Stronger feelings

24 Capítulo 24


Notas iniciais
Olá leitoras do meu coração, capítulo novo aqui e com um pouco de Hotlia ♥ Boa Leitura!

No voo de volta para casa, acabei adormecendo por quase por todo o trajeto e pelo visto não havia sido a única a fazer isso. O silêncio dentro do jato ajudou e muito com o cochilo que tirei, e aproveitei o tempo de volta para relaxar também; mesmo que fosse algo bem difícil para mim.

Não havia de fato dormido, chamaria aquilo de apenas um cochilo, mas que já conseguiu tirar um pouco do enorme cansaço que sentia por causa daquele caso que tivemos. Foi bom para conseguir esquecer do que ocorrera em NY. Já me sentia bem melhor e disposta a começar outro dia sem aquele tipo de preocupação. Mas não me via cem por cento, não quando eu sabia que James conseguiu encontrar uma forma de me vigiar outra vez.

Toda a equipe saiu junta do jatinho e seguimos de volta à unidade onde pegamos o elevador. Encostei-me no canto, deixando que parte do meu corpo fosse apoiado pela parede e fiquei daquele mesmo jeito enquanto esperávamos chegar até o andar que queríamos.

Ninguém ali dentro dissera uma só palavra desde o momento em que entramos, e aquele mesmo silêncio continuava a se estender a cada novo segundo em que permanecíamos ali dentro. Não tinha muito o que falar, estava distraída, preocupada demais para dizer algo.

Ainda dentro do elevador um assunto se iniciou quando Spencer começou a falar alguma coisa sobre um assunto que eu não entendia nada. Não estava prestando muita atenção no que era dito, nem mesmo ouvia direito o que estava sendo conversado ali dentro.

Mesmo que eu não quisesse aquilo, tinha meus pensamentos longe demais de onde eu estava, um turbilhão de pensamentos, na verdade. Só pareci ser puxada de volta para o presente, mais exatamente para dentro daquele elevador cheio de agentes quando senti alguém tocar a palma da minha mão e depois meus dedos.

Me assustei com o toque assim tão inesperado e olhei para baixo, vendo a mão de Hotchner mover-se quase tão discreta que era quase impossível dizer que era ele quem estava fazendo aquilo. Seus dedos se moviam de maneira a tocar nos meus, sorri da forma mais discreta que conseguia naquele momento e imitei a ação; não conseguindo ser tão discreta assim como ele, mas pude usar minha mala para esconder o que fazíamos ali.

Ergui meu olhar, tentando prestar atenção na conversa, mas não adiantou. Era como se eu estivesse distante demais de tudo o que me cercava no momento. Prestava atenção na figura alta e masculina do homem que se encontrava um pouco mais a minha frente e que bloqueava quase todo o meu campo de visão ali dentro.

— Ok, eu tive uma ideia que com toda certeza irá animar a todos — Morgan começou a falar de repente. — Depois de um caso tão cansativo como esse que tivemos, acho que deveríamos fazer alguma coisa para relaxarmos. Não acham?

Ele sugeriu com um largo sorriso no rosto.

— Não vejo qualquer tipo de objeção que me faça ser contra essa ideia. — Aaron também concordou e imediatamente paramos o que fazíamos, voltando a agir apenas como dois agentes de uma mesma equipe.

— Olha, se eu não estivesse tão cansada assim eu até que toparia também — Falei, Rossi me olhou com um pouco de indignação. — Só quero uma boa noite de sono para continuar essa semana.

— Estou de acordo com a Julia — JJ também se pronunciou. — Eu tenho um menino para cuidar e também estou muito cansada.

Morgan e Rossi nos olharam ao mesmo tempo.

— Então será apenas a noite dos homens? — Derek perguntou espalmando suas mãos uma na outra. — Pretty boy, topa?

Reid pareceu pensar um pouco na resposta que iria dar e então logo concordou. Taylor também foi chamado, mas recusou o convite dizendo que teria assuntos para resolver. Rossi insistiu para que ele fosse também, afinal, querendo ou não ele fazia parte da nossa equipe. Mas como antes ele recusou outra vez. As portas do elevador serem aberta e nos revelar o andar que desejávamos. Spencer e Morgan saíram na frente e o restante de nós logo em seguida.

Penélope Garcia apareceu de repente, saudando a todos com um sorriso largo e os braços abertos como se quisesse nos abraçar e fez isso com Taylor também, não disfarçando seu olhar assustado e curioso ao vê-lo com o curativo novo no nariz que estava um pouco mais inchado que antes.

Cada um seguiu para sua mesa e Penélope logo se aproximou mais de JJ, apontando de forma discreta para o novo agente.

— O que houve com ele? — Ela perguntou olhando para mim e depois para JJ, Morgan mais à frente soltou uma risada discreta enquanto gesticulava com a mão na direção de seu nariz.

— Julia deu um belo soco nele — Respondeu JJ abaixando seu tom de voz. Penélope no mesmo segundo me olhou, os olhos arregalados e sua boca aberta deixando claro sua enorme surpresa ao saber daquilo.

— Teve um bom motivo para fazer isso? — Ela perguntou, agora me olhando.

— Se dou um soco em alguém eu tenho motivo e tanto para ser forçada a fazer isso. — Ela riu com a minha resposta.

— Julia, venha até a minha sala, por favor. — Strauss me chamou de repente, apareceu no mesmo corredor onde estávamos, sua voz autoritária e cortante interrompeu Garcia antes mesmo dela poder dizer alguma coisa.

Os três fizeram uma careta quando Strauss deu as costas, me olharam como se me dissessem que eu havia me dado mal, mas eu sabia muito bem sobre o que ela queria conversar e não tinha relação nenhuma com bronca. A segui até sua sala e assim que autorizada, entrei e fechei a porta.

Erin gesticulou para que eu me sentasse na cadeira de frente para sua mesa enquanto ela sentava-se também. Aproximei-me puxando a cadeira para que eu pudesse me sentar também e fiquei de frente para ela, colocando minha mala no chão próxima aos meus pés.

— Bem, eu acredito que você já conseguiu pensar bastante sobre o conversamos antes já que, teve tempo o suficiente para fazer isso. Quase um mês inteiro. — Ela fitou-me, apoiando as duas mãos sobre sua mesa. — E acredito também que já terei a minha resposta.

Concordei com a cabeça.

— Sim, a terá. — Respondi. — E ela é não. Eu não serei sua “agente espiã” e não irei vigiar nenhum dos agentes da equipe na qual estou fazendo parte, principalmente o chefe dela.

Continuei ali sentada, mesmo que eu não quisesse mais continuar ali dentro daquela sala. Strauss de imediato apenas sorriu irônica.

— Então, você já está fazendo parte da grande família feliz, não é mesmo? — A mulher me questionou, mantendo o mesmo tom de ironia em sua voz.

— Não é nada disso, senhora. — Respondi com honestidade. — Só não quero comprometer a minha carreira no FBI fazendo algo como o que a senhora está me pedindo.

Juntei minhas mãos sobre o meu colo.

— Acho que você não entendeu que, ao pedir que fizesse isso estou prezando não apenas pela equipe, mas por você também — Disse, num tom levemente persistente. — Ter uma agente tão conhecida e também tão bem elogiada como você aqui nessa unidade é importante para nós. Especialmente para mim.

Assenti muito lentamente, prestando bastante atenção em suas palavras.

— Eu entendo perfeitamente isso, senhora. — Respondi. — Mas não irei fazer fazer nada disso, sinto muito.

Segurei a alça da minha mala, pronta para me levantar e sair logo da sala.

— Acho que não está pensando direito, agente. — Ela me interrompeu. — Acho que não está seguindo o caminho correto com essa escolha. Parei no lugar. Ergui levemente minha sobrancelha a encarando diretamente nos olhos.

— “Não estou seguindo o caminho correto?” — Repeti o que ela disse, agora num tom de pergunta e pouco irônico. — Desculpe-me senhora, mas acho que você está errada. Fui uma aluna modelo na escola onde estudei me tornando uma gêniozinho antes mesmo do ensino médio, terminei meus estudos aos quatorze e entrei para a faculdade de psicologia com apenas quinze anos e aos dezenove já estava formada. Com vinte me tornei agente e desde então estou no FBI, acho que sei exatamente o caminho que estou seguindo.

Respondi a fitando seriamente e vendo que ela não iria me responder comecei a levantar-me para assim poder sair dali.

— Entendo que se preocupe com a unidade, mas não irei manchar meu nome ou minha carreira agindo como um tipo de espiã para a senhora. — Estava já parada diante da porta, com a mão segurando a maçaneta quando ela arrastou a cadeira, afastando-a de sua mesa e se colocou de pé também.

— Espero que tenha certeza da escolha que tomou hoje, agente Barbosa. — Statuss falou meu sobrenome de forma pausada, num tom que me soou um tanto petulante até.

— Estou sim. Nunca estive com tanta certeza de algo como estou agora. — Respondi fazendo um aceno rápido para a mulher de pé do outro lado da sala. — Até amanhã, senhora Strauss.

Dizendo isso deixei a sala, fechando a porta ao sair, soltei o ar me sentindo bem mais aliviada que antes. Como se um grande peso tivesse sido tirado de cima dos meus ombros.

Estava voltando para a minha mesa, ainda queria fazer mais uma coisa antes de ir embora e encontrei com Morgan, Penélope e JJ que pareciam ter ficado esperando por mim. Eles perguntaram — é claro — o motivo de Statuss querer falar comigo e precisei mentir, contei que fui apenas repreendida por ter dado o soco em Taylor e nada mais que isso. Não iria encerrar aquele dia contando que ela queria que eu e o agente Taylor ficássemos de olho neles. Apesar de ele ter aceitado fazer isso.

Felizmente o assunto se encerrou por ali mesmo, JJ se despediu de nós e aproveitei a deixa para me afastar também. Havia mais uma coisa que eu precisava fazer. Caminhei em direção a sala de Aaron com um pouco de pressa por querer ir embora logo e, quando eu já estava quase batendo na porta de sua sala ele a abriu de repente, saindo dela e quase me atropelando no processo. Ao me ver ele parou abrutadamente em seu lugar, olhando-me com um pouco de surpresa.

— Podemos conversar por um momento? — Perguntei recuando meio passo para manter-me um pouco mais afastada dele, havíamos praticamente dado de cada um com o outro. — Juro que será bem rápido.

Ele me fitou de cima abaixo; provavelmente tentando me perfilar como sempre parecia fazer.

— Claro. — Ele entrou em sua sala e permitiu que eu também entrasse. Não sentamos, porque o que eu tinha a lhe dizer era de fato algo rápido. — Então, o que foi?

— Strauss pediu para que eu vigiasse a equipe e ao senhor também — Falei de uma vez e de forma profissional; não havia percebido que fizera aquilo. Me senti um pouco estranha ao dizer aquilo em voz alta, foi como se eu a estivesse dedurando por algo e talvez eu realmente estivesse fazendo isso. — Acho que merecia saber sobre isso para no caso de ela querer incluir um agente novo na equipe só para fazer isso.

Me atrevi a olhá-lo, Hotchner não esboçava reação alguma ao me ouvir e temi pelo que poderia estar passando em sua cabeça.

— Tem mais alguma coisa para me contar não é? — Ele perguntou, perdendo levemente a cabeça para o lado. Prendi a respiração por dois segundos, será que estava tão óbvio assim?

— Sei que pode parecer que estou fazendo fofoca, mas só tenha cuidado com o agente Taylor — Respondi ainda o fitando. — Ela pediu o mesmo para ele. Não sei o motivo dela estar querendo vigiar você e todos os outros, mas acho que deveria ficar a par sobre isso. Era só isso o que eu queria lhe dizer.

— Tudo bem. — Ele continuou me fitando, apesar de seu olhar ainda ser sério, quando notei que ele pareceu dar meio passo para frente, aproximando-se de mim, seu olhar mudou minimamente. — Você está bem?

Perguntou de repente, agora me fitando de forma analisadora.

— E há algum motivo para que eu não fique bem? — Perguntei de volta, dando de ombros.

— Desde aquele empecilho sobre James Sawyer você está agitada e um pouco distraída também — Respondeu. Ele estava realmente me analisando naquele momento?

Tentei disfarçar soltando uma risada.

— Você vai começar a me perfilar agora? — O questionei desviando meu olhar. Aaron deu mais um passo para frente, parando mais na minha frente.

— Eu estou preocupado. — Falou. — Você está assim desde o que houve em New York e eu sei que tem a ver com a ligação que James lhe fez. O que foi que ele disse a você?

Passei a mão por meu pescoço, me vendo nervosa ali. Fechei os olhos por poucos segundos, respirando profundamente antes de começar a lhe responder.

— “Você realmente acha que eu ainda estou preso naquele buraco que o seu chefe me jogou?” — Repeti suas palavras sentindo-me estranha ao fazer isso. — Eu sei que ligou para a penitenciária onde ele está e lhe confirmaram isso, mas eu só não consigo tirar isso da minha cabeça assim tão facilmente. Não é nada demais.

Eu comecei a me afastar, para sair de sua sala e ir logo embora e quem sabe tentar descansar um pouco. Porém ao dar o primeiro passo Hotchner me segurou pelo braço, me parando no mesmo segundo.

— Ele está preso, Julia. — Ele falou, certo de suas palavras. Segurando meu braço de forma um pouco mais gentil. — E não irá fazer nada com você. Eu posso lhe garantir isso.

Me virei apenas o suficiente para conseguir encará-lo.

— Não me preocupo com isso — Respondi com honestidade. — Se ele fez com que eu pensasse que ele me ligou usando o número do meu pai o que mais ele pode fazer? James sabe muito bem como me atingir e é isso o que mais me preocupa.

A mão de Aaron pareceu subir por meu braço.

— Ele não irá fazer absolutamente nada com você e nem com alguém que seja próximo a você, Julia. — Sua voz saiu com mais firmeza. — Isso eu posso te garantir com toda a certeza. Ele não irá tentar fazer nada e mesmo que tente, não chegará a tocar um único dedo em você!

Assenti bem devagar. Pensei em contar que ele também sabia como eu estava vestida durante o caso em NY, mas deixei aquilo quieto. Já estava prolongando demais aquela conversa e mesmo que aquilo estivesse me deixando preocupada por ele estar conseguindo me vigiar, não podia envolver mais ninguém naquilo.

— Tudo bem. Era só isso o que eu queria falar mesmo e… Eu preciso ir embora logo — Desconversei desviando meus olhos de seu rosto ao notar que já estávamos nos encarando por tempo demais. — E você ainda precisa sair com o Rossi e os outros.

Ao sair de sua sala meu celular tocou, o tirei do bolso vendo que um número desconhecido havia mandado uma mensagem e a abri. Me arrependendo por ter feito isso assim que a li.

“Uma data muito especial para nós dois está se aproximando, Julia minha querida. Já estou contando os dias e você?”

Apenas a apaguei, sequer dando muita atenção para ela ou p que ela poderia significar. Apenas continuei andando para ir embora logo, pegando minhas coisas antes de ir até o elevador.

Hotchner havia me dito que nada iria acontecer e ele parecia estar muito certo quanto a isso. Pude sentir sua voz dizer aquelas palavras com firmeza e certeza, ele garantiu isso a mim, duas vezes. Disse que James estava preso e iria continuar lá por um longo tempo e que ele não tocaria em mim, mas não era isso o que eu temia de fato.

Seria paranoia da minha cabeça pensar o contrário? Ainda gostaria de saber como ele estaria conseguindo me vigiar e conforme eu continuava com esse mesmo pensamento, menos respostas eu conseguia e mais confusa eu ficava com tudo.

Notas finais
~Tensão e mais tensão chegando... ~E Hotlia que não toma jeito logo hein??