Notas iniciais
Oie meus amores, nem preciso dizer o quão feliz eu estou por estar recebendo esse apoio de todas vocês não é mesmo? Saibam que são vocês quem estão me motivando a continuar escrevendo e postando os capítulos assim tão rápidos. Considere um presente para todas por serem leitoras tão maravilhosas. Boa Leitura meus amores!

Thomas Odell caiu para o lado com um ferimento de bala em seu ombro, sua mão ainda segurava a mesma faca com a qual ele tentou me ferir, porém ele não ousou fazer mais nenhum movimento quando estava claramente em muita desvantagem ali. Suspirei aliviada e continuei deitada no chão durante alguns segundos, ao lembrar-me de que Spencer estava ali imediatamente comecei a tentar me levantar do chão, Morgan e Hotchner vieram até mim para me ajudar.

— Você está bem? — Derek perguntou me olhando da cabeça aos pés como se procurasse por qualquer outro ferimento.

— Se demorassem mais um pouco teriam perdido a festa — Brinquei sem muita emoção respirando profundamente outra vez, somente Morgan soltou uma risada curta e rápida demais para ser notada enquanto o mais velho, continuou a fitar-me com o mesmo olhar sério que ele possuia. — Spencer está lá embaixo e…

Eu estava pronta para me mover quando os dois me barraram ao mesmo tempo, impedindo que eu continuasse a andar.

— Não precisa se preocupar com ele, vamos tirá-lo dali — Hotchner me garantiu, ele ainda me olhava. — Você precisa de um médico para dar uma olhada nisso.

Gesticulou para meu braço machucado e concordei, não podendo contrariá-lo, o agente Hotchner me auxiliou até a ambulância, não que precisasse dessa ajuda toda, mas confesso que foi até que bom ter um auxiliar. Por causa do chute que havia levado de Odell sentia como se minhas pernas fossem se quebrar a qualquer momento. Aaron me ajudou novamente a sentar para que assim o paramédico pudesse tratar do corte em meu braço, de longe pude ver Julia — a outra mulher que estava na casa — ela também estava sendo tratada por um paramédico.

— Tudo bem agente? — Hotchner questionou, havia me esquecido de sua presença por um momento.

— Acho que isso me oficializou na equipe. — Soltei uma risada curta demais para ser notada por ele, a piada foi sem graça, eu mesma reconhecia isso, mas acabei rindo de qualquer forma. Isso me faria esquecer um pouco da dor que sentia. Hotchner, porém manteve-se sério.

— E quanto a isso — Indiquei meu braço cortado. — Não é nada demais, já passei por coisa bem pior que isso — Interrompi a mim mesma ao falar aquilo, soltei o ar voltando meu olhar na direção da mulher cujo seu nome era o mesmo que o meu. — Estou mais preocupada com ela.

Apontei discretamente para ela e Hotchner também a olhou.

— A sexta vítima, Ayla Stevens estava no porão também, não sei se ela estava viva porque tinha muito sangue nela e quando nos informaram sobre o corpo de Molly Bennet, Spencer e eu encontramos outra vítima no beco — Abaixei a cabeça olhando para o chão. — Nunca gostei de pegar casos assim.

— Por causa do que aconteceu com a sua mãe. — Aaron constatou, acertando em cheio ao falar sobre aquilo. — Julia Odell só está viva agora porque você a ajudou, todo caso que pegamos nem sempre termina do jeito como queremos, mas devemos tirar algo de bom sempre que possível.

O mais velho fez um gesto na direção de Julia e pediu para que eu olhasse, a cena que ali se desenrolava era única. Uma criança, no máximo cinco anos corria até ela e um homem vinha logo atrás. Os três se abraçaram, felizes por estarem juntos.

•••

Após uma semana e cinco dias fazendo parte da equipe e depois do incidente com Thomas Odell e claro, os três dias de licença para me recuperar totalmente do que havia acontecido, eu podia mesmo dizer que já era oficialmente membro da unidade para a qual fui transferida. Nesse tempo pude conhecer melhor todos e eles também puderam me conhecer melhor, já não recebia os olhares de surpresa e também não recebia nenhum tratamento especial. Apenas de Garcia que vez e outra me presenteava com cookies caseiros que ela mesma fizera. Ou como ela havia dito: Um presentinho de boas vindas.

Já estávamos todos no voo para Ohio, pois de acordo com Garcia havíamos sido chamados com urgência para a cidade. Não tínhamos mais nenhuma outra informação sobre o caso além de sabermos onde ela havia acontecido Austintown, no estado de Ohio.

— Pode começar Garcia. — Pediu Hotchner olhando para a tela aonde a loira iria se comunicar conosco.

— Ok, toda a família Harrison foi brutalmente assassinada durante a noite de ontem por algum invasor, com essa família já são ao todo sete casos parecidos só nesse mês. — Ela arregalou rapidamente seus olhos.

— E esse invasor mata todos que estão na casa? — Rossi perguntou juntando suas sobrancelhas.

— Sim… — Ela respondeu com pesar. — Pais, filhos e animais de estimação se a família tiver. Todas as famílias são de bairros bons e com um estilo de vida ótimo. Mas por alguma razão não levam nada que caiba no bolso como dinheiro ou joias, na verdade não levam nada de valor. Olhei para as fotos no arquivo.

— E é por isso que invasões em domicílios são tão difíceis de serem entendidos — Morgan comentou, também olhando para o arquivo. — São inúmeros os motivos para isso. Mas ainda não entendi o porquê de nos chamar assim tão urgentemente.

— As primeiras invasões são com no máximo quatro dias de diferença — Respondi o olhando e depois para os outros da equipe. — E esses dois últimos tiveram apenas vinte horas de diferença.

— Ou seja, — Hotchner se pronunciou. — O elemento está gostando disso e ficando cada vez mais violento também e isso nunca termina bem. O mais velho mostrou as fotos, todas das cenas onde aqueles crimes aconteceram, cenas realmente horrendas.

— Geralmente invasões assim só acontecem com idosos ou mulheres solteiras — Spencer também se pronunciou, falando rápido como parecia ser de seu costume. — São vítimas fáceis de serem dominadas e também de baixo risco, pois assim não podem revidar ao ataque, mas atacar uma família inteira é bem mais arriscado. Ele deve gostar disso, talvez seja um sádico e como não há sinal de estupro usa a violência como uma forma de conseguir esse prazer.

Senti um arrepio longo na espinha com aquela observação, guardei as fotos no arquivo. Não aguentaria continuar olhando-as por mais tempo.

— Reid e Morgan falem com o legista, Rossi e JJ com os moradores e vizinhos, nós precisamos de toda informação possível e Julia e eu vamos para a cena do crime.

•••

Já dentro da casa — o cenário para aquele crime tão brutal e desumano — o que estava vendo ali era e muito semelhante a um filme de terror havia muito sangue nas paredes e móveis. Algo quase impossível de se esquecer de algo como aquilo assim tão facilmente.

— Não houve arrombamento na porta, — O investigador encarregado daquele caso George Ford guiava a mim e Hotchner pela casa, explicando alguns detalhes sobre. — O mesmo com os outros casos, o invasor não arromba a porta e também não força a entrada.

— É tarde e a campainha toca para terem entrado sem que fosse necessário usar a força ele não possui uma aparência que cause desconfiança — Aaron andou mais à frente até que parou na porta da frente, de onde o suspeito havia entrado.

— Se ele entra tão facilmente assim ele deve possuir um meio de conseguir a confiança de forma tão rápida da família que ele ataca — Falei o olhando, Hotchner se virou para me fitar. — Talvez ele conheça essas famílias e esteja se vingando de algo que fizeram a ele.

— Isso é possível? — O investigador perguntou, parecia curioso.

— Há muito ódio envolvido aqui, isso não é por acaso — Respondi mostrando com o dedo o lugar onde as vítimas estavam, havia muito mais sangue ali. — O unsub tem alguma história com essas famílias.

Fez-se silêncio por breves segundos, Hotchner olhava para a cena com os olhos levemente cerrados, pensativo, talvez.

— Tem as crianças também, estavam amarradas nas camas e arrumadas, não foram mortas com a mesma brutalidade que os pais — O mais velho se aproximou de mim e do investigador, olhava para o local para onde eu apontava e então mostrou as fotos das crianças que foram mortas. — Isso nos mostra uma pessoa introvertida, com a capacidade de sentir remorso pelo que faz…

— Mas a forma como os pais foram mortos não mostra isso, tem muito ódio aqui e também muita bagunça… — Mordi meu lábio fazendo uma pausa, ele continuava me olhando como se esperasse que eu deduzisse sozinha aquilo. — São dois suspeitos, dois perfis.

Aaron concordou com a cabeça.

— E pelo tempo entre as duas últimas invasões — Ele desviou os olhos de mim rapidamente. — Eles vão atacar novamente.

Voltamos para a delegacia para traçar logo os dois perfis, o que ficou definido foi que um deles era o elemento dominante e quanto ao outro, o submisso. Explicamos para os policiais tudo o que eles precisavam saber sobre eles e o método como atacavam as famílias, soltamos o alerta, mas ainda não era o suficiente para pegá-los. Passamos a noite toda na delegacia juntando qualquer peça daquele quebra-cabeça, reunindo observações que havíamos deixado passar despercebido e acrescentando qualquer detalhe necessário. Pela manhã JJ nos avisou que outra família havia sido atacada e que somente a filha mais velha havia conseguido escapar, fomos todos para a casa onde o crime ocorrera imediatamente.

Os corpos ainda não haviam sido removidos, os pais estavam jogados de qualquer maneira pelo chão, seus rostos virados para o outro lado. A brutalidade era a mesma, haviam usado objetos da casa para matá-los, o sangue sujava todo o lugar, a bagunça era ainda pior que dos outros casos. Hotchner estava ao meu lado, também analisando os corpos dos pais.

Ele dizia algo, porém eu estava distraída demais para conseguir prestar atenção nele naquele momento. Por causa do que aconteceu com a sua mãe lembrei, a cena era muito familiar para mim e acabou por revirar meu estômago, deixando-me um pouco desconfortável ali dentro.

— Julia. — Ele chamou-me outra vez e agora tocando rapidamente meu braço para chamar melhor a minha atenção, pisquei saindo de meus pensamentos olhando-o. — Tudo bem?

— Tudo. — Respondi sacudindo minha cabeça, tentando parecer o mais convincente possível, mas ele pareceu perceber que estava mentindo.

— Está distraída — Ele me observou, sua cabeça pendendo levemente para o lado. — Estava assim na delegacia também e está assim agora, tem certeza de que está tudo bem?

Encarei-o nos olhos, Aaron Hotchner me fitava agora completamente calado e sério. Tentei pensar que ele não estava me analisando naquele momento.

— Está tudo bem. — Disse outra vez, agora realmente tentando parecer convincente o bastante para que ele parasse me encarar tanto. — A brutalidade foi bem pior com essa família. Voltei ao caso, desviando meu olhar do dele, pois já estava me sentindo sem graça com aquilo.

Nosso foco não era onde eu estava com a cabeça, mas sim aquela família brutalmente morta.

— E também — Continuei, dei dois passos para frente me afastando um pouco dele e me aproximando dos corpos dos pais. — Eles moveram os corpos, não foram mortos aqui — Gesticulei na direção deles, virando meu rosto para fita-lo enquanto falava. — Estão arrumados demais e cobertos. O submisso deve ter feito isso, sentiu remorso pelo ato e os cobriu por vergonha.

Hotchner abriu a boca para me responder, mas foi interrompido por JJ e Rossi que chegaram a cena do crime com novidades sobre o caso. Ele então se afastou um pouco, deixando que eu continuasse a analisar o local onde os corpos do pai e da mãe estavam para conversar com Rossi que havia ido ao hospital com JJ para falar com a menina que conseguiu sobreviver. A conversa não durou mais de cinco minutos, chamou Reid e Morgan que estavam no andar de cima e então passou tudo o que foi conversado.

A adolescente que escapou, Sophia Grimes conseguiu ver os dois suspeitos e estava decidida a ajudar na investigação para pegá-los, além também de ter confirmado que eram dois suspeitos ela inseguro também identificá-los, pois de acordo com o que foi passado eles já tinham passagem na polícia. Separamo-nos em dois grupos para pegar os suspeitos e como se eu já soubesse que isso iria acontecer, Hotchner pediu para que eu fosse com ele e JJ. Talvez para ficar de olho em mim caso em acabasse me distraído novamente. Achei aquilo um pouco desnecessário, talvez Aaron tivesse percebido que eu estava mentido quando disse que estava tudo bem. Afinal, ele era um profiler e eu era péssima quando se tratava em mentir.

Garcia nos ligou novamente, passou o endereço do suspeito de nome Paul White, um homem na casa dos trinta e poucos anos e continuava a passar as informações sobre ele para nós.

— Aqui também diz que ele já foi internado por surtos psicóticos quando era adolescente, — Garcia continuou a passar as informações. — E de acordo com os registros ele matou a família adotiva inteira quando tinha apenas quinze anos, escapou faz dois meses.

— Qual o motivo do assassinato Garcia? — Perguntei. Ela demorou um pouco para me responder.

— Bom, ele disse que sofreu maus tratos quando chegou à casa, a família que o adotou era parcialmente rica e de acordo com o depoimento de Paul — Uma pausa. — Os maus tratos começaram quando ele chegou à casa, vivia a base de regras.

— Esse foi o gatilho que ele precisava para começar a matar essas famílias, — Deduzi. — Aguentou a família adotiva até não suportar mais, matou a família que o adotou e o machucou e agora faz o mesmo com as outras.

— Ele sente raiva com o que a família fez com ele e agora está descontando em outras famílias. — Rossi completou o pensamento.

— Hey, tem mais uma coisa também — Garcia nos interrompeu. — Ele tem um filho de dezesseis anos, Denis White e pelo que parece o filho andou aprontando também, na escola tem várias detenções por brigas com outros colegas.

— Precisamos nos apressar. — Hotchner falou com a voz levemente alterada. — Obrigada Garcia.

Aaron parou o carro na frente da casa e saímos do veículo com pressa, mais três viaturas estavam conosco e vários policiais cercaram toda a casa, estávamos nos aproximando do jardim quando escutamos dois disparos vindos de dentro da resistência. Nós três imediatamente corremos, dividindo-nos em dois grupos; Aaron seguiu pelos fundos e nós continuamos pela frente.

Na minha dianteira ele abriu a porta de uma só vez e adentramos a casa com as armas apontadas e prontas para uso. Seguimos o som de choro é uma voz masculina que implorava pela vida, ao chegarmos nos deparamos com um adolescente, ele não parecia ter mais do que quinze anos e tinha uma pistola apontada na direção de Paul White que, encontrava-se de joelhos no chão. Corri meus olhos pelo local até que vi os dois tiros que haviam sido disparos, apenas um quadro havia sido acertado por ele.

— Denis White largue a arma! — Rossi esbravejou dando um único passo para frente, o garoto nos olhou com raiva e depois para o homem no chão.

— Não! — Ele gritou, de seus olhos saiam inúmeras lágrimas. — Quero que me deem uma boa razão pra não meter um tiro na cara dele! Só uma razão!

Não respondemos.

— Denis larga essa arma, por favor. — Pedi pela primeira vez, tentando outro método que talvez pudesse dar errado. — Por favor, eu sei que não quer fazer isso com ele.

O adolescente me olhou novamente, continuou negando dizendo que não iria solta a arma enquanto eu continuava a persistir para que ele a soltasse.

— Ele merece morrer, depois do que ele fez com aquelas famílias… Ele é um monstro! — Gritou outra vez. — Ele disse que sou como ele, tal pai, tal filho… Se eu matar ele mais nenhuma outra família irá morrer!

Mais afastado do adolescente avistei Hotchner se aproximando, ele parou por um momento.

— Não você não é como ele Denis. — Falei, ainda tinha a arma apontada para ele, mas com a outra mão comecei a abaixar o braço de Rossi, fazendo com que ele não a apontasse mais para o garoto. Comecei a fazer o mesmo. — Uma vez me disseram que eu seria como o meu pai também, eu não gostei nem um pouco de ouvir aquilo e sabe o que eu fiz?

Denis me olhava e negou com a cabeça.

— Eu cresci e fiz de tudo para não ser parecida com meu pai — Respondi, agachei-me colocando a arma no chão e a empurrei para perto de Rossi. Aos poucos comecei a me aproximar do adolescente mantendo as duas mãos para cima, mostrando para ele que eu não era uma ameaça. — Eu também ouvia isso do meu pai e de outras pessoas também, mas isso não significa nada… Eu não me tornei alguém como o meu pai e você também não se tornará alguém como o seu.

Denis balançou a cabeça em negação novamente.

— Não… Ele, ele é doente e eu sou também! Ele me disse isso várias vezes! — Ele voltou-se para o pai. — Ele disse que um dia eu seria iguaizinho a ele…

— Ele está errado. Ele sabe disso e cabe a você mostrar o quão errado ele estava ao dizer isso a você. — Continuei me aproximando até ficar diante dele, logo atrás vi Hotchner também se aproximar e ao ver que ele estava próximos demais de nós dois, balancei lentamente minha cabeça para que ele não continuasse mais.

— E eu sei que você não quer ser como ele. Entendo o que está sentindo nesse momento, mas fazer isso não é o certo. O fitei com firmeza e entendi minha mão até ele. — Agora só resta a você decidir se quer ser igual a ele ou se irá ser diferente do homem que ele é. Você é um assassino, Denis? Ele demorou para responder, alternava seu olhar entre mim e o pai e fez isso várias vezes até que seus olhos parou sobre mim.

— Não. — Ao dizer isso ele soltou a arma entregando-a para mim e então se jogou no chão, chorando como uma criança pequena.

Enquanto algemava Paul Hotchner me encarou, seu olhar já dizia tudo e não precisei de muita inteligência para perceber que ele estava bravo comigo, tentei não prestar muita atenção naquilo, pois o que realmente importava era que tudo aquilo havia acabado.

Os dois assassinos foram presos e poderíamos finalmente voltar para casa.

Notas finais
Já vou deixando avisado que no próximo capítulo teremos a primeira interação entre Hotchner e Julia hehe. Estou falando sério. Beijos meninas!