Sua voz

9 Capítulo 9 - As bases de uma grande extremidade


Notas iniciais
Boa leitura a todos! ♥

A maçaneta da porta do meu quarto começou a chocalhar pouco depois das oito da noite, me acordando do meu sono. Por três horas estive escondida no meu quarto. Uma pessoa normal poderia ter chorado até dormir, mas eu tive um cochilo com uma pequena quantidade de drama do canal lacrimal.

Tanto faz.

Eu tinha deixado Sasuke Uchiha me virar de dentro para fora. Era hora de começar a agir como uma mulher adulta e colocar o disparate atrás de mim.

— Sakura. — Mais batidas.

Eu levantei minha cabeça cansada do travesseiro, esfregando os olhos doloridos.

Mais algumas batidas.

— Abra a porta.

— Você veio para se desculpar? — Eu perguntei.

— Por que eu teria que me desculpar?

— Oh, eu não sei. Tente por ser um hipócrita, gritando comigo, e me envergonhando na frente de outras pessoas para começar.

Um momento de silêncio.

— Não seja ridícula, abra a porta.

— Não.

— Abra. A. Porta.

— Podemos discutir isso amanhã, Sasuke. Boa noite. — Eu respondo convicta.

Então a voz do outro lado se elevou.

— É a porra da minha casa e você trabalha para mim! Onde diabos está o respeito? Você está no meu horário, e você sabe muito bem disso. É um absoluto desrespeito. Vocês dois estão completamente fora da linha. Eu pago você, você é a minha assistente, e ele tem a porra da ousadia de tentar algo com você nas minhas costas, na minha casa. Ele não tem nada que te tocar, nunca. Eu não quero ver essa merda acontecer novamente, ele vai ficar longe de você. O filho da puta nem sequer te defendeu, Sakura. Você notou isso? Eu não sei o que diabos você está pensando tendo alguma coisa alguém assim.

Eu fiquei boquiaberta para a porta. Claramente, o homem tinha perdido sua “amada” mente. Ele disse coisa com coisa, nada fazia sentido. Aparentemente, o fato de que ELE marcou um encontro com Gaara, tinha sido completamente esquecido. Incrível. Eu tinha que me desligar, para o bem da minha sanidade. Eu cruzei as pernas e encostei na cabeceira da cama, esperando-o sair.

Eventualmente, o silêncio era ensurdecedor em ambos os lados da porta. Esforcei-me para ouvir alguma coisa, qualquer coisa, mas não havia mais nada.

Ótimo. O grande idiota entendeu que não era hora de socializar.

Esfreguei meus olhos cansados, eu não podia chorar mais. Já chega de aborrecimento e qualquer outra coisa. Eu só precisava me forçar a dormir e pela manhã tudo estaria melhor.

Mas então o tilintar de chaves ressoou. Abri meus olhos e encarei a porta, e em seguida ela se abriu. Sasuke tirou sua cópia de chave da fechadura assim que passou para dentro do meu quarto e a guardou no bolso.

— Você acabou de abrir a minha porta? — Eu perguntei o obvio. Me coloquei sentada abruptamente.

— Sim. — Ele marchou para perto, parecendo ter dez metros de altura. Então, de repente parou. — Você estava chorando?

— Não. Eu estou muito bem. Obrigada por perguntar. A minha privacidade, por outro lado, nem tanto! — Tenho certeza de que minha aparência, provavelmente de olhos vermelhos e pele manchada contavam uma história diferente. Mas dane-se ele.

Ele se sentou na beirada da minha cama. Seus ombros largos estavam caídos pela metade, pelo menos.

— Sim, você estava chorando, pare de mentir para mim.

Dai-me força! Como se fosse um crime contra ele, e eu deveria ser aquela a pedir desculpas.

— Meus olhos estão autorizados a fazer o que quiserem, Sasuke. Não há nada no contrato de trabalho sobre isso. — Desviei os olhos até a porta aberta, já em mente que eu teria que trocar aquela maldita fechadura.

— Sakura. — Sua voz era uma suave ordem. — Olhe para mim.

Exalei.

— O quê? O que você quer, Sasuke?

Ele me encarou, prendendo os lábios fechados.

Que confusão. Peguei um travesseiro e abracei-o contra o meu peito.

Parecia não haver indícios óbvios de sua transa com Mei, sem mordidas em seu pescoço ou o que for. Não que isso estivesse me deixando louca, somente sentida com isso. Uma dor de cabeça fraca de todas as lágrimas permaneceu atrás dos meus olhos doloridos. Nós tínhamos começado o dia rindo e provocando um ao outro, como de costume. Era triste tudo ter acabado assim.

O sistema de aquecimento estava ligado e era o único ruído em toda a casa.

Estávamos sentados lado a lado, sem dizer nada.

Estudei-o com o canto do meu olho, suas mãos se mexiam em seu colo, pegando pedaços soltos de fiapos de sua calça jeans preta, alisando-os. Depois ele cruzou os braços sobre o peito. Mas seus dedos continuaram estendendo, em seguida, enrolando, uma e outra vez.

— Você me magoou. — Eu disse, porque um de nós precisava ser corajoso e se confessar.

Ele assentiu fraco.

— Não faça gestos, diga algo. — Esperei um momento. Minha paciência não foi recompensada. — Por que você abriu a porta?

Ele virou o rosto para mim, com os olhos torturados.

— Sasuke?

— Eu não consegui suportar isso, você me bloqueando. — As palavras soaram arrastadas, chutadas e gritadas. — Você deveria ter me respondido. Você não deveria ter... Você não deveria ter me deixado lá fora.

— Por que não?

Seus olhos se estreitaram.

— Que porra você quer dizer com “por que não”?

— Por que eu deveria abrir a porta para você, se você estava gritando comigo? Se tem agido como um idiota completo e feriu meus sentimentos? Pare por apenas um minuto, ponha-se no meu lugar e me diga, por que eu deveria deixá-lo entrar? — Ele fez algum ruído nasal. — E não me venha com essas merdas de “eu-sou-o-chefe”, “é-minha-casa”, “eu-pago-você”.

— Mas...

— Não.

Suas narinas inflaram e emoção brilhou em seus olhos.

— Você não deveria ter se trancado. — Ele disse baixo.

Eu apenas olhei para ele contrariada.

— Eu precisava… — Ele gesticulou como se puxasse palavras. — Eu precisava ser capaz de falar com você, cara a cara, tá bom?

Para ele, isso era tudo. Não havia mais nada além disso.

Palavras se assentaram na minha língua, desesperadas para sair. Levei um momento para limpar minha cabeça, formar uma frase coerente.

— Você precisava falar comigo tão desesperadamente que abriu minha porta contra minha vontade? — Nada dele. — Sasuke, isso soa como uma amizade normal para você?

— Eu sei. Eu estraguei tudo. — Ele disse com a voz áspera.

Eu mantive silêncio. Sentia que ele estava se achando em sua própria mente aos poucos.

— Você. Hoje. Eu estraguei tudo. Sinto muito, Sakura, eu só... Eu agi sem pensar e acabei sendo um estúpido. De novo.

— Honestamente, Sasuke, isso não está me convencendo.

— O que eu faço então? Diga pra mim. Eu não sei como fazer essas coisas. Eu queria consertar tudo, mas eu só ferrei ainda mais. — Com os olhos agitados, ele cerrou os dentes.

Fiz uma pausa. Seu maxilar estava trabalhando novamente, ele realmente parecia arrependido.

— Por que você pirou quando me viu segurando a mão de Gaara?

— Foi apenas impulso. Levo tudo relacionado a banda muito sério… E também estava me sentindo pressionado com todo esse novo projeto. — Ele deu um rosnado baixo e recuou, olhando-me no rosto. — Apenas me diga o que fazer para me desculpar. O que você quer? Eu vou comprar o que for.

— Eu não quero que você me compre nada.

— Então, o que posso fazer?

— Nada. — Eu disse, porque pedir que ele ficasse pelado estava provavelmente fora de cogitação. Implorar para nunca mais ter nada a ver com Mei Terumi ficou em segundo lugar. — Você pode trocar a minha fechadura. Isso seria bom.

— Posso deixar a cópia da chave com você. — Ele parecia tão inflexível, com olhos iluminados com fervor com a ideia de fazer reparos. O problema era que eu não poderia ter o que realmente queria. Nós já tínhamos estabelecido isso.

— Tudo bem. — Eu disse. Mais silêncio. — E você e a… Mei? — Todo o meu corpo se apertou, estava tentando não pensar nela, mas o momento praticamente exigiu que eu pronunciasse o que massacrou metade da minha mente por horas. Um suicídio.

— Eu a levei para um hotel e conversamos por um tempo. Mas depois acabei perdendo um bom tempo te ligando. — Ele respondeu. Olhei seu rosto de perfil, surpresa.

— Você ligou? — Eu perguntei.

— Sim. Você não atendeu nenhuma das chamadas.

— Não, eu estava dormindo. — Eu olhei o celular descansando em uma parte bem distante do criado-mudo.

— Comecei a me preocupar que tivesse ido embora. Que desistiu de mim e foi embora, como ia antes.

— Eu não faria isso sem falar com você primeiro. — Murmurei.

— Eu não tinha certeza. — Ele evitou meus olhos. — Depois do jeito como eu te tratei, pensei que você poderia ter apenas partido.

— Isso é o que interrompeu sua noite?

Ele sugou as bochechas, acenando com a cabeça. De repente, algo fez cócegas em minha barriga, coração, até formigar em minhas mãos. Evitei um sorriso.

— Eu acho que não pensei sobre como seria se você se relacionasse com um deles. — A voz dele quase foi irreconhecível. Talvez a sutileza, ou o toque de sinceridade que amaciava seu tom.

— Você superou isso agora? — Eu olhei diretamente em seus olhos virados para o chão do quarto.

— Sim. — Ele riu. — Não vai acontecer de novo.

Eu assenti.

— Ótimo. Eu gostei de sair com Gaara e gostaria de poder agir naturalmente quando estivermos perto de você.

— Ok. Sem problemas.

Dei um pequeno sorriso. Ele esfregou as mãos e se levantou.

— Então estamos entendidos? — Seus olhos me fitaram de cima.

— Sim.

Ele andou até a porta e depois colocou uma mão no bolso.

— Fique com isso. — Jogou a cópia da chave em minha direção e minha péssima mira não a impediu de se chocar contra minha cabeça.

— Merda. — Esfreguei o local. Sasuke riu silenciosamente, saindo em seguida.

— Boa noite, Sakura.











O bar estilo motoqueiro estava quente e lotado e eu definitivamente não estava me divertindo. Se mais uma pessoa agitada, estranha vestida de couro acidentalmente batesse em mim, eu daria um soco na cara dela. Essa era, aparentemente, a galera de Gaara. Ele parecia conhecer todos aqui. Com certeza, nenhum motoqueiro que se preze pisaria dentro desse lugar. Você não tem que ser de alguma religião para saber que o lugar era o inferno.

Gaara estava a poucos metros de mim, em uma conversa profunda com um cara sobre sua coleção de baixos. Ninguém poderia culpá-lo. Hoje à noite, eu estava oficialmente eleita a pior companhia do mundo, não conseguindo interagir de maneira alguma. Eu brincava com o canudo no meu gim-tônica, empurrando a fatia de limão primeiro para a esquerda, depois para a direita. Para frente e para trás, para trás e para frente.

Eu gostaria de tomar um gole de verdade, isso seria errado. Como se eu estivesse traindo alguém, estúpido, mas é verdade.

Suicide soou no sistema de som e tudo que eu pude fazer foi ficar orgulhosa de está ouvindo a voz perfeita de Sauke cantando pelas caixas espalhadas. Dei um sorriso automático e me animei mais do que qualquer tentativa de conversa com Gaara. Mais uma prova de minha péssima situação. Meu mundo inteiro era Sasuke Uchiha e era a minha maldita culpa. Eu não podia deixá-lo reprimir minha diversão, definitivamente. Era hora de começar a fazer planos novamente.

Entediada, peguei meu celular e comecei a tirar algumas fotos. Os dreds balançando de um dos bartenders do sexo masculino enquanto agitava um cocktail. Uma multidão de mãos dos clientes habituais, rodeando todo o bar, chamando o serviço. Uma foto parcial de um casal, as duas mulheres aproximando-se, de mãos dadas. Todos aleatórios em minhas selfies. Isso era divertido.

Eu alinhava a vista de algumas das garrafas atrás do bar. A TV de tela plana ao lado delas chamou minha atenção e eu abaixei minha câmera. Na tela estava um rosto, um estranhamente familiar. A medula em meus ossos se transformou em gelo.

— Oh, não.

Estava mais arrumada, mas ainda era definitivamente ela, a mãe de Sasuke e de Itachi. Sua pele doente normalmente pálida tinha sido coberta por uma maquiagem berrante. O visual dela era laranja com uns borrados rosa coral ao invés de lábios. Ainda muito magra com todos os tipos de merdas desagradáveis brilhando em seus olhos, a cadela falava algo diante de um microfone. Em seguida uma série de fotos de Sasuke apareceu, ele andando para a reabilitação e outra dele, obviamente, chapado de alguma coisa. Em seguida, havia da própria cobra, sentada em um sofá, derramando seu coração para a câmera. O texto corria ao longo da parte inferior da tela “Mãe de Sasuke Uchiha relata sobre o filho” Eu não podia ouvir nada sobre, por isso me aproximei com pressa e parei próxima a TV.

— Eu sou sem-teto. Estou na rua enquanto ele vive em mansões. Ele virou as costas para mim, porque ele tem dinheiro e fama. Ele tem vergonha do lar amoroso simples de onde vieram. É como uma traição. Meu coração está partido, eu não sei mais o que dizer

Uma lágrima grande e gorda correu pelo seu rosto, deixando uma listra em sua maquiagem. A entrevistadora loira igualmente arrumada esticou, apertando-lhe a mão, oferecendo conforto. Meu estômago revirou enjoado.

— Merda. — Eu murmurei.

— Sakura? — Gaara agarrou no meu braço. — O que está errado?

— Eu tenho que ir. Me desculpe, eu tenho que ir. — Eu me afastei, nem mesmo olhando para trás.

Ele gritou alguma coisa, mas eu não parei. Os saltos não poderiam me levar para casa rápido o suficiente, então eles tinham que sair. Eu pulei, arrancando o primeiro depois o outro, jogando os dois. O frio intenso do concreto picava as solas dos meus pés, sujeira e areia colando a minha pele. Tudo o que importava era chegar em casa.

Tudo que importava era Sasuke.

Por favor, deixe ele ficar bem. Ele não levaria isso muito bem, a sua própria maldita mãe o difamando. A mulher era maldade pura. Meu coração batia forte e suor escorria na minha testa. As pessoas ficaram fora do meu caminho, assustadas, o que era uma coisa boa.

Abri meus braços em uma corrida desnorteada pelas ruas, buzinas, pessoas xingando, mas consegui alcançar um táxi livre. Atirei-me para dentro do carro, batendo a porta. O motorista me olhou com olhos grandes e eu o expliquei tudo da maneira mais resumida, o apressando. Eu o daria quantia que fosse, eu só precisava voltar. Para o meu bem, ele apenas acatou.

Pareceu levar uma eternidade para chegar em casa. Todas as luzes da casa estavam acesas e muitos paparazzis e jornalistas em quantidade. Fiz meu caminho por eles, adentrei aos portões, tendo uma pequena luta contra microfones insistentes que esmagavam minha boca e corri para o interior do prédio. Um filme de terror não poderia ter me deixado mais desesperada.

— Sasuke! — Abri a porta, alarmada. Todos da banda estavam espalhados pelos sofás e poltronas. Olhares voaram da TV onde a entrevista repetia para mim. — Onde está ele?

— Lá em cima, no quarto. — Itachi me respondeu cauteloso.

Eu poderia ter perdido um pulmão ou dois em algum lugar ao longo do caminho, porque tudo o que eu podia fazer era ofegar. Eu tinha que chegar até ele, e isso é tudo o que importava. Minhas pernas queimavam cansadas, e os degraus pareciam montanhas, por isso me equilíbrio se ausentou e eu rolei as escadas sem que pudesse me segurar.

Um grito de dor irrompeu minha garganta.

O corrimão sacudiu e meu braço ardeu do ombro ao cotovelo com o impacto, porém a dor mais insuportável estava em um dos meus pés, a qual pisei em falso. Meu senso de humor ficou homicida, fazendo com que eu me encolhesse. Tudo bem, era um ótimo momento para cair da escada.

Todos correram até a mim. Eu gemi, agarrada a meu calcanhar para tentar amenizar a dor.

— Você está bem? — Itachi segurou minhas costas e Ino me ajudou a ficar sentada. Dor, dor e mais dor. Meus olhos se encheram de água.

— É uma pergunta meio idiota para se fazer a alguém que rolou da escada, não? — Naruto me olhou preocupado. — Foi o seu pé?

Eu assenti.

— O que porra você tentou fazer? — Meu olhar voou para o topo da escada. Sasuke desceu alguns degraus com a testa franzida. Em partes, eu fiquei bem em vê-lo “inteiro”.

— Eu estava tentando chegar até você. Não deu certo. — Minha voz não era alta, era patética e lamuriosa. Eu não choraminguei. Em vez disso, eu segurava meu tornozelo dolorido apertado com as duas mãos, falando uma tempestade de palavrões no interior. — Eu acho que torci.

— Ela está bem? — Isso soou de Mei. Eu nem mesmo sabia que ela estava ali. Seus passos sobre os saltos se aproximaram e ela me deu um olhar cauteloso também.

Ótimo. Todos assistindo a minha desgraça.

— Pegue um pouco de gelo. — Sasuke pediu, ajoelhando ao meu lado. — Sakura, o que diabos você pensou que estava fazendo? Você tentou subir pulando? Pelo amor de Deus.

— Eu acho que não sou tão boa com corridas. — Eu solucei, piscando loucamente, tentando conter o fluxo embaraçoso de lágrimas escorrendo pelo meu rosto, doía como o inferno.

— Deixe-me ver. — Ele levantou minhas mãos, sentindo cautelosamente o meu tornozelo. — Mexa os dedos dos pés. — Eu fiz isso.

— Então provavelmente não quebrou.

— Não.

Com os dedos suaves, ele limpou a sola do meu pé.

— Por que os seus pés estão sujos?

— Sua mãe apareceu dando entrevista na televisão do bar. Alguma vez você já tentou correr com saltos? — Eu perguntei, exasperada.

— Tudo bem, acalme-se. — Sem aviso, ele passou o braço por baixo dos meus joelhos. O outro foi por trás das minhas costas e depois eu fui levantada. Uau, o homem era forte. Não ouvi joelhos rangendo ou quaisquer queixas de dor lombar. Todo o levantamento de peso que ele fazia devia estar valendo a pena. Ele me levou pelas escadas e me colocou em sua cama enquanto eu pisquei as lágrimas dos meus olhos. Meu tornozelo aparentemente tinha sido substituído por uma confusão latejantemente quente.

Eu nunca tinha estado no quarto de Sasuke antes. Ele tinha uma cama muito grande coberta por lençóis pretos super macios — algodão egípcio seria o meu palpite. As paredes eram pintadas de um cinza suave e alguns móveis de madeira escura estavam cuidadosamente organizados. Não admira que ele ficou horrorizado com a vívida aparência do meu quarto. À exceção da lâmpada esmagada no chão, no canto, o lugar estava impecável. Ele me viu olhar para a lâmpada quebrada e não disse nada. As sombras em seus olhos eram uma coisa horrível de se ver.

Maldita mulher do inferno por magoá-lo dessa maneira. Ela já não tinha feito bastante dano quando eles eram pequenos?

— Eu sempre achei que você teria espelhos no teto. — Eu disse, inclinando a cabeça para trás, tentando deixar sua mente livre de todo o drama.

— Eu vou dar um jeito nisso. — Ele se sentou no colchão extremamente grande ao meu lado, colocando meu pé em seu colo. — O que diabos estava passando por sua cabeça?

— Reciprocidade. Seu encontro com Mei foi arruinado por se preocupar comigo, agora eu fiz o mesmo.

Ele deu um riso nasal.

— Eu tive que chegar até você. — Era a verdade simples sem adornos. Não queria dizer que eu precisava estar olhando para ele quando dissesse isso, no entanto. Muito lentamente, eu flexionei o meu tornozelo, virando-o de um lado para o outro. Doía, mas não ia morrer ou desmaiar. Agora parecia uma forma leve de tortura. Meu cenho franziu com uma nova fisgada. — Ai, merda.

— Itachi, chame um médico. — Ele gritou para o corredor. — Eu preciso dele aqui agora.

— Vou chamar! — Ele respondeu distante.

Eu já podia imaginar todos fazendo piadas sobre meu tombo ridículo lá embaixo.

— Aqui. — Naruto entrou, entregando a Sasuke uma bolsa de gelo em um pano de prato.

Ele segurou-a contra o meu ferimento, o frio me arrepiou. O cabelo escuro caiu em torno de seu rosto enquanto ele franzia a testa para o meu pé.

— Você precisa de mais alguma coisa? — Naruto perguntou, pairando a poucos metros de suas costas. Nunca o vi tão sério em toda minha vida.

— Não. — Sasuke disse, olhando para a francesinha dos dedos dos meus pés, cortesia da esteticista que ele tinha pago. — Vamos apenas esperar o doutor.

Lancei um olhar para porta, havia mais deles nos observando.

— Podem ir para casa, se quiser. Eu cuido de tudo. Obrigado por terem vindo. — Sasuke disse olhando brevemente para trás.

Itachi passou o braço em volta do pescoço do Ino.

— Nós vamos ficar até que o doutor chegue. Grite se você precisar de alguma coisa, estaremos lá embaixo. — O irmão mais velho respondeu.

Sasuke assentiu, ainda segurando a bolsa de gelo sobre meu tornozelo. Sua outra mão firmemente apoiava o lado de baixo do meu pé.

O pessoal se retirou aos poucos.

— Sasuke? — A voz de Mei tinha um ligeiro tremor nela. Ela não entrou no quarto, mas permaneceu na porta, nos olhando curiosamente.

— Falo com você mais tarde, Mei.

Ele se quer virou o rosto para respondê-la. Aquilo não foi legal.

— É provavelmente melhor eu voltar para LA. Tenho conexões para começar em poucos dias.

— Certo.

— Ok. — Mei Terumi colou um sorriso bonito. Marca completa dela, a mulher era um inferno de uma atriz, afinal. — Melhoras, Sakura. Nada que um pouco de repouso e remédio não resolva.

Eu lhe dei um pequeno sorriso por sua simpatia.

— E, foi muito bom te rever Sasuke. — Ela finalizou.

— Sim. — Ele nem sequer olhou para ela, o babaca. Era muito tentador chutá-lo com o meu pé bom, fazê-lo ser educado, pelo menos. Mas isso não resolveria nada, isso também seria extremamente hipócrita da minha parte.

Eu e essa dor, nós éramos melhores amigas em vários níveis. Sasuke Uchiha era um inferno no coração de uma garota (e, ocasionalmente, nos tornozelos também).

Mei Terumi saiu.

Por alguns minutos ficamos em silêncio, meu pé lentamente congelando descansando em cima de sua coxa.

— Sasuke?

— Hmm?

— Você vai me dizer porque todos estavam na sala e você no seu quarto?

Seus dedos ficaram tensos em volta do meu calcanhar.

— Eles apareceram com a notícia da entrevista. Sabiam que ia ser difícil para mim. Aparentemente, minha mãe deve ter ganhado para falar sobre isso. Mas quando eu a ouvi falar — Ele fez uma pausa. — Eu apenas me retirei e pedi que ninguém me seguisse.

— Eu entendo. — Eu murmurei.

Seu olhar triste vagou por minha perna, perdido, fundo.

— Você sabe que por mais que ela diga sobre seus vícios, agora você está limpo, você venceu. Aquele Sasuke que ela descreveu não existe mais. Ele mudou, amadureceu e está se esforçando todos os dias para ser melhor. Até se trancafiou do mundo somente pelo medo de errar. Esse é o Sasuke de agora. Ela não te conhece mais. Eu sim.

— É isso que você acha? — Por um momento os seus olhos se fecharam. Então ele voltou a estudar o meu pé, remanejou a bolsa de gelo fria e úmida.

— Eu tenho certeza.

Ele ergueu o rosto e eu estava firme.

— Certo. — Um pequeno sorriso.

Alguém bateu na porta. Uma mulher de meia-idade elegante com cabelo escuro curto entrou, com uma bolsa na mão. Itachi seguiu atrás dela, seu olhar mudando entre eu e seu irmão com curiosidade aberta.

— Essa é a Tsunade. Ela está aqui para ver o pé de Sakura.

— Isso foi rápido.

Por um momento, me senti com vergonha de dizer o que tinha ocorrido.

Sasuke levantou a minha perna de seu colo, saindo debaixo dela.

— Ela tentou subir as escadas pulando e caiu como uma jaca. — Ele disse. Maldito.

Os olhos da Dra. Tsuande cortaram para mim.

Dei de ombros.

— Eu precisava avisá-lo sobre algo. Esqueci que só tenho duas pernas.

— Eu já fui chamada para muitas desavenças de amantes ao longo dos anos, mas essa é nova. — A doutora disse em um tom divertido.

— Oh, nós não estamos envolvidos. — Eu me precipitei, mas a doutora ficou ocupada sentindo o meu pé. Não muito cuidadosa, ela torceu e virou-o, de um lado para o outro. Eu uivava e estremecia quando necessário. Finalmente, ela pronunciou o veredicto de uma torção no tornozelo. Então, após nos dar os medicamentos foi aconselhado para parar o inchaço uma bota ortopédica. A doutora ligou para um dos seus contatos e encomendou uma na mesma hora. Pelo menos isso me tiraria das corridas matinais. Viva a fresta de esperança sobre essa nuvem cinza.

Ela informou a Sasuke que a fatura seria enviada e a bota entregue em alguns minutos e saiu.

— Você vai ter que me levar para cima e para baixo nas escadas. — Eu disse, tentando manter o sorriso do meu rosto. — Você basicamente vai ser meu escravo.

Sasuke suspirou, entregando-me um copo de água para que pudesse tomar duas das pílulas do tamanho de cavalos. Pelo menos parecia ter tirado a sua mente fora de sua mãe. Eu teria preferido um método não envolvendo sofrer danos corporais em mim, mas tudo bem.

— Eu provavelmente vou precisar de um sino que possa tocar quando eu precisar de você. — Eu disse.

— Eu acho que não.

— Você me quer gritando pela casa?

— Visto que você já faz isso, não será uma grande mudança. — Ele retrucou.

Eu dei a ele um olhar sujo.

Itachi entrou e limpou a garganta.

— Hey. Vocês dois estão, obviamente, bem por enquanto, por isso vamos embora.

— Certo. — Sasuke disse. — Se desculpe com todos por mim.

— Fique bem. — Seu irmão se aproximou, agarrando seu ombro, em seguida, puxando-o para um daqueles abraços batendo nas costas. Depois de um momento, Sasuke bateu-lhe com firmeza, em retorno. Um importante passo em frente, foi lindo.

Eu não pude deixar de sorrir com aprovação.

Os dois irmãos falaram em vozes abafadas por um momento e eu fiz o meu melhor para não ouvir. Então Itachi se aproximou, colocando a mão sobre a minha cabeça numa bênção ou algo assim.

— Pega leve, Sakura.

— Vou pegar.

Seu sorriso era grande.

— Cuide dele.

— É para isso que estou aqui.

— Vou dizer aos outros para atualizar você mais tarde. Boa noite.

Eu tenho a nítida impressão de que Sasuke e eu estávamos sendo deixados sozinhos por razões que levam ao romance, pelo primogênito dos Uchihas, principalmente. Seus amigos e familiares, possivelmente tinham ideias sobre nós. Oh bem. Eu não me daria o trabalho de destruir suas ilusões agora. Talvez mais tarde.

Do outro lado do quarto, Sasuke encostou-se à parede, olhando para mim com os olhos encapuzados.

— Como Gaara ficou com você correndo dele?

— Eu não sei, provavelmente não muito bem. — Para ser honesta, nem pensei nele, mas as chances eram, que Gaara e eu estávamos terminados. Deitei-me contra a cama de Sasuke, com meu pé apoiado em travesseiros. — É mais confortável do que a minha cama.

— É?

— Eu só vou tirar uma soneca aqui por um tempo. — Feridos eram autorizados a ter o que quisessem. Todo mundo sabia disso. — Me acorde quando a bota chegar, escravo. — Ele não disse nada, apenas viu como me senti confortável em sua cama. — Esse colchão é maior do que alguns pequenos países europeus. — Eu arrastei o meu casaco para fora de mim em um delicado processo, que envolvia muitos movimentos. Minha camisa subiu e eu puxei-a de volta para baixo sobre minha barriga. — Diga alguma coisa, você está fazendo me sentir estranha.

— Por que você se sentiria estranha, Sakura? Só porque você está rolando na minha cama e se aproveitando da situação?

— Você pode sentar de novo e conversar comigo. — Eu dei um tapinha no colchão ao meu lado em uma forma amistosa e convidativa.

— Nós já conversamos o suficiente por uma noite. — Ele respondeu.

Mas ele fez o movimento para desligar a luz, deixando só o brilho da luminária de cabeceira. Então deu a volta para o outro lado da cama e sentou. Sasuke tirou os sapatos e, Deus me ajude, deitou-se de costas para o colchão. As mãos estavam cruzadas sobre o estômago liso, e ele olhou para o teto, dando-lhe sua carranca habitual de descontentamento.

Sasuke estava na cama comigo.

Juro, minhas entranhas realmente tremeram.

Isso era melhor do que meu aniversário e o Natal juntos, com dores no tornozelo ou não. O homem mais bonito que eu já conheci deitado perto o suficiente para quase tocar. Ele era inteiramente lindo. Ridiculamente assim. Seu rosto de perfil, as curvas de seus lábios e a linha de seu nariz. Eu não tinha palavras para descrevê-lo. Eu não tinha nada. Meu coração batia em dobro, mas eu poderia ignorá-lo.

— Você está bem? — Perguntei com a voz pouco mais que um sussurro.

— Melhor do que você.

Ele disse que tinha falado o suficiente. Então, na minha infinita sabedoria, eu realmente o deixaria em paz.

— Você realmente precisa de espelhos no teto. — Eu disse.

Ele cortou seus olhos para o lado e me deu um olhar impaciente. — De onde diabos você vem com essas ideias? — Eu ri. — Chega. Feche os olhos e vá dormir. Esse foi um dia malditamente longo.

— E quanto a bota?

— Vou levantar quando ela chegar.

— Certo.

Nós não conversamos por um tempo. Então, do nada, surgiu um murmurado: — Obrigado por ter vindo para casa.

O que eu senti em cima de uma de minhas mãos que estavam espalmadas pelo colchão não foi nenhuma aplicação insensata de minha mente. Era a maciez e a quentura da mão de Sasuke, levemente sobre a minha. Eu apenas paralisei. Olhei para seu rosto em busca de algo, mas ele estava virado para o oposto.

Meu coração aqueceu e eu sorri. Me mantive imóvel caso ele mudasse de ideia e recolhesse seu toque.