Submissive
14 Finally The Love
Notas iniciais
" Nenhuma dessas vadias podem te ter,
Diga pra elas recuarem.
Uh, é assim que tem que ser,
Eu sempre venho em primeiro;
Então, querido, quando você precisar, me diga. "
– David Guetta
Certas coisas não deveriam mudar nunca. Não deveriam ser substituídas, ou mesmo trocadas por algo melhor. Mas sejamos sinceros, o sentimento de aconchego que Nico transmitia para mim era relaxante. Principalmente quando ele colocava-me em seus braços, e dormia comigo. Deuses, eu me sentia completa com tudo aquilo. Me sentia completa apenas com ele. Me remexi com tais pensamentos, ainda de olhos fechados, o rosto despencado no macio travesseiro.
Sabia que ele estava ao meu lado, e me deixava feliz por tal hipótese. Seus dedos passeavam levemente por minhas costas, causando alguns arrepios. Apertei minhas pernas, ao sentir seus dedos aproximarem-se daquela região sensível. Ouvi a risada baixa de Nico, feliz por conseguir tal efeito sobre mim. Ah, que filho da mãe. Era óbvio que Nico não me deixaria voltar à dormir, mas não custava tentar.
– Psiu. — Chamou a primeira vez. Sorri internamente, me virando na cama para vê-lo. Tinha um sorriso mínimo no rosto, sendo perceptível os fios negros banguçados. Abaixou-se em minha direção, dando-me um selinho demorado. — Então, eu estou livre esse final de semana. O que quer fazer?
– Ficar o dia todo com você é considerada uma opção? — Perguntei de forma manhosa, passando a ponta de meus dedos por seu abdômen desnudo. Nico sorriu, assentindo. Sentei na cama, cobrindo-me com o lençol até a altura dos seios. — Pois bem, eu quero ficar com você o dia todo, nessa cama, sem fazer absolutamente nada. Ou é pedir muito?
Nico passou a mão em seus cabelos, dando uma leve desarrumada. — Me fizeram um convite ontem, que eu achei que você também receberia. — Disse, levantando-se da cama. Pegou uma bermuda na bancada, vestindo-a. — Não sei, acho que as garotas lhe mandaram uma mensagem.
– Até Montauk? — Perguntei, indo em direção ao banheiro. Nico murmurou um "sim", seguindo-me até o cômodo. — É, elas me fizeram o convite. Só que iria demorar para chegar, não? Até porque, é uma ilha, se não me engano.
– Sim, é uma ilha. Mas não iriamos de carro, afinal. — Respondeu, observando-me entrar no box. Liguei o chuveiro, esperando mais informações vindas de Nico. — Provavelmente, iremos com o modesto "barquinho" do tio Poseidon.
Dei uma risada alta, sentindo a ironia na frase. Se até Nico achava o tal "barquinho" modesto, já poderia se pensar no quão humilde seria. Levantei o rosto, sentindo a água gelada tocá-lo levemente. Passei a mão pelo mesmo, observando a sombra de Nico se movimentar sobre o box. Apoiou-se na pia, mexendo em algo nas mãos, provavelmente, o celular. Fechei o registro do chuveiro, abrindo o box e me enrolando numa toalha felpuda. Nico guardou o celular no bolso da bermuda, vindo até mim.
– Acho que tenho apenas esse final de semana. Zoe chegará na segunda, infelizmente. — Passou as mãos por minha cintura, abraçando-me. — Não sei o quê fazer, estou completamente perdido. Eu não quero vê-la nem um minuto sequer.
– Relaxe, ok? Vou fazer este final de semana realmente valer a pena. — Sorri maliciosa, me soltando de seu abraço e indo até o quarto. Procurei minhas roupas em meio aos lençóis, vestindo-as. — Quando iremos até Montauk?
Nico encostou-se na parede, me olhando. Sorria de lado, com os braços cruzados. — Amanhã de manhã, acho. Tenho que confirmar ainda. Mas a certeza é de que será amanhã, então, temos o dia livre. E não, não vou ficar aqui sem fazer porra nenhuma. Eu vou sair, não me importa o lugar, mas aqui é que não fico.
– Nossa, já entendi, Sr. Grosseria. — Levantei minhas mãos, num gesto de rendição. Nico sorriu de leve, revirando os olhos. — E para onde você deseja ir, então?
Nico deu de ombros, colocando as mãos dentro dos bolsos. Ao perceber que Nico não falaria nada, foi a minha vez de revirar os olhos. Bufei, indo até ele e puxando-o pelo braço, saindo do quarto. Desci as escadas depois de Nico, apenas esperando ele pegar as chaves do carro. Saímos do apartamento, apertando o botão do elevador. Percebi o olhar de Nico sobre mim, virando-me para olhá-lo. Ele sorria de lado, atento a cada detalhe meu.
O clique do elevador se abrindo foi ouvido, chamando a atenção tanto minha, quanto de Nico. Entramos, e Nico me puxou para seu peito, afagando meus cabelos enquanto colocava-me de frente à parede de espelho do elevador. Observei-o pelo espelho, percebendo seu olhar distraído enquanto me acariciava. Aquilo era um olhar apaixonado? Deuses, como eu queria saber. Nico realmente me confundia. Não saberia distinguir seus sentimentos se alguém me perguntasse. Ele era imprevisível.
Sinceramente, ele poderia ser tudo. Grosso, mas ainda sim sensível. Arrogante, com um toque carismático. Sério, e ao mesmo tempo muito sexy. E agora que eu percebi que não conseguia defini-lo. Nico é e sempre será uma charada indecifrável. Claro que pessoas normais que não sabiam diferenciar de vez em quando eram chatas. Mas ninguém deveria ser tão fechado assim.
E bem, as vezes até eu mesma me contrariava pelo fato de ser oque chamam de "Livro Aberto". As pessoas tinham segredos, isso é fato, um fato comum, até. E é claro que eu também tinha os meus. Como também Nico tinha os dele. E do mesmo modo que eu não confesso os meus, ele não era obrigado a confessar-se. Não era algo que eu cobraria, mesmo se estivéssemos em um relacionamento sério ou algo do tipo.
– Thalia? — Nico chamou, passando a mão em frente ao meu rosto. Arqueei minhas sobrancelhas, confusa, mas logo percebi que havíamos chegado ao térreo. — Se eu não soubesse que é mentira, diria que dormiu mal.
– Por quê? — Perguntei, saindo com o braço entrelaçado com o de Nico. Passamos pela recepção, indo em direção ao estacionamento. — E sim, eu dormi bem. Melhor impossível.
Nico entrou no carro, e fiz o mesmo. O moreno virou o rosto para mim, com um sorriso mínimo em seus lábios vermelhos. Ele se inclinou sobre mim, dando-me um leve beijo nos lábios. Ligou o carro, saindo do prédio. Eu não fazia a mínima idéia de onde íamos, mas também não queria saber. Se fosse uma surpresa, melhor ainda. E bem, tínhamos o dia todo livre, segundo Nico. Isto é, eu poderia usar e abusar dele, de todas as formas, claro. Nico olhava distraído para o horizonte, fazendo-me ter a súbita vontade de entrar em sua mente naquele mesmo instante para saber sobre o quê pensava o meu moreno.
– Se alguém te dissesse no passado que isso iria acontecer, qual seria a sua reação? — A pergunta atingiu meus ouvidos com uma bomba. Então era nisso que ele pensava? De como éramos no passado? — Digo, você acreditaria que um dia realmente iriamos nos envolver tanto?
– Não, nunca. Nunquinha mesmo. — Respondi, ainda sem olhá-lo. Soltei uma risada, sendo acompanhada por Nico. Me virei para ele, observando os olhos negros brilharem divertidos. — Você não é o tipo de cara que eu pensaria em me envolver.
Nico suspirou, relaxando os ombros, encostando-se no banco. — Então por que quis ficar comigo?
– Digamos que a minha situação não era a melhor possível. Trabalhar para você era a minha última chance. — Soltei, sentindo turbilhões de sentimentos me acertarem naquele momento. — Não tinha a mínima ideia de que um dia amaria tanto você.
E era verdade. Eu nunca pensaria naquela hipótese, como também nunca me imaginaria conversando sobre tais assuntos com Nico. Bem, não era uma coisa que eu queria que fosse discutida. Eu fui pega tão desprevenida, que quando fui perceber já estava caída de amores por aquele pecado em pessoa. E por todos os Deuses, eu nunca conseguiria agradecer Annabeth e Clarisse por isso. Claro que tinha os dias em que Nico me irritava tanto, que todo o meu amor por ele poderia virar ódio.
– Bem, não quero que esse clima invada o nosso dia. Vamos ao Porto Madero, se importa? — Falou, e eu me engasguei. Qual a parte de que eu odeio restaurante chiques que ele nunca entende?! — Thalia?
– Será que não podemos ir a um lugar mais modesto? Você sabe que odeio esses tipos de restaurante, Nicolas.
Nico fez um bico, virando-se para mim. — Não me chama de Nicolas, até parece o meu pai. — Me deu um selinho rápido, transmitindo um pedido com o olhar. — Por favor, morena.
Revirei os olhos, assentindo. Nico sorriu para mim, logo voltando a atenção para o trânsito. Foi daí que uma pergunta me invadiu repentinamente. O que éramos, afinal? Eramos amigos, colegas ou namorados? Claro que, se fosse por mim, eu namoraria-o já faz um bom tempo. Eu sabia que não tínhamos mais uma relação de empregado e chefe. Era bem mais que isso. Mas talvez fosse algo que não pudesse ser nomeado, ou um relacionamento que ainda não foi criado. Num termo popular, eramos ficantes? É, acho que sim. Esse era o termo correto, mas tão errado para mim. Não era esse o termo que eu queria para rotular meu relacionamento com Nico. O meu termo era bem claro.
Namorados.
Era isso oque eu queria. Mas é claro que eu não iria chegar e dizer isso a ele. Não, minha mãe sempre me disse que a atitude deve ser vinda do homem, nunca da mulher para tais coisas, como uma delas rotular um relacionamento. Ele deveria ter um posicionamento ou uma ação sobre isso, não é? Ou simplesmente ele não queria, ou tinha medo? E é por esses motivos que eu queria desvendar Nico. Ele gosta e costuma complicar muito as coisas. Principalmente à mim.
– Morena? — Chamou mais uma vez, com mais intensidade. Me virei para ele, percebendo que o carro estava estacionado. Nico olhava confuso para mim, com um ar preocupado. — Está tudo bem? Você estava oque pode se chamar de perdida em pensamentos.
– Não, eu só... — Comecei, balançando a cabeça para retirar tais pensamentos. — Não era nada. Eu só voei um pouco, desculpe. Já chegamos?
Nico assentiu, ainda desconfiado. Abriu a porta e saiu do carro, procurei fazer o mesmo. Bem, o restaurante é oque pode se chamar de modesto numa ironia. Não que fosse extravagante demais, até porque realmente não era. Era até um pouco simples, mais ainda com aquele ar chique. Nico deu preferência a mesa ao ar livre, que dava uma pequena vista à praia. O garçom logo nos atendeu, e pedimos nossos pratos. Durante o tempo de espera, conversamos sobre assuntos desconexos.
Demorou alguns minutos, e o garçom chegou com nossos pedidos. Trocamos poucas palavras enquanto comíamos, apenas observando um ao outro. Nico tinha um olhar descontraído sobre mim, fazendo-me perceber alguns sentimentos escondidos através de seu olhar. E nossa, como eu queria desvendar aquela imensidão negra.
– Pode me esperar naqueles bancos? — Perguntou, e eu assenti. Levantei-me, saindo do restaurante.
Era um pequeno campo gramado com alguns brinquedos infantis e bancos de madeira. Sentei em um deles, esperando Nico. A pequena "praça" dava uma melhor vista da praia, fazendo o vento marítimo bagunçar de leve meus cabelos soltos. Senti mãos geladas deslizarem por minhas costas, vagarosamente. Virei-me encontrando Nico sentado ao meu lado. Ele sorria de leve, juntando nossas mãos em meu colo.
– Tem uma coisa que eu estou louco para dizer... — Disse baixo, um tom avermelhado tomando conta de seu rosto. Nico estava corado? Certo, isso sim é um milagre que tem de ser registrado. — Estou com um pouco de vergonha, sabe? Eu nunca fiz isso, não sei muito bem como é.
– Não tem problema, seja direto. — Encorajei-o, e Nico suspirou. Balançou a cabeça afirmativamente, olhando em meus olhos. — Se você fizer essa tal coisa de forma errada, o máximo que posso fazer é rir, ok?
Nico arregalou os olhos, mostrando estar nervoso. — Por favor, não dificulte, Lia. — Suspirou mais uma vez, apertando minha mão de leve. Levantou seus olhos negros até os meus, dando uma mistura de sentimentos, tanto os meus, como os dele. — Então, você aceitaria namorar comigo, Srta. Grace?
Certo, certo, acalme-se Thalia. Não se belisque, não é um sonho. É a pura realidade, ele está aqui, na sua frente, pedindo-te em namoro. E você, como uma verdadeira idiota, está parada observando-o com a maior cara de boba apaixonada. Não, espere. Isso não é um clichê adolescente. Isso é real. Somos adultos, crescidos, com responsabilidades e deveres. Se eu era dona do meu próprio nariz, e queria muito aquilo, por que diabos eu ainda não aceitei? Ah, é porque eu estou me certificando que isso está realmente acontecendo.
– Thalia? — Nico sussurrou. Foi então que eu percebi que havia me perdido em pensamentos novamente. — Desculpe, não quero pressioná-la, mas eu achei que você queria, e bem, eu também quero, mas estava com medo antes. Mas se você não quiser, eu entendo.
– Não! — Gritei rapidamente. Nico franziu o cenho, seu rosto antes esperançoso se tornando triste. Toquei-o, passando o polegar por seus lábios. Beijei-o da forma mais intensa que consegui, segurando a gola de sua camisa, puxando meu moreno o máximo que conseguia contra mim. Encerrei o beijo com uma puxada em seu lábio inferior, sorrindo para ele. — É claro que eu quero. Eu só não acreditei. Deuses Nico, eu quero tanto isso.
Ele sorriu para mim e me abraçou. E pelos Deuses, eu não desejaria estar em outro lugar naquele momento. Era como se só existisse eu e ele. Um completando o outro. Se eu estava excitada para dizer as garotas? Nossa, muito! Mas antes eu preferia aproveitar mais as chances que a vida finalmente havia me dado. Ficamos nos beijando e trocando carícias por algum tempo, até que Nico me soltou de seu abraço e virou-se para mim, um sorriso bobo em seus lábios vermelhos.
– Bem, já que estamos oficialmente, juntos... — Começou, mordendo o lábio inferior e analisando-me. Sorriu de forma maliciosa, descendo seus dedos por minhas curvas. — Porque a gente não se diverte de uma forma mais prazerosa?
– Eu deixo você fazer o quê bem entender comigo, Sr. Di Ângelo.
Nico sorriu safado, levantando-se e estendendo a mão para mim. — Então vamos curtir, meu amor. Da melhor forma.
– Que seria? — Perguntei.
– Em cima de minha cama.
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