Summer Paradise: A Nova Geração
7 Meu coração embaixo da manga
Katharina respirou fundo.
Havia tantas coisas passando pela mente da garota que ela jurava que iria explodir.
Primeiro tinha Jo.
Em hipótese alguma Katharina culparia a amiga pela derrota. Era obvio que uma maga celestial não ganharia de uma dragon slayer. A culpa era inteiramente e completamente do Bixlow por ter feito esse par ridículo.
Porém, ainda assim, o X-Timeless perdeu. Para os novatos fedorentos.
Urgh.
E também havia o problema da garota nova.
A maga suspirou mais uma vez enquanto lembrava-se da conversa que teve com Bixlow.
–Ela não pode ficar – o mago disse. – Você não viu o que ela fez? Ela quase –
–Ricardo está bem – Katharina o interrompeu, seu tom de voz desesperado. – Bixlow, eu vou dar um jeito nela, prometo.
–Não é tão simples – Bixlow continuou -, ela nem foi à cerimônia de iniciação e –
–Ninguém gosta daquela porcaria de cerimônia! – A garota disse. – Ela só teve coragem de quebrar as regras e não aparecer. E isso é bom, não é? Ter coragem?
Bixlow suspirou.
–Não foi isso o que realmente aconteceu — ele disse, mas sabia que não podia forçar a razão para a cabeça da garota.
–Por favor, Bixlow – Katharina disse no tom mais inofensivo que Bixlow já a vira usando. – Me deixe tomar by Text-Enhance\">conta de um assunto pelo menos uma vez.
–Mas aquela garota não é “um assunto” – mas era inútil. Ele estava perdendo seu tempo.
Então, lá estava Katharina, pronta para seu novo projeto.
O projeto Yoga Ambrose.
**
–Quem você acha que vai lutar agora? – Misaki perguntou a sua irmã.
Elas ainda estavam na arquibancada. Aparentemente, o próximo combate começaria em breve.
–Não sei – Juliiana respondeu. – Pela lógica alguém dos Galanties terá que lutar. Então, será contra alguém do nosso time ou do X-Timeless.
Misaki assentiu, acompanhando o raciocínio da irmã.
–Falando dos Galanties – Misaki disse, voltando-se para Linnea que parecia não estar prestando atenção em nada. – Quem é seu namorado afinal, Linnea? Ricardo ou Leonardo?
Linnea engasgou.
–Você está bem? – Juliiana perguntou a amiga que parecia estar roxa.
–Eu – Linnea disse, sua voz rouca – não tenho namorado.
–Mas – Misaki tentou argumentar.
–Misa-chan – Juliiana interrompeu a irmã -, eu pensei que Leonardo gostava de você. Ou será que você inventou a história do trem?
Misaki arfou. Como sua própria irmã podia a acusar de uma coisa dessas?
–Eu não inventei nada! – Misaki disse indignada. – Aconteceu mesmo. Bom, não sei, talvez ele estivesse sendo apenas legal comigo. De qualquer maneira, eu já estou comprometida.
Linnea levantou as sobrancelhas.
–É mesmo? – ela perguntou, não se importando com o cabelo que caía em seu rosto.
Juliiana bufou.
–Não está coisa nenhuma – Juliiana disse.
–Estou sim! – Misaki disse. – Platonicamente, mas estou sim.
–E então, — Linnea disse perdendo a paciência – vai elaborar essa história ou não?
–Não tem muito que elaborar – Misaki murmurou.
–Ela se apaixonou por um amigo do meu pai – Juliiana disse. – Um tal de Lyon. Mas é ridículo.
–Não é ridículo! – Misaki protestou.
–É sim.
–Não é não.
–É sim.
**
Não demorou muito para Katharina achar Yoga.
Ela estava na praia, deitada na areia, vestindo um simples biquíni preto. Katharina não pôde deixar de reparar que Yoga fazia com que as outras garotas parecessem magricelas e desajeitadas com seu corpo. Ela era uma ordinária por isso.
–Você não pode fazer isso de novo – Katharina disse em pé e de frente para ela.
Yoga levantou os olhos e olhou para a garota.
–O quê? – Ela parecia inocente. – Top less?
Ela acabara de dizer top less?
Katharina franziu a sobrancelha. O que ela mais odiava era quando as pessoas brincavam com ela.
–Escute aqui – Katharina disse -, faça o que você quiser. Mas, pelo menos seja esperta e não deixe ninguém descobrir, ok?
Yoga se levantou e encarou Katharina. Droga, a maga do gelo pensou, porque ela tinha que ser um palmo mais baixa do que Yoga? Katharina fez uma anotação mental de usar sempre saltos quando estiver perto dela.
–Por que você se importa? – Yoga perguntou com uma voz neutra.
–Eu não me importo – Katharina respondeu. – É por isso que Bixlow nos acha tão parecidas.
Ela estava prestes a se virar e voltar para a arena, mas parou quando ouviu a voz de Yoga.
–Não somos nada parecidas – Yoga disse, sua expressão séria. – Eu ajo do jeito que ajo porque sei que posso agir assim. Sei que sou boa o suficiente. Mais do que suficiente. – Yoga pausou e olhou-a de cima a baixo. – Já você? Pelo pouco que percebi, se esconde atrás dessa atitude como uma forma de defesa. Você é mais insegura que uma garotinha no primeiro dia de aula. Chega a ser patético.
Katharina não fez nada além de encarar Yoga. Ela tinha o orgulho de dizer que não desviara o olhar nem mesmo uma vez, mas, o que realmente queria era gritar para seu time espancar a garota que estava a sua frente.
Isso a fazia uma garotinha?
–Estou errada? – Yoga perguntou quando Katharina não respondeu.
–Não se atreva a se meter em confusões de novo, entendeu? – ela disse, antes de ir embora.
Katharina Dreyar definitivamente iria dar um jeito nessa novata.
**
–E o próximo a lutar será, chan chan chan – Bixlow fez barulhos para tentar causar suspense que só mostravam o quando ele não deveria estar ali. – Leonardo Eucliffe e... chan chan chan, Linnea Bluechard.
–É o destino, cara – Guga gritou ao amigo.
Mas, não importava se era o destino ou não. O que importava era que Leonardo iria ganhar essa luta, como ganhara todas em sua vida.
**
–Boa sorte, Linnea! – Misaki disse, dando tapinhas encorajadores na amiga.
Linnea não parecia nervosa. Entretanto, a maga também não parecia segura. Seu rosto estava sem nenhum rastro de emoção.
–Ei – Nathan disse franzindo as sobrancelhas. – Lin-chan, você nunca contou qual é o seu poder para a gente.
–É verdade – Juliiana disse, encarando a amiga pelo canto do olho.
Linnea suspirou.
–Vocês podem me deixar sozinha? – Ela pediu, querendo passar seus últimos cinco minutos de paz longe dos amigos.
**
–Ai que inferno! – Tris Redfox gritou, atirando uma pedra que estava no chão em direção a uma árvore. – Por que ninguém me chama para lutar?!
–Tris, essa é só a segunda luta – Dana respondeu, sem desviar os olhos da revista que estava lendo.
Tris ainda estava revoltada.
–Ei, alguém sabe onde a Jo está? – Ralf, o irmão de Tris, perguntou de repente.
–Não – Tris respondeu irritada. – Não a vi desde a luta de mais cedo.
Dana fechou sua revista. Ela não sabia onde Jo Clive estava, mas tinha uma boa ideia de quem estava com ela.
**
Ainda faltavam quatro minutos.
Leonardo Eucliffe estava reunido com seus melhores amigos, Victor e Guga, enquanto esperava pacientemente sua luta começar.
–Você não se sente desconfortável em lutar contra uma garota? – Victor não pôde deixar de perguntar.
Leonardo deu de ombros.
–Eu vou pegar leve com ela.
–Ouviu? – Guga disse, se virando para o irmão. – Pegar leve. É isso que devemos fazer com garotas, e não simplesmente ficar paralisados enquanto elas nos atacam. Sua luta contra a Tris Redfox foi uma vergonha para os Galanties!
Victor fez uma careta, mas fora isso ignorou o irmão. Era verdade o que Guga disse. Na competição do ano passado, Tris Redfox fora sua oponente. Quando subiu na arena, ele nem mesmo conseguiu se mover. Não porque ela era uma garota, mas sim porque ela era a garota. Sua garota. Tris só não sabia ainda.
Lógico, Victor não iria arriscar sua vida contando isso a ela.
–Você pegou leve com Katharina na competição para magos classe S ano passado? – Victor continuou seu interrogatório.
Os músculos de Leonardo enrijeceram com o comentário.
Bem, a competição para magos Classe S ainda era um mistério a ele. No ano passado, ele e Dana Scarlet foram vitoriosos. Tudo estava ocorrendo bem na competição. Leonardo conseguira ultrapassar todos os desafios sem dificuldade alguma... porém, a última tarefa era um combate contra outro concorrente. E, para o azar de Leonardo Eucliffe, sua rival fora Katharina Dreyar.
Ele ganhou sem dificuldade alguma.
Não era nenhuma surpresa, já que ele sempre ganhava suas lutas. No entanto, em alguns momentos, Leonardo sentiu que Katharina estava se segurando. Como se ela estivesse o deixando ganhar. Leonardo sabia que a maga do gelo tinha sentimentos em relação a ele, mas ele também sabia que ela era orgulhosa demais para perder. Por isso, intrigava-o mais do que deveria o fato de ela ter se segurado.
Falando no diabo...
–Katharina! – Victor Albertino sorriu.
Leonardo piscou algumas vezes e certamente viu Katharina Dreyar parada com suas botas Dolce&Gabbana a alguns metros de distância dele. Ela sorriu e se aproximou.
Katharina não mudara muito desde que Leonardo a conheceu sete anos atrás. Lógico, algumas curvas apareceram que deixavam seus quadris algo extremamente agradável de observar, mas tirando o óbvio, ela não mudara muito. Ele sabia que ela ainda passava horas na manhã tentando enrolar mechas em curvas perfeitas, que eram desmanchadas em menos de trinta minutos, fazendo seu cabelo voltar ao estado liso de sempre. Leonardo também reparara que a quantidade de maquiagem que a morena passava no rosto aumentara consideravelmente e, apesar de parecer algo extremamente clichê de ser dito, ele a preferia ao natural.
–Vocês podem nos deixar sozinhos por um momento? – A maga perguntou aos amigos dele. Sua voz extremamente doce e melosa.
Victor sorriu.
–Claro – Guga disse, fazendo uma reverencia exagerada a garota. – Mas, se vocês forem fazer aquilo, façam bem rapidinho, ok? Não quero ver meu garoto atrasado para a batalha.
Victor deu um soco em Guga e os dois irmãos começaram a andar a passos largos. Lógico, antes de sair do campo de visão de Leo, Guga fez um sinal que Leonardo conhecia muito bem. “Se você não pegar, eu pego”.
Leonardo literalmente odiava Guga às vezes.
–Eu sinto muito por isso – Leonardo disse, sem saber o que dizer.
Katharina sorriu.
–Não tem problema.
Por que o coração dela começava a acelerar todas as vezes que ela olhava naqueles olhos verdes profundos? Por que as pernas dela ficavam estranhamente fracas quando estava tão perto dele?
–Katharina – ele disse, tentando se afastar da garota. – Eu tenho que lutar agora, então –
–Não se preocupe – ela disse rapidamente. – Não vou demorar. Eu só vim desejar boa sorte.
–Obrigado — Leonardo sorriu, mas ele sabia que com ou sem sorte ganharia a luta.
Katharina sorriu também, tentando manter sua respiração em um ritmo estável.
–Me dá a sua manga – a maga pediu agarrando o braço dele.
–O quê? – Ele perguntou, sua voz era uma mistura de pânico e confusão.
–Você usou essa camisa na ceia de natal do ano retrasado – Katharina disse, mais para ela mesma do que para Leonardo.
Ela tirou algo dourado de seu próprio bolso que Leonardo reconheceu como um pingente em formato de coração.
–Você se lembra disso? – Ele perguntou, sua voz saindo quase como um suspiro.
Seus olhos estavam atentos a maga a sua frente, porém ela não o encarava de volta. Estava ocupada demais tentando prender o pequeno coração na manga esquerda dele.
–Você tem meu coração embaixo da manga – ela riu.
Leonardo não disse nada, mas não conseguiu evitar que um largo sorriso aparecesse em seu rosto. Katharina Dreyar conseguia ser uma egocêntrica Rainha do Drama, todavia Leonardo não podia negar que o papel caía bem nela.
–É para dar sorte – ela sorriu. – Não que você precise, é claro.
Katharina não era lá muito alta, mas ela definitivamente se sentia menor do que realmente era perto de Leonardo. Talvez fosse um dom que ele e seus olhos verdes tinham.
Lentamente, ela começou a se distanciar, tomando todo o cuidado possível para não tropeçar com suas botas recém-compradas.
–Katharina – ele a chamou, fazendo-a virar. – Obrigado.
Notas finais
Espero que tenham gostado desse capítulo. Prometo que o próximo será melhor (pelo menos para os fãs da Misaki, da Linnea, do Bixlow e da Tris hum... *spoiler*);
Beijos;
Wine ;*
PS Estava sem tempo de fazer o resuminho de início :/
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