Submissive
1 The Proposal
Notas iniciais
“Eu já sei porque não consigo dormir há dias,
Há algo no meu pensamento lento que me paralisa;
Não aguento viver peso a dogma e doutrina,
Eu quero a calma na alma pra poder viver à vida”
— ConeCrewDiretoria
Eu não sabia mais o que fazer.
Andava apressadamente olhando o céu estrelado, pelo campus da universidade. Quando finalmente consegui sair da multidão de estudantes, fui direto ao ponto de ônibus, mas quando fui em busca de meu transporte, ele já virava à esquina.
— Droga! – Resmunguei baixinho.
Já tinha tido essa experiência, e ficar esperando outro ônibus até 23:10 era complicado. Vou explicar: Minha mãe tem uma doença rara, a SFC (Síndrome da Fádiga Crônica), que a deixava cansada todo o tempo e tinha fortes dores musculares. Mas além disso, ela tinha que cuidar de meu irmão Jason, de seis anos. Minha mãe estava piorando, devido à falta de medicamentos e assistência médica, por nós sermos pobres, e a aposentadoria dela não ser suficiente. Fui tirada de meus pensamentos por um grito:
— Thalia, espera! – Gritou Clarisse, correndo até mim com Annabeth a seu lado.
Clarisse era morena, com os olhos cor café e Annabeth era loira, com os olhos cinzas, que me intrigavam mais que os meus, que eram azuis elétricos, ora azuis como o céu claro, ora azuis como o céu em uma tempestade. Elas chegaram até mim e sorriram fraco, bem, elas sabiam da minha situação.
— Sem essas caras, por favor! Eu não morri ainda. – Tentei sorrir, mas minhas bochechas doeram. Há tempos que eu não sorria.
Elas se entreolharam como se tivessem repassando um código. Arqueei uma sobrancelha. Clarisse deu um suspiro e disse:
— Eu e Annabeth pensamos, e, tem um amigo nosso que está fazendo entrevista de emprego para uma secretária particular... Porque não tenta, Lia? – Disse Clarisse com um ar preocupado.
— Pode ser, não tenho mais onde cair morta mesmo. – Respondi.
Elas deram um sorriso fraco, e conversavam baixinho, aproveitei e peguei meu celular para ver as horas. 23:02 P.M.
— Perdeu o ônibus? – Perguntou Annie digitando algo no celular.
— Sim. A sorte está ao meu favor, não percebe? – Dei um sorriso cínico.
— Posso deixar você em casa, ainda tenho que passar na casa do Chris mesmo. – Clarisse deu um sorriso malicioso.
Eu e Annabeth devolvemos o sorriso.
— Um momento, vou pegar o carro. – Clarisse disse e saiu.
* * *
A viagem até minha casa foi curta e calma, exceto pelo sorriso “Rasga-Cara” da Annabeth. Franzi o cenho e me virei para trás.
— Me diz o porquê dessa felicidade toda?
— Ah! – Ela suspirou envergonhada, mas logo voltou ao sorriso – Percy me chamou para ir à praia com ele no sábado!
— Com ele... – Clarisse fez uma cara pensativa mas logo sorriu – Ou com nós?
— Hein, nós? – Annabeth falou confusa.
Olhei de esguelha para Clarisse e vi que ela fazia o mesmo, não agüentei, explodi em risadas levando a morena junto comigo.
— Bem Annie, o certo era eu te chamar, mas eu estava tão ocupada, com outra coisa – Ela deu o sorriso “Plagiando a Annabeth“ – Desculpe.
— Todo mundo vai? – Annie fez uma cara desapontada.
— É Annie, todo mundo vai.
* * *
Depois de Eu e Clarisse convencermos Annabeth que não seria tão ruim, a morena me convidou para ir à praia junto com os amigos, mas veja bem, eu não conhecia ninguém lá.
— Não, mas obrigado mesmo assim. – Dei um sorriso de lado, que foi retribuído pela morena à minha frente. – Valeu pela carona, até amanhã.
— Até. – Respondeu.
Ela acelerou o carro e a esperei virar à esquina para entrar em casa. Abri a porta e dei de cara com Jason correndo com uma vasilha de pipoca na mão. Revirei os olhos e sorri, meu irmãozinho. Ele parou bruscamente e correu em minha direção com um sorriso lindo.
— Lia – E pulou em meu colo.
Minha mãe descia as escadas lentamente, coloquei Jason no chão e fui ajudá-la.
— Está se sentindo bem, mãe? – Perguntei.
— Estou querida. – Respondeu Beryl. – Nada com o que se preocupar.
Assenti levemente, beijei-lhe o topo da cabeça, abracei Jason e subi em direção ao meu quarto.
Como eu havia dito antes, nós éramos pobres, então, sem luxo. Abri a porta do meu quarto, que deu um rangido alto. Suspirei e olhei em volta. Havia uma cama de solteiro no canto do quarto, e o guarda roupa na outra ponta do lugar. Tinha uma penteadeira antiga e do lado da porta do banheiro, havia uma poltrona. Olhei pela janela e a rua estava deserta. Me despi, ficando apenas de roupas íntimas e me direcionei ao banheiro. Me olhei no mesmo, havia olheiras profundas e meu cabelo estava desgrenhado. Tirei toda a roupa e me direcionei ao Box do banheiro. Sentei-me no chão e liguei o chuveiro, logo me encolhendo por causa do choque térmico. Saí do mesmo, vesti um moletom e short jeans, deitei na cama, meus olhos pesaram, e logo adormeci.
* * *.
— Lia, acorda!
Bufei e abri meus olhos lentamente. Dei de cara com Jason com o rosto próximo ao meu. Observei-o. Ele tinha os olhos iguais aos meus, lindos azuis elétricos. Também tinha as sardinhas perto do nariz. A única coisa que nos diferenciava era a cor do cabelo. Eu era morena, Jason loiro.
— O que foi, pequeno? – Perguntei bocejando e me levantando, Annabeth havia me dito que hoje era o dia da entrevista.
— Eu amo você! – Ele sorriu levemente envergonhado pelas palavras que disse, e eu o abracei.
Realmente precisava daquele emprego, estávamos em condições péssimas, e eu não iria deixar nem minha mãe, nem Jason passarem por isso,e pelos Deuses, é o que eu peço.
* * *
Eu olhava boquiaberta para o arranha-céu à minha frente, cara era enorme! Engoli em seco e entre no prédio. Annabeth me disse que a Empire era uma empresa mundial de Joias e Diamantes. Parei no balcão de uma mulher que mexia tediosamente no celular, olhei no crachá, Lilian. Pigarreei e ela olhou para mim.
— Nicolas Di Ângelo, entrevista de emprego. – Me pronunciei.
— Nome? – Perguntou Lilian.
— Thalia Grace.
— Ultimo andar, e espere a sua vez. – Falou a atendente, logo voltando a mexer no telefone, com a mesma cara de tédio.
Me direcionei ao elevador e apertei o botão, quadragésimo andar. Começou a tocar uma música que presumi ser de Jazz e no final da mesma, o elevador abriu. Dei de cara com pelo menos 10 mulheres que vestiam trajes, realmente muito curtos, e sociais.
Abaixei a cabeça e me olhei. Estava usando sapatos surrados e uma saia e camisa de botões sociais velhas. É, eu estava realmente apresentável. Algumas mulheres começaram a cochichar e a apontar em minha direção dando risadinhas, eu não ligava, não mais. Depois de tanto passar por isso a pessoa se acostuma.
* * *
— Ingrid Cardose!
Finalmente! Depois dessa, finalmente seria a minha vez. Olhei para os lados, só eu e a secretária estávamos no local. No fim eu descobri que a entrevista era para uma secretária particular para o Sr. Di Ângelo. Olhei no celular: 09:32 P.M. O que eu acabei percebendo foi que o Sr. Di Ângelo praticamente dá esperança de emprego para todas, porque todas as garotas que saiam de sua sala saíam sorrindo. Vi a porta da sala do Sr. Di Ângelo ser aberta e o que eu presumi ser Ingrid Cardose, saí de lá sorrindo, aliás, pra variar.
— Thalia Grace!— Diz a secretária e olha para mim.
Ela aponta para porta e diz para eu me dirigir até lá. Toquei na maçaneta e estava gelada. Pedi uma ultima vez aos Deuses que me concedessem esse emprego. Abri levemente a porta e senti o vento do Ar-Condicionado passar em meus cabelos, que agora estavam em um coque meio desarrumado. Fechei a porta e abaixei a cabeça.
— Sente-se. – Uma voz rouca me pediu.
Me sentei e me permiti levantar o olhar. Eu realmente não sabia que o cara que poderia ser meu chefe tinha praticamente a minha idade, ou tinha mesmo. Tinha praticamente seus 1,80, com cabelos desgrenhados cor petróleo, e belos olhos negros ônix.
Olhei para seus olhos e vi que eles estavam direcionados para minhas pernas. Senti minhas bochechas adquirirem um tom avermelhado e vi ele dar um sorrisinho de lado.
— Belas pernas. – Comentou.
— Presumo que vim aqui falar sobre o emprego, não sobre minhas pernas.
Ele arqueou uma sobrancelha e assentiu, tomou uma postura ereta e pegou alguns papéis e começou a remexer neles.
— Annabeth e Clarisse me falaram de você, mas não sabia que era tão... Atrevida.
Contei à ele a minha necessidade de emprego e do problema da minha mãe, me perguntou que curso eu fazia, e outras coisas do tipo, mas nisso tudo não pude negar, ele era lindo. Charmoso. Ele anotou alguma coisa nos papéis e retomou uma postura de superioridade olhando para mim. Ele me avaliou de cima à baixo, suspirou e disse:
— Bem Srta. Grace, eu poderia lhe oferecer este emprego, mas tem pessoas mais experientes na frente.
E minha auto confiança se esvaiu completamente. Aquela era minha ultima chance. Eu já estava no vermelho e tinha contas que estavam em média à 3 meses sem pagar. Abaixei o olhar, não gostava de chorar na frente dos outros.
— Mas eu posso te oferecer um acordo, e você fica com o emprego. – Comentou o homem em minha frente.
— E que acordo seria? – Respondi, eu faria de tudo, é uma promessa.
Ele deu um sorrisinho e me avaliou voltando a olhar para minhas pernas.
— Prestaria favores à mim.
— Favores? – Fiquei confusa agora. Franzi o cenho e ele riu.
— Sim, Srta Grace. Favores. Quer o emprego? Vai me prestar Favores Sexuais. E então, vai querer aceitar minha proposta?
Eu parei por um tempo... Me relacionar obrigatoriamente com meu chefe? Ser usada... De novo? Fiquei estática, sim. Não sabia o que responder, se dissesse não, minha vida faliria, mas se eu dissesse sim... Eu praticamente venderia meu corpo. Levantei meu olhar para aquele homem à minha frente. Bem, piores já tiveram.
— Sim.
— Ótimo, você começa segunda-feira, às 07:00h. – Ele falou e se levantou, fiz o mesmo.
Ele veio até mim, e passou uma mão em minha bunda.
— Até segunda, Srta. Grace.
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