Sunlight
8 A Princesa Que Nunca Foi

Dizer que todos ficaram chocados com o anúncio do Imperador era um eufemismo.
Ninguém realmente esperava por isso.
—Tenho o prazer de anunciar para todos que o império de Moraq e o principado de Dorne terão suas alianças reforçadas. Elia Martell, sua princesa, aceitou se casar comigo e ser a minha imperatriz.
Se recuperando do estado estupefado que estavam, todos começaram a bater palmas.
—E digo mais. A alcunha de bastardos dos três filhos de Elia será substituída pelas alcunhas de príncipes imperiais. Darei a cada um o nome al Nazir e eles terão os direitos de um filho de uma última concubina. Ou seja, eles estarão apenas atrás de meu filho Khalil e minha filha Fatieh.
Uma festa foi feita para comemorar de forma oficial o noivado.
Doran aproveitou que a sua irmã estava sozinha depois disso para conversar com ela.
—Elia você tem certeza de que é isso o que quer?
—Eu tenho! -ela disse com firmeza. — Eu e meus filhos fomos jogados fora do que era nosso por direito. E agora tenho a oportunidade de fazer algo para sair da situação em que eu estou. Eu posso fazer algo por Dorne, por meus três filhos, por vocês e por mim.
Ela olhou pela janela, vendo o povo ir de um lado para o outro abaixo.
—Eu sou muito mais que uma mulher de saúde frágil que não consegue ter filhos rápido o bastante. Eu sou muito mais do que uma esposa, uma irmã ou uma mãe. Eu sou eu, eu sou minha própria pessoa. E eu vou provar que sou uma rainha. Não pelo meu sangue, ou por que meu marido é poderoso. Eu serei forte por mim mesma.
Doran olhou para a irmã com orgulho. Ele temia que os horríveis anos do casamento dela com Rhaegar Targaryen, sendo humilhada, ameaçada e xingada pelo Rei Louco e depois sofrendo tudo o que sofreu depois que o marido resolveu agir como um animal no cio com a garota Stark tivessem esmagado a força que ele sempre soube que ela tinha por dentro.
Mas não, sua irmãzinha era o sol, nem mesmo dragões idiotas poderiam derrubar seu amor próprio e dignidade.
Doran abraçou Elia e por dentro desejava que sua irmã e seus sobrinhos achassem de alguma forma um pouco de felicidade, pois só eles sabiam o quanto eles precisavam.
(...)
Os meses se passaram. Dorne prosperou e estava rica como nunca graças aos acordos comerciais que Doran ia adquirindo de pouco a pouco. A notícia de que Elia seria a futura nova impetriz de Moraq abriu ainda mais as portas para a ascensão dornesa.
Enquanto seus bolsos enchiam de várias riquezas, Doran se aproveitava do fato das feridas da guerra ainda não terem sarado para fortificar as fronteiras. Ele sabia que ainda era muito recente para Rhaegar conseguir unir os reinos para uma guerra contra a independência de Dorne. As cicatrizes da rebelião estavam muito expostas, a opinião pública não era muito favorável aos dragões, mas um dia o tolo Rhaegar tentaria.
De certa forma já estava tentando, ele enviou uma carta oferecendo um casamento entre Jon e a princesa Arianne. Doran mandou outra deixando claro que nunca mais mulheres de sangue Martell serão dadas a um Targaryen.
E foi particularmente satisfatório. Ele só queria ver a careta pálida do rosto do idiota pomposo que se achava rei.
Kerim voltaria em algumas semanas para se casar com Elia e levá-la para Moraq.
Os preparativos já estavam feitos.
Naquele já havia chegado um navio que ele mandou de presente. O nome era "Imperatriz do Sol". Bem apropriado.
Estava um dia quente, mas com uma estranha névoa em volta do navio.
Mesmo assim, Elia quis entrar na embarcação e ver como ele era por dentro.
Para a surpresa dela, logo sentiu uma dor forte na região do ventre e sentia água escorrer pelas pernas.
—Vai nascer!
Ela não podia ser movida, então trouxeram rapidamente ajuda para que o parto acontecesse ali mesmo.
A dor era forte. Elia de repente estava presa na memória de quando quase morreu.
Aerys a estrangulava. Ela sentia a morte cada vez mais perto.
—Morra Loreza! É sua culpa! Você me fez matar minha Joanna!
Ela se debatia. Apesar de insano ele era um homem muito forte. Seu aperto quase partia seu pescoço.
—Não era para você ter me interrompido! Eu estava prestes a finalmente ter Joanna! Ela devia ser minha! Ela devia!
Elia puxava devagar sem que ele percebesse a pequena faca que sempre trazia escondida na manga do vestido.
—Mas eu não consegui, quem a teve aquela noite foi Tywin, aquele maldito! Eu ouvi, ele sabia que eu estava do outro lado da porta e a fez gemer mais alto para que eu ouvisse! Para que eu soubesse que somente ele foi o único a tocar nela! Como ele ousou desafiar o dragão? Eu tinha que dar uma lição nele! Eu envenei Joanna para que ela tivesse um filho monstro. Como eu poderia saber que o maldito bebê iria matá-la? Não era para Joanna morrer, não era! Aquela empregada errou na dose! E o menino nem é tão deformado, só é anão! Maldito Tywin, sempre sortudo!
Quando ele se distraiu, Elia cortou sua mão e ele deu um grito, a soltando.
—Vagabunda! Prostituta dornesa!
Elia enfiou a lâmina em seu pescoço. O sangue começou a jorrar, enquanto Aerys, com os olhos arregalados, pôs a mão lá, tentando conter o sangue.
Elia conseguiu desviar do sangue sem se sujar e o empurrou para cair no chão.
Ela respirou fundo. E quando percebeu, Jaime Lannister olhava para ela, chocado.
—Pegue fogo e óleo! Agora! -ordenou, com a voz forte como nunca na vida, rouca com o aperto na sua garganta.
Jaime surpreendentemente a obedeceu.
Ela pôs fogo em Aerys e disse a todos que o rei pôs fogo em si mesmo tentando virar um dragão. Ninguém duvidou que o rei queria ser um novo Chamaviva. Quem duvidaria da frágil Elia? Quem sequer diria que ela matou o pai de seu marido? A hipótese era absurda.
—Vamos ela, está quase lá.
Finalmente o choro de uma criança atingiu seus ouvidos.
Elia chorou de emoção, mal acreditando que sobreviveu a tantas coisas e deu a luz ao terceiro filho que garantiram que ela nunca poderia ter.
—É uma menina, princesa.
Quando viu a filha, se espantou.
—Isso no peito dela... É uma estrela? Uma estrela vermelha, esta marca de nascença?
—Parece senhora.
Impressionada, ela olhou para a filha. Elia ria, chorava, se maravilhava.
"Veja o que jogou fora, seu maldito!", pensou em meio ao cansaço.
Oberyn e Doran logo apareceram, enquanto Elia era ajudada, para ambas serem transportadas para os Jardins De Água.
—Três filhos em menos de quatro anos. Melhor a lobinha no cio se apressar se quiser se equiparar a isso. — disse Oberyn com escárnio.
—Ela não pode. — disse Doran com um sorriso sombrio -Nunca vai poder. Não mais.
Oberyn ficou interessado.
—O que você fez?
—Digamos que é bom que Rhaegar ame muito seu doce bebê com a cadela Stark. Não vai haver outros. Ela não tem útero para gerar mais nenhum.
O caçula Martell não perguntou mais nada. Mas sinceramente amava o irmão por sua sutileza mortal.
Quando Elia foi instalada e o bebê limpo, ela amamentou a filha pela primeira vez.
Ela agradecia por estar viva, por seus filhos estarem vivos, por eles poderem se sentir seguros sem ninguém mais oferecer perigo.
—Qual será o nome dela?
Elia iria dar a sua filha de aparência bem Targaryen um nome dornês. Agora aquele bebê era só dela, era Elia quem decidia sozinha.
—Dyanna. Como nossa tataravó, A Rainha Que Nunca Foi.
E então, Dyanna Sand, futura Dyanna al Nazir finalmente chegou ao mundo.
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