Notas iniciais
Gente, esse cap. é um filler, ou seja, não tem importância para o foco principal da história.

Boa leitura!

Sam entrou no Impala com um Starbucks, algumas sacolas com produtos pedidos por Bobby e um jornal. Ele estende o jornal para Veronica, que dirigia. Ela pegou-o e leu a manchete da página principal:

Sioux Falls – 27 de Janeiro — SEGUNDA FEIRA $0,99 Edição 322

Família abalada perde mais um membro.

Na madrugada de domingo (26), a família Banks perdeu mais um membro. O tio Aaron morreu tragicamente depois de cair da sacada de seu apartamento. Ele foi encontrado ainda na madrugada de domingo por um homem que passava. A ambulância e a polícia foram chamadas, mas ele já estava morto. Lembrando que os Banks recentemente perderam três familiares tragicamente. As crianças estão arrasadas, pois em novembro a mãe foi morta, em dezembro o pai da matriarca e no início do ano a tia causou suicídio.Mais na página 3.

— Acha que é coisa nossa? – perguntou Veronica.

Sam analisa a manchete mais uma vez.

- Não sei, mas está muito suspeito. Podemos falar com Dean, a família mora á dez quilômetros de Sioux Falls, não custa nada pesquisar.

Eles voltam para o ferro-velho em silêncio. Quando entram na casa, estendem as sacolas. Jo está bebendo um copo de leite.

- Bom dia casal! – fala ela.

Dean chega da sala fuzilando Jo com o olhar. Sam ri baixo.

- Onde estão Bobby e Ellen? – perguntou Veronica, então ouviu Bobby chamar lá de fora. – Ah!

Ela fez a volta e saiu, enquanto Sam começava a explicar para Dean o novo caso. Ruby desceu as escadas e deu um beijo na boca dele, interrompendo-os. Dean levanta as sobrancelhas.

- Bem, acho que é coisa nossa. Vamos ver com Bobby.

Jo sai e segue Veronica. Elas andam até o lado oeste do ferro velho, onde Bobby e outros pedreiros construíam uma nova casa. Ficava bem próximo da rodovia, e não tão longe da casa de Bobby. Dois minutos a pé. A intenção era fazer um lugar novo para Jo e Ellen morarem, onde elas ainda pudessem utilizar como bar de estrada. Metade da construção já estava completa. Ellen estava sobre uma mesinha, observando a planta do local.

- Eai, como vão as coisas Ellen? – perguntou Veronica. A caçadora mais velha deu um abraço na filha.

- Tudo indo bem por aqui. Com sorte, ainda finalizamos até a primeira quinzena de fevereiro. – Diz ela, sorrindo. Sua felicidade era evidente, talvez por construir uma vida nova, ou por ver a filha melhor. – O que tem aí?

Veronica estende o jornal para ela. Ellen passa o olhar por cima.

- Parece importante. Vocês vão dar uma olhada?

- Sim, eu, Sam e Dean. – responde Veronica.

- Eu poderia pegar algumas informações na internet. – murmura Jo balançando os ombros. — Não tenho nada para fazer mesmo.

- Ok. Ruby pode te ajudar. – diz Ellen. – Agora vamos voltar aos trabalhos porque o tempo não para.

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Sam estaciona na frente da casa dos Banks. Ele, Dean e Veronica descem do carro, todos de roupas sociais – ternos –. Dean confere no seu bolso de peito e encontra sua carteira do FBI ali. Veronica toca a campainha e eles aguardam na porta.

Uma menina de mais ou menos dezessete anos, loira com olhos inchados e cabelos bagunçados abre a porta.

- Posso ajudá-los? – pergunta a menina com a voz doce.

Veronica olha para os caçadores do seu lado e responde:

- Olá, eu sou a agente Bolton. – diz Veronica, levantando sua carteira. — Esses são os agentes Theon e Tully.

Dean e Sam fazem o mesmo, erguendo suas carteiras e possibilitando a menina de ler: Diana Bolton, Mark Theon e Joe Tully.

- Vocês vieram de Game of Thrones? São covers? – pergunta a garota arrumando os seus cabelos claros.

— Somos do FBI. Gostaríamos de fazer algumas perguntas, há alguém maior de idade em casa? – pergunta Dean, e a menina estende a porta para eles entrarem e grita por alguém chamado Oliver. – Sentem-se, por favor.

Os caçadores andam pelo pequeno corredor e chegam em uma luxuosa sala com poltronas ,TV, uma enorme estante com livros e um tapete peludo. Dean lança um olhar a Sam do tipo ‘como você é idiota!’. Eles se sentam e aguardam até Oliver, um cara de mais ou menos quarenta anos, cabelos grisalhos e olheiras entrar na sala. Ele aperta as mãos dos três ‘agentes’ e abanca-se numa poltrona de frente para eles. A menina fica de pé, escorada na parede. O homem, pelo visto bem abatido, cruza as mãos.

- Sou Oliver Banks. O... Patriota. Como posso ajudá-los, agentes?

Veronica pigarreia.

- Bom, fomos encaminhados para esse caso depois de quatro mortes em poucos meses na sua família senhor.

- Isso é caso de FBI?

- Sim, claro. – diz Sam. – Não podemos distribuir mais informações, mas tenho certeza que seremos muito úteis se algo ou alguém quer afetar sua família, senhor.

O homem os observa com um olhar confuso.

- Afetar minha família? Minha mulher morreu num incêndio, o pai dela foi atropelado e minha irmã se suicidou. Isso é... – Oliver fez uma pausa, mostrando seu abatimento. – Meu tio, depois de nos visitar no fim de semana, voltou para casa e no mesmo dia caiu da sacada do apartamento dele. Não há nada envolvido nisso. É apenas o...

Todos perceberam que ele iria falar a palavra ‘destino’. Depois de uma longa pausa, um casal de crianças desceu as escadas correndo e vieram até a sala onde o pai estava sentado. A menina, mais velha, tinha cinco, e o garotinho, quatro anos.

- Queridos, subam. O papai já vai lá brincar com vocês.

A menininha choramingou no braço dele e depois subiu. O garoto olhava pela janela.

- Felip. Vai!- falou Oliver. O menininho tirou os olhos da janela e seguiu a irmã.

— Enfim, senhor. Precisamos cumprir nosso trabalho e isso é necessário. O senhor deve responder algumas perguntas para ajudar na investigação, mesmo que não concorde. – diz Dean. — Se quiser ligar para a central do FBI em Washington, fique á vontade.

Oliver pensa um pouco, mas então hesita e pede para eles começarem.

- Bom, em primeiro lugar devemos saber sobre sua mulher. O senhor disse que ela morreu num incêndio, certo? – pergunta Dean, vendo Oliver assentir. – Então... Foi onde mesmo?

- No trabalho. Ela tinha pego as crianças para almoçar, então voltou mais cedo para o serviço. A empresa é de telemarketing, e segundo a perícia foi um cigarro que começou o incêndio. Amelia estava em sua pequena sala, ouvindo música alta e tirando um cochilo. As câmeras registraram ela acordar quando o incêndio já havia atingido a sala. Depois, ela tentou escapar, mas era tarde demais

Oliver suspira. Sam levanta a sobrancelhas.

- Sinto muito senhor. Hãn, podemos concluir que sua mulher fumava, já que tudo começou com um cigarro?

- No. Ela odiava cigarro e bebida. Nada está nas câmeras, mas acham que foi algum ultimo trabalhador que saiu e jogou o cigarro na lixeira com vários papéis.

Veronica escreve algo num papel.

— Ok. Sua mulher tinha algum inimigo, Sr. Banks? Alguém que poderia... Fazer algum mal a ela? –pergunta Veronica.

— Isso influencia em algo? – questiona Oliver, olhando-os com suspeitas. Logo afirma: — não foi por querer de alguém. Amelia morreu acidentalmente. – ele olha para o relógio. – Desculpem senhores, mas meu tempo está para acabar.

Ele levanta. Veronica, Dean e Sam o acompanham.

— Sr. Banks, somente mais uma pergunta. – diz Sam. – Sua mulher tinha conflitos com seus parentes ou os próprios parentes dela?

Oliver os acompanha até a porta.

- Não, ela não tinha. Agora se me dão licença, tenho que trabalhar.

_

Algo incomodava os caçadores naquela história. Eles sabiam que Oliver estava mentindo sobre algo, e tinham quase certeza que era sobre os conflitos entre os familiares.

Quando voltaram para o ferro-velho de Bobby, o dia já começara a apresentar uma escuridão monótona do fim do inverno. As janelas batiam com o vento forte que soprava a cor da casa desbotada. Ao longe podiam ver a quase pronta nova casa de Ellen e Jo. Eles entram na casa e vêem todos reunidos na sala, sorrindo.

- Qual o motivo da festa? – pergunta Dean, já pegando uma cerveja.

Ruby se aproxima de Sam e o beija.

- Estamos comemorando nada. Não sabemos, mas não temos que nos preocupar com Red Coat há muitos dias e isso já é, um pequeno, mas é um motivo.

Eles sorriem. Veronica senta-se.

- O que encontraram? – pergunta Bobby.

— Algumas coisas interessantes e suspeitas. Jo e Ruby encontraram algo.

Jo vira o rosto para ela e assente; Levanta-se, busca um notebook na cozinha e volta para o sofá. Ruby descola de Sam e ambos sentam-se.

— Bom, procuramos algumas coisas da família aqui. Não tem quase nada, mas descobrimos algo porque a matriarca, Amelia Banks, primeira a morrer, trabalhava na Sioux TeleCom, que foi incendiada. – Jo começa a citar um artigo de jornal. – ‘Hoje é um dia de perda, um dia de luto. Todos ficaram horrorizados ao saber do incêndio na STC, e ainda mais ao saber que havia uma vítima. Amelia Christine Banks morreu acidentalmente, no incêndio que fora periciado e acusado como acidental, causado por um cigarro.’ Essa foi a primeira matéria. Dois dias depois saiu essa, num site ridículo de fofoca da cidade: ‘Roger McDoll, pai de Amelia Banks, entra na justiça pela guarda das crianças, Felip e Angie.’ Então um mês depois ele apareceu morto.

- Acha que... – começa Dean, mas Ruby faz um SH! E Jo continua a ler.

- A tia que se suicidou no início de janeiro havia ido até a STC a pedido de Oliver Banks. Ela fora buscar algumas coisas e então, á noite, cometeu o suicídio enforcando-se. Foi encontrado na casa dela uma jóia que Amelia guardava para dar para Angie, como herança. Aqui diz também, embora eu não acredite neste site ridículo, sobre o tio Aaron. Ele visitou a família, esteve na casa por dois dias e então, quando voltou, atirou-se da sacada. Os boatos aqui dizem que a casa é amaldiçoada, ou até mesmo a família.

Dean, Veronica e Sam se entreolham.

- O que encontraram lá pode ter relação com essas matérias? – pergunta Ellen.

- Não sabemos se tem relação, mas isso com certeza é de nosso interesse. – responde Veronica, indo para o lado de Jo e acompanhando a matéria no computador.

Ruby diz:

— Eu encontrei em outro site que a família era envolvida com bruxaria. Mas aí depois removeram o post porque denunciaram a matéria.

- Vamos visitar os Banks amanhã outra vez. Não podemos perder tempo, e uma ideia já passa por minha mente. – diz Dean, levantando-se e subindo as escadas.

_

Dean, Veronica e Sam, novamente. Ruby está no carro, parado atrás da casa, com Jo. Bobby e Ellen ficaram perto dos telefones para caso algo acontecesse. O REM no bolso de Dean o incomodava.

- Posso ajudá-los? – pergunta Oliver, olhando-os diretamente com rancor.

- Sr. Banks, desculpem-nos, mas temos que interrogá-lo. A não ser que o senhor queira resolver isso em outro lugar. – fala Sam, com seriedade.

Oliver revira os olhos.

- Dina, pode ir. Eu termino aí. – grita o homem para os fundos da casa. Logo depois de sentarem-se, os caçadores observam uma mulher mais velha, de cinquenta anos, a passar pela sala despedir-se de Oliver. Parecia ser a babá. – Tchau Dina. Amanhã as oito, ok?

Ela sorri e assente. Ouve os ‘tchau Dina!’ e ‘Até amanhã tia Dina!’ das crianças, responde e depois vai embora. Logo, a menina do outro dia, loira, desce as escadas de mão com Felp e Angie. Eles acenam para o pai, que indica para irem para os fundos da casa.

- Então, Oliver, ficamos sabendo de alguns conflitos familiares existiram em sua família. Queríamos uma confirmação disso, pois é extremamente importante para a investigação.

Oliver cruza as mãos suadas e balança a cabeça.

- Houve sim, embora eu desminta sobre o site, existe. Tudo que aconteceu é verdade. A realidade é que, mesmo vocês não acreditando em mim, mesmo achando que sou louco, eu acho que minha mulher ainda não deixou nosso mundo.

Os caçadores se olham. Há uma pausa. Veronica pigarreia.

- Acreditamos em você, senhor. Mas precisa nos dizer por que.

- Começou na segunda noite depois da morte dela. – Oliver responde. – Eu a via, em todos os lugares. Achava que estava ficando paranóico. Logo aconteceu com pai dela. Sr. Rogers entrou na justiça pela guarda, pois achava que eu não estava psicologicamente pronto para cuidar das crianças. Somente eu e minha filha mais velha, Marina. – ele responde, o que dá a ideia de que a garota loira é irmã das crianças. – Então Rogers morreu. Nunca me passara pela cabeça que Amelia podia estar envolvida, mas aí veio minha irmã. Ela havia pego a jóia, foi encontrado e confirmado na cena do crime. Testemunhas ouviram o barulho do arrastar de pés e móveis pela casa dela. Mas não ouviram nenhum barulho que indicasse enforcamento. Logo a polícia chegou e notificou que não havia cadeira perto da corda nem nada que lhe desse impulso para subir.

Veronica anota rápido algumas coisas importantes. Oliver continua.

- Eu comecei a ficar preocupado. Não podia acreditar que minha mulher era um fantasma, nem que pudesse matar pessoas. Comecei a ir numa psicóloga. Contratei Dina no mesmo dia para ficar com as crianças enquanto eu estava ocupado. No último fim de semana, Aaron veio nos visitar. Ele tinha uma relação muito boa com as crianças, os levaram para sair, jantar, fazer de tudo. Quando ele foi embora tanto Angie quanto Felp ficaram tristes. – Oliver faz uma pausa. – Aaron foi encontrado no mesmo dia.

Dean e Sam assentem para ele.

— Vingativo? – pergunta Dean.

Sam assente.

- Ligação com todos os mortos. Com certeza, não deve querer que as crianças se aproximem de alguém que os faça mal ou que os faça bem demais. – diz Veronica.

Dean saca o REM do bolso e o liga. Oliver fica confuso.

- Posso saber o que...

- Acreditamos em você, Oliver. E se quiser saber, sua mulher é um fantasma, sim. Não somos do FBI, e sim, caçamos esse tipo de coisa e coisas piores. – explica Sam. – Peço que não enlouqueça ou chame a polícia, estamos aqui para ajudá-lo, ou isso pode ficar fora de controle.

Oliver toca no telefone em seu bolso.

— Não posso acreditar...

O REM apita baixo. Em seguida o telefone toca e Marina grita ‘Eu atendo!’

- Vocês querem dizer que minha mulher morta matou seu pai, minha irmã e meu tio? – pergunta Oliver.

Dean assente.

- E pode matar mais se...

Ele é interrompido por Marina que entra na sala no exato momento. Sua pele está pálida, as mãos suadas e traz uma expressão chocante.

- Marina, o que está acontecendo?

- É a Dina. Encontraram seu corpo. Atropelada, por um ônibus.

_

— Fiquem com as crianças, eu os imploro. Volto em seguida, mas protejam meus filhos por tudo que há de mais sagrado. – murmura Oliver pegando seu casaco.

— Ficaremos aqui, Oliver. Pode confiar em nós.

Oliver bate a porta, e os caçadores andam para a sala. Marina, Felp e Angie estão aflitos, sentados. Mesmo sendo tão pequenos, eles entendem que não estão passando por uma boa fase.

— Fiquem calmos, ok? – aconselha Veronica. – Sam, Dean, eu fico com as crianças, vocês vão dar uma olhada na casa.

Eles assentem e saem com o REM.

- O que está acontecendo? – indaga Marina, os olhos cheios d’água. – O que está acontecendo com a minha família? Por favor, me diga.

Veronica vai até ela e abaixa-se.

- Querida, vocês têm de ficar calmos. Você, Marina, tem que apoiar seus irmãos agora, eles precisam mais do que nunca da sua ajuda.

— Mas...

- Vamos resolver tudo, precisamos de tempo. Vá até a cozinha e busque Sal, ok?

Marina, curiosa, assente e vai. Veronica vai até a janela e assente para Ruby e Jo dentro do carro, mostrando que há alguma coisa sim, lá.

- Tia, você vai ser nossa nova mãe? – pergunta Angie, sorrindo para Veronica.

A caçadora se vira para ela e sorri, depois senta-se ao lado das crianças e os envolve em um abraço.

No segundo andar, Dean e Sam perambulam pelos corredores e pelos cômodos da casa. O REM apita em todas as peças.

- Aqui, é o quarto deles. – fala Dean, entrando.

Ele passa pela cama de casal e se aproxima do móvel baixo com alguns objetos, um notebook e várias gavetas. O caçador revira as gavetas, tirando papéis, documentos.

- Precisamos encontrar algo dela aqui. De Amelia. Mas não tem nada.

- Dean. – chama Sam. O irmão se vira para ele. – Não tem nada? Olhe em volta. As bolsas, a cama, a parede.

Dean faz o que o irmão manda. As paredes são revestidas de papéis listrados, uma com nome de Amelia, outra de Oliver. Dean faz cara de nojo.

- Quem escreve o nome num papel de parede? – questiona ele.

- Não é escrito. – diz Sam, passando a mão sobre as letras. – É um tipo de placa, feito de madeira. Cada letra.

O Winchester mais velho continua a olhar em volta. Há bolsas, jóias, roupas. Tudo pertencia a Amelia. Eles saem para o corredor e encontram uma coisa dela em cada peça diferente. Porta-retrato, relógios, óculos, taças, talheres. Presentes de casamento.

- Mas que merda! – grita Dean. Ele pega um livro na gaveta de um criado-mudo e começa a ler.– Sam, até que tiremos tudo que pertence á Amelia de dentro da casa, ela vai matar todos que tem relação com as crianças.

Sam faz silêncio, fica pensativo.

— Temos que dar um jeito. Como chegou a conclusão das crianças?

Dean o estende um livro para Sam. O caçula abre e começa a ler.

- Leia o do dia 23. – sugere Dean.

Sam folheia o diário e chega na parte que esperava. A letra tremida e alguns círculos feitos por água – mais possivelmente lágrimas.

...Sonhei com Amelia novamente. A dor no meu peito dobrou, não consigo evitar. As crianças querem que eu fique com eles, mas estou com medo. Medo de que Amelia se vingue.

Sei que isso é ridículo, mas eu a vi. Ela escreve nos espelhos para mim. E tudo se conecta. Todos que já morreram tiveram uma situação boa com as crianças. Não posso evitar que aconteça novamente. Tenho medo do que possa acontecer com Marina. Tenho medo da própria sombra agora.

Amelia morreu. Quero que ela vá. Quero meus filhos sãos...’

- Não há como ele estar errado. Pense de novo no que ele falou. – murmura Dean com as mãos na cintura. – Temos que tirar Marina e as crianças da casa e prender fogo em tudo.

Sam não responde. Alguns segundos depois eles ouvem gritos no andar de baixo.

_

Espelhos se quebram, vasos racham. A TV se liga, barulhos saem dela. As crianças gritam, Veronica saca uma arma. A porta e as janelas abrem e fecham. As paredes racham e livros começam a cair da estante.

- SOCORRO! – grita Marina. Dean e Sam descem as escadas tão rápido que surpreendem a todos.

- Marina! MARINA! – berra Sam indo até ela. Ele toca em seu braço e grita contra o som: Vá lá para fora, leve as crianças e entre no nosso carro, há duas mulheres lá que protegerão vocês! VAI!

Marina obedece e corre até Angie e Felp.

- A MULHER SÓ QUER AS CRIANÇAS! VERONICA, VÁ COM MARINA, ELA ESTÁ EM PERIGO!

Veronica vira-se para ouvir e cai na realidade: ela tinha passado aquele pequeno tempo perto das crianças. Antes mesmo de pensar se era suficiente para Amelia querer se vingar dela, algo invisível levanta Veronica e a joga contra a lareira. A caçadora bate a cabeça na parede e desaba no chão. Os cabelos sobre o rosto e uma listra de sangue escorrendo da sua testa.

- Exorcisamus-te, ominis, immundus...

- Isso não vai adiantar, Sam! — diz Dean para o irmão que para com o exorcismo.

No centro da sala, o espírito de Amelia aparece. Uma mulher que, nas fotos, era tão linda, com cabelos negros descendo até as costas, os olhos azuis, a pele num tom dividido entre claro e escuro, agora estava veia. Seu corpo era magro, fino. Os cabelos estavam sujos, escorria água deles. As mãos pareciam garras. Os olhos eram negros com um ponto branco, e de sua boca saía uma fumaça.

— MAMA! – chama Felp.

Marina o puxa para a porta, que está aberta, mas ela logo se fecha, trancando todos lá dentro. Marina tenta forçar, mas não adianta. Ela grita.

No carro, Ruby e Jo ouvem os gritos e os barulhos.

— Merda! Temos que ir! –diz Jo. Ela desce do carro e alcança uma shotgun para Ruby. Depois, a loira arruma sua própria 12 e ela sobem as escadas da varanda.

Ambas forçam a porta, mas não adianta. Depois vão até a janela e vêem que Dean e Sam tentam lutar contra algo. Há duas crianças e uma menina maior, atirados contra a parede. Elas não conseguem ver o espírito de Amelia.

Ruby aproxima o rosto da janela.

- Cadê essa vadia? – pergunta Ruby procurando Amelia pela sala extensa. Dean grita alguma coisa para ela. – O que?

Jo se vira e vê Amelia atrás delas. Um segundo se passa e Amelia lança as duas pela janela e elas caem sob a mesa de centro da sala, partindo-a em mil pedaços.

- AH! – urra Jo. Ruby está inconsciente, de barriga para baixo.

Amelia volta para a casa. Sam pega a arma que estava com Jo e dá um tiro. O espírito some por um momento.

- Vamos! – dizem os caçadores ao mesmo tempo .

Marina e as crianças levantam. Dean tenta ajudar Ruby e Jo a levantarem.

- Mama? Mama! – sorri Felp, olhando para as escadas. Dean se vira e então salta sobre si o espírito de Amelia, as mãos atingindo o rosto do caçador e o derrubando.

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O fantasma se levanta e vai até Marina e as crianças. Felp sorri, e Angie fica nervosa. Marina congela. Amelia levanta a mão para Marina, mas Angie levanta-se do chão e berra para a mãe:

- NÃO TOQUE NELA! DEIXE-A EM PAZ!

A mulher para. Felp levanta os olhos para Angie e dá um chute nela.

- Angie, Mama! MAMA!

- Ela não é nossa mãe!

Amelia solta um urro estranho. Sam se impede de atirar. Veronica acorda e levanta-se aos poucos. O espírito volta ao normal e só não mata Marina porque Veronica se põe na frente dela.

- Por favor! – implora a caçadora. – Deixe-nos em paz!

A casa começa a tremer. Mais coisas caem no chão. Dean e Sam estão apontando as armas para Amelia. O teto começa a desabar.

- Angie. Vem. Mama! – fala Felp, indo até a mãe. Angie grita por ele. Marina faz o mesmo. – Vem, Angie! É a Mama!

O menino caminha até a mãe e a abraça.

Veronica empurra Marina e Angie para fora da casa, Dean e Sam levam Ruby.

- FELP! FELP! – gritam Angie e Marina pelo irmão enquanto são arrastadas para fora.

Dean volta para dentro e atira em Amelia. O fantasma some. Felp chora, dando um abraço no ar. Dean vai até ele e o pega no colo. Sam vai até a cozinha e liga todas as bocas do fogão. Ele volta para fora e fecha a porta.

Todos estão do lado de fora da casa. Marina, Felp e Angie abraçados. Ruby e Jo estão escoradas sobre o carro, recém acordando. Veronica toca na testa suja de sangue. O carro de Oliver surge entrando no sítio. Dean olha para o segundo andar da casa. O espírito de Amelia bate forte na janela.

— Você não é mais nossa mãe. Desculpa. – Angie diz, chorando. – Angie e Felipe ficam.

Sam e Dean levantam a as pistolas e atiram em direção ás janelas. No momento em que a bala atinge a casa, ela explode em um milhão de pedaços.

O espírito queima. Ao mesmo tempo chora olhando para as crianças. Uma mãe que queria apenas proteger seus filhos. Um fantasma que tinha como objetivo não deixar ninguém fazer mal á seus legados, mas que ao mesmo tempo se perdeu e começou a se vingar de uma maneira mais cruel.

Alguns tinham pena de Amelia. Mas agora ela deixara a terra. Em paz? Nenhum deles sabia.

Oliver se joga contra os filhos num abraço apertado.

— Obrigado! – murmura o homem olhando para os Winchester e Veronica. – Devo minha vida a vocês. Não sei quem são, nem o que fizeram, mas obrigado.

Dean e Sam agradecem assentindo. Ruby e Jo levantam-se e fecham o porta-malas do carro, que estava aberto.

O barulho do fogo e dos materiais batendo no chão, dos soluços de Oliver e sua família eram reconfortantes.

Dean pega a shotgun do chão e estende sobre o ombro. Sam e Veronica vêm atrás dele. Os três, Ruby e Jo entram no Impala e batem as portas.

Eles haviam cumprido o serviço, o negócio da família.

O último serviço. Antes de um milhão de partidas. A morte já os espionava ali, já os rondava. E sabia que um plano cruel estava sendo cruzado sobre aqueles caçadores.

Um plano que assustava até mesmo a Morte.

Notas finais
Então... Reviravoltas estão por vir, Red Coat está preparando algo muito, muito ruim.

Aguardem os próximos capítulos. Beijos!