Stronger feelings

16 Capítulo 16


Notas iniciais
Oie amores, como prometido cheguei mais cedo com mais um capítulo e quero agradecer a todo mundo que está comentando, vocês realmente fazem muita diferença com seus comentários super carinhosos. Obrigada a todas ♥ Boa Leitura!

Havíamos pousado finalmente em Virgínia e já eram quase três e quinze da manhã.

Estava pegando algumas coisas da minha mesa quando Strauss pediu para que eu ficasse mais um pouco, pois ela queria conversar comigo. Ela pediu desculpas por estar fazendo aquilo tão tarde, mas disse que queria resolver logo assunto de uma vez. Eu queria poder dizer a ela que gostaria que ela deixasse para resolver aquilo na manhã seguinte, mas sabia que seria uma inútil tentativa.

Segui caminho até a sua sala e logo entrei, ela já estava me esperando e juntamente com ela estava o agente Taylor Walter. Ele sentado na cadeira de frente para sua mesa e virou o rosto na minha direção quando entrei. Franzi meu cenho ao vê-lo ali, até onde eu sabia ela queria conversar comigo e vê-lo ali me deixou um tanto confusa.

— Por favor agente, sente-se. — A mulher pediu, gesticulando para a cadeira vazia ao lado da de Taylor. Ao me aproximar mais um pouco de sua mesa a olhei para tudo o que havia em cima dela e notei vários arquivos que estavam sobre ela, porém não consegui ler nenhum deles.

— Sente-se Julia, por favor. — Ela pediu outra vez num tom inicialmente calmo, mas eu sabia que aquilo não iria continuar. Já estava naquela unidade há quase dois meses e conhecia um pouco a peça rara que Erin Strauss era e sobre o que diziam sobre ela.

— Sei que é tarde e que também está cansada por causa da longa viagem, mas preferi fazer isso logo para nos poupar de futuras dores de cabeça. — Ela disse me fitando brevemente antes de voltar a mexer nos arquivos sobre a sua mesa. — Você tem um nome muito conhecido aqui pelo FBI, Julia. Principalmente o seu sobrenome, mas não foi por isso que a chamei até a minha sala. Nem mesmo o agente Walter.

Tentei não me mostrar incomodada com aquilo, acho que já havíamos passado da fase onde eu era a estrelinha do FBI.

— Recebi o relatório do agente Aaron Hotchner sobre o caso que pegaram dias atrás, do homem das vinte e cinco vítimas; James Sawyer. — A mulher pegou uma pasta fina e tirou dois papéis de dentro dela, correu os olhos rapidamente como se o estivesse lendo e então voltou os olhos para mim. — Aqui diz algo sobre você ter tido um certo tipo envolvimento com este caso, isso é mesmo verdade?

Respirei fundo, olhando de esgueira para o homem sentado ao meu lado. Taylor estava muito calado, era como se ele nem mesmo estivesse ali.

— Sim. — Respondi sentindo-me ansiosa. Strauss assentiu lentamente voltando a ler o relatório novamente, dessa vez ela pareceu demorar um pouco mais.

— E você continuou a participar do caso mesmo assim? — Ela me questionou sem me olhar.

— Sim, continuei. — A olhei, mesmo que ela não estivesse me olhando de volta. — Pedi para que o senhor Hotchner deixasse que eu continuasse a participar do caso.

— E por qual motivo? — Ela me questionou novamente. — Espero que não tenha sido por vingança pelo que Sawyer lhe fez anos atrás.

Ao dizer aquilo ela voltou a me encarar e naquele momento eu desejei poder saber o que Hotchner havia escrito naquele relatório. Claro que, querer fazer parte do caso não tinha relação alguma com vingança, mas eu realmente gostaria de saber quais eram as palavras contidas naquele papel.

— Não foi por vingança e isso eu posso garantir para a senhora. — Cruzei meus braços. — Assim como os outros eu o queria pegá-lo, pessoas como ele não podem ficar solto por aí e eu queria impedir que ele continuasse livre. Foi só isso.

Erin balançou a cabeça de novo seus olhos se voltaram para o relatório, ela o guardou na pasta e mexeu em outros arquivos sobre a sua mesa deixando um com o meu nome escrito nele em evidência.

— Meus pêsames pelo que houve com a sua mãe e fico feliz em saber que manteve o seu profissionalismo durante todo o caso, alguns agentes infelizmente não costumam fazer isso… — Seu tom pareceu mudar brevemente ao dizer aquilo, como se ela estivesse falando aquilo de alguém próximo a ela. Suspirei aliviada ao ouvir que ela sabia apenas sobre a minha mãe ser a vítima e nada mais que isso.

— Está gostando dessa equipe, Julia? — O assunto mudou, Strauss agora tinha as duas mãos sobre a mesa e seus olhos agora me encaravam. — Está satisfeita com eles?

Franzi meus lábios brevemente com aquela pergunta, não entendendo muito bem o motivo dela.

— Não tenho nenhuma reclamação, senhora. — Não entendi bem o propósito daquela pergunta, mas continuei respondendo.

Olhei novamente para o lado, o outro agente. Ele pareceu ter sido esquecido ali.

— E quanto ao agente Aaron Hotchner? — Questionou-me num tom de curiosidade. Agora sim estava estranhado aquelas perguntas. — Alguma reclamação que possa ter sobre ele?

Estreitei levemente meus olhos ao encará-la, acho que já estava percebendo o real motivo pelo qual ela me chamou até sua sala.

— E por que eu teria? — Dei de ombros fingindo não compreender até que ponto ela queria chagar com aquele questionamento. — Com todo o respeito, mas acho que se houvesse algum problema quem ficaria sabendo primeiro seria a senhora, não é mesmo?

Ela mostrou um curto sorriso.

— Senhorita Barbosa quero que tenha em mente que essa equipe, mais especificamente o agente Aaron Horchner cometeu um erro uma vez — Ela respondeu num tom sério. — Não pense que só porquê está fazendo parte daquela “família” não pode me deixar a par do que acontece. Qualquer problema você poderá me dizer, não quero que a sua carreira seja prejudicada por algum erro de outro agente.

Bati o pé ao entender perfeitamente o que ela quis dizer com aquilo. Olhei para o relógio em sua mesa me dando conta do quão tarde já era e também para usar aquilo como desculpa para sair logo dali de dentro.

— Eu acho que ainda não ficou claro para mim, mas o que a senhora exatamente quer de mim? — Perguntei de uma vez, querendo acabar logo com aquele assunto antes que ele pudesse se estender mais.

Ela suspirou.

— É tudo muito simples, agente. — Ela respondeu me fitando e alterando um pouco o seu olhar para a esquerda, onde o outro agente estava sentado. — Foi por isso que a chamei até aqui e também ao agente Walter.

Ela fez uma pausa longa dessa vez, eu já estava começando a ficar muito desconfortável com ao rumo que aquele assunto estava chegando.

— O que eu quero de vocês dois é que você e o agente Taylor fiquem de olho no agente Aaron Hotchner. — Ela respondeu, surpreendendo-me ao ouvir aquilo.

Não respondi, permaneci calada por um bom tempo, não sabia ao certo o que deveria dizer naquele momento. Se é que existia alguma resposta para ser dada.

— Eu acho que ainda não entendi muito bem o que…

— Quero que você e o agente Taylor fiquem de olho em qualquer ação feita pelo agente Aaron Hotchner. — Ela me interrompeu sem parecer se importar muito com isso, respondendo de maneira séria. — Já conversei um pouco sobre isso com o agente Walter e ele o fará e agora eu quero saber de você, irá me ajudar nisso, agente Barbosa?

Fiquei calada por um tempo, não estava pensando em alguma resposta nem nada disso. O que tinha em mente era o motivo que estaria a levando a fazer algo como aquilo.

— Eu preciso pensar a respeito. — Foi tudo o que consegui dizer ali. — Está ficando tarde é melhor eu ir embora.

— Acho que a resposta para isso é bem simples não é? — Walter finalmente falou de repente, também me interrompendo de supetão, o olhei surpresa ao finalmente escutá-lo. Torci meus lábios.

— Pode ser para você, mas não é tão fácil assim para mim, agente. — Respondi o fitando de maneira séria. — Como eu disse antes, eu preciso pensar sobre isso. Não é uma decisão assim tão fácil de ser tomada e quero ter certeza na minha resposta.

Voltei a olhar para Strauss, ela não pareceu gostar muito da minha resposta inicial, mas não insistiu. Sai da sala antes mesmo que ela ou o agente Taylor pudessem dizer mais alguma coisa, já havia ouvido algumas coisas ruins sobre ela, mas nunca pensei que algumas fossem de fato verdadeiras.

Não sabia se aquilo era algo da minha cabeça, mas o que pude entender era que Erin Strauss aparentemente estava disposta a prejudicar alguém em específico. Aaron Hotchner, o motivo? Era desconhecido, pelo menos por enquanto.

O motivo que ela queria que eu a ajudasse nisso também, apesar dela dizer que não queria eu tivesse meu nome manchado no FBI o seu pedido me pareceu muito inconveniente. Eu já sabia qual resposta lhe daria, não iria ajudá-la a fazer algo como aquilo quando a nossa única preocupação era apenas pegar criminosos.

Prolongaria aquilo ao máximo para não ter que conversar com ela tão cedo assim, mesmo sabendo que ela iria me cobrar por uma resposta rápida. Acabei saindo da sala de Strauss muito pensativa, na verdade bem mais intrigada do que pensativa.

Morgan havia dito que havia estranhado a chegada e o tão inesperado acréscimo do agente Walter na equipe e não era pra menos, realmente aquilo não era algo bom e saber que ele estava ali apenas para servir como um tipo de espião para Strauss era difícil de se acreditar.

— Que droga. — Suspirei ao entrar no elevador. Passei as duas mãos por meu rosto o sentindo esquentar de repente, meus ombros pareceram pesar quando aquele assunto se mostrou fixo em minha mente.

Como se eu já não tivesse o bastante para me perturbar. Apertei o botão para ir até o térreo e quando a porta estava quase fechando me assustei quando um braço já bem conhecido por mim a fez recuar para que a porta fosse aberta outra vez.

Lá estava ele, Aaron Hotchner. O homem entrou me olhando da forma mais séria que ele conseguia.

Desviei meu olhar no mesmo segundo, não fiquei tão surpresa assim por constar que ele estava indo embora tão tarde da noite. Juntei meus braços como se aquilo de alguma forma fosse me manter o mais longe possível dele e me encostei mais no canto do interior do elevador.

Todo o espaço ali dentro se tornando apenas dele. Ele não disse uma só palavra e eu também não, do mesmo jeito calado que ele entrou no elevador assim ele permaneceu e eu também.

Até sermos levados até o térreo, ele fez um gesto curto e rápido deixando que eu saísse primeiro e não hesitei em fazer aquilo. Só queria logo sair de perto dele e evitar todo o constrangimento que já se apossava de mim com tamanha força. Calados e sem olhar direito na cara um do outro foi assim que seguimos até o estacionamento.

Cada um seguindo para o seu carro e a sua casa sem que uma única palavra fosse trocada.

•••

Cheguei em casa bem mais tarde do que imaginei que fosse, já haviam se passado das quatro da manhã e apesar de estar cansada o suficiente para dar aquele por encerrado eu sabia que não iria conseguir dormir assim tão rapidamente como eu gostaria que acontecesse.

Arrumei algumas coisas para ir trabalhar na manhã seguinte, coloquei mais duas mudas de roupas limpas em minha mala e por estar om fome preparei algo rápido e leve para comer antes de ir dormir.

O pedido de Strauss, que na minha opinião soou mais como uma ordem da qual deveria ser obedecida voltou aos meus pensamentos. Talvez eu devesse contar isso para Hotchner e mantê-lo em alerta.

Talvez, talvez… Talvez…

Havia notado que minha cabeça andava muito cheia de dúvidas e talvez demais para serem contados. E isso não era um algo assim tão normal de mim, não fazia parte de mim possuir tantas dúvidas assim.

Fui até meu quarto depois de comer, sendo seguida por Doug que, tranquilamente estava me acompanhando e assim que entramos tratou de se acomodar em um canto que praticamente lhe pertencia e deitou ali. Vesti o primeiro pijama que achei, estava finalmente sentido meus olhos pesarem com o sono.

Ao estar pronta para dormir, me apressei para deitar na cama e senti como se meu corpo tivesse me agradecido por ter feito isso. Ao me deitar e relaxar foi como se todo o meu corpo relaxasse aos poucos de forma completa, soltei um suspiro baixo e lento fechando meus olhos quando os senti pesados demais; já estava ficando claro que o sono acabaria vindo a qualquer momento, mas não foi nada disso que aconteceu por quase meia hora.

Tentava não pensar no que acontecera mais cedo quando voltávamos de Sitka e também sobre o que aconteceu antes de eu voltar para casa, procurei conseguir entreter minha mente com qualquer outra coisa que pudesse servir de distração, porém ela insistia cada vez mais em retomar àqueles assuntos. Fazendo-me lembrar do que ocorrera em pouco tempo.

Não. Pude escutar a minha própria voz dizer aquilo em alto e bom som para Hotchner.

Ela ecoou por minha cabeça, sendo repetida várias e várias vezes. Cobri meu rosto com as mãos, me sentia como se estivesse de volta para a minha adolescência, e não pude deixar de me sentir uma grande boba por estar me sentindo daquele jeito.

Afinal eu era uma mulher já adulta e formada, não deveria me sentir daquela forma por causa de uma atitude tomada por impulso por alguém que sequer sabia o motivo que o levou a fazer aquilo. Se aquele beijo não significou absolutamente nada para mim, por que parecia que eu estava me importando tanto com aquilo? Por que me sentir tão sem graça por isso quando quem deveria realmente se sentir dessa maneira era a pessoa que me beijou sem um motivo aparente?

Não. Aquela foi a real resposta. Era estranho pensar que aquela resposta que dei exatamente a que eu queria ter dado quando ele me fez aquela pergunta.

Porque de fato, talvez eu não tivesse mesmo concordado com suas palavras. Me arrependido do que aconteceu? De forma alguma, eu tentei pensar em tudo que pudesse tirar aquilo da minha mente, como o fato dele ser meu chefe, entre muitos outros motivos. Mas de certa forma, eu não conseguia enxergar aquilo como algo errado. Pelo menos não da forma como ele estava vendo isso.

Um erro que não se repetirá. Sua voz soou em minha mente ao recordar-me daquilo, foi como se eu o sentisse dizer aquelas palavras novamente para mim e ao pensar nisso, meu corpo todo se tensionou.

Girei na cama ficando deitada agora de maneira que meus olhos ficassem fixos no teto de meu quarto, continuei encarando a pintura clara dali pensando e pensando mais sobre tudo aquilo. Forcei meus olhos a se fecharem, tentaria dormir de um Heitor ou de outro porque, a semana ainda estava em seu início e eu sabia muito bem que o que houve mais cedo seria apenas o começo de algo que se iniciou, mas que não seria resolvido assim tão rápido.

O que me restava fazer ali era me preparar para as surpresas que com toda certeza viriam pela frente, mesmo que eu sentisse que não iria dar certo fazer aquilo.

Notas finais
~Epa, acho que estamos finalmente chegando a uma parte interessante disso tudo hum... Beijos e nos vemos nos comentários ♥