Sua voz

14 Capítulo 14 - Sentimento ferido


Notas iniciais
Cadê o pessoal da madrugada? Hehehe.

Eu deveria esquecer. Nada que dizia respeito a Sasuke Uchiha me importava. Nada. Preocupação, você pode ir para todo o lugar do inferno e esquecer a minha mente. Aqui, definitivamente, não tem espaço pra você.

Abri sem nenhum cuidado a porta de casa. Minha mãe e pai pareciam ter acabado de sentar para a janta.

— Hey.

Eu não parei. Apesar da voz dela me interrogando se eu me juntaria a eles, foi mais necessário ir para o quarto. A mochila jeans surrada foi deixada em cima da cama. Enquanto eu tirava meus tênis empoeirados com a ajuda do pé, o celular estava em minhas mãos sendo desbloqueado a todo vapor.

Vamos lá, Sakura. Você não tem que ferrar tudo. São apenas cinco dias longe da pessoa que fodeu seus sentimentos. Onde diabos estava o amor próprio? O que aconteceu com aquela coisa de, não olhar para trás não importa o que aconteça? Uma nova fase estava por vir. Siga, apenas siga.

Cristo.

A quem eu estava tentando enganar com esse discurso sem nenhum efeito moral? A preocupação estava me engasgando, enchendo. O que era o orgulho? Acho que, naquele momento, eu não saberia explicar.

O número de discagem rápida da minha agenda ainda era o seu. Eu gelei para a tela entrando em modo de chamada, com o coração batendo em minha boca. Eu já tinha o pequeno discurso pronto em minha mente. Diria a ele com toda a força. O questionaria, porque diabos você voltou a beber? Ninguém conseguiu pará-lo, a alegria que expandia meu peito era saber que outro alguém não foi capaz, eu sim. Que, talvez, ele precisasse de mim. Eu seria capaz de sorrir para sempre com esse pensamento e nunca o desfazer. Meu sistema precisava tê-lo, mesmo que a distância.

Sua voz. Eu a queria mais do que qualquer outra coisa e isso estava enterrado debaixo da minha alma, vindo a tona, passando pelas mágoas para consumir minhas razões.

Um toque, outro. Até que foi atendido.

Eu prendi a respiração.

— Sas…

— Assistente, boa noite. Com quem falo? — A voz feminina veio primeiro, me parando. Eu fiz silêncio. Minhas mãos soavam e tremiam, mas o desgosto era muito maior.

— Quem é? — Alguém perguntou ao fundo do barulho musical.

— Eu não sei, a linha está muda. Alô?

Aquela era a voz de Mei.

— Tem alguém aí?

Essa foi a resposta mais dolorosamente precisa para as ideias ridículas da minha cabeça. Não, ele não precisava de mim.

Minha mão deslizou lentamente por minha orelha até cair.

Alarme falso, ilusão, chame do que quiser. Eu sentia raiva. Finalizei a chamada quando o chiado interrogatório continuou e me livrei do celular. Cuidado para não quebrá-lo, era importante mantê-lo, um daqueles seria caro.

Eu não tinha tempo para chorar. Precisava arrumar o uniforme para o dia seguinte, baixar algumas novas músicas em meu iPod, me organizar.

Isso. Lista de tarefas feitas em dois segundos.

Como se isso fosse o suficiente para impedir a dor de ser quebrada em pedaços de novo.

Vinte oito dias depois…

A mulher estava levando uma eternidade para fazer seu pedido. Os olhos passavam do cardápio para mim, enquanto se recostava no balcão. Eu sorria, sempre paciente. Eu adorava ficar no café, com o aroma dos grãos de café e a suave mistura de música e de conversas. Amava a camaradagem que tínhamos atrás do balcão e o fato de que o trabalho mantinha tanto minhas mãos quanto minha mente ocupadas. Isso era bom, como terapia.

— Você me parece familiar – Começou ela. Será mesmo que, em uma cidade tão distante de toda a notícia, alguém era antenado? – Você não apareceu na internet um tempinho atrás? Alguma coisa a ver com Sasuke Uchiha? O cantor da banda Suicide...

Pelo menos o nome dele não me causava calafrios mais. E já fazia alguns dias que não sentia fraqueza. Depois da tentativa de suicídio em procurá-lo, assumi todos os turnos disponíveis no café para me manter ocupada. Eu não poderia ficar de luto por ele para sempre. Pena que meu coração continuava sem se convencer. Ele aparecia em meus sonhos todas as noites quando eu fechava os olhos. Tinha que afastá-lo da minha mente umas mil vezes durante o dia. Eu tinha me mantido presa e evitado televisões, internet, qualquer coisa que me desse mais notícias da banda, mas às vezes era inevitável ouvir de algumas adolescentes que vinham para o café comentar sobre. Eles pareciam alcançar um nível mundial devido as recaídas e polêmicas do Uchiha. Acidentalmente, na semana passada, durante um canal de fofoca passando pela tela aqui do café, eu vi uma foto de Sasuke e Mei juntos, aos beijos e abraços em público. Em seguida, a notícia do noivado deles agitando metade do mundo. A modelo provavelmente estava exercendo mais do que uma simples assistente pessoal. Claro. Ela era perfeita demais para se ter escondida. Perfeita demais para ser apenas um objeto sexual sem valor. Claramente ela seria exibida por ele, sua mulher, a esposa bonita e famosa. Onde estavam as palmas? Que lindo final feliz de merda.

Que se dane os dois. Eu me contentava em viver e me dedicar a aproveitar os momentos que me faziam bem.

— Você está equivocada — Disse para a mulher. Ela me lançou um olhar tímido.

— Não precisa mentir, estamos entre amigas. — Insistiu , passando da especulação para a persuasão — Não sou de pedir esse tipo de coisa, mas é que sou muito fã da banda. Você teria algo com você para me mostrar? Pode ser uma foto, um vídeo, algo íntimo que a mídia não tenha editado.

— Não posso ajudá-la, lamento. Na verdade, estamos para fechar. Gostaria de pedir alguma coisa antes disso? — Perguntei, com um sorriso colado no rosto. Que pessoa mais inconveniente. Aposto que ela só chegou pra isso. — Pode, pelo menos, me dizer se a banda vai acabar mesmo? Conta, vai. Esse casamento do Sasuke e Mei foi repentino, não?

— Não sei de nada a esse respeito. Gostaria de pedir alguma coisa, ou não?

Mais uma tentativa insistente levaria a raiva ou lágrimas. Ela escolheu a raiva. Uma sábia escolha, pois eu estava enjoada de lágrimas.

Ela deu uma risadinha falsa.

— Não precisa ser egoísta. Você morreria se me contasse o que está acontecendo? Ou será que essa reação negativa é porque foi trocada? — Um tom maldoso surgiu em sua voz, me paralisando. — A Mei Terumi é muito melhor que você em todos os aspectos possíveis. Ela é modelo! Não me admira que ele tenha te chutado tão rápido.

— Saia. — Ordenou meu gerente, Tomoyo. – Agora. Pode ir.

A mulher passou para o modo incredulidade, com a boca escancarada.

— Se ela voltar aqui para te afrontar, chame a polícia, Sakura. — Ele deu um passo para frente. A mulher se levantou de uma vez, pegou o casaco pendurado na cadeira e jogou a nota na mesa. Eu segurei um riso porque vê-la fugir como uma criminosa foi engraçado.

— Obrigada. — Eu disse assim que ficamos sós. O velho homem e adorável me deu um sorriso amigável e paternal.

— Não importa se você está no trabalho. Se alguma pessoa faltar com respeito a você, eu te dou permissão para tratá-la pior. — Sr. Tomoyo encostou em meu ombro e entrou para a cozinha interna.

Em outra situação, com certeza eu o faria. Acontece que a vadia me pegou de surpresa sendo tão baixa. Como diabos ela conseguiu me identificar? É certo que foi a primeira vez. No entanto, uma coisa era certa, eu já estaria devidamente preparada caso acontecesse novamente.

Avancei para porta e virei a placa. Expediente encerrado.

— Está preparada, arco-íris? — Deidara perguntou. Ele suspendia as cadeiras, Konan passava o aspirador no chão. O apelido que ele tinha me dado, desde o primeiro dia em que comecei a trabalhar, me fazia sorrir toda vez que chamado.

— É que hoje nós vamos para uma boate Vip. Eu descolei três ingressos. Por favor, não me faça ir sozinha com o Deidara, eu te imploro. — Konan largou o suporte do aparelho somente para juntá-las.

— Amanhã é nossa folga, então você não vai precisar se preocupar em chegar em casa cedo. — Ele completou. Oh sim, eu precisava me embebedar e esquecer o capítulo de hoje. Apesar de já estar decidida, continuei forçando pensar sobre o assunto, os dois nunca me deixando, era divertido o modo em que faziam questão de minha presença.

Joguei minha franja para trás e levantei os braços.

— Vamos dançar.

— Adoro essa música!

— Você adora qualquer música que não seja da banda que não pode ser nomeada. — Konan gargalhou, seguindo-me em meio à multidão. O nosso convívio acabou me aproximando dela. Eu me senti confortável o suficiente para compartilhar minha experiência com Sasuke em um momento de fraqueza, mas não me arrependi. Ela não era como alguém que tiraria proveito disso, suas palavras de encorajamento foram de grande ajuda. Konan era uma pessoa com um coração ótimo.

Deidara nos seguia, meio perdido em cobiçar as mulheres alheias.

Vodca, sem dúvida, era tão ruim quanto tequila, mas, de certa forma, eu me sentia mais relaxada, mais solta. Era bom sair e, com o estômago vazio, três doses já bastavam, evidentemente. Eu me sentia ótima dançando, rindo e me soltando. De todas as táticas de superação que experimentei, manter-me ocupada trabalhando foi a que melhor funcionou. Mas sair para dançar e beber como louca também não podia ser menosprezado. Ajeitei o cabelo atrás das orelhas porque meu rabo de cabelo estava começando a se soltar de novo. Meus pensamentos mais poéticos se juntando, eu poderia ser uma escritora, apenas me dê um caderno e uma caneta. O amor era uma mentira e o rock and roll era uma bosta. Blá-blá-blá. Hora de beber de novo. E eu estava no meio de uma declaração importante.

— Estou falando sério — Disse para Deidara, que me olhava divertido. — Vou ser bi. Esse é o meu novo plano.

— Acho que esse é um péssimo plano. — gritou ele, chegando mais perto de mim. Deidara tinha olhos azuis profundos e seu cabelo loiro e grande era charmoso. — Você não precisa ser bi só porque está com coração partido, Sakura. Daqui a um tempo isso vai passar, acredite em mim, e aí você vai desejar um pênis com urgência.

Eu soltei uma gargalhada embaralhada. Ele era engraçado. Eu poderia interrogá-lo por saber demais, mas seu conhecimento estava divertido. Depois eu bateria em Konan para que ela ficasse de boca fechada.

— Há 3 minutos, ela me disse que queria ser gay. — Konan veio para perto, largando sua dança maluca. Estava soada, maquiagem escorria, eu ri. — Não dá pra levar uma Sakura bêbada a sério. Ela só precisa de momentos como esse para seguir com a vida.

— Estou seguindo com a minha vida – Eu disse. – Não choro mais, nem sinto vontade de procurá-lo, isso é a porra de uma progresso. Quero que eles tenham uma linda lua de mel no cruzeiro mais caro e então, BOM, ele afunde!

Deidara sorriu, passando os braços nos ombros de Konan.

— Não falamos nada sobre ele. Viu como sua mente está fodidamente ligada?

Eu abri a boca. Explicação faltou.

— Sasuke Uchiha que se danasse. — Passei por eles, me jogando na multidão para uma nova dança alienada.

A música se mesclou numa batida contínua e contanto que eu continuasse me movimentando, tudo seria perfeito. O suor escorria pelo meu pescoço e abri mais um botão do vestido, ampliando o decote. Ignorei as outras pessoas dançando ao meu redor. Konan e Deidara pareciam ter evaporado, sumiram de vista mesmo. Não importava. Eu estava bem.

Fechei os olhos, ficando a salvo em meu mundo próprio. O álcool me deu uma agradável zonzeira. Por algum motivo, as mãos se movendo pelos meus quadris não me incomodaram, mesmo não tendo sido convidadas. Elas não avançaram, não exigiram nada de mim. Seu dono dançava atrás de mim, mantendo uma distância segura entre nós. Ou, talvez, eu me sentisse sozinha, porque não as afastei. Em vez disso, relaxei ao seu encontro. Na música seguinte a batida desacelerou. Todos se moveram, colando-se, fazendo seu par. Eu me virei para o meu, desconhecido, dando de cara com Sasuke Uchiha.

— Sakura. — Aquela voz capaz de aguçar todo os meus sentidos e me desabar soou de perto. Os cabelos estavam mais curtos, mas ainda tinha certo comprimento na frente. Os olhos mais hipnotizantes que já encarei estavam de frente para mim. Eu forcei a visão um pouco, pisquei, não era alucinação.

— V-você está aqui? — gaguejei. Senti minha língua espessa e inútil. Deus, era ele mesmo. Ali, em Nemuro. Em carne e osso.

— Estou. — Seus olhos escuros me queimavam. Ele não disse nada mais. A música continuava tocando, as pessoas se movendo. O mundo só parara de girar para mim. Empurrei a multidão, querendo sair dali. Eu sabia que ele me seguiria. Claro que sim. Não era nenhum acaso ele estar ali, apesar de eu não fazer ideia de como ele me encontrara. Eu precisava me afastar daquele calor e daquele barulho para poder pensar com clareza. Segui pelo corredor no qual estavam os banheiros feminino e masculino. E lá estava o que eu queria. Uma grande porta preta que se abria para um beco. Ar noturno fresco. Algumas poucas estrelas valentes reluziam acima. A não ser por isso, ali estava escuro, e úmido por causa da chuva de verão recente. Era horrível, sujo e detestável. No entanto, me pareceu o lugar adequado. A porta se fechou atrás de Sasuke. Ele me encarou com as mãos nos bolsos da calça jeans. Abriu a boca para começar a falar, mas nada aconteceu. Depois de me recuperar e sentir meu coração desacelerar, eu saí do meu transe.

— Por que está aqui? — Embora eu forçasse minha voz, ela fraquejou.

— Precisamos conversar.

— Não, não precisamos.

Ele esfregou a boca.

— Você ligou para o meu celular.

Eu engoli o nó que tentou travar minha garganta.

— Isso foi há um mês.

— Foi há vinte e oito dias. — Sua voz suave cobriu a minha.

Olhar para ele reavivou minha dor. Era como se as feridas estivessem pairando logo abaixo da superfície, esperando para ressurgir. No entanto, não conseguia deixar de olhar para ele. Partes de mi m estavam desesperadas por vê-lo, por ouvi-lo. Meu coração e minha cabeça estavam destroçados. Sasuke também não me parecia muito bem. Parecia cansado. Havia sombras sob seus olhos e ele parecia um tanto pálido, mesmo naquela falta de iluminação. Ele oscilou o peso nos calcanhares, os olhos me observando desesperados.

— A turnê foi cancelada.

— Sinto muito por isso.

Ele assentiu.

— Obrigado.

Uma pausa. Nunca foi tão difícil encarar alguém em toda minha vida.

— Sakura, quanto a Mei…

— Ei. — Ergui a mão, recuando um passo. — Não.

A boca dele se curvou nos cantos.

— Temos que conversar.

— Temos?

— Sim.

— Porque agora você resolveu que está pronto? Vá se foder, Sasuke. Já faz um mês. Vinte e oito dias sem nenhuma palavra. Porque você não para de achar que o mundo gira em torno da porra do seu umbigo?

— Sakura… — Ele veio pra mim.

— Não. — Balancei a cabeça, a mágoa e a fúria me impulsionando. Por isso, eu também o empurrei, fazendo-o recuar um passo. Sasuke bateu na parede suja sem ter mais para onde ir, mas isso não me deteve. Fui empurrá-lo mais uma vez, e ele me segurou pelas mãos.

— Calma.

— Não!

Suas mãos circundaram meus pulsos. Ele cerrou os dentes, travando o maxilar.

— Porque você veio até aqui? Porque você me procurou? — Minhas palavras ecoaram pelo beco estreito, subindo pelas laterais dos prédios até se escoarem pelo céu noturno impiedoso. — Acabou, lembra? “Cai fora”. Você não precisa de mim. Não sou nada para você. Você mesmo disse isso. Agora a Mei é a sua assistente e noiva, é com ela que você deve se queixar de seus comportamentos.

— Sakura. Acalme-se. Preste atenção.

Eu me agitei para que ele me soltasse, ele o fez.

— Tinha que ser ela, não é? A linda ruiva em toda sua riqueza. Ela leva o melhor de você, enquanto eu só tive mágoas. Mas ela não aturou metade de tudo que eu tive que aturar. Porra, isso é justo?

— Desculpa. — O olhar dele perscrutou meu rosto, tentando encontrar compreensão. Ele estava sem sorte. — Sinto muito por ter te magoado...

— Pare.

— Desculpa. Desculpa. Desculpa. — E ele repetiu e repetiu, entoando a mais inútil das palavras de todos os tempos. Eu tinha que parar com aquilo. Calá-lo antes que ele me enlouquecesse. Esmaguei minha boca à dele, detendo a ladainha inútil. Ele gemeu e retribuiu o beijo. A dor ajudou. Empurrei a língua em sua boca, tomando o que deveria ser meu. Naquele instante, eu o odiei e o amei. Parecia não haver nenhuma diferença. Minhas mãos enroscaram atrás da nuca dele. Sasuke nos virou, apoiando minhas costas na parede áspera de tijolos. Seu toque queimava minha pele até atingir meus ossos. Tudo aconteceu tão rápido que não houve tempo para pensar na sensatez daquilo. Ele subiu meu vestido e rasgou minha calcinha com um movimento. O frescor da noite e o calor das suas palmas resvalaram minhas coxas.

— Senti demais a sua falta. — Ele grunhiu.

— Sasuke...

Ele abaixou o zíper e puxou a frente da calça para baixo. Depois ergueu minha perna, levantando-a até seu quadril. Eu precisá-lo pará-lo, mas não consegui. Minhas mãos se agarraram ao seu pescoço. Não houve muita reflexão a respeito. Apenas a necessidade de me aproximar fisicamente o quanto fosse possível. Ele me mordiscou nos lábios, assolando minha boca com mais um beijo ardente. Seu pênis me pressionou, entrando devagar em mim. A sensação dele me preenchendo fez minha cabeça girar. Uma leve dor enquanto ele me alargava. A outra mão escorregou por trás da minha nádega, suspendendo-me, penetrando assim totalmente, e me fazendo gemer. Abracei-o com as pernas e segurei com força. Ele me estocou sem nenhuma delicadeza. A violência combinou com nossos ânimos. Minhas unhas se enterraram em seu pescoço, meus calcanhares batiam em suas nádegas. Seus dentes cravaram forte meu pescoço. A dor foi perfeita.

— Mais forte – Arfei.

— Assim?

Os tijolos ásperos arranharam minhas costas, puxando os fios do tecido do vestido. As estocadas firmes do seu membro me tiravam o fôlego. Agarrei-me com força, tentando saboreá-lo e a tensão crescia dentro de mim. Era tudo e nada ao mesmo tempo. Pensar que aquela podia ser a última vez… Quis chorar, mas não tinha mais lágrimas. Seus dedos se enterraram em minha bunda, marcando minha pele. A pressão dentro de mim aumentou exponencialmente. Ele mudou o ângulo com sutileza, atingindo meu clitóris e eu gozei com força, os braços ao redor da cabeça dele, o rosto apoiado ao dele. Meu corpo inteiro estremeceu.

— Sakura… — Ele grunhiu, parando após mais duas estocadas. Todos os músculos do meu corpo se liquefizeram. Só o que me restava fazer era continuar agarrada a ele. A boca pressionou meu rosto suado.

— Me coloca… No chão. — Eu pedi, a voz fraca.

Seus ombros se ergueram e desceram com uma respiração pesada, com cuidado, ele me abaixou. Rapidamente abaixei a saia do vestido, ajeitando-me. Como se isso fosse possível. Aquela situação estava fora de controle. Sem alarde, ele subiu os jeans e se tornou apresentável. Olhei para todas as partes, menos para ele. Em um beco. Merda.

— Você está bem? — Seus dedos me acariciaram no rosto, ajeitando meu cabelo para trás. Até eu apoiar uma mão em seu peito, forçando um passo para trás. Bem, não forçando exatamente. Ele escolheu me dar meu espaço pessoal.

— Eu… — Lambi os lábios e tentei novamente. — Preciso ir para casa.

— Eu te levo.

— Não. — Fui firme. — Desculpe. Sei que comecei isto. Mas… Eu não devia. Foi um erro.

Seu dedo escorregou por baixo do meu queixo, obrigando-me a encará-lo.

— Eu posso te ver amanhã?

Eu não fazia ideia do que queria dizer. Minhas unhas se enterraram nas laterais do vestido. O que eu queria estes dias era um mistério mesmo para mim. Parar de sofrer seria legal. Remover todas as lembranças dele do meu coração e da minha cabeça. Conseguir voltar a respirar direito.

— Eu posso? — Perguntou.

— Não. Você deve voltar para Tóquio e para Mei. — Agora eu me sentia cansada, encarando-o. Mas ainda esperava as palavras dele. Sobre Mei, sobre isso tudo, qualquer coisa.

Não tive nada. E já estava farta.

— E não me procure de novo. — Eu rosnei. — Se você ainda tem um coração dentro do peito, tenha compaixão por mim e não me torture mais.

Sasuke apenas me encarou, olhos que pareciam tristes, completamente contraditório. Mais ausências de palavras. Eu estava farta.

O sexo era confuso, mas o amor era muito pior. Um de nós tinha que sair dali. Ele não fez menção de ir, então eu mesma saí, recuando para a boate para encontrar Konan e Deidara. Eu precisava de uma calcinha nova e de um transplante de coração. Precisava ir para casa. Ele me seguiu, abrindo a porta. O baixo grave da música ribombou noite afora. Apressei-me para o banheiro feminino e me tranquei numa divisória para me limpar. Quando saí para lavar as mãos, olhar no espelho foi difícil. A luz fluorescente berrante não me favoreceu em nada. Meus cabelos róseos estavam revoltos ao redor da cabeça, um emaranhado graças às mãos de Sasuke. Meus olhos estavam arregalados e feridos. Eu parecia aterrorizada. E também havia o maior de todos os chupões se formando no meu pescoço. Inferno.

Quando saí, ele não estava mais ali.

Sasuke Uchiha tinha partido e deixado mais uma bagunça.