Sunlight

9 A Imperatriz De Moraq


Uma filha. Ele tinha uma filha. Ele tinha as suas cabeças de dragão. E ao mesmo tempo, não tinha nenhuma.

Seu filho com Lyanna era um lobo, não tinha nada Targaryen.

Enquanto isso, outro homem teria os seus filhos, outro homem daria a eles o seu sobrenome e os criaria longe.

E talvez nunca pudesse ver sua Visenya, se depender do rancor de Elia. Nem Visenya ela se chamava, mas sim Dyanna, como uma afronta final de Elia, o nome da dornesa que nunca pode ser rainha.

—Eu lamento, Vossa Graça. A rainha Lyanna sofreu um aborto. Não pudemos fazer nada.

(...)

Elia mal podia acreditar que sua vida tinha mudado tanto.

Foi rejeitada, humilhada, jogada para fora e agora iria se tornar uma imperatriz.

Quem diria?

A cerimônia de casamento foi algo que ela nunca tinha visto, de tão luxuosa. Quando se casou com Rhaegar já tinha achado uma grande ostentação, mas casar com Kerim lhe mostrou que aquilo não era nada.

Westeros era tão pobre e atrasado! Como eles puderam ficar tão atrás do resto do mundo desse jeito?

Ao menos Doran estava tentando trazer coisas novas para Dorne, e arranjar alianças com povos diferentes. Ah, ela não duvidava que Doran faria Dorne prosperar. Se existia alguém que podia levantar os dorneses até o alto, esse era seu irmão mais velho, inteligente e com a mente bem aberta.

—Venha, minha nova impetriz. Tenho uma surpresa para você.

Com curiosidade, ela o acompanhou.

Ele a levou até o quarto onde seus três filhos estavam.

Quando ela abriu a porta, quase caiu para trás com a emoção e a surpresa.

—Elia! -ouviu um gritinho infantil e sentiu Viserys a abraçando.

—É muito bom te ver de novo querida. -disse Rhaella, também mal contendo a emoção que por dentro.

—Mas como...

—Eu pesquisei sobre a sua vida e descobri que você e a Rainha Mãe eram próximas. Que ela repudiou os atos dos filhos, então a trouxe para que ela pudesse ter um momento com os netos.

Elia ficou comovida com o gesto de Kerim. Era tão atencioso e nobre!

—Vou sair para que possam conversar.

Elia deu a Kerim um beijo de tirar o fôlego.

—Obrigada, meu marido.

Ele sorriu para ela, acariciou seu rosto e saiu do quarto.

—Meus netinhos cresceram tão rápido!

—Viserys e sua bebê também, não é?

Rhaella passou Daenerys para o colo de Elia, enquanto pegava Dyanna. Aegon dormia em um berço e Rhaenys estava brincando com Viserys.

O menino tentava ensinar golpes com uma espada de madeira para Rhaenys, que o imitava.

—Olhe só, Viserys o cavaleiro. Você quer ser cavaleiro quando crescer?

—Sim, eu vou ficar grande e forte, e vou poder mandar o homem mal embora, a mamãe nunca mais vai chorar ou ficar machucada!

Elia e Rhaella paralisaram. Doía no fundo das duas a quantidade de danos que Aerys conseguia causar, mesmo depois de morto.

—O homem mal foi embora, Viserys.

—Mas e se surgir outro homem mal? E se alguém machucar a mamãe ou a Dany? Eu sou muito pequeno, não vou poder lutar. Eu tentei lutar com o papai mas não consegui.

—Quando foi isso, Viserys? -perguntou Rhaella assustada.

—Foi antes da gente ir pra Pedra Do Dragão mamãe. Eu ouvi a senhora gritar para ele parar e me assustei. Eu senti... Tava muito quente, acho que era fogo. E quando entrei no quarto eu te chamei mas você não respondeu.

Rhaella empalideceu. A noite em que sua filha foi concebida. Ela desmaiou depois que Aerys a queimou. Quando acordou, ele a violou por horas. Viserys entrou nesse meio tempo?

—Você tava dormindo mamãe. Eu tentei te acordar, mas o papai me jogou no chão. Eu chutei a perna dele, por que doeu. Aí ele me bateu no rosto e me jogou contra a parede. Os guardas apareceram e me levaram para o meu quarto.

O peito da Rainha Mãe se encheu de fúria e angústia.

"MALDITO SEJA! NÃO SABE COMO EU ESTOU FELIZ POR VOCÊ MORRER!"

—Viserys por que nunca me contou isso?

—Mas o que a senhora poderia fazer? O papai ia machucar você também, mamãe.

A verdade era amarga para a Targaryen. A falta de ação de Rhaegar, dos nobres e também do Conselho foi o que levou Westeros ao ponto em que chegou. Qualquer outro homem no estado em que Aerys estava seria afastado de suas funções. Foi o medo de agir que arrastou a todos para a guerra.

Seria tão simples! Bastava não obedecer as suas ordens alegando insanidade e o trancar em algum lugar para que ele não fosse mais perigo para ninguém. Mas a que ponto essa negligência chegou?

—Elia querida, eu sei que foi você.

Elia olhou para Rhaella com apreensão.

—Jaime me contou sobre encontrar Aerys te estrangulando. Ele não falou mais nada. Por que não disse como você se livrou? Então eu pensei muito e só achei uma opção. Foi você quem o matou.

—Eu matei. Alguém tinha que fazer.

—Sim. Alguém tinha que fazer. -Rhaella concordou, sombria — Eu mesma fui covarde. Podia ter matado ele a muitos anos e enfrentar a justiça, mas fui covarde. Os machões dos Sete Reinos, tão poderosos e corajosos, também se acovardaram. Precisou você fazer alguma coisa para aquele monstro ter um fim.

Ela balançou mais um pouco Dyanna em seu colo.

—Obrigada por isso. Sabe-se lá o que iria acontecer se meu marido ainda estivesse vivo. Alguém tinha que parar Aerys. E ainda bem que ninguém soube que foi você. Deixe que o monstro apodreça e vamos viver.

—Vocês estão falando do papai? — perguntou Viserys.

—Estávamos sim, querido.

—Ah tá. Mas quando vou ganhar outro papai?

Rhaella ficou envergonhada.

—Viserys meu querido, de onde você tirou isso.

—Ué mamãe, o Bonny não vai ser o meu novo papai?

—Querido... Eu... Viserys por que pensa que Sir Bonifer será seu pai?

—Por que ele gosta da senhora e a senhora gosta dele. Eu já vi vocês se beijando.

—Viserys! -falou Rhaella, acanhada, e Elia por que vez se controlava para não rir.

—Eu gosto do Bonny, ele faz você sorrir.

Elia sentiu vontade de apertar as bochechas de Viserys.

—Bem, vamos mudar de assunto sim? Quero que conte tudo sobre meus netos.

E então, depois de um bom tempo, as duas se despediram, muito felizes por verem uma a outra de novo.