Summer Paradise: A Nova Geração

5 A garota de cabelos violetas


Notas iniciais
Sem resuminho hoje, mas no próximo capítulo já vai ter, ok?

A pequena garota estava sorrindo. Era raro ela entrar na sala de brinquedos antes que todas as outras crianças. Sem hesitar, ela caminhou em direção ao brinquedo preferido das meninas: a barbie.

A boneca já estava velha, havia manchas de sujeira por todo seu corpo, mas ela não se importava. Normalmente ela nem conseguia tocar na barbie, já que sempre havia uma fila enorme de espera para a boneca.

Ela pegou um pente de brinquedos e começou escovar a boneca. Havia tantos nós, mas ela era persistente. Iria deixar o cabelo loiro lisinho, como se fosse novo.

-Aberração! – A garota ouviu alguém gritar.

Ela se virou e viu um garotinho da sua idade parado na porta.

-Aberração! – O garoto repetiu.

Ela pôde sentir lágrimas se formando em seus olhos. Por quê? Por que eles tinham que estragar tudo?

-Eu não sou uma aberração – a garotinha disse, um nó se formando em sua garganta.

-Você é uma aberração nojenta! – O menino gritou e jogou um livro para colorir na direção dela.

-Me deixe em paz – a garota chorou alto, as lágrimas caindo livremente por seu rosto.

Ela queria jogar algo nele, ela o odiava. Ela odiava todos eles. Eles não a compreendiam.

Um barulho como um clack veio das mãos da pequena garotinha. Ela olhou para baixo e viu a barbie em suas mãos decapitada, o corpo desajeitadamente para um lado e a cabeça para o outro.

Ela era uma aberração.

Yoga acordou em um pulo, respirando com dificuldade.

Demorou alguns segundos para a maga perceber onde estava. Fairy Tail. Ela finalmente chegara a Fairy Tail. Ela finalmente o encontrara. Agora tudo iria ficar bem.

Ela iria ficar bem.

Yoga limpou o suor de sua testa e olhou em volta. Suas companheiras de quarto ainda estavam dormindo. Uma delas murmurava algo impossível de se compreender enquanto abraçava seu travesseiro.

Ela decidiu tomar um banho antes que as garotas acordassem. Yoga não queria encontra-las logo de manhã, principalmente depois da discussão que elas tiveram na noite passada. Digamos que nem todas concordaram com a presença dela nesse quarto.

**

-Bom dia – Misaki sorriu enquanto se sentava ao lado de Nathan na mesa do café da manhã. Ainda era cedo, o sol mal havia nascido, mas na noite anterior os monitores disseram para todos os novatos acordarem antes das sete.

-Bom dia – ele respondeu. – Dormiu bem?

-Dormi – ela assentiu. – E você?

Nathan olhou para Misaki como se ela estivesse com algum problema mental. Pela primeira vez, Misaki o olhou de perto e o que ela viu a assustou.

O mago do fogo tinha olheiras enormes e profundas, como se ele não tivesse pregado o olho a noite inteira.

-Oh, meu Deus – Misaki arfou. – O que aconteceu com você?

Nathan suspirou e deu uma mordida em seu pão.

-Você tem alguma ideia do que é dormir no mesmo quarto que Ricardo Strauss? – ele gemeu. – O cara fala até dormindo.

Misaki riu, mas não disse mais nada. Apenas continuou a comer seus ovos mexidos.

**

-Acordem suas dorminhocas inúteis – Tris gritou para as amigas. – Nós precisamos nos preparar!

Jo Clive gemeu em sua cama e agarrou-se ao seu travesseiro.

-Do que foi que você me chamou? – Dana perguntou, abrindo os olhos só para lançar uma de suas tão famosas encaradas a Tris.

-Andem logo, hoje é o dia. – Tris resmungou. – Afinal, cadê a novata?

Katharina esfregou seu olho levemente, incomodada com a claridade vinda das janelas recém abertas por Tris.

-Ela não está aqui? – ela perguntou procurando por Yoga.

-Graças a Deus – Jo murmurou. – Ela me olha como se eu fosse um pedaço de carne em uma vitrine de açougue.

-Não – Tris respondeu. – Afinal, Kath, por que você a convidou para ficar conosco? Eu sei que acabei de conhecê-la, mas já quero socar a garota. Isso é normal?

Dana bufou.

-Não – Dana disse, levantando-se. – Isso não é normal. Mas, você não é a única.

-Desculpa, gente – Katharina disse em uma voz mais aguda que de costume. – É só que...

-O que? – Dana pressionou.

-Algum dia, eu quero ser a mestra dessa guilda, mas todas nós sabemos que meu pai me vê como a garotinha frágil que eu era dez anos atrás – Katharina admitiu. – E, para isso mudar, eu tenho que tomar decisões. Boas decisões. Quando eu vi que Bixlow a estava expulsando, eu nem mesmo pensei duas vezes, apenas vi a chance de tomar uma decisão.

-Mas precisava convida-la para ficar no nosso quarto? – Tris praticamente rugiu.

-Desculpa – Katharina repetiu.

-Tudo bem – Dana suspirou. – Eu só espero que ela não cause problemas.

-Eu não gostei dela – Tris fez questão de deixar sua opinião clara. De novo.

-Eu até gostei das sandálias que ela estava usando ontem – Jo comentou. – Mas, ela ainda é estranha.

O que nenhuma delas teve coragem de dizer era que Laxus estava certo. Katharina era a garotinha frágil que sempre fora.

**

Hoje era um dia importante para os membros da Fairy Tail. Os novatos não tinham a mínima ideia do evento que iria acontecer e muito menos da loucura que esse evento trazia para os membros da guilda.

Bixlow caminhou em direção ao refeitório, bem atempo de ouvir os gritos vindos do corredor.

-Você é tão boiola que me da pena – ele ouviu um dos garotos dizer.

-Cala boca, seu merda – outro retrucou. – Eu vou acabar com você, esfregar seus miolos no chão.

Bixlow finalmente chegara à entrada do refeitório bem a tempo de ver Guga e Ralf prontos para se atacarem até a morte. Os velhos Guga e Ralf.

-Quero ver você tentar – Guga disse, aproximando-se de Ralf.

A última coisa que esse hotel precisava era de uma briga de um dragon slayer do vento contra outro do ferro.

-Wooow – Bixlow disse, intrometendo-se. – Vamos deixar essa briga para o torneio mais tarde?

-Briga! – Os bebês de Bixlow disseram atrás do mago. – Briga!

Os dois dragon slayers se encararam, deixando claro que eles não queriam adiar seus assuntos.

Por que Laxus o deixara encarregado de tudo isso mesmo?

-Torneio? – Juliiana perguntou, chegando nesse momento ao refeitório. – Que torneio?

Bixlow olhou para trás e encontrou três novatas o olhando com expressões curiosas.

-Eu desisto – Bixlow disse. – Isso era para ser uma surpresa aos novatos! – Ele se virou para Ralf e Guga. – Viram o que vocês fizeram? Porra!

-Porra! – os bebês repetiram. – Porra!

Ele marchou para o refeitório irritado. Essas crianças estúpidas conseguiam estragar tudo.

-Essa foi simplesmente a cena mais estranha que eu já vi – Juliiana disse.

-Ele disse “porra”? – Hana perguntou.

-Os fantasminhas coloridos responderam porra? – Linnea perguntou pasma também. – Isso é muito bizarro.

O silêncio dominou os cinco. A tensão entre Ralf e Guga já diminuíra um pouco graças à chegada das novatas. Lógico, a briga deles estava longe de acabar, mas pelo menos fora adiada.

-Ei, — Guga disse apontando para Linnea – você é a nova mina do Leo.

Linnea queria espanca-lo. Bater nele até que seu rosto inchasse tanto que ele nunca mais poderia falar. Ela não era “mina” de ninguém.

Juliiana e Hana limitaram-se a olhar a amiga, enquanto Ralf resmungou algo como “patético” e entrou no refeitório.

**

-É tradição de a nossa guilda realizar um torneio de iniciação aos novatos – Bixlow disse assim que todos estavam no refeitório.

-Tradição? – Ricardo Strauss perguntou. – Mas, eu nunca ouvi falar.

Bixlow suspirou. Ele não fora feito para isso.

-Já faz três anos que fazemos isso! – Bixlow exclamou. – Então é uma tradição sim.

-Tecnicamente não é não – Misaki sussurrou, mas Bixlow escolheu a ignorar.

-Onde eu estava? – Bixlow disse perdido em pensamentos. – Ah sim, é tradição de a nossa guilda realizar um campeonato, blá blá blá, entre os times de nossa guilda e os novatos. Como os novos membros ainda não possuem times, eles formarão um time provisório e lutarão contra os times já existentes.

-Todos os novatos já possuem time – Misaki interrompeu Bixlow.

Todos os olhares foram em sua direção. Como assim todos os novatos já possuíam time?

-É verdade – Nathan disse, tentando desviar a atenção da amiga que parecia que iria desmaiar a qualquer momento por ter tanta atenção. – Eu, Hana, Misaki, Linnea e Juliiana formamos um time e, bem, já que Ricardo Strauss entrou para os Galanties, todos os novatos já possuem time.

As pessoas demoraram alguns instantes para absorverem as palavras de Nathan. Pela primeira vez na história da Fairy Tail, havia sido formado um time apenas de novatos.

-Bom, se é assim – Bixlow continuou, mas foi interrompido.

-O que você quer dizer com “nós formamos um time” – Tris disse irritada, encarando Nathan com ódio de sua mesa. – Não é tão simples assim. Formar um time é muito sério, não é algo que se faz de uma hora para outra.

Nathan se encolheu sob as palavras de Tris. Não era sempre que ele se sentia amedrontado, mas a maneira como ela o olhou... bem digamos que Nathan iria ter pesadelos pelo resto de sua vida.

-Nós sabemos disso – Misaki respondeu. – Por isso mesmo formamos um time.

Tris cerrou os punhos. Como esses novatos eram idiotas e ingênuos.

-Não se preocupe, Tris – Dana disse a amiga. – Logo eles irão se separar.

-Não vamos coisa nenhuma! – Juliiana se impôs. – Nosso time é tão forte quanto o seu. Talvez até mais.

Dana, Jo e Ralf riram enquanto Katharina cerrou as sobrancelhas. Não era raro Tris ficar nervosa, mas normalmente ela conseguia se controlar. Dessa vez, tudo que ela conseguia pensar era em pegar a cabeça de Juliiana, esmaga-la e talvez fazer um purê para comer no almoço. A única razão pela qual seu magnífico plano não dera certo fora a mão de Dana que a impediu de sair do lugar.

-Por acaso, qual é o nome do time de vocês? – Katharina arqueou a sobrancelha. – Fracassados e fedorentos?

Juliiana levantou de sua cadeira.

-Quem você pensa que – Ju tentou dizer, mas foi interrompida quando Nathan colocou sua mão sobre o ombro da amiga.

-Na verdade é esse mesmo – Nathan disse, recebendo olhares de suas companheiras de time que diziam algo como “que merda você está dizendo?” e “a falta de sono te afetou tanto assim?”. – Smelly Losers. Esse é o nosso nome.

Smelly Losers. Até que soava bem, Misaki decidiu assim como as outras garotas. Todos os outros ficaram calados, inclusive Ricardo Strauss. Esse era um momento memorável.

-Você tem razão, Dana. – Tris disse a amiga. – Em menos de uma semana eles já estarão separados.

**

-Agora que já está tudo acertado – Bixlow disse, após toda a confusão -, está decidido que os times Galanties, X-Timeless e Smelly Losers – Bixlow deu uma risadinha quando disse o último nome – vão competir um contra o outro.

Ralf olhou para o lado e pôde ver Guga o encarando. Ele quis soca-lo, morde-lo, pisoteá-lo e outras coisas do gênero. O X-Timeless ganharia dos Galanties de novo e Guga engoliria todas as suas palavras.

-As competições serão simples – Bixlow continuou. – Serão apenas combates tradicionais, ou seja, lutas corpo a corpo. A cada rodada, um integrante de cada time lutará com um do outro. Vocês podem usar seus poderes livremente, desde que não machuquem permanentemente seus adversários. Também –

-O que foi que eu perdi? – Alguém disse, interrompendo as palavras de Bixlow.

Todos olharam para o lado e encontraram Yoga entrando no refeitório, pegando um pedaço de pão do buffet. Ela parecia alienada aos olhares tortos que recebia.

-Quem é ela? – Hana cochichou a Misaki que não pode fazer nada além de murmurar um “não sei”.

-A Yoga está sem time – Katharina disse, de repente se lembrando da garota. – Bem, ela pode entrar no nosso e –

-Não pode não – Tris interrompeu.

Yoga olhou Tris de cima a baixo. Tris queria arrancar cada fiozinho violeta do cabelo da novata.

-Relaxa – Yoga disse, esbarrando em Bixlow propositalmente. Digo propositalmente porque havia um grande espaço para a garota passar, mas não, ela escolhera passar bem onde o mago estava. – Não é como se eu quisesse participar de seja lá o que vocês estejam fazendo.

Quem era essa garota mesmo?

-Como assim você não quer? – Ricardo Strauss disse, porque, sinceramente, ele não sabia a hora de ficar calado. – Você é a pessoa que não apareceu na cerimônia, não é?

Yoga deu uma risada seca.

-Talvez – ela respondeu.

-Bem, — Ricardo continuou – eu acho que você está é com medo de participar a sério da nossa guilda. Você tem que ser homem. É óbvio que você é uma cagona e está com medo de medo de lutar contra os Galanties e –

Ricardo Strauss parou de falar.

Porque ele estava gritando.

Ricardo caiu no chão e começou a se contorcer. Ele berrava em agonia, seus olhos estavam fechados e não seria surpreendente se ele estivesse babando no processo.

Alguém gritou. Provavelmente Misaki.

-O que está acontecendo? – Leonardo Eucliffe disse, se aproximando do loiro caído.

-Eu nunca vi algo assim antes! – Victor Albertino se aproximou do amigo.

E simples assim, Ricardo parou de gritar. Ele abriu os olhos e começou a passar sua mão por seu corpo inteiro, ainda gemendo. O que havia acontecido?

-Nunca mais me chame de cagona – Yoga disse caminhando para fora do refeitório, mas parando antes de sair para olhar Ricardo nos olhos.

Todos estavam paralisados. Aquela garota fizera tudo aquilo apenas olhando para Ricardo? Ela era uma aberração.

Katharina mordeu seu lábio e olhou para Bixlow, que parecia perdido em pensamentos. Que tipo de pessoa ela colocara na sua guilda?

-Eu espero lutar com essa baranga – Tris disse cerrando os punhos.

Notas finais
Esse capítulo foi curto e não teve resuminho de início, porque eu queria terminar logo para poder postar antes do ano novo ^^
Eu espero que tenham gostado, e, bem, a Yoga assusta um pouquinho, não é, rs?
Mudando de assunto, eu queria informar que como todos votaram a favor de hentai na fic, eu mudei a classificação para +18, ok?
Bom, acho que é só isso. Eu quero muito dizer algo a vocês, mas eu não posso, porque posso estragar a surpresa dessa fic para alguns :S . Vou ter que me segurar mais um pouquinho.
Esse capítulo foi curto, mas logo postarei outro *-*
Beijos e feliz ano novo a todos os meus leitores lindos! ;*
PS o nome do time dos novatos foi inspirado na Phoebe de Friends e sua música Smelly Cat, então não me batam, batam na Phoebe.