Submissive
10 Wrong Choices
Notas iniciais
" Eu fico bêbado de ciúmes,
Mas você voltará toda as vezes que for embora.
Porque, querida, eu sou um pesadelo
vestido de sonho.. "
– Taylor Swift
A frase mais certa da vida é a que o mundo dá voltas. Um dia você está por cima, no outro por baixo. Abri meus olhos lentamente, sentindo o ar frio invadir minhas narinas. Levantei o olhar, observando o quarto silencioso e vazio. Cobri meu corpo com o lençol que havia ali, me direcionando ao banheiro. Me apoiei à pia, levantando o olhar, e estudando a mim mesma sobre o espelho. Meus cabelos estavam desgrenhados, e meu pescoço relativamente muito marcado. Suspirei pesadamente, pensando na quantidade de pó que, só este mês, já havia usado em meu corpo por causa de Nico.
Deixei o lençol deslizar por meu corpo, e entrei no box. Abri o registro, sentindo a água gelada escorrer por todo meu corpo. Levantei meu rosto, me proporcionando mais contato com a água. Estremeci, desligando o chuveiro e me enrolando na toalha felpuda que havia ali. Me direcionei ao quarto, segurando meus cabelos molhados.
– Onde está? — Falei pra mim mesma, procurando por minhas roupas no bagunçado quarto.
Vozes vindas de outro cômodo me chamaram a atenção. Segurei a toalha mais fortemente contra meu corpo, indo em direção à porta do quarto. A abri, fazendo-me observar um homem alto, com barba meio grisalha, vestindo um terno negro. Seus olhos se encontraram com os meus, me fazendo estremecer internamente ao reconhecer os mesmos olhos negros que sempre encontrava ao olhar Nico. O homem franziu o cenho, confuso. Ele começou a aproximar-se de mim, e a antiga face confusa acabara de se tornar um rosto extremamente sério. Ele me estudou de cima à baixo, me deixando claramente desconfortável ali. Era a total cópia mais velha de Nico.
Era Hades.
– O que está fazendo aqui? — Hades me perguntou, desconfiado.
A atenção de ambos foi direcionada a Nico, que agora entrara no mesmo cômodo, sem camisa, com uma calça moletom preta. Parou bruscamente ao observar Hades ali, ficando ao meu lado. Nico me olhou brevemente, mordendo o lábio inferior, mostrando que estava nervoso. Hades ficou de frente à ele, apontando para mim, sem desgrudar os olhos de Nico. — Quem é ela?
– Pai, deixe-me explicar...
– Quem é ela, Nicolas?
O moreno suspirou pesadamente, abaixando a cabeça. Ele a balançou levemente, logo levantando o olhar. Colocou as mãos no bolso da calça, ainda encarando o pai. Hades fez a pergunta mais uma vez, com intensidade mais forte. Queria me pronunciar, mas também não queria dizer palavras erradas. Se eu dissesse algo não conveniente, Nico pagaria por isso. Pode-se dizer que eu estava com medo dele. Hades exalava o poder, me fazendo querer sumir dali. O motivo era simples, eu era a culpada daquele incidente que estava ocorrendo.
– Ninguém de importante. — Falou baixinho, observando de leve o pai. Hades assentiu levemente, voltando o olhar para mim. — Foi só uma noite, juro.
– Ela trabalha para você, não é? Eu a vi na festa. — Nico me olhou de esguelha, e levantou totalmente a cabeça. Assentiu, dando de ombros. — Já conversamos sobre isso, Nicolas. Ela já pode ir embora, certo?
Hades levou o olhar à porta, e depois me observou. Assenti, voltando ao quarto para pegar minhas roupas. Fechei a porta atrás de mim, encostando a cabeça na mesma. Senti as lágrimas descerem, desacreditada da atitude de Nico. Sempre haverá alguem que terá todo o controle sobre você. E como Nico tinha isso sobre mim, Hades tinha sobre o filho. Eu não entendia o motivo de tais reações que Nico tinha ao ver o pai. São apenas palavras, não atitudes, certo? Mas é claro que as palavras também marcam. Muito, aliás. Não esperava que ele me defendesse, claro.
Mas também não aceitava suas palavras sobre mim. Eu não era realmente importante para ele? Vesti minhas roupas, passando as costas da mão para limpar as lágrimas que ainda insistiam em descer. Saí do quarto, observando Nico e Hades ainda conversando na sala. Nico falava nervosamente, e parecia que estava prestes a chorar. O pai o escutava, ainda com o rosto impassível. Me retirei dali, percebendo que não teria muita importância se me vissem ou não.
Ao sair do enorme iate, abaixei a cabeça, odiando o contato do sol com meus olhos. Foi aí que eu realmente parei para analisar a minha situação. Eu havia vindo com Nico, isto é, minhas coisas ainda estavam no Starbucks. Eu estava sem dinheiro, sem celular, sem nada. A única opção era ir pra casa andando. Bufei, aceitando a minha perfeita situação de vida. Ele pelo menos devia ter mandado um táxi, certo? Geralmente, quando estamos no meio do nada, e tem uma rodovia bem na sua frente, você faz algum sinal para um carro parar. É, eu vi isto num filme. A idéia me ocorreu, e é claro que a maioria dos carros só param quando são motoristas extremamente tarados. Oque me fez descartar totalmente a idéia.
– Com vocês, a pessoa mais sortuda da terra, Thalia Grace. — Sussurei, começando a andar em direção a cidade. É, seria uma longa caminhada.
* * *
Podia-se dizer que eu estava morta e só havia ficado o cadáver. Ou pelo menos, eu era uma pessoa extremamente atlética e havia conseguido andar uns 20km até o centro de NYC, sem sentir nenhum mal-estar. Quem me dera ser atlética. Pois bem, era sábado e eu não fazia a menor idéia de onde ir primeiro. Eu tinha a opção de ir pra casa, mas não tava com cabeça para perguntas. Então, vou listar as opções.
– Ir para a casa de Silena, e provavelmente ser bombardeada com perguntas vindas das garotas que é claro, estão lá.
– Ir para a minha casa, ser bombardeada com perguntas e ainda aturar Bill no meu encalço.
– Ligar para alguém, oque está fora do meu campo de alcanço, pela minha perfeita inteligência de esquecer minha bolsa no meu próprio trabalho, ou meu ex-trabalho.
– Ir para a casa da arrogância em pessoa, vulgo Nico Di Ângelo, que acabara de me expulsar daquele maldito iate.
Suspirei preferindo as perguntas das garotas. Acho que eu não estava tão longe assim do Queens, então continuei andando. E como Deus é misericordioso comigo, ou pelo menos foi pura sorte mesmo, eu realmente estava perto da casa de Silena. Acho que em média, eu caminhei 5km até o meu destino, oque em comparação a minha antiga caminhada, não me cansou muito. Patrick estava em seu local de trabalho, e ao me ver, sorriu. Abriu o enorme portão da mansão Beauregard, me permitindo entrar.
Acenei de leve para ele, e me virei para a pequena trilha de pedras que dava até a porta. Parei em frente à mesma, pegando um elástico e prendendo meu cabelo em um rabo de cavalo. Toquei a campainha, oque não foi muito necessário, porque em menos de um minuto, Silena abriu a porta, sorridente, e me puxando para dentro. E novamente, acertei em cheio em dizer que elas estavam lá, menos Bianca. Ok, eu preciso saber o que aconteceu com os Di Ângelo. Sorri para todas, e Silena me empurrou para o sofá.
– Não vou perguntar o porquê de não ter ligado para a gente, pelo simples fato que eu estive lá no Starbucks e vi que acidentalmente esqueceu a sua bolsa, mas eu a peguei e a trouxe para cá. — Rachel falou, pegando a mesma e a jogando para mim. Ótimo, e é por essas pequenas coisas que eu as amo. — Aliás, seu celular estava tocando loucamente até uns minutos atrás. Mas não vi quem era, vai ver é seu gato.
Rachel piscou para mim, e eu revirei os olhos, pegando o celular na bolsa. É, era ele quem havia ligado. Levantei o olhar, vendo elas de sombrancelhas arqueadas. — Minha mãe. É a minha mãe.
– Ok, mas você está com uma roupa de ontem, Thals. — Silena me olhou de cima à baixo, fazendo uma careta. — E não é lá o seu estilo. Olha, antes de você querer ir embora, oque não vai demorar muito, toma uma banho que eu lhe dou uma roupa. Ok, vamos.
Segurou-me pelo braço esquerdo, e me levou em direção às escadas. Subi, percebendo Annie, Clarisse e Rachel nos seguindo. Silena me levou ao seu quarto, mandando eu entrar no banheiro que ela faria o resto. Fiz oque ela mandou, e retirei minha roupa, colocando-a em cima da pia. Entrei no box, e liguei o chuveiro, me encostando na parede atrás de mim. Passei minhas mãos por meu cabelo, levantando o rosto, sentindo a água escorrer pelo mesmo.
Suspirei, me odiando por ainda querer que ele estivesse ali, me dando banho. Droga, isso já havia virado um vício. Um tipo de necessidade de tê-lo. Apesar de tudo que ele fazia, era assim que devia ser, sempre. Mas porquê eu ainda tinha a maldita esperança de que ele me pertencia? Que só entregava realmente à mim? Ainda queria que ele me respondesse, mas eu sabia que o meu medo não deixaria, eu não teria certa coragem. Passei o creme em meu cabelo, me virando para a parede e colocando minha testa na parede gelada. Sorri involuntariamente, lembrando de suas palavras na noite passada.
Retirei o creme de meu cabelo, desligando o chuveiro e colocando o roupão que Silena havia me dado. Peguei a roupa, e o celular que eu havia colocado no bolso. A única coisa que vinha em minha mente naquele momento era a mensagem de Nico. Do mesmo jeito que eu queria ler, eu não queria ao mesmo tempo. Bufei, pensando no quão idiota estava sendo. Era só uma mensagem, pelos Deuses.
" Eu fui um idiota, e sei disso. Me desculpa, de verdade. O fato é que fiquei tenso por Hades estar ali. E novamente, quero me desculpar cara a cara com você. Não quero que fique mal, e pense que pra mim foi só uma noite. Porque foi muito mais que isso. "
– Nico
Não sei por quanto tempo passei lendo aquela mensagem, nem quantas vezes a li. Sorri, lendo mais uma vez a última frase. Fui tirada de meu breve sonho com o moreno, ouvindo Silena gritar do outro lado. Coloquei o celular no bolso do roupão, e abri a porta do banheiro, vendo Silena em pé na frente do mesmo, pronta para outro grito. Coloquei a mão em sua boca, sinalizando que estava aqui, bem. Muito bem por sinal.
– Tava rezando lá dentro? — Clarisse disse, mexendo no celular. Deixou-o cair em sua barriga, virando-se para mim. Sorri, e ela franziu o cenho. — Ai meu Deus, esse povo é muito bipolar. Qual é, Thals. Você estava pior que suicida com depressão.
– Exagero. Apenas estava chateada. Agora, estou bem melhor, obrigada por perguntar. — Annabeth sentou-se ao meu lado, me olhando fixamente. — Algum problema? Aliás, oque um banho relaxante não faz, certo?
– Você está zoando com a minha cara, não é Grace? — Annabeth pronunciou-se, ainda olhando para mim. Bufou, revirando os olhos. — Tudo bem. Pelo menos ela está feliz, ok? — Assenti, juntando minhas mãos em meu colo. Silena me jogou uma roupa, mandando-me vestir. — Certo. Melhor do que alguém emburrado. Mesmo que eu queira saber o motivo da sua felicidade repentina.
Elas saíram, e eu comecei a me vestir. Silena havia me dado um short jeans, e uma blusa regata branca. Peguei um pente que ela havia deixado em cima da penteadeira, e desci. Olhei incrédula para elas, que cochichavam baixinho. Ao me ver, disfarçaram. Muito mal por sinal. Me sentei ao lado de Rachel, e a ruiva me olhou de esguelha.
– Ok, foda-se. Quem vocês querem enganar eu não sei, mas a Thalia é que não é. Ela já viu, e só se fosse muito retardada para não perceber. — Clarisse soltou de repente, oque me fez dar um sorrisinho. — Abre o jogo, Thals. Você estava com o celular dentro do banheiro. Quem te mandou aquela mensagem?
Dei de ombros, e Rachel pediu para que ficasse de costas à ela. Fiz, e a mesma começou a pentear calmamente meu cabelo. — Aliás, quero saber de uma coisa. O que aconteceu com a Bianca, e por quê ela não está aqui?
Annabeth, Clarisse e Silena se olharam maldosamente. Clarisse virou-se para mim, arqueando a sobrancelha. Ela riu alto, juntando as mãos em cima da barriga. — Oh, ela quer saber. Mas tudo bem, Lia. Eu sou uma ótima amiga, então, se você me contar quem te mandou a mensagem, eu te digo oque aconteceu com Bianca. Nada mais justo, não é garotas?
Annie e Silena assentiram, me fazendo semicerrar os olhos para as duas. Me virei um pouco para Rachel, e a mesma mordeu o lábio inferior, mostrando que estava nervosa. Bati de leve em sua perna, pedindo alguma forma de ajuda. A ruiva balançou a cabeça, olhando para elas.
– Sacanagem isso que vocês estão fazendo, hein? — Ela falou soltando meu cabelo. Olhou para o chão, mostrando que não sabia oque dizer. Levantou rapidamente, me olhando, e voltando o olhar para elas. — Ela não quer dizer, e é algo pessoal, então...
– Você sabe! — Annabeth gritou de repente, apontando freneticamente para Rachel. A ruiva tocou o coração, levantando-se do sofá. Negou rapidamente com a cabeça, engolindo em seco. — Que traição, Rach. Sabe quem é, mas não diz a gente. Isso é uma amizade?
– Tudo bem. — Concordei de cabeça baixa, pensando em alguma forma de dizer à elas que era Nico. — Me diz sobre Bianca, e eu digo quem mandou a mensagem.
Elas se entreolharam, concordando com um aceno de cabeça. Annabeth virou-se para mim, mostrando que era ela quem iria falar. — Certo. Sabe a Maria, a mãe do Nico e da Bianca? — Assenti. — Ela tem câncer. E bem, teve uma piora bem grave desta vez. Pior do que as outras. E está internada. Hades falou a Bianca e ela ficou totalmente mal. A gente não sabe onde ela está, mas sabemos que Hades está atrás de Nico, porque ele havia sumido e desligado o celular desde ontem. Acho que nessa altura, ele já sabe. Bem, é isso. Meio triste para usar como suborno, mas ok. Na fofoca vale tudo. Agora diz, quem mandou a mensagem?
Demorei um tempo para digerir tudo. Então era por isso que Nico estava à beira do choro lá no iate. Hades havia contado. Meu coração doeu por dentro, sabendo como Nico estaria mal. Eu sabia como era essa dor. Quando minha mãe piorava, eu ficava assim. Era terrível, e totalmente consumidor. O medo de perdê-la tomava conta de minha mente, e eu só focava nela. Nada a minha volta mais importava. — Nico. É dele a mensagem. — Falei sem perceber, ou sem mesmo me importar. — Mas vocês sabem se ela melhorou?
– Oque dizia a mensagem? — Silena perguntou.
Olhei incrédula para ela, e a mesma franziu o cenho, confusa. — Cara, ela está doente. Não importa oque dizia a mensagem. Eu preciso resolver umas coisa. — Me levantei, pegando minha bolsa. — Obrigada por tudo Si, mas eu tenho que ir. Amo vocês, e tchau.
* * *
Minha cabeça estava completamente cheia, e eu pesquisava freneticamente por Maria Di Ângelo na internet. É, a notícia já girou o mundo todo. Fechei o notebook, e sai do meu quarto, indo em direção a cozinha. Mamãe, Bill e Jason não estavam em casa, oque me deixou aliviada. Eu havia acordado mal, mas na verdade não dormi muito. Estava esperando Nico responder minha mensagem, oque demorou. Cheguei não muito tarde ontem, mas não falei com ninguém. Cai dura na cama, dormindo automaticamente. Peguei um copo d'água, voltando para as escadas. A campainha tocou, me impedindo.
Fui em direção à porta, abrindo-a e tomando uma surpresa ao ver Nico na minha frente. Ele me olhou cabisbaixo, e eu voltei a analisá-lo. Estava vestindo uma blusa cinza, com um moletom negro por cima. Usava uma calça jeans negra, e um gorro lhe cobria a cabeça, apenas deixando algumas mechas cairem por seus olhos. Fixei meu olhar nele, percebendo olheiras profundas. Sai da porta, pedindo para ele entrar. O mesmo o fez, observando a casa.
– Hey. — Toquei seu ombro, e ele se virou para mim, me olhando. Fui pega de surpresa com um abraço forte, seus braços me colando a seu corpo. Colocou o rosto na curva de meu pescoço, soluçando. Afaguei seu rosto, sussurando palavras de conforto. — Vem comigo.
Segurei sua mão, guiando-o para meu quarto. Ele entrou, e sentou-se na cama. Fiz o mesmo sentando-me a sua frente. — Ela está melhor, avaliando como estava na sexta. Talvez ela tenha alta ou hoje, ou amanhã. Mas eu estou acabado, Lia. Desde o dia que nos vimos que eu não durmo. Meu pai parece que não liga para ela, e eu e Bianca estamos ficando 24hrs no hospital. — Ele me pegou pelo braço, se recostando na cama e me colocando em seu peito. Coloquei minha mão em sua barriga, passando uma perna por sua cintura. — Hades está querendo que eu resolva negócios da empresa. Esta sendo baixo, e escroto. Eu tenho nojo dele como pai.
– Não ligue para isso, sério. Apenas foque que sua mãe está melhor, e fique feliz por isso. — Levantei a cabeça, recebendo um beijo calmo do moreno. — Estive preocupada com você.
– Acredite, eu estive mais preocupado. Pensei que estava chateada comigo. Eu não sei do que ele é capaz, se souber que estou com você. Ele quer que eu namore mulheres "frescas", mas de verdade, quem eu quero é você. — Brincava com a barra de minha blusa, enquanto falava. Sorri, cobrindo o rosto em seu peito. Ele sorriu, me puxando para ver meu rosto. Segurou o mesmo com as duas mãos, me dando um selinho. — Está vermelha, Lia. Muito fofa, aliás. E pode me dizer qual é a graça?
Dei uma risada alta, me sentando em cima dele, uma perna de cada lado de sua cintura. Roçei nossos narizes, tirando seu moletom. — Disse que me quer. O fato é, eu também te quero. Eu sou louca por você, Di Ângelo. — Mordi seu pescoço de leve, e depois dei um beijo, voltando a olhá-lo. — Foda-se o Hades. E qualquer coisa que queira nos atrapalhar. Eu faço de tudo para você ser meu.
– Está dominando meu coração, Thalia. — Ele falou calmamente, palavra por palavra. Acariciou meu rosto, me dando selinhos. — Infelizmente, mesmo eu me odiando profundamente por isso, eu estou com sono. Acredite, eu estou louco pra ter você agora. Mas o sono está me ganhando.
Assenti, saindo de cima dele. Nico deitou-se totalmente na cama, fechando os olhos. Me direcionei ao banheiro, me olhando no espelho. Sorri pra mim mesma, mordendo o lábio, pensando no que disse Nico. Então, ele era realmente meu. E de mais ninguém. Foda-se Maddie, ou qualquer uma que queira tirá-lo de mim. Eu sabia que não seria fácil tê-lo oficialmente, mas eu não iria desistir. Voltei ao quarto, e Nico dormia. Me deitei ao seu lado, passando a mão em seus cabelos. Fechei os olhos, me aconchegando em seu peito. Ele me puxou mais pra si, depositando um beijo em minha testa.
Eu sabia que não havia acabado, afinal. Ainda tinha Hades em meu caminho. E Nico tinha problemas com ele. Mas depois de hoje, eu estava segura de quaisquer coisa. Eu era dele.
Completamente dele.
* * *
Meus olhos se abriam lentamente, com preguiça própria. Tateei a cama, a procura de Nico. Abri meus olhos rapidamente, não o vendo mais ali. O quarto estava completamente vazio, apenas comigo como pessoa. Suspirei triste, voltando a me deitar. Olhei displicente para a cômoda, observando um papel em cima. Peguei-o, e sorri involuntariamente ao ver de quem era.
" Quando você acordar, provavelmente já estarei na empresa. Então, te vejo lá, porquê você ainda trabalha para mim, querida. A propósito, você fica linda dormindo, e se não estivesse tão lindinha, eu te acordaria e te foderia naquele mesmo instante. "
– Nico
Coloquei o papel no mesmo lugar que encontrei, arrependida de ter acordado depois que ele. Admito, sempre quis acordar e transar com ele. Ou fazer isso no banheiro. Ou na piscina, talvez. No sofá também não seria uma má ideia. Então, concluindo isso, por mim eu o teria em qualquer lugar. Mas o fato de ele ser um homem ocupado, meus desejos não podiam ser atendidos. Convenhamos, ninguém é santo, muito menos quando um cara gostoso como ele quer te comer todo santo dia.
– Deuses Di Ângelo. — Sussurei, mordendo meu lábio.
Tomei um banho rápido, e me vesti para ir trabalhar. Desci às escadas, dando um bom dia rápido à mamãe e Jason. Peguei uma maçã na fruteira, observando Bill na sala. Revirei os olhos, saindo de casa e acenando para um ônibus. Sentei-me no mesmo lugar de sempre, dando a primeira mordida na maçã. E foi então que a dúvida me atingiu.
Como ele saiu sem ser visto?
Parei de comer a maçã, pensando se alguém o havia visto. Principalmente Bill. Mas tirei a idéia de minha cabeça, sabendo que, se ele e Bill se encontrassem, a casa cairia. Tanto Bill odiava Nico, como o mesmo sentimento era recíproco vindo do moreno. O ônibus deu um tranco, parando no lugar. Desci do mesmo, olhando o tão conhecido arranha céu. Entrei na Empire, vendo os funcionários vindo e indo. Parei o elevador, entrando no mesmo. Apertei o botão do último andar, me encostando na parede. O elevador deu um clique e se abriu, revelando Maddie em seu lugar de trabalho, falando com alguém ao telefone. Entrei na sala de Nico, e o mesmo estava igualmente no celular. Sorriu para mim, e devolvi o sorriso, indo em sua direção. Ele desligou o celular, colocando-o em cima da mesa. Parei à sua frente, e o moreno mordeu o lábio inferior, me puxando pela cintura e levantando minha blusa.
Gemi baixinho quando mordeu minha barriga, descendo seus beijos para outro lugar. Ele me olhou, seu sorriso safado presente em seu rosto. — Sente-se em meu colo, morena.
O obedeci, e ele passava sua mão por minhas pernas, enquanto eu o beijava. Passei minha mão por seu tórax, abrindo o paletó e desabotoando a camisa social. O moreno parou os beijos, me olhando reprovador. Me tirou de seu colo, reabotoando a camisa. Fiz um bico, dando mordidinhas em seu queixo.
– Assim não, Lia. Não estou com tempo agora, tenho uma reunião. Depois eu termino. — Ele sorriu, colocando o celular no bolso, vindo até mim e beijando-me a bochecha. — Mas em outro lugar, baby.
Ele saiu da sala, me deixando lá, extremamente acesa. Me sentei em minha cadeira, encostando a cabeça na parede. Suspirei pesadamente, começando com o tedioso e necessário trabalho.
Ponto de Vista: Nico Di Ângelo
Percy era o cara mais indeciso que havia na face desta querida terra. E lá estava eu, com Leo, Luke, Charles e Percy, na mesa de um bar que nem o nome eu sabia. Infelizmente, Chris estava em Londres, resolvendo alguns negócios. Mas voltando ao estresse de Percy, segundo ele era uma emergência, e ele precisava dos amigos. Isso acontecia, quando um de nós estavam se envolvendo "demais" com uma garota. E eu estava meio que pronto para dizer que estava experimentando novos sentimentos. Mas é claro, teria que ser com jeito, e eu teria de ser convicente.
Meus sentimentos por Thalia não estavam totalmente esclarecidos. Eu ainda precisava saber se a amava, realmente. Oque para mim, é a completa verdade. Ela havia me fisgado como nenhuma garota já chegou perto de conseguir. E saber que ela me queria tão intensamente, me deixava mais confiante de que eu a tinha. Mas é claro, eu não podia ter ela, por causa do meu compreensivo e amoroso pai.
– Eu preciso de uísque, garotas, e festa. — Percy disse, olhando para as próprias mãos. Suspirou, levantando o olhar. — Eu não sei oque está acontecendo comigo.
– Percy, relaxa cara. Eu estou passando por uma coisa bem parecida. — Falei, me encostando na cadeira fofa. Peguei a cerveja que estava na mesa, dando o primeiro gole. — Cansei de dizer não. Estou deixando rolar, sabe? Então, se for pra ser, será.
– Sinceramente, mesmo eu sendo muito do canalha, eu concordo com o Nico. — Leo falou, sorrindo para mim. Colocou as mãos nos bolsos, colocando a cabeça na parede atrás do mesmo. — Agora só falta ele liberar a Bianca. Ficar com ela escondido de você está muito difícil, Di Ângelo.
– Ah, vocês vão é se ferrar. — Começou Luke, sorrindo irônico. — Sabe que relacionamento é só problema, mas se vocês querem, quem sou eu pra julgar?
– Discordo. Estou num relacionamento, e ainda sim minha liberdade para certos tipos de coisa está em paz. Agora o problema é não abusar. Do mesmo jeito que não queremos tais coisas, elas não querem. — Disse Charles.
Concordei com a cabeça, bebendo a cerveja. Eles me acompanharam, cada um com a sua. Percy suspirou, olhando para um ponto inexistente. — Eu acho que estou apaixonado pela Chase, merda.
– Começou. — Luke disse, revirando os olhos para Charles. O mesmo sorriu de volta, pegando o celular e mexendo em algo. — Só eu que estou realista? Elas são legais, eu sei. Só que não penso na Rachel como minha namorada...
– Luke, posso dizer a verdade para você? — O cortei, e o loiro assentiu. — Se não quer a Rachel como namorada, sinto muito, está perdendo uma garota muito legal. E outra coisa, ela quer ser sua namorada. E se voce não a quer, esquece ela, e para de iludi-la, certo?
– Quem é você, e oque fez com meu amigo? — O loiro falou incrédulo, ainda me olhando. Olhou para a mesa, e voltou seu olhar para mim, ainda não acreditando. — Volte a realidade, Nico. Não me diga que está se apaixonando.
– Não sei dizer ainda. — Falei. — Estou indeciso se devo mesmo fazer isso. Vocês sabem quem me atrapalha. Como sempre, aliás.
– Eu vou resolver isso agora. — Percy falou, se levantando da mesa, e tomando o último gole da cerveja. Colocou o dinheiro em cima da mesa e suspirou, balançando a cabeça afirmativamente, e saindo do bar.
– Pelo menos o Percy tem bom senso. — Charles falou, nos olhando. Colocou as mãos na mesa, olhando para Luke. — Ele não foge dos sentimentos. Os assume, e quer resolvê-los. Muito diferente você, Luke. Sempre nega que gosta de Rachel. Mas quando ela finalmente sai com outro cara, você tem um ataque.
– O fato é, eu não fujo dos sentimentos, mas sim, eu consigo controlá-los. Namorar não é muito minha praia, Charles. E nunca vai ser. — Luke revirou os olhos, colocando a bebida em cima da mesa. Se levantou da mesa, olhando-nos novamente. Fez a mesma atitude de Percy, colocando o dinheiro na mesa. — Me procurem quando voltarem à realidade. Então, até lá, fiquem com Deus.
O loiro saiu pela porta, tomando o mesmo rumo de Percy. Bufei, olhando os dois caras a minha frente. Leo deu de ombros, e Charles colocou o celular no bolso, dizendo que ia pegar um cinema com Silena. Eu e Leo concordamos, e ele foi embora. Leo olhou para mim, meio nervoso. — Olha Nico, a gente pode resolver isso agora? Eu gosto da Bianca, sério. E não vou magoá-la. Confie em mim, pode ser?
– Leo. — Comecei, apoiando os dois cotovelos em cima da mesa. O analisei, sorrindo ironicamente. — Tudo bem, cara. Mas acredite, se você sair da linha, eu acabo com você.
Ele assentiu rapidamente, e sorriu para mim. Devolvi o sorriso, dando o último gole na cerveja. Leo me olhava de esguelha, me fazendo perceber que queria perguntar algo. — Bem, eu queria saber de uma coisa. — Dei sinal para ele perguntar, e o mesmo assentiu. — Quem é a garota?
– Não sei quando você irá saber, Leo, mas vai ser em um futuro bem próximo. — Dei um sorriso de lado, e me levantei. Coloquei o dinheiro no mesmo local dos outros, e saí pela porta, sentindo o vento ter contato com meu rosto.
Mas eu ainda tinha que falar com Bianca. Não seria tão fácil assim, e eu não gostava de pensar em Bianca fazendo certos tipos de coisa. Admito, eu era muito ciumento, quando se tratava de gostar de alguém. Afinal, eu não era um cara que desenrolava tudo. Eu era bem complicado. Olhei para o chão, e peguei o celular no bolso, discando para Bianca. Ela precisava de umas instruções. E ninguém melhor do que eu, seu amado irmão, para lhe dar isso.
Ponto de Vista: Thalia Grace
Não era um exercício físico, mas eu havia trabalhado muito a minha mente para fazer aqueles cálculos. Sorri para mim mesma, percebendo os resultados. Me levantei da cadeira, resolvendo tomar um café na pequena cafeteria que havia na empresa. Abri minha bolsa, retirando algum dinheiro de lá. Saí pela porta, e Maddie escrevia algo em seu caderno. Dei de ombros seguindo para o elevador.
– Thalia. — Uma voz me chamou, e eu me virei, vendo Maddie olhar fixamente para mim. Não estava com uma cara de deboche, ou sendo sarcástica. Fui até ela, colocando as mãos em cima da mesa. — Quero que saiba de algo. Sei que está afim de Nico. E eu também estou. Mas não quero jogar sujo com você. Sei que não vai acreditar em mim, mas quero só lhe avisar. Não quero ficar com o título de vadia por aqui.
Assenti, e ela sorriu para mim. Me virei para entrar no elevador, apertando o botão do térreo. O Jazz começou a tocar, e eu me balançava no ritmo calmo da música. O elevador se abriu, revelando ainda o intenso fluxo de funcionários aqui e ali. Saí do elevador, indo em direção a cafeteria.
A pequena cafeteria não estava tão cheia, e como eu não tinha nada de importante para fazer, decidi tomar um café. Me aproximei da bancada, e uma moça veio me atender, com um sorriso no rosto. Retribuí o sorriso, e pedi um Capputino. Ela anotou o pedido e pediu para que eu aguardasse em uma das mesas que havia ali. Assenti, e fui em direção de alguma, sorrindo involuntariamente ao ver Spencer sentado em uma delas. Ele acenou para mim, um sorriso mínimo em seu rosto pálido. Fui em direção à ele, me sentando ao seu lado.
– Livre? — Me perguntou, e eu assenti. O mesmo balançou a cabeça afirmativamente, entendendo. Bebericou o café que estava segurando, logo colocando em cima da mesa. — Mas então, ele não está aqui na empresa?
– Pois é. Quando eu cheguei, ele estava, só que saiu há uns minutos. — A moça deixou o Capputino em cima da mesa, e saiu. Me virei para ele, mexendo em seu cabelo ruivo. — Não está num bom dia, acho.
Spencer sorriu de leve, me olhando. Segurou minha mão, passando levemente seus dedos pela mesma. — Você o evita quando está assim? — Franzi o cenho, não entendendo oque queria dizer. — Digo, todos aqui evitam ele. Quando está desse jeito. Pelo que fiquei sabendo, teve algum problema familiar.
Assenti, lembrando da piora de Maria. Direcionou seus olhos verdes para mim, depositando um beijo em minha testa. Sorri, meu pensamento vagando pelos olhos negros, que me intimidavam intensamente. Spencer passou seu braço por meus ombros, e eu coloquei minha cabeça em seu ombro, suspirando de leve. O ruivo tinha um cheiro doce, oque achei muito apreciável. Ele virou o rosto para mim, a milímetros do meu. O sorriso que tinha em seus lábios vermelhos desapareceu, ficando com a respiração ofegante, os lábios entre abertos. Aproximou-se mais de mim, tocando meus lábios. Fechei os olhos, apreciando a sensação.
O beijo era calmo, sem pressa, e tinha um gosto doce. Spencer colocou uma de suas mãos em meu pescoço, me puxando mais pra si. A outra me abraçava pelos ombros, me fazendo ter a sensação de aconchego. Ele separou-se de mim, e o vi abrir os olhos lentamente. Me observou por um tempo, e sorriu. Ele investiu em outro beijo, e eu coloquei minha mão sobre sua boca, impedindo-o de me beijar. Spencer fez uma cara confusa, abaixando minha mão. Abaixei o olhar, sentindo-o me observar. Depois de algum tempo, levantei o olhar e sorri, meio tristemente. Mas não foi por muito tempo. Eu estava fazendo uma burrada. Spencer era um cara legal, mas não era ele quem eu queria.
– Spencer, eu sinto muito... — Ele me olhou confuso, logo entendendo. Segurou minhas duas mãos beijando-as. — Spencer.
– Me dá uma chance, sim?
– Eu estou apaixonada por outra pessoa, desculpe. E ele já me tem completamente. — Spencer abaixou a cabeça, e meu olhar se direcionou ao elevador.
Minha visão foi tomada por Nico, me observando com o olhar duro e sério. Seu maxilar estava travado, e pude perceber que rangia os dentes. Ele entrou no elevador, e o mesmo fechou, ainda com o olhar sobre mim. Empurrei Spencer de leve, fazendo o ruivo tomar um pequeno susto. Me levantei, olhando para ele em um pedido de desculpas, e me direcionei ao elevador. Ótimo, ele havia visto. Parabéns Thalia, você conseguiu ferrar a sua vida mais ainda.
Ele não havia visto o beijo, mas sim, Spencer beijando minhas mãos.
Esse pensamento invadiu minha cabeça, me deixando relaxar um pouco. Pelo menos eu não havia sentido nada, Spencer para mim era só um amigo. Nada com oque se preocupar, Thalia. Entrei em outro elevador, apertando o botão do último andar. Lembrei de suas palavras em meu quarto, e comecei a me odiar por ter beijado Spencer. Ele havia sido sincero quanto ao seu sentimento, mas eu ainda sim fiz aquilo. O elevador se abriu em um clique, e Maddie estava em seu local de trabalho, deu uma pequena olhada em mim, voltando ao seus afazeres. Suspirei pesadamente, entrando na sala do moreno.
Ele estava virado de costas, observando a paisagem que lhe era concedido de sua sala. Colocou a mão nos bolsos, se virando para mim displicente e sentando-se em sua poltrona. Me encarou fixamente, me fazendo sentir seu olhar corroer por mim inteiramente.
– Estávamos... — Comecei, não sabendo realmente oque dizer à Nico. Abaixei a cabeça, me entregando. — Eu já resolvi, Nico. Foi um incidente, não vai mais acontecer. E aliás, eu sou completamente sua.
– Eu sei disso, querida. E eu vou acabar com ele depois, por tocar no que é meu. — Ele sorriu de leve, logo voltando a postura séria. Batucou os dedos na mesa, seu olhar ainda sobre mim. — Mas se ele encostar em você novamente, eu vou mandá-lo para o inferno.
Assenti, sorrindo e olhando o discretamente. Mordi o lábio inferior, dividindo o olhar entre ele e a parede de vidri presente ali. Não vou negar, loucuras prazerosas se passavam na minha mente naquele instante. Ele se levantou, e veio e minha direção. Me virei para ele, o mesmo segurou em meu queixo, levantando-o na altura de seus olhos. Tomou meus lábios em um beijo cheio de desejo, deslizando sua língua por meus lábios. Os abri calmamente, sentindo Nico explorar minha boca totalmente com sua língua. Coloquei meus braços em seu pescoço, retribuindo o beijo. Ele puxou meu lábio, e me deu um selinho, terminando o beijo. Me olhou fixamente, segurando fortemente em meus braços. Fiz uma careta, sentindo-o apertar mais.
Minhas costas bateram violentamente na parede, me fazendo arquejar. Nico afrouxou sua gravata, retirando-a e vindo até mim. Segurou meus pulsos, juntando-os atrás de minhas costas. Colocou sua boca em meu ouvido, puxando violentamente o lóbulo. — E então, por falar com o Parker, hoje você vai apanhar.
Em um surto de coragem, e um pouco de loucura talvez, meu riso ecoou pela sala. Nico me olhou com uma sombrancelha arqueada, me fazendo dar um sorriso safado. Mordi o lábio inferior, dando uma mordida em seu pescoço. — Vai me castigar?
– Da pior maneira possível. — Falou, dando tapas fortes em minha bunda. Num deles, gemi vergonhosamente.
– Tudo bem. Me deixo em suas mãos, Sr. Di Ângelo. — Seu sorriso foi perceptivo em minha pele. Sorri em conjunto sentindo o prender minhas mãos com a gravata.
– Ah Thalia, não se preocupe. Eu vou te foder direitinho.
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