P.O.V Justin Bieber

Já fazia cerca de um mês em que mantinha a Amber em cativeiro, não bem em cativeiro já que tinha arranjado um quarto de luxo para que ela se “hospedasse”, eu sei que não é bem a palavra adequada para se utilizar no estado em que ela se encontra, mão vou ser um pouco generoso com as palavras, e sem contar que, ela estava recebendo toda assistência necessária, acho que era melhor do que está em um hotel. Okay! Não era.

Meu pai estava sempre implicando comigo por esse pseudo-sequestro da Amber. Ele estava sempre questionando sobre como as coisas estavam andando e como eu as estava conduzindo. Eu sei que terça parte meu pai tem razão, sobre muitas coisas, Amber foi a única pessoa a qual eu acompanhei o sequestro de perto. Eu passava cerca de duas vezes no quarto da Amber para saber como ela estava, se já havia comido, se estava precisando de alguma coisa. Era estranho, mas eu sentia a necessidade de acompanhar de perto, de ver se as coisas tinham saído como planejadas, mas a verdade era que eu não havia planejado nada.

A Amber parecia cada dia ter menos medo de mim, pelo contrário, ela havia acostumado com a minha presença, havia vezes que eu ia ao seu quarto e ela permanecia ali, como se eu não existisse, apesar de tanto tempo em cativeiro ela não tinha mudado a aparência, continuava linda, só havia perdido aquele brilho nos olhos o qual eu via todas vezes que estava com seus amigos, quando vinha da faculdade, e as olheiras fundas a deixavam com uma aparência sofrida. Às vezes eu tinha vontade de acabar com tudo aquilo, de mandá-la para casa e fazer seu pai pagar de outra forma, mas sei que ao revê-la seu pai ficaria tão feliz, que qualquer outro castigo para ele seria banal.

Eu sei que o Clark estava sofrendo pelas falidas vezes em que mandou alguns dos seus caras em minha casa, demos jeito em todos, ou das vezes em que ele fazia questão de vim pessoalmente e oferecer tudo o que tinha em troca da filha. Sua aparência também não era das melhores, parecia não dormir desde o dia em que sua filha havia saído de sua casa, os cabelos despenteados, a cara amassada, as olheiras profundas, e a voz embargada, de quem andava bebendo para “esquecer os problemas”, o hálito de álcool também não negava as minhas suposições. Não vou negar que ficava muito feliz ao ver o Clark se humilhando para ter a sua filha novamente, logo ele, o cara mais orgulhoso. E era isso que fazia com que eu permanecesse com essa brincadeira.

Estava em meu escritório, havia uma semana em que não exportávamos ou recebíamos nenhuma carga, as coisas estavam devagar, ouvi uns boatos de que haveria uma festa hoje com um cara que gostava de brincar com armas, o Pablo, ele estava sempre comprando as nossas cargas e tinha um grande contrabando de mulheres. Adorava comprar em nossas mãos. Ele era um amigo de anos de meu pai.

— Justin, vai ficar trancado nesse escritório por quanto tempo? – Minha mãe apareceu, preocupada.

— Só mais um tempo, tenho que colocar minhas coisas em ordens – Disse inventando alguma desculpas.

— Que coisas Justin? – Disse ela pondo a mão na cintura e caminhando até a mim.

Minha mãe era a única coisa que de fato eu amava, quando eu estava com ela eu me esquecia quem era e voltava a ser um menino, ela me fazia sentir bem e esquecer que eu tenho obrigações ou o quão ruim eu era. Era algo que eu temia em perder. Já o Jeremy, eu não sentia esse carinho, era mais admiração, desde criança sempre quis ser como meu pai, e vim parar aonde estou eu não sei se isso é bom ou ruim, mas agora descrevo que estou vivendo um inferno. Não tenho sossego, trabalho mais que me divirto, e a minha diversão às vezes cansa. Apesar de um filho da puta, meu pai teve a sorte do caralho em ter a minha mãe como esposa, eu não sei onde ela estava com a cabeça quando o escolheu, mas quando não estão discutindo, até que são felizes. Além do Jaxon, creio que é a única coisa que meu pai ama, e mataria e morreria por ela, eu acho até engraçado alguém como meu pai amar alguém, mas que não amaria está mulher.

— Coisas dona Pattie – Eu sorri e balancei a cabeça em negação.

— Tem um tempo que eu não o vejo sorrir Justin, mas sorri de verdade.

— E tenho motivos mamãe? – Disse. Chamei-a de “mamãe” no automático e a vi sorrir.

— Bom Justin, e essas coisas? São coisas do coração? – Eu regalei os olhos como se o que ela estivesse falado fosse verdade, mas uma verdade que nem eu sabia qual era – Justin, eu sou a sua mãe. O conheço muito mais que você, você vive “ocupado” demais com essas coisas que acaba esquecendo de si mesmo. Desde que essa garota chegou você anda diferente. Quando não está no quarto dela, está aqui nesse escritório, nem te conheço mais. Não o vejo perambulando pela casa, ou saindo para beber, ou com alguma vadia. Porque a maioria das que você trás faz muito barulho, então é impossível não perceber a presença delas aqui em casa – Disse ela fazendo cara de nojo e eu sorri meio que sem vontade. – O que está acontecendo filho, me fala, você e seu pai não tem uma boa relação, mas pode se abrir comigo – Ela dizia materna.

—Mamãe! – Disse em forma de redenção.

— Você continua um menino Justin, mesmo com essa casca de durão ai – Falou rindo.

Pela primeira vez naquele mês eu tive uma conversa civilizada com alguém, e tinha que ser com ela. Ela havia até conseguido arrancar alguns risos, na verdade gargalhadas minhas, e eu precisava disso para me sentir leve. E sobre aquele assunto da Amber, nossa conversa acabou tomando outro rumo, ainda bem.

— Justin – Disse meu pai entrando escritório a dentro – Pattie? O que está fazendo aqui?

— Vim ver meu filho Jeremy – Disse ela com um sorriso aquecedor — Esqueceu que ele também é meu filho — Disse com tom brincalhão.

— Justin. Você esqueceu que tem o jantar do Pablo? Faltam algumas horas, é melhor você se organizar e arranjar alguma acompanhante, eu não quero aquele cara com aquela conversa chata de casar você com a filha dele, e nem posso contrariar porque metade do que ganhamos vem dele. – Disse por fim e saiu, sem ao menos esperar uma resposta minha. Agora era vez da minha mãe.

— Filho você poderia levar a Amber a esse jantar, é uma moça culta e muito bonita, e talvez essa noite você pudesse organizar a sua cabecinha – Disse ela e saiu, assim como o meu pai não deixou nem que eu digerisse o que ela havia dito e muito menos pudesse dizer alguma coisa.

Fiquei ali com os meus pensamentos, será que eu deveria levá-la? Não iria encontrar nenhuma outra mulher boa o suficiente para levar aquele jantar, nem com classe e educação. Todas me fariam passar vergonha. É talvez a minha mãe estivesse certa, e não pelo fato de eu sentir algum carinho por ela, era só porque ela era a garota certa, na hora certa.

Notas finais
E é isso ai. Será que a Amber vai aceitar esse convite? Hmm... sei não hein kkkkk Beijo no core e até mais.