Notas iniciais
Voltando do hiatus com capítulo reconstrutivo. Como vai ficar os abalados caçadores depois do avanço de Red Coat no jogo?

Amanheceu.

O sol fraco clareou o ferro velho de Bobby Singer. O vento frio de inverno se movia levemente. Os carros com vidros embaçados, as folhas voando no chão molhado do sereno.

Veronica olhava para o horizonte, sentada encima do capô de um Dodge antigo. Com os joelhos entre as mãos, ela pensava na vida. Tudo o que sentia agora era um buraco se abrindo no peito. A dor de perder alguém que ama é imensa, e para Veronica era maior ainda. Rodric era a única pessoa que ela tinha agora.

Veronica encostou o queixo nos joelhos e deixou algumas lágrimas escorrerem.

Alguns minutos – ou horas – depois, a porta da casa de Bobby se abriu, e alguém a gritou. Veronica somente olhou para trás e balançou a cabeça, afirmando que iria entrar. Mas ela não queria entrar. Queria ficar naquele carro, sentada, o dia inteiro, todos os dias, sem falar com ninguém.

Flashback On.

- Veronica! Veronica! – chamava Sam com a mulher no colo.

- Somente leve-a, Sam. – falou Ruby enquanto acompanhava o caçador colocar Veronica no Impala.

Dean, Jo, Samara e Carter não tinham atinado muito o que fazer. Apenas começaram a se dirigir para seus carros antes que a polícia chegasse. Eles tinham que sair dali muito rápido.

O telão havia se apagado. Não havia mais nenhum vestígio, nem deles, nem de Red Coat. O frio era misturado com o calor da explosão.

Nos carros, sem dar um palavra, eles partiram e deixaram o estacionamento.

Flashback off.

Veronica respirou fundo e começou a descer do carro, limpando os olhos com a manga do casaco de lã azul escuro.

__

Todos na sala, se olhando. Ninguém queria começar a falar, mas ninguém queria deixar de falar.

Carter havia partido cedo. Ele não suportara a pressão e disse que precisava ver os pais. Jo sorriu apenas e fez pouco caso da partida do amigo.

Jo e Veronica estavam sentadas no sofá. Bobby em sua escrivaninha, Ellen ao seu lado, de pé, apoiada com a mão. Dean estava em uma cadeira, enquanto seu irmão e Ruby ficaram de pé, próximos. Samara sentou-se numa poltrona e esperou alguém iniciar o assunto.

Bobby pigarreou.

- Vocês podem começar a falar já! Dar explicações, começar a se defender.

- Isto é um julgamento? Você vai nos julgar, nos executar, Bobby? – pergunta Jo. .

Ellen olha para a filha.

- Jo! – fala ela aumentando o tom de voz. – Vamos cuidar do seu assunto depois. Veronica, sinto muito que Rodric esteja morto, mas eu sou vadia o suficiente para ouvir qual o plano que vocês estavam tramando no vídeo?

Veronica disfarça o olhar enquanto todos esperam uma resposta, calados.

- Não posso falar sobre isso. Eu... eu não consigo. – diz Veronica. Ela olha para Ellen. – Perdão, Ellen, mas desde que chegamos você dirigiu meia dúzia de palavras para nós.

- Isso não é um talk show! – murmura Ellen balançando a cabeça — Você não vê que temos assuntos mais importantes para tratar do que lhe tratar como visita na casa da vovó?

Dean arqueia as sobrancelhas.

- Ellen. – diz Bobby levemente, fazendo a caçadora se acalmar. — Não, Bobby, não. Estamos á beira do abismo, nos destruindo aos poucos enquanto Red Coat avança no jogo. No meio disso, Veronica bola um plano e nos trata como lixo pelas costas?

- Por fav... – começa Bobby.

- E se ela for Red Coat? – fala Ellen, chamando o olhar de todos para si.

Veronica levanta do sofá.

- EU NÃO SOU! – berra a caçadora. Ela deixa escapar uma lágrima, mas limpa e se mostra uma verdadeira batalhadora. – Pensem o que quiser de mim, falem o que quiser... Mas não digam que sou Red Coat. Não posso digerir isso. Não tenho mais família, nem marido, não tenho mais ninguém. Vocês acham que estou feliz?

Todos silenciam. Veronica de pé continua seu discurso.

- Vocês acham que eu seria capaz de matar Rodric? Perdi meu filho no meio de caçadas, perdi Rodric, perdi tudo. – ela começa a baixar a voz. – Eu vou erguer a cabeça, e sair por aquela porta. Eu vou lutar, por mais que seja impossível minha vitória. Isso se tornou um pesadelo. E eu, pelo menos essa vez, não vou fugir do pesadelo.

Bobby olha profundamente para ela.

- Veronica, como você explica as chamadas no seu celular no dia do ataque dos vampiros á sua casa?

— Eu liguei para eles. – diz ela. Bobby balança a cabeça. – Eles me ameaçaram. Falaram que era para mim entregar vocês dois, Ellen e Bobby, que nos deixariam em paz. Tínhamos tudo marcado, mas eu não levei vocês. Eles me ligaram e disseram que iam pegar o meu filho. Alguns minutos depois, eu liguei, e desesperada tentei dizer que iria, mas era tarde demais.

Veronica vai até a porta, passa por ela e bate com força.

- Covar...

- Você pegou pesado com ela Ellen. – interrompe Sam antes que a caçadora termine.

- Pesado? – resmunga Ellen. Ela silencia.

Dean levanta-se. Ele olha para o irmão e depois para Ruby.

— O que tem a dizer? – pergunta o mais velho.

Sam apenas sorri, fracamente.

— Nada.

Dean avança e dá um soco na cara dele. Ruby se intromete e empurra Dean para longe. Ela adquire olhos de demônio.

— Não se aproxime mais dele. Não mais, Dean.

- O que você vai fazer, demônia vadia? Você vai protegê-lo e levá-lo para o inferno com você depois? Acho que já tivemos essa conversa.

Bobby e Ellen vão até Dean e o seguram.

- Nada do que está fazendo vai adiantar agora. – fala Ellen.

- Não? – pergunta Dean, depois olha para Sam. – Sabe, Sam... Eu não estou com raiva, não estou com ódio. Eu estou decepcionado com você. Eu sempre te escolhi, sempre te protegi. Eu sei que já disse isso milhões de vezes, e repito sempre: minha missão é proteger você.

Ruby debocha. Dean continua:

— Estávamos indo tão bem, desde que te encontrei com a Jess. Caçamos, encontramos o papai, ele morreu, levantamos a cabeça e continuamos. Eu estava gostando dessa vida, desse tempo que eu passei com você. Nós somos irmãos! Mas desde que caçamos aqueles demônios com a Jo, desde a primeira aparição da Ruby, você mudou.

- Não, Dean. Eu apenas agi diferente. Você...

- CALA A BOCA QUE EU AINDA NÃO TERMINEI. – grita Dean. – Desde aquele dia, eu não o vejo mais como vi em todos os seus anos de vida. Eu acho, Sam, de verdade, que você não é mais um Winchester.

- Ok, chega. – diz Bobby levanto Dean mais para trás.

Até mesmo Ellen estava pasma com tudo aquilo que Dean falara, principalmente a parte final. Enquanto isso Jo e Samara permaneciam quietas no seus lugares, Jo pouco fazendo caso de tudo que via ao seu redor.

— Dean. – chama Sam. O Winchester olha para ele. – Eu estou aproveitando a vida, pois mudei o jeito de viver. Não quero ser um escravo até meus últimos dias. O ser humano cresce, e muda. O ser humano se adapta.

- Então eu não sou humano. – diz Dean saindo pela porta.

Todos se olham na sala por um instante.

- Dean vai pensar no que dizer. Tente, pela última vez. – fala Ellen.

Sam hesita. Ele olha para Ruby. Ela apenas levanta a sobrancelha para ele. Então, o mais novo Winchester sai pela porta.

Enquanto o vento frio soprava na rua, Sam do lado de fora da porta, onde estava o irmão.

Dean realmente pensara no que dizer. Ele havia se acalmado, mas a decepção ainda tomava conta dele. Um nó imenso na garganta o fazia respirar mais rápido.

– Sam, eu não acho justo o que disse, muito menos o que fez. Já parou para pensar quantas vezes e já te defendi, quantas vezes eu me arrisquei para te salvar? Cara, você me apunhalou pelas costas! – acusa Dean, se recostando melhor.

Ambos estavam com raiva agora.

Sam balança a cabeça.

– Dean! Deixe de ser hipócrita! Você chama de apunhalar o que eu chamo de escolher o melhor para mim?

Dean sorri ironicamente.

– Melhor? Meu Deus! Podemos adicionar isso no dicionário...! — fala o mais velho rindo. — Como pode achar melhor alguma coisa com um demônio do lado? Um demônio, Sam! Demônio!

Sam fica nervoso. Ele pensa, por quatro segundos. Quatro segundos foram suficientes para pensar em todas as vezes que brigara com Dean. E então a caçula desce um soco no irmão, quase o derrubando.

- Cansei de ser o incompreendido, o excluído e o desnecessário. – fala Sam e dá as costas para o irmão, entrando na casa.

Dean ouve algumas conversas, Sam dá alguns berros, xingando. Ruby se mete e acabam discutindo com Ellen. Três minutos depois Sam sai com uma mochila nas costas, e Ruby logo atrás dele, caminhando.

Dá para se ouvir vários passos de Ellen e os outros avançando para a porta. Quando todos estão reunidos, Sam se vira e olha para Jo e Samara, paradas no lado da rua.

– Se algum dia seus netos perguntarem quem foi Sam Winchester, digam que foi um fracassado e dependente, um caçador fraco e medíocre.Sim, não hesitem ao dizer isso. Mas não se esqueçam, de jeito nenhum: Digam que Sam Winchester escolheu o melhor para sua vida: ser feliz.

Nisso ele e Ruby se viram e continuam andando.

- Dean, você...

- Deixe-o ir. – fala Dean.

Ellen olha para ele e põe a mão na cintura.

— Como assim deixe-o ir? Dean! Aquele é o Sam, seu irmão. Que tipo de viagem é essa sua?

Dean olha para ela.

- Meu irmão faz parte de outra fase da minha vida. Como ele disse, o ser humano cresce e muda.

___

Ellen e Bobby conversavam sobre Jo. Ela não havia dado nenhuma palavra nos assuntos, não estava nem aí para nada. Mais cedo, Samara veio até eles e falou que tinha uma energia ruim vindo da sala, e eles acreditaram que era de Ruby. Agora, na cozinha, alguns minutos depois de Sam e Ruby partirem, Samara os alcançou de novo.

- Gente, está na minha hora. Preciso encontrar minha vó, tenho que partir.

Ellen sorri para ela.

- Samara, querida. Você foi muito importante para tudo. Eu sinto muito por... você sabe. – Ellen abraça ela.

- Obrigado pelo apoio Ellen, e pela hospitalidade, Bobby. Quando precisarem de mim, apenas liguem que eu posso vir.

Samara sorri para eles.

- A propósito, hã.. sobre a má vibração na sala, ela ainda não passou. Cuidado, o perigo pode estar mais próximo do que vocês imaginam.

Os dois anciãos ficam sérios.

— Tchau pessoal. Desejo que isso passe na vida de vocês.

Ela caminha para fora da casa, enquanto Bobby e Ellen se olham.

- Você acha que...

Eles balançam a cabeça, e juntos, caminham até a sala. Ali, sozinha, sentada, estava Jo, olhando para a parede com uma expressão de dúvida.

— Jo? – chama Ellen. A filha não olha para ela. – Jo?

Dean entra na casa e repara no que eles estavam fazendo. Bobby e Ellen olhando para Jo com uma cara muito tensa, enquanto a garota nem se movia no sofá.

Então Jo pisca, e quando abre, seus olhos estão como os de um demônio.

— Cristo! – grita Ellen, tanto para assustar o demônio que possuía a filha como de apavorada.

— Meu Deus, Jo! – fala Bobby e se afasta da garota.

Dean começa a citar o ritual de exorcismo, mas não parece adiantar para Jo.

A garota avança para o caçador mais jovem e sussurra em seu ouvido:

- O que foi, Dean? Você está com medo de mim?

Dean hesita em fazer qualquer coisa, então Bobby segura Jo e rapidamente Ellen cata água benta encima da escrivaninha, jogando na filha. Jo apenas suspirou com o ataque, mas deu bem para perceber que ela não havia sentido nada

Dean então pulou pra cima dela e a segurou.

- O quarto do pânico, Bobby! – gritou ele, enquanto Bobby assentia e se dirigia para a escada.

Ellen ajudava Dean á ‘domar’ Jo.

- Me solta! – berrava Jo com uma voz mais grossa que o normal.

Não soltaram. Ela foi arrastada – com dificuldade – para o quarto do pânico do porão de Bobby. Então Dean e Ellen colocaram ela lá dentro.

— Me tira daqui! AGORA! – berrava Jo.

Ellen correu para trás e fechou a porta, olhando a filha se debater pela pequena janelinha que tinha na porta.

- Meu Deus! – fala Ellen baixinho.

- ABRE ESSA PORTA A G O R A! ABRE! ABRE! – Jo continuava gritando desesperadamente.

Bobby vai até Ellen e olha pela janelinha. Dean olha para suas mãos e as vê manchada do sangue de Jo que vazara de tanto apertá-la.

- Jo. – sussurrou Bobby olhando para a menina ‘possuída’ ali dentro.

__

Ruby e Sam estavam á procura de um motel barato em Sioux Falls, enquanto não tinham para onde ir.

- Parece que agora é sério. – fala ela olhando para a vitrine de uma loja. – Você e Dean.

Sam desvia o olhar para o outro lado da rua.

— Não sei. Somente o tempo dirá.

Ruby diz.

— Você está muito filosófico, Sam.

Sam não curte muito o momento descontraído. Ele estava realmente chateado. Nunca gostara de brigar com Dean, mas foi inevitável dessa vez.

Ruby abraçou ele.

- Eu vou estar sempre aqui, ok?

Ele assente.

E Ruby adquire seus olhos demoníacos.

__

2 horas depois.

Sentados na sala, por duas horas, Bobby, Ellen e Dean ouviram os berros de Jo no porão. Pensaram em todas as probabilidades possíveis.

Ellen estava desesperada. Bobby decidiu procurar em livros a resposta do que estava acontecendo com Jo. Dean o ajudou.

Depois de um tempo, os gritos pararam.

- Será que ela cansou? – perguntou Bobby.

Ellen se levantou.

— Vou conferir.

Nesse exato momento, Veronica entra na casa outra vez. Ela estava sozinha, mas levava uma expressão apavorada.

- Veronica? – pergunta Dean.

- Bobby, o que é aquilo no quarto que você preparou para demônios no seu porão?

Cai a ficha dos três. Eles descem as escadas correndo, desesperados.

Quando chegam no quarto, percebem a cena de horror.

- Puta merda! – exclama Bobby.

O quarto estava revirado. Tudo destruído, manchado de sangue. A cama estava em pedaços, a mesa partida em quatro partes. As paredes respingadas de sangue, e o teto e o chão rachados.

Havia também um enorme buraco na parede que dava para o lado de fora.

O quarto mais seguro, indestrutível que todos os caçadores dali já haviam visto na vida fora destruído.

E havia uma caçadora possuída totalmente perigosa á solta.

Notas finais
É isso aí...

Gostaram? Estamos nos aproximando da nossa Fiction Finale hein!

Comentem!