutos foram dedicados á levar Sam para o hospital. Bobby e Ellen entraram na casa e o pegaram no colo, levando-o até o carro. Dean queria ir, mas Ellen o forçou a ficar.

No fim, os quatro ficaram naquele corredor sombrio. Dean ouvia Ellen fechando a porta de trás do carro, depois de colocarem Sam ali dentro.

Então ele ouviu um grito. Todos eles ouviram. Era um choro, vindo do outro corredor.

Eles e olharam e seguiram. Ruby continuou sentada. Jo, Veronica e Dean foram seguindo o som, seguindo o choro.

Jo abriu a porta do quarto e viu Alexia, chorando. Ela andava para todos os lados, com as mãos nos cabelos.

– Alexia? – fala Veronica.

– Meu Deus! Graças a Deus! – diz ela indo ao encontro deles.

– Você não é o Red Coat. – afirma Dean.

– Claro que não! E eu não posso sair! – fala ela começando a chorar.

Veronica fica confusa.

– Ele tem o controle. Se eu sair ele aperta. E se eu não sair também.

Jo entra dentro da sala e olha para os lados.

– Controle do que? – pergunta ela até que vê os explosivos.

Jo solta um arquejo. Os explosivos estavam marcando 2 minutos e 3 segundos.

– Meu Deus! Temos que ir! AGORA! – grita Jo e corre em direção a porta.

Dean e Veronica olham para os explosivos e começam a correr. Então os três param.

– Alexia! Venha! – grita Veronica.

Alexia chora muito. Ela balança a cabeça e olha para dentro do quarto.

– Vão. Eu vou pular. – diz ela se recompondo e limpando as lágrimas dos olhos. – Tenho chance se pular. Vão!

Eles seguem correndo. Chegam ao corredor e encontram Ruby.

– Ruby! Vem, agora! Vai tudo explodir!

Ruby olha para eles. Jo a ajuda a levantar. Eles descem as escadas e encontram a porta. As meninas tomam a frente, e correm para o Impala, dando a partida. Jo freia o carro para esperar Dean entrar, mas no caminho ele desacelera para ver se Alexia os alcança.

Mas ele não ouve nenhum som de vidro se quebrando.

Então ele corre. Corre até alcançar o Impala.

E a casa explode. \"\"

Notas finais
Gostaram desse capítulo?

Eu gostei muito de escrever ele...
Comentem aí!