Submissive
2 The Bad Luck
Notas iniciais
“ Então brilhe intensamente, esta noite, você e eu
Somos belos como diamantes no céu
Olho no olho, tão viva
Somos belos como diamantes no céu “
— Rihanna
Saí rapidamente daquele prédio, se eu ficasse lá por mais um momento, eu explodiria. Minha cabeça estava cheia, a única coisa boa que eu tinha em mente é que eu finalmente havia conseguido um emprego justo (não necessariamente). Peguei meu celular e o desbloqueei, havia uma chamada perdida de Clarisse. Retornei a ligação.
“Tu ligou para mim Clarie?“
“Sim, para saber como está, e como foi a entrevista, conseguiu o emprego?“
“Sim, obrigada pela oportunidade, sou muito grata a ti e a Annabeth.“
“Que isso, seja grata ao Nico, foi ele que te concedeu o emprego.“
E desligou. Pelo menos com esse emprego, eu conseguiria tirar a minha família do aperto. Mas o que doía em mim era saber que eu iria ser usada como um objeto outra vez. Subi no ônibus e me sentei lá no fundo, queria me ocultar. O ônibus começou a andar e eu desabei em lágrimas, enquanto a paisagem de New York City passava rapidamente, embaçada em minha visão. Quando o ônibus fez menção de parar, limpei as lágrimas e desci rapidamente, direcionada à minha casa.
— Mãe! Cheguei! – Gritei fechando a porta da sala.
Mamãe e Jason saíram da cozinha sorrindo. Eu daria tudo, tudo, pra ver aquela cena se repetir todos os dias.
— Como foi, querida? – Beryl perguntou com esperança em sua voz. – Conseguiu?
Assenti e sorri. Mamãe abriu um largo sorriso e correu até mim, com Jason repetindo o mesmo ato, e vindo me abraçar.
— Mãe! – A repreendi. – A senhora não pode correr! Faz-lhe mal!
Devido à doença da minha mãe, ela não podia correr, andar muito, ou fazer exercícios físicos.
— Claro que não, Thalia! Acordei muito bem disposta hoje, fiz até torta de maçã. – Respondeu mamãe sentando-se no sofá.
Sorri levemente e subi para o meu quarto, eu não gostava de partilhar a minha dor com ninguém. Nem mesmo mamãe, ela já tinha os próprios problemas para cuidar. Fui tomar banho, ao final, troquei de roupa e me encostei na parede do quarto, descendo levemente e chegando à sentar no chão. Senti meus olhos arderem e não as impedi, as lágrimas desceram.
Ouvi o famoso clássico do WhatsApp chamar, desbloqueei a tela e vi a mensagem:
Central Park, às 14:00, esteja lá!
— Annie
Bufei. Eu estava em um clima ótimo pra sair, mas eu sabia que Annabeth queria saber como foi a entrevista. Não sabia se contava à verdade à ela logo de cara, ou se deixava pra depois. Não sei como Annie reagiria ao saber sobre os meus trabalhos extras ao Sr. Di Ângelo, optei por me decidir mais tarde. Vesti uma regata e um jeans, e meu all star surrado, cano médio. Desci às escadas e entrei na cozinha.
— Lia, vem comer essa torta, tá muito boa! – Disse Jason com a boca cheia de torta de maçã.
Neguei calmamente, sorri e fui em direção à porta de casa, dei um Tchau para Jason e Mamãe, e fui em direção ao ônibus. É, as complicações ao extremo estão só começando a acontecer em minha vida.
* * *
Saí do ônibus sentindo o vento soprar levemente em meus cabelos soltos. Olhei pro local em volta, eu particularmente achava o ambiente do Central Park calmo, límpido e lindo. Suspirei vendo famílias felizes, cara eu daria tudo por uma vida assim, sem preocupações.
— Thalia! – Senti mãos seguraram levemente meus ombros.
Virei-me e dei de cara com Annabeth e Clarisse. Elas sorriram, e devolvi o mesmo sorriso. Tomei a decisão de não partilhar os meus problemas com ninguém. Estava cansada das pessoas me olharem com pena, como seu eu não conseguisse resolver minhas próprias pendências sozinha.
— Eai, como foi? Conseguiu o emprego? – Perguntou Annie empolgada.
— Sim. – Respondi.
Contei a elas como foi a entrevista, mas ocultei a parte da proposta do Sr. Di Ângelo, mas fora isso, comentei tudo.
— Começa quando à trabalhar? – Clarisse perguntou.
— Segunda, às 07h00min. – Respondi cabisbaixa.
— Algum problema, Lia? – Neguei. – Então porque quando perguntei sobre quando iria começar, você respondeu tão... Triste?
— Nada – Menti. – Foi porque minha mãe teve uma piora...
O que? Queria que eu confessasse para Annabeth e Clarisse sobre os meus favores ao Sr. Di Ângelo? O que elas iriam pensar de mim? Que eu era uma puta, que faria de tudo por um emprego, e com isso tentaria me aproximar mais do que isso, com ele? Na parte de fazer de tudo para conseguir o emprego, era verdade, o resto, não. Mas eu não admitiria isso em voz alta. Pelo menos não agora.
— Bem Lia, sabe, só pra distrair... – Annabeth começou, olhando de esguelha para Clarisse. – Vem pra uma festa com a gente?
— Festa? – Fiz uma careta. – Com quem?
— Umas amigas, são legais, acredite. Elas querem te conhecer muito. – Sorriu alegremente. – Por favor.
Há tempos que eu não saia, ou ia a uma festa, principalmente só para garotas. E bem, alguém querer me conhecer? Isso sim é uma novidade. Mas eu precisava de novas amizades, sim. E se isso era uma oportunidade, eu vou me jogar de cabeça.
— Sim, pode me esperar lá. – Sorri.
* * *
Eu precisava de um balde para limpar a possível baba que caía. Cara, aquela casa era foda!
— Eai? Gostou da arquitetura? Foi minha mãe quem a projetou. – Falou Annie com os olhos brilhando.
Bem, a mãe da Annabeth era a Atena Chase, uma renomada arquiteta moderna. E creio eu, que a Atena, seja a maior inspiração de Annie.
— Perfeita, cara. – Comentei.
— Amores! – Ouvi um grito.
Olhei para entrada da mansão e vi três garotas. Uma de cabelo vermelho, que presumi ser Rachel E. Dare, uma de cabelos pretos e lindos olhos azuis, que se apresentou como Silena Beauregard, e a que eu mais queria conhecer, a garota de cabelos Cor Petróleo e Olhos Negros Ônix, iguais ao do irmão, Nico. Apresentou-se como Bianca Di Ângelo.
— Thalia! – Falaram em uníssono e me abraçaram, as três.
Sorri por dentro e por fora. Elas aparentam ser legais e confiáveis. Mas tinha identificado todas pela aparência que Annabeth e Clarisse tinham me dito. E Bianca... Pelos deuses! A aparência dela era a cópia feminina do Sr. Di Ângelo. Logo peguei em memória o nome de todas. Nós entramos, comemos, e rimos muito. Eu não parava de olhar para Bianca, aqueles olhos... Se eu estava ansiosa para experimentar o Sr. Di Ângelo? Muito! Mas o medo também não deixava de predominar dentro de mim.
* * *
Eu olhava para o prédio a minha frente, não queria entrar, lá, mas se eu não o fizesse, perderia o emprego. E essa é uma das minhas ultimas opções. Olhei no relógio: 06:47 P.M. Eu teria pelo menos 13 minutos para me acalmar e aguentar o que viria à frente. Tomei coragem e comecei a andar. Olhei para o estacionamento, e lá tinha o Jaguar x16. Estremeci.
Vamos, Thalia. Está com medo de um homem?
Me direcionei a recepção e vi a garota do dia da entrevista, Lilian.
— Hum. – Pigarreei. – O Sr. Di Ângelo já chegou?
Ela olhou pra mim com a maior cara de tédio e mascou o chiclete, olhou algo no computador e disse:
— Sim, já chegou.
Ótimo. Me dirigi ao elevador e vi que minhas mãos tremiam, não sabia que eu tinha tanto medo de meu chefe assim. Quando chegou ao quadragésimo andar, andei cambaleante a porta da sala do Sr. Di Ângelo, e entrei.
Ele me olhou de cima à baixo e sorriu. Devolvi o sorriso sem empolgação alguma e me sentei à mesa que tinha no canto da sala.
O que eu achava incrível naquela sala, é que na parede atrás da do Sr. Di Ângelo, não havia “paredes” de concreto, e sim vidro. Que dava a uma bela vista para New York. Eu poderia ficar o dia todo olhando para aquela vista, abobalhada, pensando no quanto NYC é bonita.
— Pode vir aqui, Srta. Grace? – Falou com sua voz rouca.
Assenti e me levantei, tentei disfarçar que estava tremendo e andei calmamente até sua mesa. Ele sorriu.
— Algum problema Sr. ...?
Não terminei minha frase, fui impossibilitada, pelo Sr. Di Ângelo, que me puxou para sua cadeira, me obrigando a ficar em cima dele, o mesmo deu um sorriso safado e começou a beijar-me o pescoço. Arfei.
— Sabe, geralmente não chego cedo ao trabalho, mas vou começar, existe coisa melhor do que sexo de manhã? – Disse.
Ele buscou a minha boca e encontrou, a beijado ferozmente, invadiu minha boca com sua língua, em movimentos rápidos. Retribui, droga, que homem. Ele passou uma mão por minha bunda e a apertou.
— Nicolas! – Ouvi uma voz dura esmurrar a porta.
Ele se assustou e me levantei de seu colo. Eu realmente pensei que nunca admitiria isso, mas filho da puta daquele que nos atrapalhou. O Sr. Di Ângelo se direcionou a porta, passou uns minutos lá fora, e voltou. Pensei que íamos brincar de novo, mas não.
— Grace faça essas planilhas para hoje, e mande para a Royal. – Disse ele e saiu porta a fora.
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