Supernatural - Behind The Red Coat

20 Quando a morte vêm lhe buscar


Notas iniciais
Quero agradecer, em primeiro lugar, aos comentários de re-boas-vindas da fic.

Espero que continuem a acompanhar!
Boa leitura! Ah, e uma novidade! Quando atingirmos 75 reviews, irei fazer um capítulo marcante e vou revelar um novo Red Coat! Então comentem, divulguem para colegas, amigos...- e aproveitem bastante!

Quando Dean abriu os olhos, ele estava andando sob uma estreita faixa de pedra molhada. Era quente. Ele olhou em volta e viu dor, morte, tristeza, angústia. Mas ele via nas paredes imagens tremulando. De Sam, de Jo, Veronica, Ellen, Bobby. Até de seu pai, de sua mãe. Uma forte dor no peito ocorreu-lhe.

Dean sabia que tinha que continuar andando. Ele caminhou mais um pouco e olhou para baixo. Parecia não ter fim. Algumas pedrinhas caíram quando Dean forçou o pé na extremidade da faixa de rochas, sua velocidade muito alta, mas não houve nenhum barulho de encontro dela com o chão, ou com água... Estava num lugar onde as paredes eram altas, havia pequenas estradinhas entre elas, descendo cada vez mais para a escuridão. Não havia luz do Sol, apenas um fraco vermelho que surgia lá de baixo, no caminho sem fim. Dean enxergava pouco, apenas alguns passos á frente, o suficiente para continuar a descer.

Logo que se aproximava mais da luz vermelha, do fundo daquela caverna, ele percebera que ficava mais quente. A dor dobrara, seus músculos doíam, seu estômago revirava. Em sua mente passava várias imagens torturantes.

O Winchester se aproximou um pouco mais da luz e ouviu um barulho. Sua respiração começara a ofegar, mais rápida. Seu coração acelerara, um nó se formando na garganta.

Dean viu que alguém se aproximava dele. Um homem cujo só era possível ver a silhueta e sua sombra que cintilava numa das paredes do lado da estradinha. A água escorria mais da parede, com mais força. Dean continuou a andar, se distanciando da silhueta do homem. Ele não enxergava mais nada nas paredes. Ele tremia, mais e mais. A luz vermelha estava perto.

Ele parou e olhou para trás. O homem estava muito perto, com cabelos brancos bem penteados para trás, um rosto enrugado, lábios secos e olhos escuros. Dean percebeu rapidamente que o homem era um ceifeiro.

O Winchester associou tudo. Olhou para a luz vermelha, olhou para o ceifeiro. Depois, levantou o rosto para cima, observando o lugar que estava quando isso começou. Ele respirava muito rápido agora, gotas de suor escorrendo no seu rosto.

- Você escolheu ir, Dean. É tão raro, talvez o primeiro Winchester que levo. – falava o ceifeiro com uma voz grossa e rouca.

Dean nunca deveria ter descido, e sim, subido. As imagens das pessoas que amava iam desaparecendo aos poucos enquanto ele descia. Sou um tolo, pensou ele. Não há mais como escapar da morte.

O ceifeiro olhou no relógio e disse ‘Está na hora.’ Dean fechou os olhos, apertou as mãos que ainda tremiam e se jogou da estradinha, voando, seus cabelos arrepiados, o frio aumentando quanto mais fundo. Ele relaxou enquanto caía, esperando se chocar contra algo.

_

O barulho do aparelho que media os batimentos cardíacos atravessou o corredor silencioso do Hospital. Sam abriu os olhos e os espremeu até se acostumar á luminosidade. Logo passaram por ele várias enfermeiras e médicos.

Equipe azul para a Sala 111!’ ‘Equipe azul para a Sala 111’ – repetia a voz no megafone.

Sam levantou-se e começou a correr para a sala onde estava Dean. Logo que a primeira enfermeira o viu, ela o parou.

- Desculpe senhor, mas tem de ficar aqui.

- Mas...

A mulher fecha a porta e Sam tenta espiar pelas pequenas frestas da cortina na janela. Dentro do quarto, seis médios tentam trazer Dean de volta á vida, já que seus batimentos haviam parado.

O som inunda os ouvidos de Sam. Seus olhos se enchem de água. Ele estava preparado para aquele momento, tinha de estar, desde que decidira se juntar a Dean para voltarem á caçar.

O desfibrilador é ligado. ‘Um, dois, três’, grita um doutor mais alto entre eles, e põe logo em seguida o aparelho sobre o peito de Dean. O Winchester é puxado para cima, como se estivesse sendo sugado.

Um, dois, três!’.

Scheila, ligue no máximo.’, Sam põe a mão esquerda no cabelo enquanto seu peito acelera. Ele vê a enfermeira, que deve ser a Scheila, girar o botão do desfibrilador até ele chegar no máximo, e então o doutor presa o aparelho sobre Dean novamente.

Dessa vez, o caçador se ergue da cama e aspira praticamente todo o ar do ambiente com um arquejo. Os olhos arregalados, vermelhos. A boca seca, a pele pálida. A pequena ‘televisão’ que transmite os batimentos volta a emitir o barulho irritante, porém muito, muito importante.

Sam coloca as mãos suadas na calça jeans. Ele fecha os olhos por um instante, e depois os abre, vendo ainda pela fresta da janelinha, Dean deitado e algumas enfermeiras aplicando uma injeção no soro.

Tudo estava bem. Por enquanto.

_

Dean continuara a ter o mesmo sonho todas as noites. Agora era mais leve, não tão corrido como o primeiro. Nos poucos momentos em que Dean esteve acordado, ele conseguira refletir sobre o ceifeiro. Ele estava atacando nos sonhos, e a medida que Dean se recuperava, o ceifeiro ia diminuindo a velocidade.

Houve uma noite em que Dean piorara. Esqueceram de por a injeção no soro, e consequentemente houve as reações. No sonho, Dean estava parado, descansando, pois achara que o ceifeiro não ia vir. Mas ele chegou e segurou Dean pelo pescoço.

— Winchester. – disse ele. – Esta na hora de escolher.

Dean bateu fortemente na cabeça do ceifeiro e começou a correr. Havia escadas no local, escadas de onde escorriam sangue. Dean resvalou três vezes. Ele tinha que subir, via a luz no fim. O ceifeiro maleficamente andava atrás dele com uma velocidade rápida, um olhar frio e as mãos tecendo o movimento do ar.

O caçador parecia estar mais perto da luz, mas começou a ver que o sangue vinha de corpos. Percebera então que no teto havia corpos amarrados pelos pés. Vários deles. No centro estava um corpo sem cabeça que Dean reconhecia apenas pelo tamanho: Sam.

— É isso que quer? Me convencer de que se eu ficar, todos eles morrerão? – berrou Dean, arfando na escadaria vermelha.

Ao olhar para trás, Winchester pecou. Ele olhou nos olhos negros do ceifeiro, aquela íris que transmitia medo. O ceifeiro sorriu brevemente e torceu a mão. Dean resvalou no sangue e caiu das escadas, descendo por tudo que já havia subido. Seu pescoço e seus braços batiam no mármore, enquanto sua roupa se empapava de vermelho. Ele bateu com a perna num corrimão e urrou. Passou pelo ceifeiro que o deixou cair mais e mais. Dean não conseguia frear.

Até bater contra uma parede. Os braços sangravam, ele não sentia as pernas. Tudo doía. Dean passou rapidamente a mão sobre uma dor alucinante na cabeça e viu que pingava sangue. A tontura o tomou. Ele olhou para cima e, tremulamente, viu o ceifeiro se abaixar e tocar no chão com sangue. Depois ele passou os dedos na boca. Fez mais uma vez. Sua adoração por sangue. Agora ele não teria nenhuma pressa. Somente iria querer demorar e ver Dean sofrer, morrendo.

— Adorável. – murmurou o ceifeiro batendo palmas. – Por que lutas tanto por uma vida cuja já está arruinada, Dean Winchester?

O ceifeiro desce lentamente. Ele estala os dedos e permite Dean a ver imagens.

Era Mary morrendo; Depois John. Um preto ofuscante se formou e ele viu Sam com olhos escuros, bebendo sangue. Dean viu a si mesmo sendo devorado por algo invisível, que ele jurou ser cães. Sam se desesperava, enquanto uma loira de olhos brancos que ele não conhecia sorria e deixava o corpo com uma fumaça da mesma cor dos olhos. Ruby cai morta, uma outra loira de cabelos encaracolados, presa á uma pedra, também cai. Seu sangue se espalha, formando um círculo com detalhes, em seguida se abrindo e revelando uma luz branca. Pessoas com asas perambulam. Dean vê quatro homens trazendo discórdia a Terra. As pessoas morrem infectadas por doenças, morrem de fome, lutam entre si, causam intrigas. Um homem de topete com uma pele ressequida aparece. Lúcifer. Ele implora algo para Sam que cai num buraco junto com um garoto loiro. Bobby morre, Ellen e Jo. Sam e Dean lutam contra monstros que liberam sangue preto, e assumem cabeças de tubarão. Dean se vê em uma floresta com um vampiro e outro homem de sobretudo. Depois, Sam está machucado, ele fala algo sobre testes. É noite, quando milhões de luzes começam a cair na terra. Anjos?

— O que... mas...

— Esse é seu futuro, Dean. Você quer mesmo viver num lugar assim? Você nasceu para sofrer. Esse é seu destino: sofrer.

Um estampido alto ocorre e o mesmo homem de sobretudo que Dean vira no seu destino aparece. Cabelo curto, preto, barba feita, pele branca. Os olhos lindos azuis. Usa sobretudo bege, puxado para escuro. Não parece nem um pouco ofensivo.

— Que visita! – fala o ceifeiro. – Não imaginei que andasse por esses lados.

O homem olha para o ceifeiro, em seguida para Dean.

— Quem... quem é você? – indaga Dean, atirado contra a parede, o olhar caído. Ele ofega de dor.

— Eu sou quem te tirou da perdição, Dean. Ou tirarei, assim seja a vontade de Deus. – responde o recém-chegado se aproximando de Dean. Ele toca no rosto do Winchester, que urra.

— Tudo que este homem lhe falou. Há um segundo lado. Você não sofrerá apenas, haverá glória, momentos de felicidade. Você e seu irmão têm uma missão aqui na Terra, e ela é de extrema importância para a sobrevivência da humanidade...

— CASTIEL! — berra o ceifeiro. O homem do lado de Dean se vira e começa a encarar o outro. – VOCÊ ESTÁ DESOBEDECENDO A ORDEM DO SEU SENHOR!

Eles começam a se peitar. Dean apenas observa.

— Meu Senhor não aceita ser mencionado por uma raça lixo como a de vocês.

— O Winchester deve morrer.

— DEUS NÃO QUER ISSO! – grita Castiel e põe a mão sobre a cabeça do ceifeiro. Nada acontece.

O ceifeiro solta uma gargalhada.

— Seus poderes não funcionam aqui. Não deve estar aqui. Saia. Você sabe que Dean deve morrer. Ele irá servir de receptáculo para Miguel, o que causará toda a reviravolta e levará Lúcifer de volta á jaula. Se não houver Dean, não há o principal receptáculo, então não haverá luta e a Batalha do Apocalipse será vencida por nós!

Dean tenta se mover. Ele está mal, talvez tenha quebrado todos os membros. Ele atira a cabeça para trás de novo e observa o ceifeiro e o homem lutarem verbalmente.

— Dean deve saber que a missão dele é importante. Ele pode ficar, se quiser. – diz Castiel.

— Eu fui ordenado para levá-lo, Castiel. É tarde demais. Lúcifer conseguiu a principal arma, e está na hora de levantar o inferno e lançar tudo sobre a Terra.

Castiel dá um chute no estômago do ceifeiro.

— NÃO ESQUEÇA DISSO: LUCIFER CONSEGUE TUDO O QUE QUER, MAS DEUS TAMBÉM! VOCÊ SABE, NO FUNDO, QUE O PLANO ATUAL FALHARÁ. – grita o homem de sobretudo enquanto o ceifeiro se recupera.

— MAS O OUTRO DARÁ CERTO! CASTIEL A TERRA NÃO TEM MAIS CHANCE. ESTÁ NA HORA DE EXPURGUIR TODA ESSA RAÇA DO MUNDO E VOCÊ SABE DISSO MAIS QUE NINGUÉM! – o ceifeiro diz, sorrindo. O outro homem se aproxima dele e tenta o dar uma tapa na cara, mas tem o braço segurado pelo ceifeiro. – Dean e Sam podem cumprir seu futuro, mas no fim, bem no fim, até Deus sabe que a humanidade vai cair. Ele criou esses seres porcos que se destruirão. Lembre-se você também, Castiel: O diabo já foi um anjo. Já foi seu irmão. Ele caiu porque Deus criou eles – murmura o ceifeiro olhando para Dean. – E assim começaram as maiores discórdias do mundo. Nós somente devemos sobreviver. Nós somos a raça pura.

Trovões e raios retumbavam.

— Deus está dando escolha á Dean. – fala Castiel calmamente, e logo derruba o ceifeiro com um tapa.

Uma luta é travada. Os dois se atiram sobre as escadas, enquanto mancham suas roupas de sangue. Dean torce para Castiel, e sabe que tem que escolher. Aquelas imagens não param de tremular em sua mente.

— Você viu apenas o pior Dean. Coisas que já aconteceram e coisas que acontecerão. – fala Castiel, com uma pausa para segurar o ceifeiro que o ataca e levar dois socos. Ele ofega. – Mas... a recompensa irá vir. Você será o salvador.

O ceifeiro torce o pescoço de Castiel e o joga contra o corrimão. Esse levanta-se e levanta o ceifeiro com a mão, arrancando-lhe um pedaço de pele do rosto. O ceifeiro urra de dor. Depois, Castiel o abaixa e o imobiliza, segurando-o pelo pescoço.

— Você deveria escolher, Dean. Mas fiz isso por você. Se esse plano falhar, cuide-se com o outro. Eles irão sempre tentar subir. Vocês terão que se preparar mais do que nunca. Você vai voltar bem, mas não posso garantir que fique bem. – diz o homem dos olhos azuis.

Dean abre a boca pra falar, mas não consegue.

— Um bom retorno e... tome cuidado. Nos vemos na batalha, vou tentar não apertar tanto seu braço na hora de te erguer.

Dean arregala os olhos e tudo escurece. Antes ele vê, por um milésimo de segundo, o ceifeiro explodir em pedaços e Castiel desaparecer.

Os sonhos haviam terminados. Dean acordara aquela noite encharcado de suor, mas pela manhã fora diagnosticado como bem. Doze dias depois ele havia recebido alta. Ainda estava pouco prejudicado, mas o médico o deixara sair, contanto que repousasse bastante.

Com Dean doente, Red Coat deu uma pausa. Ele não apareceu durante dias, nem mandou mensagens. Pelo menos ninguém havia dito nada. A esperança do fim dele já era grande entre os caçadores.

Esse tempo também fora usado para explicar á Sam o que aconteceu. Um ano sem se atualizar era tortura, e fora necessário muito tempo para explicar quem era quem, o que aconteceu, e principalmente sobre o outro ele (Joshua).

Logo ele e Ruby começaram a se entender. Sam dizia que parte dele lembrava levemente de Ruby, mas nada de conversas ou momentos. Apenas de seu rosto. Bobby explicou que Joshua possuía uma parte de sua alma, o que podia ter ocasionado isso quando ela voltou para o corpo de seu único dono.

Dean já estava ha bastante tempo de repouso, mas ainda sentia algumas pontadas onde fora esfaqueado. Ele contava que escapara do ceifeiro, mas levara grandes lições de Bobby e Ellen, que ficaram preocupados com um possível retorno do anjo da morte para buscar Dean. Ele não comentou sobre o que viu, sobre Castiel.

Janeiro chegou como um baque. Na noite de Ano Novo, Bobby e todos que viviam ali brindaram por vidas melhores, observando os fogos que lançavam em Sioux Falls. Sam estourou fogos no quintal, enquanto todos observavam e batiam palmas. Era um bom momento de felicidade, algo que ninguém ali provara antes.

Isso seria um aviso de que algo horrível estava sendo preparado? A calmaria, o silêncio e os momentos de felicidade? Sim, seria.

Logo tudo chegaria, pior do que já estava. Dean, apesar de não ter notícias de Red Coat por dias, sabia que não acabaria. As palavras, tanto de Castiel quanto as do Ceifeiro, retumbavam em sua mente. Sobre o futuro importante, as mortes que pode ver. ‘Esse plano irá falhar’. Mas que merda significava aquilo?

Dean não sabia. Mas ele estava nervoso. Nervoso por principalmente saber que iria para o inferno, que Sam iria.

E ainda havia Castiel. Antes de sair do sonho, logo após o ceifeiro explodir, ele poderia jurar que havia visto o homem de sobretudo abrir grandes asas brancas.

E voar.

Notas finais
Reviews? Soltem suas opiniões! Fãs de Castiel, se manifestem!
kkkkkkkkkk Beijos!