Supernatural - Behind The Red Coat
22 Bad Things
Notas iniciais
Havia se passado cinco dias desde o caso da família de Oliver.
A monotonia já incomodava há quase todos na casa de Bobby. As mesmas coisas, os mesmos programas, as mesmas conversas... Tudo estava virando uma rotina inquietante. Bobby conseguira montar um tipo de painel de investigação na sala. Tomara conta de quase toda a parede, representando um mapa de todo os EUA. Grudados com fita estavam papéis azuis e amarelos que indicavam algo em tal lugar. Fotos de algumas pessoas, anotações de catástrofes e acontecimentos estranhos, rabiscos e círculos em volta de estados onde ocorreram mais de um evento fora do comum e em vermelho, destacando-se mais, os lugares e dicas de onde Red Coat (Alexia) esteve por todo tempo que os assombrara. Eles procuravam algo em comum com os locais, e alguma relação com as informações e revelações que receberam no Hotel Brandon.
Ali Dean, Sam, Jo, Ruby e Veronica passavam a maior parte do tempo. Dividiam computadores, anotavam e grudavam informações, tomavam café quente na madrugada... Tentavam descontrair e fazer o tempo passar.
Sam se dedicava bastante á tentativa de rastrear as mensagens de Red Coat. Ele fazia seus dedos dançarem sobre o teclado do notebook. Bebia um gole de café, as vezes se encontrava dormindo, mas logo levantava a cabeça e seguia o trabalho.
Ruby lia livros deitada no sofá, sobre todos os tipos de monstros no mundo. Agora ela estava lendo o diário de John, tentando procurar algo que os ajudasse a resolver a parte de Jo e a criança que saíra de sua boca.
Jo aparentemente havia esquecido de sua parte no caso. Ela dividia o seu tempo entre ajudar a mãe com a construção da nova casa – e bar e procurar vestígios do novo assassino.
Dean e Veronica estavam se entendendo. Logo eles se entregaram um para o outro em uma noite fria. Dean não a usava apenas como mais uma, ele estava realmente gostando dela. Depois da noite quente e de prazer juntos, os dois não demoraram muito para assumir que estavam gostando um do outro mais.
Bobby passava o tempo inteiro envolvido na construção. Todos já viam que ele estava se desgastando.
Tudo estava se desgastando, ficando chato.
Veronica ligou para um casal de caçadores que conhecem.
— São da Virginia. Me ajudaram num caso com Ro... Enfim, podem ajudar a caçar Red Coat, são muito bons. Eles podem trazes alguns amigos, se puderem.
O celular de todos vibraram dois minutos depois.
‘Mapas, ajudantes, mais caçadores.
Vocês não entendem que o jogo não vai terminar com ameaças.
Vocês não vão querer me encontrar.
Estamos prestes a derrubar o tabuleiro.
O amanhecer será violento.
Kisses. – Red Coat’
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As luzes na grande casa amarela se desligaram.
Rachel subiu as escadas na ponta dos pés e entrou silenciosamente no quarto do filho, Andy. O garoto dormia profundamente com dois cobertores sobre si. Rachel tocou no interruptor e desligou o abajur – única fonte de luz que estava ligada no quarto. A mulher encostou a porta e foi para seu quarto.
Roger, seu marido, estava virado. O quarto escuro a impedia de ver seu rosto. Ela deitou-se ao lado do esposo cansado e jogou o cobertor sobre si. Rachel não dormiu. Ficava olhando para o teto. Algo a incomodava. Ela não sabia se era o peso do dia, os problemas no trabalho ou a discussão que teve com Roger no almoço.
Sentia-se culpada por desenterrar o assunto do dinheiro novamente. Rachel virou-se para o lado do marido e olhou para suas costas. Depois ela cutucou-o. Ele não respondeu. Rachel tentou uma segunda vez, agora na cabeça.
— Roger. – pausa — Rog? Querido...
Rachel não termina, pois ao olhar para sua mão, vê que ela está encharcada de sangue. A mulher hesita e puxa o marido, deixando-o de barriga para cima. Ela berra.
Roger estava com a boca costurada. Um dos olhos está com um alfinete cravado, e o outro globo ocular havia desaparecido. O nariz sangrava, e o pescoço estava cortado. Sangue inundava o lado dele da cama. Rachel berrou outra vez e levantou-se. Ela correu até o interruptor e ligou a luz. O sangue de Roger já pingava no chão e escorria para os móveis.
A mulher desesperada sai do quarto e vai até o de Andy.
A porta está fechada, trancada. Ela não consegue entrar.
— ANDY! ANDY! FILHO?
Dentro do quarto, Andy está sentado na cama. Ele ouve a mãe bater e socar a porta, mas sua atenção está concentrada em um menino de mais ou menos cinco anos, que está sentado de pernas cruzadas no chão. O garotinho brinca com um olho.
Andy fica nervoso e se encosta mais na cabeceira da cama. O menino sentado sorri para ele e diz:
— Você quer brincar comigo?
Andy balança a cabeça e uma lágrima escorre de seu olho. A mãe continua a bater na porta desesperada.
— Por que ninguém quer brincar comigo? – pergunta o garotinho, quicando o globo ocular no chão.
Andy chora mais.
— Me deixe em paz!
O menino olha para ele e seus olhos tomam uma coloração escura. Ele aparece então nos pés da cama de Andy como se tivesse tele-transportado.
— Eu vou fazer coisas más com você.
Andy grita e o menino sobe na cama. Engatinhando, ele vai até a criança nervosa e dá um tapa no rosto dele.
Os barulhos na porta param. O menino dos olhos pretos bate com a cabeça de Andy na cabeceira da cama enquanto ele chora e grita.
— Eu disse... BRINQUE COMIGO! – berra o garoto e atira Andy do outro lado do quarto. O encapetado desce e pega o outro pelo pescoço. – Qual seu nome?
— An... Andy.
— Eu adoro esse nome. Agora ele é meu.
— Por favor, não me machuque! – implora o filho de Rachel, cuja a mãe grita algo do corredor que nenhum consegue ouvir.
O ‘novo’ Andy vira-se e assume a aparência do outro.
— Tarde demais, Andy. Eu vou fazer coisas realmente más com você.
Rachel escuta gritos, e barulhos de líquido espirrando. Ela usa o machado que encontrou lá no porão e começa a destruir a porta. Mais algumas vezes, até abri-la.
O quarto está todo manchado de sangue. Há um menino morto perto da cômoda, um menino que Rachel não conhece. Andy está parado, de pé, as mãos para trás das costas. O pijama branco transformou-se em vermelho vivo.
— Querido! Querido! – diz Rachel indo até ele e o abraçando.
O menino sorri, encostando o queixo no ombro da mãe. Em seguida ele cantarola rapidamente uma música e assume os olhos negros. Um segundo depois dá uma facada na parte de trás do pescoço da mãe.
Ela cai e vê que o Andy de pé não é seu filho.
Rachel morre.
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O Sol nasce no leste e logo o vermelho se estende pelo céu estadunidense. Ventos e raios, trovões. Os jornais já estavam transmitindo as notícias e as dicas e ordens de evacuação de algumas cidades. Tsunamis, terremotos e tornados poderiam ocorrer á qualquer momento.
O amanhecer foi escuro. O primeiro de muitos.
O sorriso se alargava pelos que subiam a Terra para espalhar o terror depois de tantos anos presos, aguardando o tão esperado momento de acabar com a humanidade. Por enquanto eram poucos, mas com o tempo eles pretendiam trazer mais. Esse era o objetivo.
Marchando, trazendo a morte. Liderados por um menino que sorria, com sangue nas mãos, preparado pelo pai para dizimar a Terra e levantar o horror que jazia abaixo dela.
Notas finais
Aguardem!
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