" Passando dias trancada nessa névoa,

Tentando esquecer você, amor, eu caio novamente,

Tenho que me chapar minha vida toda para esquecer que sinto sua falta. "

– Tove Lo

* * *

Era incrível como as coisas poderiam mudar, até mesmo sem você perceber. Era domingo e eu não estava nem um pouco afim de levantar-me daquela cama grande e macia. Abracei o travesseiro mais um pouco, sentindo o cheiro do Saint Laurent italiano. Sorri, ainda de olhos fechados, quando o sentir abraçar minha cintura, sentindo seu sorriso em minha pele. Passou sua mão por meu corpo ainda nu, me arrancando suspiros.

– Vamos Morena, acorde. — Sua voz era apenas um sussuro rouco. Sua mão passeava pelo lençol de cetim, retirando-o. — Eu quero te sentir agora.

Arfei quando sua mão foi direcionada à minha intimidade. Ele a acariciou de início, me tirando gemidos, que eram abafados pelo travesseiro. Nico me virou, fazendo-me observar seus olhos por uma fração de segundo, logo atacando meus lábios com desejo. Abri minhas pernas, fazendo o moreno roçar-se em mim, apenas com aquela maldita box nos atrapalhando. Minhas mãos passeavam por suas costas largas, arranhando-as levemente. Nico apertava minhas pernas, me fazendo saber que iriam ficar marcadas depois.

Ouvi batidas leves na porta, fazendo pararmos. Nico bufou e se levantou, abrindo a porta e encontrando Mary à frente, com o telefone em mãos, entregando à ele. Mary sussurou algo para Nico e ele assentiu, fechando a porta e indo à varanda. Procurei algo para vestir no enorme quarto, apenas achando uma camisa social do moreno. A vesti, e me dirigi ao banheiro, observando a camisa, que ficava em meio as minhas coxas. Apoiei-me na pia e lavei o rosto, prendendo o cabelo em um coque malfeito. Olhei para o espelho e percebi Nico se aproximando. Ele colocou suas mãos apoiadas na pia, me prendendo. O moreno me beijou intensamente, nossas línguas em uma só sincronia, enquanto sua mão se infiltrava por dentre a camisa folgada. Nico me pôs em cima da pia e colou nossos corpos ao limite, fazendo-me sentir sua ereção.

– Eu preciso ir. — Mordi seu lábio inferior e me afastei, observando seu rosto confuso. — Hades me ligou agora pouco. Disse que queria falar comigo para resolver uns assuntos.

– Posso ir com você? — Perguntei, beijando-lhe o pescoço.

– Ah Thalia... Eu acho melhor não. — Afastei-me dele mais uma vez e arqueei uma sobrancelha. — Não seria bom Hades saber que tenho uma proximidade estranha com você.

– Por quê? — O estudei, e ele tirou a mão de minha cintura, juntando as suas, nervoso.

– Você e Eu, sabe? Você não é o tipo de pessoa que...- Nico me olhou mais uma vez. — Não é o tipo de mulher para mim. O tipo de mulher da nossa classe.

Da classe deles. Isto é, eu não sou uma mulher rica, que me visto bem ou algo parecido. Olhei para ele e o mesmo me observava, de modo estranho. Assenti, descendo da pia e me dirigindo até o quarto. Senti sua mão me puxar e encontrei seus olhos negros, absurdamente perto. Nico investiu em um beijo e eu saí, me soltando dele. Ele me olhou com a testa franzida e virei-me para sair do banheiro.

– Sério Thalia? — Ele bufou e entrou no quarto, me olhando. — Vai me ignorar?

Virei-me para Nico e ele se encontrava sentado, com os cotovelos apoiados em suas coxas, com as mãos juntas.

– Apenas vou para casa, talvez lá encontre gente da minha classe. — Nico bufou e se levantou, vindo em minha direção.

– Foi um modo de falar, ok? — Ele parou à minha frente e me jogou na cama, subindo em cima de mim e beijando-me o pescoço. — Ainda vai se fazer de difícil para mim?

Suspirei e me entreguei. Não iria adiantar fazer rodeios para Nico, no final ele sempre iria me ter em cima de uma cama, submissa à ele. Nico segurou meus pulsos e os colocou acima de minha cabeça, massageando meus seios por cima da camisa com sua mão direita. Soltei um gemido envergonhado, por ser tão fraca e não resistir à sua tentação. Entrelacei minhas pernas em sua cintura e rebolei, tentando provocá-lo. Nico rosnou e bateu fortemente em minha bunda, me fazendo soltar um grito.

– Não faz mais isso, entendeu? — Ele sussurou em meu ouvido, e eu resmunguei. Ele bateu novamente em minha bunda, e arqueei as costas. — Entendeu?

– Sim...- Disse num sussuro quase inaudível.

Nico me soltou e se levantou, me olhando. Bagunçou seus cabelos negros e vestiu um jeans presente ali. Ele olhou para mim e arqueou sua sobrancelha.

– Não vai se vestir? — Pegou uma blusa qualquer e a jogou nos ombros, colocando um tênis.

– Eu pensei que... — Ele levantou o olhar e sorriu safado. Senti minhas bochechas ganharem um tom avermelhado e abaixei o olhar.

– Depois, Grace. — Ele me puxou da cama e passou seu braço por minha cintura, deslizando a camisa social por meus ombros, fazendo-a chegar na curva de meus braços, que se encontravam em seu peito. — Eu compenso.

Nico me olhou e colou nossas testas, me dando um selinho. Passei a mão por seu tórax e distribuí beijos por sua clavícula, enquanto o moreno apertava minha cintura. Ele se separou de mim e colocou a blusa. Suspirei e aceitei sua decisão.

– Vai se trocar. — Deu um tapa em minha bunda e eu deixei a camisa deslizar por meus braços, me deixando exposta à ele. Mordeu o lábio inferior e passou a mão no pescoço. Sorri. — Ah, Grace... Se eu não estivesse atrasado, eu te jogaria nessa cama e te foderia até dizer chega.

Ele pegou a camisa e colocou em frente ao meu corpo. Bufei, sabendo que havia perdido. Vesti minhas roupas e Nico me puxou, descendo às escadas. Mary estava na cozinha, cozinhando algo que, em minha opinião, deve estar uma delícia. Nico bagunçou o cabelo de Mary e ela lhe deu um tapa no braço. Nico saiu para procurar seu celular, me deixando sozinha com Mary. A mesma me olhou e sorriu.

– Ele gosta de você. — A olhei e a mesma tinha um olhar maternal. Ela veio até mim e pegou em minha mão. — O modo de amar de Nico não é comum, eu sei. Ele pode ser grosso, e muito ciumento. Mas é o jeito dele de amar. Não se afaste dele, só porque seus gostos também não são comuns.

– Gostos? — Franzi o cenho e ela arregalou os olhos, voltando à seus afazeres. — Que gostos?

Nico desceu às escadas e apoiou-se no balcão presente ali. Mary não tocou mais no assunto, e serviu o café. Que realmente estava muito bom. Nico disse que me deixaria em casa, e eu concordei. Fomos ao carro, e eu o cobrei sobre a sua " Garagem Particular ". O moreno disse que iria me levar lá, só que hoje estaria muito ocupado, então me levaria outro dia.

– Aconteceu algo na cozinha? — Ele se virou para mim. Neguei.

– Só preciso de respostas.

* * *

Iria ficar marcado em minha mente o dia em que eu vi Charles e Silena em momentos íntimos, na cozinha da mesma. Olhando pelo lado deles, a casa é dela, e ela faz oque bem entender. E olhando pelo meu lado, ela me chamou para ir lá, e acho eu que não foi para ver isso. Até porque eu nem sei quem ficou mais constrangida, se eu ou ela. Depois do pequeno " deslize ", de ambos, Charles disse que ia na casa de Chris. Nisso, Silena aproveitou e ligou para Bianca, Annie, Rach e Clarisse.

– Desculpa. — Ela falou de cabeça baixa, um pequeno sorriso envergonhado em seus lábios finos. — Realmente pensei que você fosse demorar um pouco.

– Não é algo raro. — Ela arqueeou uma sobrancelha, um sorriso divertido em seus lábios. — Não que eu costumo ver uma amiga minha em situação pós-sexo com o namorado, claro.

Silena gargalhou, e me levou junto. Gritos foram ouvidos do lado de fora da casa, chamando nossa atenção. Silena revirou os olhos e sorriu, quando viu as quatro mulheres entrarem em sua sala, jogando-se nos sofás presentes.

– Uma única pergunta. — Annabeth apontou para mim. — Onde esteve? E com quem.

Silena me puxou, fazendo-me sentar, e a mesma colocar a cabeça em meu colo. Acariciei seus cabelos macios. Mordi meu lábio inferior, tentando ganhar algum tempo para pensar em algo convincente. Olhei para Annabeth e ela me estudava, pronta para detectar alguma mentira vinda de mim. Bianca tinha um sorriso de lado, e Clarisse parou de mexer no celular e me observou.

– Vamos, Thalia. — Rachel jogou o celular no sofá. — Tentamos te ligar o final de semana todo. E você sumiu misteriosamente da festa.

– Desliguei meu celular. — Silena gargalhou, e eu lhe dei um tapa na testa. — Porque eu queria ficar sozinha. Apenas isso.

– Certo. Agora a versão verdadeira Grace. — Clarisse sorriu de lado, enquanto Bianca e Rachel riam. — Com quem esteve?

– Ela não quer dizer, certo? — Silena disse, inclinando a cabeça para trás, me olhando. — Essas marquinhas Thalia, não passaram despercebidas.

Marquinhas? Silena se levantou, e olhou para meu pescoço, seguido por minhas pernas. Segui seu olhar, observando minhas coxas. Maldito seja, Di Ângelo. Cruzei meus braços abaixo do seios e abaixei a cabeça, tentando acabar com o assunto.

– Certo. — Rachel falou, se levantou e passou a mãos em meus cabelos soltos. — Mas se precisar conversar com alguém, vamos estar aqui, ok?

Assenti e deitei minha cabeça em sua coxa, deixando uma Silena indignada, cruzando as pernas em cima do sofá. Agradeci mentalmente por essas roupas cobrirem minha bunda e cintura, que concerteza, estavam piores. Fechei os olhos e tentei relaxar. Rachel fazia cachos em meus cabelos, acariciando-os às vezes. Pensei em Beryl e Jason, e em como eles poderiam querer saber para onde eu fui. Talvez eu dissesse que passei o fim de semana na casa de Silena, com todas elas.

– Paixões minhas! — Leo entrou na sala, sentando-se no sofá e colocando os pés na mesinha presente ali.

Leo passou os braços pelos ombros de Bianca e a mesma olhou para ele, com uma sobrancelha arqueada. Leo lhe deu um selinho, e Bianca apoiou sua cabeça no ombro do moreno. Annabeth saiu do sofá onde ambos se encontravam e sentou-se no chão, e virou sua cabeça para mim. Segurei um sorriso, enquanto a loira colocava um dedo na boca, em sinal de ânsia. Passei as mãos em seus cabelos e ela se encostou no sofá.

– Não tem mais oque fazer do que invadir minha casa, Valdez? — Leo parou de beijar Bianca e olhou para Silena.

– Deixe-me pensar. — Colocou um dedo no queixo e inclinou a cabeça para o lado. — Não. Poderia estar na minha casa agora, certo mozão? Mas ela não quis, então aqui estou eu.

Leo sorriu divertido para Bianca, quando a mesma bufou e saiu de seu abraço. Ela pegou o celular e o colocou no ouvido, falando em seguida com alguém. Leo chegou perto de mim e sentou-se ao meu lado, mordendo o lábio inferior e observando minhas pernas. Arqueei uma sobrancelha para o moreno, e o mesmo sorriu, segurando minhas bochechas e apertando-as.

– Mas que coisinha fofa. — Ele fez um biquinho e soltou as bochechas. — Te pegaram de jeito, não?

Senti minhas bochechas ficarem vermelhas. Leo apontou para minhas pernas, fazendo Clarisse e Silena sorrirem divertidas. Perguntou à elas oque havia acontecido, e elas como boas pessoas, disseram que não sabiam. Nada mais que isso. Lembre-se de agradecê-las depois.

– Thalia Grace. — Leo sorriu safado para mim. — Não sabia que era dessas.

– Acredite Leo. Nem eu. — Annabeth falou, e sorriu pra mim. Semicerrei os olhos, e a loira mandou um beijo no ar, se virando para Leo.

– Sabe, do jeito que o Nico não deixa escapar uma... — O garoto se virou para mim e gargalhou. — Já deve ter experimentado-a, certo Thalia?

Arregalei os olhos e senti meu coração acelerar de repente. Percebi que se eu falasse algo, iria gaguejar e acabaria me entregando. Clarisse, Annabeth e Silena me olhavam com expectativa, e eu procurava uma forma rápida de me sarfar de Leo e suas perguntas indiscretas.

– Não, — Falei com a voz dura, evitando gaguejar. — Claro que não! Ele é apenas meu chefe... Só isso.

Leo balançou a cabeça afirmativamente e observou Bianca sentar-se ao meu lado. Ele fez um biquinho para Bianca sentar perto dele, mas a morena apenas bufou e tirou o celular do ouvido, olhando todos presentes na sala. Rachel disse que iria ao shopping, comprar algumas roupas. A ruiva se despediu de todos e se retirou da casa.

– Estava falando com Nico. — Bianca apoiou o braço no sofá e passou a mão no pescoço. Minha atenção e a de todos se focaram nela. Leo perguntou a Bianca onde Nico estava, e a morena respondeu. — Ele ficou em casa o final de semana todo. Me surpreendi, até porque ele passou o sábado com uma garota e dormiu com ela, no quarto dele. Oque nunca ocorreu.

– Pera, oque? Não acredito! Nosso Nicolas foi dominado? Preciso avisar à Percy, tadinho. Temos que resgatá-lo antes que se apaixone. — Leo pegou o celular do bolso, e sinceramente, eu fiquei com raiva dele. Só que, saber que eu fui a primeira garota a realmente dormir no quarto de Nico me acalmou um pouco, principalmente por ter acordado com ele ao meu lado. — Quem foi a maldita?

– Vai saber, ele não me disse. — Bianca bufou e abraçou os ombros de Annabeth. — Acho legal ele tentar se entregar à alguém. Talvez essa garota possa mudá-lo.

Leo olhou indignado para a morena, e ela apenas virou o rosto na direção contrária. Sorri minimamente para mim mesma, e os momentos que tive com Nico me vieram à mente. Mordi o lábio inferior, ao pensar em nossa noite. Levantei meu olhar e Annabeth me encarava, com um dedo em minha testa. Quando percebeu que já estava em mim, a loira tirou o dedo e se sentou, me fazendo prestar atenção em Leo, que tinha a testa franzida.

– Você trabalha para ele. Claro que deve saber quem é. — Ele se inclinou sobre mim e me encarou. — Me diz, eu preciso saber.

– Eu não sei. — Falei, e Leo bufou. — Não me interessa a vida pessoal do Sr. Di Ângelo.

– Pergunte à ele mesmo, Leo. — Bianca se pronunciou, e se levantou indo em direção à cozinha. — Nico disse que viria aqui. Já deve estar chegando.

Arregalei os olhos para Bianca. Senti meu coração acelerar mais a cada batida e juntei minhas mãos, percebendo-as suadas. O frio da casa de Silena não foi o suficiente para me deixar calma depois da informação. Eu e ele, com aquelas pessoas. Não iria dar certo, Leo é indecente demais para não tocar num assunto delicado. Cruzei os braços e os apertei, mordendo meus lábios, aparentemente nervosa. A campainha de Silena tocou e eu soei frio. Leo se levantou e foi à porta. Nico estava com uma calça moletom, sandálias e um casaco, que o capuz molhado lhe cobria a cabeça. Chovia ali fora.

– Estava correndo, Sr. Gostoso? — Leo imitou uma voz feminina e Nico sorriu minimamente.

– Aparentemente, viado. — Leo saiu da porta e Nico entrou, observando ao redor. Seu olhar parou em mim e ele sorriu de lado, sentando-se no sofá.

Bianca e Silena voltaram com xícaras em mãos. Silena me entregou uma e descobri ser Chocolate Quente, bebi e me senti mais confortável. Senti o olhar de Nico ainda sobre mim e resolvi reparar na decoração da casa de Silena. Mas não dava. Parecia que qualquer parte do meu corpo que o moreno olhasse, queimava na hora. Resolvi olhá-lo, e ele conversava com Bianca, com a xícara em suas mãos. Bianca retirou o capuz dele, e o mesmo resmungou.

– Com quem esteve o final de semana inteiro? — Bianca segurou o queixo de Nico, fazendo-o olhar para ela. — Com quem dormiu?

Ele olhou para a irmã e arqueou sua sobrancelha. — Não teve devo satisfações. — Bebeu descontraído, enquanto Bianca e Leo tagarelavam algo para ele. Nico revirou os olhos e os olhou com raiva. — A vida é minha, Bianca. Então eu faço a porra que eu quiser com ela. E Leo, não se mete, ok?

– Porra Nico! — Leo gritou. — Não pode deixar uma garota te dominar, cara. O nosso objetivo é satisfazer, lembra?

Nico sorriu de lado, acompanhando Leo. Bianca bufou e sentou-se ao meu lado. Deitou-se no sofá e colocou a cabeça em meu colo, as pernas em cima de Silena. Annabeth me olhou e revirou os olhos, se levantando. Disse que iria falar com a mãe, já que a mesma havia voltado da Virgínia ontem. Comecei a trançar o cabelo de Bianca, e a mesma inclinou-se par mim e sorriu. Lhe devolvi um sorriso mínimo. Silena jogou uma almofada em Leo e interrompeu a conversa de ambos.

– Qual o problema de vocês? — Ela cruzou os braços. — Nico, não é uma idéia ruim você estar se relacionando seriamente com uma garota.

Nico me olhou e eu abaixei a cabeça, fingindo estar alheia ao assunto. — Talvez seja algo novo, Silena. Talvez ela ainda não me tenha descoberto totalmente. — O olhei e ele tinha um sorriso pequeno nos lábios vermelhos. Passou o polegar por eles, limpando o Chocolate Quente que tinha. Suspirei, desejando aqueles lábios nos meus. — Ela não me conhece, não sabe oque eu faço.

E aí ele me olhou, intensamente. Sabia que me estudava, e estudava meus sentimentos. Tentei olhar para outro local, que não fosse ele. Mas por mais que eu quisesse me afastar dele, eu não conseguia. Era como se seu olhar me prendesse à ele. Somente à ele. Eu sabia que era para eu me afastar dele, mas não dava. Eu estava apaixonada, e me odiava por ser ele quem havia me dominado. Seu olhar penetrante pareava sobre mim, e sua imensidão negra me estudava. Batuquei meus dedos na xícara que havia em minhas mãos, tentando inutilmente tirar o Di Ângelo de meu pensamento

.- Que sensual, Nico. — Leo falou brincalhão, e Nico retirou seu olhar de mim. — Chega me excitei aqui.

– Leo, evite demosntrar seu excesso de amor por mim. — Silena gargalhou, fazendo Nico sorrir junto.

– Lia merda, fale algo! É raro esses momentos, e você fica aí apenas observando? — Bianca controlou os risos e me cutucou.

A observei, sentindo todos os olhares da sala estarem em mim. Suspirei. — Oque quer que eu diga?

Bianca deu de ombros, puxando Leo para si. Nico sorria minimamente em minha direção, enquanto Silena dava leves tapas em meu braço. Me vire para ela, e a mesma tinha a testa franzida. Arqueei uma sobrancelha para ela, e a mesma bufou, olhando para Leo e Bianca, que se beijavam. Nico virou a cabeça lentamente na direção da irmã, e semicerrou os olhos. Seu maxilar travou e sua mão se fechou em um punho. Explosivo.

– Valdez, eu vou lhe dar dez segundos para você largar a minha irmã. — Leo virou-se para Nico, com um sorriso, que logo sumiu de seu rosto. Ele a largou e foi para a outra extremidade do sofá. Bianca bufou, e olhou para Nico com os braços cruzados. O moreno arqueou a sobrancelha. — Bem longe dela, Valdez. Entendeu?

Leo assentiu rapidamente, enquanto Silena tinha um olhar surpreendido. Ela se levantou do sofá e me chamou, me guiando até a cozinha. Chegando lá, a morena se apoiou no balcão, olhando para mim nervosa. Ela mordia freneticamente o lábio, e batucava os dedos na mesa. Sentei a sua frente, esperando ela se acalmar.

– Não quero ver o Nico explodir. — Ela suspirou. — Ele é muito ciumento, e obsessivo. Se o Leo não tivesse soltado a Bianca ali, ele iria explodir. E cara, nunca o provoque. Apenas lhe digo isso.

Realmente seria difícil. Uma das coisas que eu adorava era ver Nico perder o controle. Mas eu acho que nunca tinha o visto explosivo mesmo. Ele gostava de me provocar, e eu tinha que deixar passar, sem fazer nada? Tinha que ser logo eu? Eu vi como Nico havia ficado quando Spencer tinha vindo atrás de mim. Aquilo era ciúme? Eu poderia me arrepender mais tarde, mas eu não vou perder amizades por Nico não quere-las. Spencer era meu amigo, e iria continuar sendo. Mesmo que para isso, eu tivesse que sofrer as consequências.

* * *

Era a terceira vez que o despertador tocava. E eu não estava com nenhum pique de me levantar para trabalhar. Bufei e me levantei, parando o telefone. Retirei o cobertor, pensando no que dizer à minha mãe. Eu havia chegado tarde ontem, e ela já estava dormindo. E Bill também, graças à Deus. Entrei no banheiro, retirei a roupa e me observei no espelho. Minha cintura tinha marcas de mãos, e em minha coxas igualmente. Meu pescoço estava arroxeado, e minha bunda tinha a mão de Nico gravada nela. Suspirei. Ele não gostava que eu o marcasse, mas adorava marcar os outros.

– Certo. — Sussurei pra mim mesma.

Entrei na água gelada, me arrepiando por inteira. Encostei-me na parede igualmente gelada, levantando a cabeça, para ter maior contato com a água em meu rosto. Passei a mão em meu pescoço e mordi o lábio inferior. Nico queria que eu tomasse banho com ele, e eu havia negado. E agora eu vi o quanto estava arrependida disso. Era excitante a sede dele por sexo, o modo como ele podia controlar tudo e todos. Desliguei o chuveiro, e me enrolei na toalha, saindo do banheiro e deitando na cama. Oque ele era para mim? Eu só queria que Nico me respondesse. Que não fizesse rodeios para mim. Não para mim.

Vesti minhas roupas e desci às escadas, encontrando Jason, Bill e Mamãe à mesa. Mamãe se virou para mim e me abraçou preocupada. Bill me observava, atento aos detalhes em mim. Eu havia resolvido passar uma maquiagem onde Nico havia marcado, para Bill não ficar me enchendo o saco. Mamãe passou a mão em meu rosto e o acariciou, sorrindo minimamente.

– Onde esteve querida? — Mamãe perguntou. — Estivemos preocupados com você.

– Passei o final de semana com... — Bill arqueou uma sobrancelha, e olhei para mamãe, que esperava uma resposta. — Uma amiga.

Sentei à mesa, e Bill olhou para minhas pernas. Rosnei. — Com uma amiga anjo? Podemos conhecê-la?

– Não. Ela tem mais oque fazer do que querer te conhecer, Bill. — Sorri cínica para ele e disse para mamãe que já estava atrasada, então precisava ir. Peguei uma maçã e sai de casa, esperando o ônibus que vinha ao longe.

Subi no mesmo e comecei a comer a maçã. Pensamentos aleatórios me vinham a mente, e era bom pensar ali. Vendo NYC passar em meus olhos. Leo e Nico eram amigos e mesmo assim, Nico não queria que Leo tocasse na irmã. Mesmo ele estando ali, presente. A mudança de seu humor, quando havia visto Leo beijando Bianca. Ele era possessivo, bipolar, ciumento e grosso. Mas ele não foi assim durante o final de semana. Ele foi atencioso, carinhoso, e... Meu. Eu senti como se ele pertencesse à mim, e somente à mim. E eu fosse dele, somente dele. Não saberia oque dizer quando chegasse lá agora. E se a personalidade boa dele, estivesse ficado lá? E se ele me tratasse como lixo, como faz depois de ser bom para mim?

Desci do ônibus, e andando, observei o enorme prédio. Ele estaria lá, me esperando? Suspirei, vendo as portas se abrirem automaticamente, com as mesmas pessoas de sempre ali, fofocando, trabalhando e tomando cafezinho. Passei reto por Lílian, sabendo que não faria diferença se tivesse falado com ela. Direcionei-me ao elevador e encostei minha cabeça ali, meu pensamento nele, como sempre. O Jazz impregnava meus ouvidos, não dando muita importância ao que ocorria. O elevador abriu, e eu entrei. Maddie não estava em seu local de trabalho, mas seus pertences estavam ali. Franzi o cenho e entrei na sala de Nico. Coisa que eu me arrependi profundamente.

Eu estava estática ali, apenas observando a cena se passar a minha frente. Maddie se encontrava apenas de roupa íntima, enquanto desabotoava a camisa social de Nico. Os dois se beijavam fervorosamente, e Nico passava suas mãos pelo corpo de Maddie. Quando Nico começou a beijar o pescoço de Maddie, ela finalmente havia notado minha presença ali. Ele sorriu cínica para mim, e intorrompeu os beijos de Nico, fazendo o moreno trazer sua atenção para mim. Ele arregalou os olhos e mantinha o olhar nervoso entre Maddie e mim.

– Como vai, Thalia? — Maddie pergunta cínica, passando a mal pelo peitoral de Nico. — Como passou o final de semana?

Nico tira Maddie de seu colo, e a loira começa a rir. Nico vem até mim, abotoando sua camisa novamente. Me viro para sair daquela sala, sentindo ele atrás de mim. Começo a correr pelos corredores, sem uma saída exata. Olho para trás e ele ainda me seguia. Senti as lágrimas tocarem conta dos meus olhos, e começo a soluçar.

– Thalia, espere! — Nico conseguiu tocar meu ombro, e me virar.

– Não me toque. — Falei com frieza enquanto me afastava com força, limpando com raiva minhas lágrimas coloridas pelo rímel. Nico afastou a mão surpreso, seu olhar era confuso.

– Foi um mal entendido, ela estava... — Arqueei uma de minhas sobrancelhas, procurando uma resposta vinda de Nico, que talvez não chegaria.

Ele permaneceu em transe, enquanto eu sentia as lágrimas descerem mais e mais. E se esqueceu do que fez, mas foi despertado brutalmente por um tapa desferido com cautela, me afastei rapidamente, e murmurei baixinho:

– Pode entregar minha carta de demissão no endereço que vai estar na sua mesa. — Nico continuava com o rosto virado, sem demonstrar alguma reação.

Me virei, e ouvi Nico murmurar algo inaudível por minha parte. Saí daquela maldita empresa, sem um local fixo para ir. Retirei aqueles saltos, e comecei a correr pelas ruas, sabendo que as pessoas que passavam por ali me chamariam de louca. Mas eu não estava ligando. Não depois do que eu havia visto na sala de Nico. Como ele pôde ser tão baixo? Levantei meu olhar para o Central Park à minha frente, adentrando o local.

Sentei-me na sombra de uma árvore e coloquei a cabeça apoiada em minhas pernas, deixando as malditas lágrimas caírem o quanto quisessem. Levei minhas mãos até a bolsa, e percebi que elas tremiam. Que merda eu havia feito? Praticamente destruído a possibilidade da minha família sair do aperto. E além da raiva que eu tinha de Maddie e de Nico, veio a raiva que eu tinha de mim. Por ser tão idiota de me apaixonar logo por ele. Por ser tão inútil e me demitir, sabendo que precisava de um emprego. Encostei minha cabeça na árvore e limpei as lágrimas, sujando minhas mãos de rímel e lápis. Bufei, passando as mãos na grama, observando as pessoas passeando por ali. Disquei o número de Rachel, olhando para o céu.

" Rachel, eu preciso falar com você. "

" Pode dizer, onde você está? "

" Central Park. "

Rachel assentiu e disse que viria o mais rápido possível, e desligou. Era algo que eu não conseguiria suportar sozinha, eu já tinha chegado ao meu limite. Não podia cobrar nada de Nico, até porque ele não era nada meu. Mas também estava óbvio que Maddie queria que eu visse os dois juntos, ela queria me irritar, me afastar dele. E ela havia conseguido. Mas também, Maddie não faria isso sozinha. Se ela e Nico estavam se pegando, era porque ele queria também. Estava cansada de ser iludida, principalmente pelos homens como Nico. Bufei, por ainda me surpreender que Nico havia ficado com outra garota. Não era nenhuma novidade, mas ainda assim eu havia confiado nele. E ele me fez pensar que eu era única para ele. Eu me sentia uma completa idiota ali.

– Aconteceu alguma coisa, Thals? — Rachel retirou os óculos escuros do rosto e fez uma feição preocupada. — Não era pra você estar no trabalho?

Assenti. — Acho que estava atrapalhando lá. — Rachel fez uma cara confusa e sentou-se a minha frente, me fazendo observar seus olhos verdes. — Ele estava com Maddie, Rach.

Senti lágrimas encherem meus olhos, e Rachel passar as mãos por minhas bochechas, limpando-as. Olhei para ela, e ela tinha um olhar compreensivo. Ela já entendia o meu sentimento por ele. Não precisei explicar, ela passava por isso com Luke. Solucei, e Rachel me abraçou de leve, acariciando meus cabelos. Cruzei meus braços abaixo de meus seios, e Rachel me soltou. Ela me olhou e abriu a boca para falar algo.

– Logo o Nico? — Ela sorriu de leve, e abaixou o olhar. — Foi você quem dormiu com ele, não é?

Assenti. Eu queria contar a Rachel que Nico me fazia transar com ele. Mas eu não conseguia, era fraca demais. Suspirei, olhando para ela. Rachel tinha um sorriso compreensivo e se levantou. Me ofereceu a mão, e eu segurei. Ela me guiou até seu carro e disse que íamos sair. Só eu e ela. Como velhas amigas.

– Isso pode ficar só entre nós? — Me virei para Rachel, e a mesma assentiu. — Não é algo que eu me orgulhe.

Sorri, levando Rachel junto comigo. A ruiva me disse que iria me levar ao shopping, obviamente. Eu até gostei, era um bom começo para esquecer os problemas. Bem, não necessariamente. Porque quando chegamos lá, Rachel me arrastava de loja em loja. Então eu preferi ficar sentada, esperando ela sair dos provadores, para avaliar quaisquer roupas que a ruiva vestia. Ficavam perfeitas, vulgo, ela tinha ótimo gosto.

Havia comentado com ela que eu havia me demitido da empresa em um surto de burrice extrema. Rachel disse que não teria problema, se eu ligava em trabalhar em um Starbucks. Eu disse que não, e a mesma comentou que uma amiga sua era dona de um Starbucks da 5th Avenue. Ela ligou para a tal mulher, e perguntou se tinha alguma vaga para uma garçonete. Com sorte, tinha. E agora de secretária de uma renomada empresa, eu havia passado para garçonete de Cafeteria. Melhor do que nada.

– Ela disse que você já pode começar amanha, Grace. — Rachel sorriu de lado e pegou os Capuccinos, pagando à mulher do Drive. — Começa às oito, e vai até as seis.

Assenti, e pude relaxar um pouco. Não seria tão ruim, afinal. Eu não estava desempregada. Claro que tinha uma diferença salarial muito grande da Empire para um Starbucks qualquer, mas era muito melhor do que ficar olhando para a cara cínica da Maddie e do Di Ângelo todos os dias. Isso era testar a minha paciência, até demais. Rachel me deixou em casa, perguntando se eu iria ficar bem. Disse que sim, e entrei em casa. Nenhum dos três estavam em casa, e agradeci mentalmente por isso. Não estava com cabeça para dizer aquilo para minha mãe. Sabia como ela ficaria, e não queria preocupá-la. Tomei um banho e resolvi dormir. Minha cabeça estava cheia e já era de noite. Amanhã teria um dia longo pela frente. Sem ele.

Ele iria aparecer. Iria voltar para mim. E por Deus, não me deixe cair em sua tentação denovo.

É só oque eu peço.

Notas finais
Heeeey, Gente vocês não tem IDÉIA de como ta sendo a postagem desse capitulo. Tá muito no esquema, porque eu resolvi fazer uma merda na minha life, e aí fiquei sem notebook e celular. TOMEI. NO. CU. Ai, a Lara, Amica Fiel, estava sem o capitulo no EN, oque me ferrou mais ainda. Ai eu tive que bolar um plano mt louco e pegar o celular da minha tia, pra finalmente postar. TOMEI. NO. CU. (2) Pois bem, o capitulo saia todo junto e não queria enviar, pois é. Vida de cão mesmo. Daí, eu estou aqui, linda e maravilhosa, dizendo que estou fazendo um trabalho, mas estou postando. Por isso, ME ADOREM. E comentem, porque esse esforço todo pra nada é foda. Love Vcs,