Sua voz
8 Capítulo 8 - Minhas escolhas são melhores que as suas
Notas iniciais
— Uma pessoa.
Coloquei meu pé do degrau para o chão da sala de estar e dei de cara com um homem elétrico, com mais um de seus moletons caros de esporte. Eram apenas nove da manhã.
— Huh? — Cocei meus olhos.
— Quero que conheça uma pessoa.
— Eu pensei que isso de relacionamento tivesse acabado. — Eu disse. Passei por ele e por seus olhos estranhamente animados e me sentei em uma banqueta. Na mesa, pães frescos e frutas já estavam servidos.
— Não, não acabou. Eu disse, o problema é você. Suas escolhas são péssimas, as minhas não. Agora é minha vez de tentar. — Ele disse. Sasuke sentou-se a minha frente e me encarou por cima da bancada.
— Dispenso.
— Vamos lá, Sakura. — Ele insistiu. — Eu sei que consigo.
Minha boca estava ocupada enquanto eu mastigava um pedaço melão. Isso é, eu não poderia responder.
— Vamos, eu preciso que você aceite. — Sasuke me olhava fixamente. Juntou suas mãos com apreensão e ali eu vi que não desistira até que eu falasse algo. — Responda!
— E porque eu deveria confiar na sua escolha? Você não tem um histórico muito agradável de boas companhias. — Eu respondi após engolir meu café da manhã.
Ele fez uma careta.
— Quando foi que eu te coloquei em uma enrascada?
— Isso é porque eu nunca deixei.
— Isso é porque você não tem motivos. — Ele debateu. — Veja, essa é a primeira vez. Estou colocando desempenho em te ajudar devido a lista, nada mais justo do que você deixar eu continuar com os itens.
— Eu já fiz o item de relacionamento. Duas vezes. Minhas frustrações não foram suficiente?
Ele negou.
— Pra mim sim. — Levei outro pedaço de melão a boca a enchendo de propósito para não persistir, mas o astro do rock tinha outros planos.
— Você vai fazer isso. — Sasuke se levantou e me olhou decidido. Oh, isso não funcionava comigo. Dei a ele meu olhar de tédio e mal humor. — E o encontro já está marcado.
Pedaço da fruta quase engasgou em minha garganta e eu precisei cuspi-la na mesa, nada legal.
— O que você disse?
— Eu sei que estou fazendo o certo. Sei que você vai se dar bem nessa e esquecer esses contratempos que teve com esses… Estranhos.
— O úncio estranho aqui e você com essa conversa de cupido. Eu já disse que não quero mais encontros! Porque você não experimenta isso? Deve dá certo pra você, com certeza. — Me levantei, saindo de perto. O bastardo estava me seguindo.
— Não sou eu quem preciso seguir a maldita lista. — Sua voz soou atrás de mim. — Você está quebrando as regras.
— Não, você está quebrando as regras! — Me virei para ele, estupefata. A proximidade em que ficamos me desconcertou um pouco, logo voltei a caminhar novamente. Antes de alcançar as escadas, Sasuke se colocou a minha frente, me impedindo.
— Me dê uma chance, Sakura. — Ele pediu. — A pessoa que contatei está ansiosa com essa saída e eu não teria cara para desmarcar.
— É uma pena, pois você terá que fazer isso.
— Não, eu não posso.
— Não será tão díficil. Afinal, você mal vê outras pessoas, é só excluir o contato dele e bloqueá-lo das redes sociais. — Dei um sorriso irônico e tentei desvencilhar, mas ele não cedeu espaço.
— Não é tão fácil assim. Essa pessoa não pode ser facilmente descartada como outra comum… Quer dizer, ele vive muito mais perto do que qualquer outra.
A curiosidade me atingiu assim como a descrença. Suas palavras não me deram escolhas se não pensar que ele…
— Não me diga que você…
— Sim. — Ele assentiu. Não sei se foi a mesma conexão de frase, mas sua continuação confirmou essa hipótese. — É um dos caras da banda.
— Puta que pariu. — Meu queixo caiu. — Me diz que isso é brincadeira!
— Eu gostaria.
Dei um passo para trás, incrédula.
— O que você disse? — Eu o olhei em repreensão. — Deus, o que você disse, Sasuke?
— Não foi eu que inciei isso, tá legal? — Ele levantou as mãos para alegar sua inocência e se afastou para o centro, sobre meu olhar. — Foi ele quem sugeriu um possível encontro por te achar… Interessante.
Pelo amor de Deus. Um dos caras da banda me achava interessante? Isso não tinha como ser mais estranho. Tudo parecia uma grande brincadeira de mal gosto, eu estava quase olhando ao redor a espera de pessoas rindo da minha cara.
— Se você tiver brincando é melhor parar. Eu estou ficando bem irritada. — Meu timbre ameaçador não causou efeito algum. O sorriso que Sasuke dei foi no mínimo desafiador.
— Quer pagar pra ver?
— Qual deles? — Eu perguntei.
— Gaara.
Gaara. O ruivo que esteve aqui algumas vezes. Não, os olhares que ele me dava não passavam de indiferentes. Impossível.
— Você está mentindo.
Ele bufou.
— Ele pediu o seu número hoje pela manhã e eu dei. — Ele respondeu.
— Mentira.
— Provavelmente vai te chamar para fazer algo hoje a noite. E você vai.
— Você está mentindo. — Repeti. — Sim, eu tenho certeza. Você não faria isso comigo.
— O que há de errado? — Suas sobrancelhas franziram. — Eu já disse que não fui eu que comecei.
— Ele não mostraria interesse assim do nada a menos que você tenha contato sobre meus encontros. Isso é frustrante, Sasuke! Eu pensei que esse tipo de coisa ficaria entre nós, não é algo que você use para conversar com seus amigos.
— Você está enganada. — Ele me encarou sério. — Gaara comentou de você sem qualquer motivação. No dia em que estávamos discutindo sua demissão aqui na cozinha, ele veio comigo para te ver.
Meu rosto esquentou um pouco. Apenas um pouco. Não é todo dia que você descobre que um homem influente, bonito e famoso tem interesse por você. Aos pouco minha defesa e descrença por ele foi desaparecendo.
Tudo fazia um pouco mais de sentido agora. Gaara era o único da banda que era solteiro.
— Quando ele disse, você estava com Neji e eu não poderia falar a respeito. Eu nem mesmo sabia se você gostaria do cara, então levei apenas como um comentário aleatório. Mas, hoje de manhã ele me ligou e reforçou o comentário.
— O que ele disse? — Perguntei. A curiosidade quase me corroía.
— Que estava interessado.
— Direto, não?
— Sim. Por isso, não hesitei em dar o seu telefone.
Fiz uma pequena pausa.
— Acho que ele devia ter falado comigo em vez de mandar recado, isso ainda me soa estranho.
— Ele apenas receou minha intervenção. Eu sou o seu chefe e tinha todo o direito de não permitir essa aproximação por precaução, já que estamos todos ligados. Uma desavença entre minha assistente e meu parceiro de banda não seria legal. Mas deixei claro que não me importo.
Assenti lentamente.
— E então, Sakura?
— Eu tenho mais alguns minutos para continuar achando tudo bizarro. Posso?
— Você quer pensar? — Ele perguntou assombrado. — Qualquer mulher no mundo não perderia essa chance. Gaara é o melhor de todos nós. Não no sentido de beleza, claro.
— Cala a boca.
— E então?
— Se eu for nesse encontro e não der certo? Isso vai ser constrangedor.
— Vai dar certo. Ele vai fazer dar certo.
O som do meu celular ecoou do quarto pelas escadas.
— Ele está ligando. — Sasuke disse. Eu não confiava no sorriso de seu rosto. Eu não acreditava em nada, para ser exata. Ainda assim fui até o quarto e encontrei o celular já mudo. Uma chamada atendida de um número desconhecido e em seguida uma nova mensagem. “Posso te levar pra sair hoje a noite? Aguardo sua resposta. Gaara.”
— Ah meu Deus. — Eu murmurei para o celular e a sombra de alguém passou por minha visão desfocada. Sasuke se apoiou no batente da porta me dando um olhar glorioso.
— E então?
— É ele. — Eu o olhei com os olhos grandes.
— Se não quiser ir, diga você a ele. — Ele disse. Voltei meus olhos para a tela acesa e encarei sua mensagem um pouco mais antes de enviar a resposta.
♫
— Diga uma palavra sobre o que estou vestindo e vou chutar você. — Eu disse ao homem que estava sentado no degrau inferior e eu quis dizer cada palavra da forma mais ameaçadora possível.
— Eu não ousaria. Quando ele vai chegar? — Sasuke olhou para cima, verificando meus jeans e blusa preta apertada. Deus sabe que eu tinha atrativos, e poderia muito bem usá-la.
— Em alguns minutos. — Eu disse. Me sentei ao seu lado no degrau. Nervosismo engolindo meu estômago ainda mais forte do que das outras vezes.
— Hm. Espero que se divirta dessa vez.
Algo em sua voz me fez parar, uma pitada de solidão ou uma certa tristeza que não tinha ouvido antes. O homem parecia quase beirando o desânimo. Irritadiço e mal-humorado era normal, não se tratava disso.
— Nenhum dos caras vai vir aqui? — Perguntei. — Você não quer sair com eles?
— Estaremos juntos todos os dias em turnê. Não é preciso começar agora.
Eu não gostei disso, mas fazia sentido.
— Vai assistir algum dos seus filmes sangrentos? — Eu o olhei de lado.
— Não estou com humor para assistir TV.
— O que você vai fazer, então?
Ele gemeu.
— Eu sou um homem crescido, Sakura. Posso me entreter.
— Eu sei que você pode. — Abracei meu casaco e minha bolsa na frente de mim. — Mas eu poderia me apressar se você não tiver nada para fazer. Eu voltaria mais cedo e então nós assis...
— Eu não preciso de você por perto. — Sua voz grossa cortou a minha.
Hesitei enquanto seus olhos frios me observavam. Quando ele virou o rosto novamente para frente, fiquei em silêncio.
A situação me levou a pensar sobre o que aconteceria com Sasuke se eu fosse embora. Não importa quanto gelo recobria o seu olhar, ele não estava congelado por dentro, ele só gostava de fingir. Mas eu tinha visto a sua dor e sua insegurança. Acho que a cada dia eu o conhecia a ponto de desvendar certas das suas atitudes.
— Eu acho que você deveria sair também. — Eu disse em um tom aconselhador.
— O quê?
— Eu acho que você também deveria se aventurar por aí, encontrar alguém, conhecer pessoas. E não vem com esse papo de ser astro e poder fazer o que quiser, a questão é que você não faz. Eu nunca vi uma pessoa famosa tanto tempo trancafiada como você.
Ele fungou.
— Eu estou bem como estou. Fiz muito isso em minha vida, não me faz falta.
— Escondendo-se aqui, escondendo-se do mundo? Isso não é uma solução legal. Você poderia ligar para alguém divertido que conheceu e marcar um encontro para relembrar, por exemplo.
— Não, você está certa, Sakura. — Ele bateu as mãos, esfregando-as rapidamente. — Já sei, vamos para o meu bar favorito e curtir por um tempo. Nós vamos beber umas para relembrar os velhos tempos e então eu posso pegar uma garota ou duas, trazê-las aqui para brincar. Parece divertido, não é? Eu acho que todos nós nos divertiríamos. — Sua voz irônica me fez lhe dar um olhar repreensor. — O que, você não gosta dessa ideia?
— Não estou dizendo para voltar a fazer as coisas erradas de antes. Apenas curtir de maneira saudável. Vai fazer bem pra você. — Eu respondi.
— Oh, por favor.
— Eu acho que você precisa de mais. — Minha voz era enfática. — Você precisa de amigos fora eu e a banda.
— Então eu preciso sair para fazer você se sentir melhor?
— Não, Sasuke. — Eu apertei meu casaco contra meu peito como um escudo. — Tudo isso seria somente para você. Eu sei que está pronto para enfrentar o mundo com mais força agora. Você pode encontrar inúmeras coisas longe de suas fraquezas e pode se divertir com elas.
Ele me deu uma lenta salva de palmas.
— Isso foi lindo, Sakura. Como poesia. Eu acho que quase chorei.
— É a sua vez de estar de TPM, o que é isso exatamente? Você precisa de um abraço? — Girei o corpo para o lado. — Porque eu estou tentando entender o que motiva esse seu lado desprezível de zombar da ajuda de alguém. No final do dia, você é um homem crescido no controle de si mesmo. Mas você sempre escolhe agir como um idiota absoluto e afastar as pessoas que se importam com você no processo. Explique isso para mim.
— É um dom.
— Tente novamente. — Eu me elevei sobre sua forma sentada em meus calcanhares, furiosa. O homem tinha muita sorte de não haver armas à mão. Então, lentamente, ele se levantou, com o comprimento sólido dele quase me obrigando a dar um passo atrás. Só que me recusei. — E então?
A borda de sua boca se curvou para cima.
— Você nunca desiste, não é?
— Por que diabos eu iria?
Quase parecia haver uma pitada de cinza em seus olhos. Como se ele tivesse visto demais. Sua voz se suavizou.
— Tão destemida.
— Não, eu apenas me recuso a ter medo de você. — Eu disse. — Eu acho que muitas pessoas ao longo dos anos têm adquirido o hábito de correrem para fazer os seus comandos por medo de ser alvo de seus comentários sarcásticos, ou o mero indício da famosa raiva Uchiha. Besteira. Eu não vou ser assim com você. Você não é uma criança cansada tendo um chilique, você é um adulto. Você pode controlar a si mesmo se você escolher. E é hora de você escolher. Se reprimir do mundo não vai te fazer melhor. Viver nele e enfrentá-lo vai.
Ele apenas olhou para mim, com o rosto inexpressivo.
— E então?
Ele desviou o olhar do meu.
— Você está certa, eu fui um idiota com você agora.
— Eu sei. — Eu respondi de volta.
O sorriso estava em seus olhos mesmo faltando em sua boca. Ele estudou o meu rosto, tomando seu tempo.
— Você realmente não precisa ter medo de mim. Eu nunca vou te machucar.
— Eu sei disso também. — Não, de propósito ele não faria. Nunca de propósito.
— Certo.
Eu sorri. Algo em mim me dava sensação de paz perante suas palavras. Eu sentia que ele havia acatado. Como se eu conseguisse empurrá-las para dentro de sua armadura.
A campainha tocou. Gaara havia chegado.
— Pense no que eu disse. — Eu disse, ainda encarando-o.
Ele exalou então me deu um aceno relutante.
— De acordo.
♫
— Você conseguiu entender?
— Deus, eu sinto muito. — Eu disse, piscando freneticamente a procura de informações. — Você está me explicando tudo sobre seu baixo e eu não consegui decorar uma só palavra. Sou péssima com música.
Gaara me deu seu sorriso torto. Porra, ele era bonito. Cabelos vermelhos caindo sobre a testa e um piercing de prata nos lábios, olhos verdes me olhavam com fraco humor. Ele tinha tatuagens nos braços e aquilo o dava todo o charme. Sim, eu já o vi em muitas revistas de moda por seu estilo tão radical. Sem dúvidas, ele merecia toda a divulgação e tudo o mais.
O celular em minha bolsa vibrou me fazendo saltar um pouco e eu automática o peguei. “Uma nova mensagem de Sasuke”. Hesitei em abrir porque eu sentia que era uma das suas zoações e eu não podia ser tão mal educada. Mas por outro lado, acabei ficando preocupada. E se fosse algo grave? Tipo um acidente? Não, ele definitivamente não se encrencaria assim. Eu acho. Nesse meio tempo de decisão, Gaara se remexeu e eu vi o quão terrível eu estava sendo.
— Me desculpa. — Eu me apressei. — Estou sendo rude em mexer nisso, mas eu vou guardá-lo agora mesmo. — Deslizei a coisa estúpida para dentro de minha bolsa novamente.
— Eu tenho consciência que você é assistente do Sasuke. — Ele disse. — Se foi ele quem mandou a mensagem porque precisa de você, eu não me importo de continuar esse encontro uma outra noite.
— Isso é muito legal da sua parte, mas ele está bem. Ele me queria fora da casa, então ele provavelmente precisa de algum espaço.
Gaara assentiu.
— Eu acho que é ótimo o jeito como ele superando tudo isso, sabe?
— Sim.
— Não foi fácil.
— Não.
Ele pegou o rótulo na sua garrafa de cerveja. Em torno de nós, pessoas legais festejavam no bar no subsolo. Havia uma jukebox cantando clássicos do rock, um par de máquinas de fliperama e uma mesa de bilhar. O lugar tinha uma vibração boa, sombrio, com piso pegajoso e eles também faziam batatas fritas com pimentas impressionantes. Eu coloque uma em minha boca e me controlei para não soltar fogo.
— Desculpe. Acho que não quero falar sobre ele. — Gaara disse, me chamando de volta ao presente mais uma vez.
— Ah, claro. Do que você quer falar?
Sim, eu estava sendo inconveniente. Como diabos eu poderia escolher esse assunto tão delicado?
— Que tal de você?
Soltei um riso.
— Acredite, eu não tenho nada de bom para te oferecer.
Ele balançou a cabeça, com os olhos brilhando. Um homem tão bonito e simpático. Sua atenciosidade a forma em que se mostrava interessado só o deixavam mais atraente. Eu não era nenhuma top model, nem uma atriz loira e magra. Me perguntei porque diabos ele havia se interessado em mim. De vez em quando, seu olhar caía para os montes de meus seios. Eu poderia perdoá-lo e, na verdade, eu até que gostei. Ser apreciada como uma mulher de verdade era uma sensação boa, uma que eu não tive há muito tempo desta forma.
— Eu também não tenho muito o que dizer além da música. — Ele disse.
— Acho que temos um problema grave aqui.
Nós dois rimos.
— Sabe de uma coisa? — Dois copos foram postos em nossa mesa. A garçonete encarou Gaara com seus imensos peitos fartos e amostra, mas não foi notada. Os olhos verdes estavam em mim, a espera da minha continuação. — Eu ainda não acredito que você me convidou para sair assim do nada.
— Porque não? — Ele puxou um copo para boca, seus olhos verdes nunca me abandonando.
— Foi estranho. E repentino. — Meus olhos se arregalaram. — Oh Deus, Sasuke está te pagando para sair comigo?
— O quê? Porra, não, claro que não. — Gaara recuou. — Por que você pensaria isso?
Minha testa se reuniu a mesa, cabelos róseos caindo ao meu redor em uma cortina para esconder a minha idiotice.
— Sakura?
— Eu sinto muito por ter duvidado do seu caráter.
— Sakura, olhe para mim.
Uma mão suavemente aplicou pressão embaixo do meu queixo, incentivando-me a subir. Seus olhos eram tão maravilhosamente verdes que você quase tinha que perguntar se eles eram lentes de contato. Não que isso importasse, eu estava grata que eles não eram pretos gelo. Também o rosto de Gaara era mais amplo do que o de Sasuke, menos esculpido. Ele não era tão alto, mas ele estava olhando para mim como se ele gostasse do que via, como se eu encaixasse em seus critérios, ou o que quer que fosse. Sem desdém, sem impaciência. Era refrescante.
— Então... — Eu murmurei. — Vamos esquecer que eu perguntei isso.
Sempre tão cuidadoso ele colocou meu cabelo para trás das minhas orelhas. O contato foi surpreendente, mas eu continuei imóvel, deixando Gaara se aproximar, curiosa para saber onde isso podia ir.
— Eu tenho atitudes estranhas as vezes. — Eu disse. — Acho que isso me destaca das pessoas normais.
— Certo, vou decorar isso. — Ele sorriu. — Eu acho que o que temos aqui é uma oportunidade para se divertir. Podemos não conseguir uma conversa boa que flua, então, com isso em mente, você quer dançar comigo, senhorita Sakura?
Meu sorriso pode ter sido lento, mas era totalmente genuíno.
— Eu gostaria.
Foi divertido. Foi muito divertido. Quando acabamos de nos chocar em uma tentativa de dançar de acordo com a música, o bar estava vazio. Gaara pagou a conta e depois caminhamos a risos para o estacionamento. Depois de me oferecer carona, nossa conversa fluiu muito melhor enquanto ele dirigia pelas ruas vazias da madrugada.
— Um integrante de uma banda de Rock deveria saber mexer os pés. — Eu disse do banco carona.
Gaara gargalhou.
— Eu acho que não.
— Você é péssimo. A pessoa que convida, geralmente sabe dançar.
— Você quer parar de me ofender? — Seu olhar divertido quebrara sua repreensão. — Isso não é legal.
— Você pode me processar, se quiser. — Eu dei de ombros. — Mas nada vai mudar esse fato. Diante das câmeras, enquanto a polícia me leva para dentro, eu vou gritar que você é um péssimo dançarino.
Outra gargalhada, ele me empurrou levemente com a mão e a outra permaneceu no volante, fazendo a última curva.
— Você é malvada.
O carro parou aos poucos e eu desprendi o cinto de segurança.
— Um minuto. — Gaara saiu pela porta com pressa e abriu a minha, ao lado de fora. O suor na parte de trás do meu pescoço de dançar me deu arrepios no ar frio da noite quando sai e meu corpo sentia-se agradavelmente cansado, meu cérebro estava a passos lentos para dormir.
— Eu tive uma boa noite. — Eu disse, oferecendo a Gaara minha mão.
Com um sorriso, ele pegou, me puxando suavemente em direção a ele. Seus lábios tocaram os meus. Lábios quentes, respiração quente, tudo quente, e seu rosto estava tão perto. Eu não fechei os olhos, eu acho que eu estava um pouco atordoada. O momento tinha penetrado sobre mim, bobo, mas é verdade. Meu Deus, seus cílios eram muito longos. Além disso, eu nunca tinha beijado ninguém com um piercing no lábio antes. Metal pressionado contra o lado da minha boca, era uma sensação estranha. Vi também a tatuagem em sua testa camuflada pelos fios. Era linda. Quando seus lábios se partiram e sua língua entrou em minha boca, eu finalmente pesei as pálpebras para corresponder. Línguas se encontraram e foi agradável, mas não demorou. Afastei o rosto timidamente. Ele deu um passo para trás e sorriu.
— Eu gostaria de fazer isso de novo.
— Eu também gostaria. — E eu quis dizer isso, tivemos uma grande noite.
Ele deslizou as mãos nos bolsos da calça jeans.
— Eu te vejo de novo, então. — Eu remexi na minha bolsa procurando as chaves das grades, já as acolhendo em minha mão. — Boa noite.
— Boa noite.
Logo eu dei passos até o portão e comecei a abri-lo. Olhei para trás antes de entrar, Gaara acenou. Eu acenei de volta. Então ele ficou na calçada, esperando até que sumisse.
Hoje à noite tinha sido muito melhor, não havia realmente nenhuma comparação. Gaara era ótimo. Gentil, inteligente, lindo, atencioso e ainda me surpreendeu com um beijo suave no final. Foi doce.
Sasuke ficaria satisfeito.
♫
Nós estávamos do outro lado do quarteirão, na manhã seguinte, quando Sasuke parou, sua respiração estava arfante. Não, tudo bem, essa era minha respiração. Sasuke não estava nem mesmo respirando pesado, apesar da corrida ter me dividido por dentro de alguma forma. Não poderia ser saudável.
— Você chegou tarde na noite passada. — Ele inclinou à cintura, se alongando.
— É. Você já estava dormindo. — Respondi ofegante.
— O que fizeram?
— Dançamos. — Não é de admirar que as minhas panturrilhas estavam implacáveis nessa manhã.
Sasuke fez algum barulho. Eu não sabia o que isto significou.
— Pensei sobre o que você disse, sobre eu reencontrar pessoas.
Eu tentei manter minha surpresa fora do meu rosto.
— E?
Aparentemente as árvores da rua eram fascinantes porque seu olhar ficou colado nelas.
— Liguei para uma velha amiga. Ela, ah... Ela ficou sóbria recentemente também, passou por uma reabilitação. Nós conversamos por um tempo. Ela está pensando em vir para o Japão, para recuperar o tempo perdido.
— Sasuke, isso é ótimo. — Eu tentei sorrir. Juro por Deus, eu dei tudo de mim, mas meu rosto estava duro, falso. Recuperar o tempo perdido pode significar muitas coisas. Para minha mente distorcida, recuperar o tempo perdido estilo astro do rock tinha tudo a ver com sexo e nada a ver com bolo e café com lembranças agradáveis. Afinal, era de Sasuke Uchiha que estávamos falando. Sua abstinência sempre me surpreendeu. Ele era um grande animal tão mal-humorado rondando a casa, mordendo e rosnando. Com muita facilidade, minha mente fornecia imagens sinistras dele afundando seus dentes em alguém, língua lambendo, unhas arranhando. Oh, Deus, agora eu estava ofegante por uma razão completamente diferente. Minha mente imunda estava fora de controle.
E pensar que tinha sido minha idiota ideia brilhante. Deus, eu me odiava.
— Ótimo. — Eu disse, tentando evocar imagens mentais de Gaara. Tão bonito e doce e outras coisas, muito mais ao meu alcance. Ele não tinha desgosto escrito sobre ele do jeito que Sasuke tinha.
— Sim. — Finalmente ele olhou na minha direção e eu escondi a minha miséria o melhor que pude. — Olha, Sakura. Lamento que eu fui um idiota quando você sugeriu, acho que você me pegou de surpresa.
— Você está se lamentando diretamente? — Ele assentiu — Uau.
— Pare com o teatro. — Ele murmurou.
— Você pode apenas dizer isso mais uma vez para mim?
Ele revirou os olhos.
— Eu lamento.
— Tudo bem. Não faça isso de novo ou eu vou chutar a sua bunda com um Scarpin bicudo.
— Você é quase a metade do meu tamanho.
— Ah, mas eu sou altamente motivada e possuo uma excelente seleção de botas de bico fino. Considere-se avisado.
— Certo. — Ele disse com a voz em algum lugar entre cauteloso e divertido. Mal sabia ele exatamente quão séria eu estava. Algumas dessas botas poderiam fazer um dano real se chutado com força.
Então ele se aproximou, inspecionando a área geral da minha boca.
— O quê? — Eu perguntei, meio tentada a cobrir o rosto com a mão.
— Você tem a pele um pouco arranhada por barba.
— Oh. — Esfreguei meus lábios, não que isso faria qualquer coisa além de torná-lo pior. O sentimento de culpa se esgueirou dentro de mim por algum motivo, como se beijar no primeiro encontro fosse um crime. Tudo tinha acontecido tão rápido. Gaara deu um passo perto de mim e seus lábios estavam nos meus e eu deixei.
— Como foi? — Ele perguntou, ainda de pé muito mais perto do que o necessário, ainda olhando fixamente para os meus lábios. O medo do olhar estranho em seus olhos me manteve imóvel. Exatamente o que ele estava perguntado, eu não queria saber. E se eu não perguntasse, eu poderia fingir que ele quis dizer da comida da noite passada ou algo igualmente inofensivo e não em relação ao beijo.
— Foi... Bom. — Eu respondi.
— Bom. — Ele disse, em voz baixa e hipnotizante. — Até que ponto você o deixou ir? — O olhar dele percorreu meu pescoço, meu peito, e onde quer que ele olhasse, acendia. Eu estava suada, descabelada, e fedendo. Quando ele me olhava desse jeito, isso não importava. Levou toda a minha contenção não cruzar os braços sobre o peito. Eu só podia esperar que o meu moletom com capuz fosse grosso e largo o suficiente para esconder qualquer evidência de excitação. Meus mamilos estavam em contínuo entusiasmo pelo homem, era uma coisa terrivelmente equivocada.
— O-o quê? — Eu perguntei.
— Debaixo de suas roupas ou por cima?
— Eu não vou contar isso.
— Estou pensando sobre isso. — Ele meditou. — Você não me parece o tipo de dar cedo demais.
Empurrei os meus ombros, ficando em linha reta.
— Você está certo, Sasuke, eu sou uma pessoa pura e inocente. Minha capacidade de manter as pernas fechadas e apertadas é uma inspiração para as freiras. Agora podemos parar de falar sobre isso?
— Você está desconfortável?
— Oh, como se isso não fosse o seu objetivo aqui.
O canto de sua boca se contorceu.
— O que posso fazer? Estou curioso. Fui eu quem formou esse encontro.
— Obrigado por isso. Mas espero que você saiba o que a palavra “privacidade” significa. — Eu coloquei meus pés em movimento novamente, andando aos tropeços quando ele passou por mim correndo.
Um momento depois, ele diminuiu os passos ao meu lado. Como sempre, suas pernas longas e níveis de aptidão fizeram uma paródia da minha falta de fôlego.
— Vamos, Sakura. Você não pode me deixar viver um pouco indiretamente através de você?
— Não. — Comecei a correr um pouco.
— Sua resistência está melhorando. — Ele olhou para meus pés rápido. — Estou orgulhoso.
— Não se iluda, eu estou morrendo. — Eu respondi em um sopro, parando qualquer movimento. Começamos a andar novamente. Passos lerdos e lentos.
— Bom. Então você vai sair com ele de novo?
— Ainda estamos falando sobre isso?
— Sim. Você vai dá a ele um segundo encontro?
Eu gemi.
— Vou.
— Hm. — Ele fez alguns movimentos com o braço. Maldita energia. — Me dê uma resposta mais positiva para inflar o meu ego de um grande acerto, vamos lá.
Revirei os olhos. Meu último suspiro saiu em bom som.
— Ok. Foi muito divertido estar com Gaara. Por um lado, ele não me incomoda com perguntas pessoais inadequadas, como você faz.
— Você vai transar com ele?
— Sasuke!
— O quê? — Ele mal escondeu um sorriso afetado de volta. — Qual é o problema?
— Estou certa de que havia algo no contrato de trabalho sobre nunca levantar o assunto de sexo. Além disso, você está sendo rude.
— O contrato de trabalho? — Uma sobrancelha se ergueu. — Acho que estamos um pouco além disso, não é?
Ele tinha um ponto.
— Provavelmente, sim.
— E se ele tivesse levado você a um restaurante caro? Será que você o deixaria te tocar, então?
— Você está sugerindo que eu me prostituiria por uma toalha de mesa de linho e uma refeição de três pratos?
— Apenas querendo saber. Você não seria a primeira. — Suas mãos se estenderam.
— Puta merda, você está falando sério? — O homem fazia minha cabeça girar em todas as maneiras. Nós realmente vínhamos de mundos diferentes. — Isso é tão... Incrivelmente...
— O quê?
— Triste. Apenas triste. Sasuke, você precisa mirar um pouco mais alto. Tente se envolver com pessoas que não vão cair sobre suas costas com as pernas abertas com base só no comprovante do seu saldo bancário.
— Isso mantém a vida simples e fácil.
— Fá-cil? Sabe, fácil não parece ter feito muito bem a você. Na verdade, fácil te fez fez ver o mundo de uma péssima forma. — Ele revirou os olhos enquanto eu falava. — Desse jeito, você nunca vai poder confiar em ninguém se essas pessoas sempre serão atraídas por esse seu jeito.
— Se isso não acontece no primeiro encontro, por que voltar para mais?
— Hmm, eu acho que você precisa descobrir isso por si mesmo. — O mundo turvou por um momento e eu pisquei o pingo de suor dos meus olhos. — Você só sai com uma mulher, se você quer fazer sexo com ela?
— Praticamente... — Ele empurrou o cabelo para trás. Apenas consegui manter o meu suspiro luxurioso para mim mesma. Era realmente muito triste o quanto eu gostava de uma coisa tão simples.
— E sobre essa garota que está chegando para visitá-lo?
— O que tem ela?
— Bem, ela é apenas para o sexo ou você realmente vai tentar ter algum tipo de amizade com ela?
— Eu não sei. — Ele disse. — Ainda não pensei sobre isso.
Meu coração apertou.
Esfreguei meus olhos com as palmas das minhas mãos. Suor estúpido, tão bagunçado e inconveniente.
— Então, você está disposta a fazer sexo no terceiro ou quarto encontro? Mais ou menos?
Eu parei, olhando para ele com admiração absoluta.
— Eu te pergunto quantas vezes você se masturba, Sasuke?
— Pelo menos uma vez por dia, ultimamente. — Ele jogou a informação ao vento, como se nem mesmo importasse. — Minha libido meio que desapareceu por um tempo, mas está de volta com força total. Você provavelmente está certa com a ideia de me relacionar, porque se eu não conseguir alguma coisa em breve eu vou quebrar a porra do meu pulso.
— Pare com isso! — Tapei minhas orelhas, tomando respirações profundas, igualadas. Essa era a chave. Quaisquer imagens chocantes de Sasuke se masturbando apenas podia ficar fora da minha mente, minha mente suja obscena, de forma excessivamente descritiva. — Nós não somos o tipo de amigos que falam sobre essas coisas.
— Você leva o sexo muito a sério.
— Você que é inconivente. — Acelerei meus passos.
O riso me seguiu durante a maior parte da corrida de volta para casa.
A campainha soou pouco depois das duas da tarde. Na segunda sala, que ficava no final do corredor principal, a banda e a equipe estavam fazendo música após um almoço constituído por tudo o que tinha na geladeira. Eu já tinha alertado os nossos fornecedores para a necessidade de mais. Eu sugeri a Ino, Zabuza e os demais assistentes para fazermos todo o lance do trabalho de música na casa de Sasuke. A sala de estar era grande e estava vazia, nada melhor do que ocupá-la. Muitos equipamentos de músicas, instrumentos e caixas foram trazidos. A arrumação levou cerca de uma hora até que os instrumentos ecoassem pelas caixas amplificadoras. Microfone, gravador, até uma imitação de bateira estava lá. Todos estavam muito felizes e animados com o novo projeto. Foi bom vê-los tão unidos, principalmente Sasuke.
Gaara era o único que não havia chego. Ele teve que voltar para pegar os cabos que faltaram e eu acabei não o vendo. E para ser honesta, eu queria vê-lo. Andei todo o final do corredor até a porta para atendê-la. Apenas no caso de haver algum paparazzi aleatório, eu afrouxei meu rabo de cavalo para esconder o rosto. A tela da câmera de segurança mostrava uma mulher escultural solitária do outro lado da porta. Grandes óculos escuros escondiam seu rosto. Hmm, interessante.
— Olá? — Eu estava de volta, abrindo a porta apenas o suficiente para obter uma boa olhada nela. Em seguida, todo o meu mundo parou ao reconhecê-la.
Mei. Fodida. Terumi.
A estrela de cinema.
Essa que era a velha amiga de Sasuke e tinha, obviamente, não perdido tempo e vindo para o Japão. Meu coração gradualmente reiniciou, lento e doloroso era o caminho. 1,83m de mau caminho e pele sedosa, com cabelos ruivos brilhosos olhou para mim por cima dos seus óculos de marca. Eu seria a vespa atarracada em jeans e uma camiseta de manga longa então. Ela usava sandálias de tiras bonita, apesar do clima frio e úmido e até mesmo sua pedicure estava impecável. Por causa do meu orgulho, não poderia a mulher, pelo menos, ter uma unha lascada ou algo assim? Certamente, não era demais para pedir.
Minha própria culpa na verdade, eu acho que é o que você tem por se apaixonar por um Adônis do rock 'n' roll. Suas ex-namoradas ou amigas de foda ou qualquer coisa que Mei seja, eram obrigadas a ser impecáveis. O cuidado que ele tinha com seu cabelo eram provas suficientes. Como se ele só aceitasse um corpo nada menos que o melhor.
— Oi. — Eu disse. Com uma voz “pequena”.
— Sakura? — Com uma mão ela baixou os óculos. — Você é Sakura não é? Sasuke me falou de você, disse que você estaria aqui.
Eu pisquei.
Ela estendeu a mão.
— Ah.
Minha mão tremia muito antes dela começar a sacudi-la. Felizmente, ela pensou que eu estava fascinada com sua beleza. Deixe a dama achar o que ela quisesse.
— Entre, por favor.
— Obrigada. — O sorriso dela vacilou um pouco diante do meu comportamento estranho. Dane-se ela, eu estava fazendo o melhor que podia diante das circunstâncias. Visões de Sasuke e Mei juntos encheram minha mente. Ele com seu cabelo escuro e ela com a ensolarada boa aparência da Califórnia, um contraste tão dramático, a câmera iria simplesmente comê-los.
E eu não conseguiria. Eu não podia levá-la até o final do corredor e ver a expressão em seu rosto quando ele a visse. Isso me mataria. Ele sorria para mim tão raramente, mesmo um lampejo de sua covinha fazia o meu dia. Se Mei Terumi recebesse um sorriso perfeito eu derreteria em uma poça de miséria ali mesmo.
Então, ao invés disso, eu meio que apontei o meu polegar na direção do corredor.
— Eles estão na sala de estar, no final do corredor. Trabalhando. Eles, hum… Você deveria ir até lá.
— Tudo bem. — Seu sorriso se transformou em plástico, fixado no lugar. Acho que suas habilidades de atuação não são tão boas, afinal. — Prazer em conhecê-la.
— Sim.
— Eu te vejo mais tarde.
Eu não disse nada.
Com passos delicados, ela foi até lá. Eu queria odiá-la, teria tornado a vida mais fácil, mas Mei realmente parecia meio decente, amigável mesmo. Se ao menos ela tivesse sido uma cadela furiosa. Minha antipatia teria sido muito mais simples e razoável.
— Hey. — Gaara surgiu na porta que ainda estava aberta. Em suas mãos umas sacolas cheias do que pareciam o resto das ferramentas. — Eu estava pensando, talvez pudéssemos fazer alguma coisa hoje à noite? — Ele entrou e fechou a porta.
— Parece bom. — Eu lhe dei o melhor sorriso que eu tinha em mim. — Eu gostaria disso.
— Ótimo. Tentei ter chegar mais cedo para te ver, mas eles sempre abusam da minha boa vontade.
— Você tentou? — Eu pisquei surpresa.
— Sim. — Ele se aproximou. — Eu gosto do seu cabelo assim.
— Obrigada. — Gratidão filtrava em meus poros por suas palavras amáveis, era patético realmente. Seu aperto deslizou pelo meu braço, seus dedos deslizaram sobre os meus, até que estávamos de mãos dadas. Meus músculos desenrolaram e relaxaram. Eu não estava sozinha. Minha vida não tinha acabado porque Mei Terumi tinha chegado, eu continuaria.
Isso era bom.
Para tanto, a pequena intimidade de dar as mãos embalou um soco. Sexo era ótimo, mas sexo não era tudo e quando se tratava de Gaara, eu simplesmente não estava pronta ainda. Mas mãos dadas funcionava. E isso levaria a mais beijos, um pouco de carícias talvez, alguns toques, seguidos, eventualmente, por um pouco de fricção nos lugares certos. Os degraus que levam até o sexo devem ser desfrutado em um ritmo calmo, as preliminares também.
E Gaara era agradável. Eu sei que em algum momento ele começaria me fazer bem com esse jeito.
Um pedaço de culpa existia sobre ficar com Gaara quando eu tinha sentimentos por Sasuke. Mas se eu não quisesse esses sentimentos, se eu estava disposta a trabalhar no sentido de conseguir passar por eles, eu teria que continuar tentando.
— O que você está pensando? — Ele perguntou para o meu silêncio.
— Que tenho muito trabalho para fazer. — Não era totalmente uma mentira. — Eu deveria voltar pra lá.
— Eu também. — Ele disse, dando-me o seu sorriso torto. — Eles estão esperando por isso. — Ele levantou a bolsa com os equipamentos. — Vamos? — Ele puxou nossas mãos, mas meus pés estavam fixos no chão.
Eu não conseguiria. Seria doloroso.
— Sakura?
Eu olhei Gaara vagamente. Receio escorria por meus olhos.
— Você está bem?
— Estou. — Algo embrulhava meu estômago e eu respirei fundo. Eu não podia ser tão fraca assim, vamos lá. Coisas piores já passaram. Eu sei que poderia suportar. Gaara puxou meu braço mais uma vez e eu me deixei ser guiada por sua mão, que ainda estava entrelaçada com a minha, até o final do corredor. Todos estavam concentrado em algo, Naruto foi o primeiro a nos ver, depois Ino. Os olhos de Sasuke trancaram em nossas mãos unidas e seu rosto endureceu. Poderia ter sido apenas eu, mas eu tenho certeza que a temperatura na sala disparou para níveis de lava.
— Se ela está aqui, ela está trabalhando, Gaara. — Ele disse, com sua voz plana e hostil.
O que tinha sido isso?
— Certo. — Gaara soltou minha mão como se tivesse sido mergulhada em veneno. — Desculpe.
— Na verdade eu estava na minha pausa. — Eu disse, apesar do fato de que eu nunca realmente tive uma pausa oficial desde que comecei com ele. Ele provavelmente me devia muitas.
Um músculo saltou na mandíbula de Sasuke.
— Sakura, eu lhe pedi para conseguir informação sobre a entrevista para a próxima semana.
— Ela está esperando por você no escritório.
— Mas eu não estou no escritório. Estou aqui. — Ele me encarou. Todos estavam sondando meu rosto.
— Estou vendo. — Dei um sorriso desconcertado. — Apenas me dê um momento e eu vou buscá-la para você.
Sua mandíbula se endureceu.
— Ótimo. É isso que você deveria fazer. Não ficar de mãos dadas enquanto todos ralam duramente. — Ele disse.
Ficar de mãos dadas? Pelo amor de Deus. Havia muito que eu poderia dizer em resposta, mas tudo isso veio com a clara possibilidade de colocar Gaara na linha de fogo.
— Devidamente anotado. — Meu tom casual de indiferença se fez presença.
Ele só olhou para mim.
Portanto, eu tive a última palavra e eu ganhei. Tome isso, seu astro idiota tirano maldito arrogante. Eu não sabia o porque de uma reação tão estridente, mas talvez ele vociferasse e me despedisse dessa vez. Ele certamente parecia bastante irritado, seus olhos prometiam todos os tipos de danos. Parte de mim esperava que ele fizesse, meu coração batia forte dentro do meu peito. Faça isso, faça isso, faça isso.
Todo mundo tinha congelado em algum momento durante o nosso combate verbal, todo o melhor para assistir a conversa. Mesmo
Mei, a estrela de cinema, parecia incomodada com a cena. Sua cabeça virava nessa direção e aquela, de olhos arregalados com a confusão óbvia.
Então Naruto deixou escapar um lamento alto.
— Eu odeio quando mamãe e papai brigam! — Naruto gritou com a voz fina. O baterista enlouquecido acelerou para fora em uma saída dramática. Se Gaara e eu não tivéssemos presos contra a parede teríamos sido derrubados. Itachi se engasgou com uma risada. A estrela de cinema ainda estava alheia a coisa. Em seguida, sua mão deslizou por baixo do braço de Sasuke, os dedos envolveram seu forte bíceps apertando antes de seus dedos afastarem.
— Sasuke? Podemos ir?
Ele meio que começou, a raiva caindo de seu rosto.
— Sim. Vamos agora.
Eu podia ver por que a mulher tinha feito milhões, seu sorriso iluminou a sala. Sorte para mim e minha sensibilidade, o rosto de Sasuke permaneceu mais reservado. Acompanhei os dois saírem. Gaara agora estava diante de mim, me dando um olhar solidário, assim como todos.
Eu suspirei.
Tudo estava bem.
Eu estava bem.
E Sasuke Uchiha podia se foder.
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