Stronger feelings

26 Capítulo 26


Notas iniciais
Olá amores, capítulo novo e pretendo fazer o mesmo que fiz na semana passada e mais tarde postar mais um capítulo também. Boa Leitura!

Hotchner pediu para que eu e Reid analisássemos todos os vídeos recebidos, se uma das vítimas eram uma das crianças na qual Benjamin foi o palhaço da festa, talvez fosse possível que houvesse alguma pista a mais sobre ele que pudesse nos ajudar naquele caso. Os vídeos eram caseiros, pelo menos aquele que no momento estávamos assistindo havia sido filmado pelo pai da criança; a única até o momento que fora identificada como Georgie Jones, de apenas sete anos. Reid e eu estávamos em uma sala que o xerife Michael separou para que pudéssemos assistir aos vídeos sem interrupções e com calma. Era uma sala mais afastada do barulho e toda a agitação que estava dentro da delegacia, a porta e as janelas estavam fechadas, não queríamos ser interrompidos ou ter algum curioso bisbilhotando o que fazíamos ali dentro.

— Ele repetiu a mesma estrofe que cantou na ligação pelo menos cinco vezes só neste vídeo — O rapaz observou, assim como eu, ele parecia concentrado demais em tudo aquilo nos era mostrado. — E todas as crianças cantaram com ele.

— Bem, ele tem muita vantagem sobre elas. Por ser um palhaço e participar de todas as festas infantis a criançada o conhece, ele usou isso ao seu favor — Comecei, sem tirar os olhos da tela onde o vídeo era mostrado para nós. — E quanto a música, ela parece ficar mais assustadora quando as crianças a cantam com ele. Parece até que a cantam sem que saibam que serão mortas.

Prestei mais atenção no vídeo, Benjamin se vestia como um palhaço quase assustador. A pintura em seu rosto era forte e chamativa, principalmente em volta de sua boca e olhos. A tinta vermelha e muito escura davam-lhe um destaque que poderia ser dito quase como assombroso. A peruca também na cor vermelha não ajudava no visual, parecia apenas deixá-lo mais assustador do que parecia.

Mas olhando bem o vídeo que era passado, ainda sim não se diria que aquele homem assassinara crianças. O vídeo era longo, registrava toda a festa de aniversário de Georgie Jones, desde as brincadeiras das crianças até o momento do parabéns. O assistimos todo e quando encerrado, olhamos um para o outro não sabendo ao certo o que deveria ser dito.

— Se Benjamin Rogar é mesmo um assassino de criança ele sabe esconder muito bem esse lado dele — Falei ainda olhando para Reid. — Além daquela estrofe da canção mais nada parece se ligar a ele como um assassino. Ele brinca com as crianças o tempo todo… Agora a pessoa da ligação, sequer se parece com ele.

Spencer levou o dedo até o queixo de forma pensativa, seu olhar se alternava entre o vídeo pausado e as duas fotos que tínhamos de Benjamin sobre a mesa. Comparei o homem com o palhaço e com ele sem toda aquela fantasia, nem mesmo parecia ser o mesmo homem que ganhava a vida como atração de aniversário.

— Estamos deixando algo passar, você tem razão, se formos olhar por esse lado Benjamin não parece um assassino, mas isso não quer dizer que ele não seja um. — Alertou, ele estava certo. — Se ele está escondendo esse lado, talvez estejamos lidando com alguém muito esperto e bom no que está fazendo. Tão bom que conseguiu esconder o lado assassino por um tempo.

— Eu sei que essa pergunta não parece ter muito sentido agora, mas você que foi mesmo ele quem fez isso? — Perguntei olhando para Spencer mais uma vez, não sabia o que pensar daquele caso ainda.

— É difícil saber, se formos analisar pelo que sabemos e temos, tudo diz que foi ele — Ele também me olhou, seus lábios levemente torcidos e as sobrancelhas unidas. — Mas se formos olhar para ele… Benjamin nem de perto parece ser um assassino, nem mesmo parece ser alguém que teria colhões para tal.

Pensativos nos calamos, não podia dizer isso sobre Reid, mas eu me sentia confusa demais sobre aquele caso. Ainda tínhamos mais vídeos para assistir e não podíamos simplesmente tirar conclusões precipitadas… Não sabia ao certo sobre o que pesar sobre aquilo. Meu celular tocou, o ergui da mesa vendo na tela que era Morgan quem estava ligando e atendi. Colocando-o no viva voz.

— O que foi Morgan? — Perguntei. A ligação estava barulhenta demais, no fundo podia se ouvir algo como uma escavadeira, o que iria dificultar um pouco para ouvi-lo com clareza.

Hotch está por perto? Ele não atende o celular. — Ele perguntou, o barulho que vinha da ligação estava mesmo fazendo com que fosse um pouco mais complicado de entender o que ele estava dizendo.

— Ele está conversando com Benjamin, deve ser por isso que não atende. — Spencer respondeu. — Julia e eu estamos assistindo a uns vídeos dele como animador da festa, para ver se descobrimos algo que nos ajude no caso.

Bem então terão que assistir mais alguns, encontramos uma caixa cheia de DVDs e fitas em VHS aqui na casa, deve ter em torno de umas cinquenta aqui — Cocei a testa quando ele falou aquilo, sequer havíamos saído do primeiro vídeo e teríamos mais para analisarmos. — Mas não foi só isso, encontraram mais corpos enterrados no quintal, restos na verdade. A legista estimulou que elas foram mortas há pelo menos oito anos.

Mordi meus lábios, de fato estava ficando ainda pior. Mais crianças que haviam sido mortas.

Vou pedir para o Rossi ir até o legista e ver o que ele consegue com os corpos, ligo assim que tivermos notícias novas. Um policial vai levar o conteúdo em mídia para vocês. — Assim que Morgan encerrou a ligação, Reid me olhou brevemente, ainda tínhamos quase quinze vídeos para assistir e analisarmos. Fiz um aceno com a cabeça ao perceber que ele parecia perguntar se deveríamos continuar com aquilo. Ele mudou o vídeo, clicando em outro é assim que ele começou o assistimos.

— Este começou bem diferente do primeiro — Observou com atenção, de fato aquele vídeo era bem mais diferente do anterior. Benjamin estava vestido como palhaço e assim como no outro, também se encontrava numa festa infantil.

Diferente do vídeo que vimos antes, não havia gritaria ou baderna das crianças presentes. Todas as crianças estavam sentadas ao seu redor, não consegui contar quantas eram ao todo, antes de perder a conta cheguei até o número quinze. Com toda certeza havia mais ou menos vinte crianças ali o rodeando. Elas estavam com um barco feito de papel em mãos e os moviam como se indicassem que ele estava navegando no mar. E enquanto elas faziam isso, não apenas Benjamin, mas todas cantavam o mesmo que fora cantando na ligação feita para a delegacia. Porém era apenas uma frase que era dita.

“Você poderá flutuar também”

A mesma frase era repetida várias vezes enquanto elas brincavam com o barco. Até que uma delas ergueu a mão, chamando por ele, mas não foi o seu nome que fora dito ali.

— Pennywise? — Spencer repetiu o nome pronunciado com estranheza, como se ele já tivesse escutado aquele nome em algum lugar e o mesmo aconteceu comigo. Aquele nome também me pareceu estanho. Até mesmo um pouco familiar. O vídeo continuou e então vi algo estranho.

— Espere, volta um pouco o vídeo — Pedi a ele, Reid me olhou rapidamente e então voltou o vídeo mais um pouco e o deixou rolar. — Volte novamente e preste bastante atenção em Benjamin depois que o menino o chama de Pennywise.

Olhamos os dois para a tela do notebook onde o vídeo era passado e concentrado assistimos a parte que fora voltada. A cena era a seguinte: Benjamin ainda estava de pé enquanto repetia a frase juntamente com as crianças, porém uma delas havia se levantado. A mesma que erguera a mão para chamá-lo. O garoto não parecia ter mais de oito anos e estava agitado, chamou pelo palhaço cinco vezes, porém Benjamin ou Pennywise — como era o personagem ali — o ignorou as cinco vezes em que foi chamado. Porém não era isso o que eu havia notado de estranho, Benjamin olhou para o garoto de pé e seu olhar mudou de repente, até mesmo sua postura se tornou outra.

Ele dissera algo, porém foi impossível consegui entender, pois apenas seus lábios haviam se movido. E como a qualidade do vídeo não era lá aquelas coisas, não seria possível fazer uma leitura labial para entender o que ele havia dito.

— Percebeu? — Perguntei e logo em seguida pausei o vídeo, encarando Reid que ainda tinha os olhos focados na tela.

— A mudança drástica no olhar e no jeito de agir? Sim eu percebi — Ele me olhou também, bem mais pensativo que antes. — No primeiro vídeo não aconteceu isso, ele agiu normalmente.

— O garoto o chamou cinco vezes seguidas e essa mudança veio logo depois, talvez tenha sido por isso. — Comecei. — Ele deve ter se irritado com o garoto que o chamou várias vezes e isso depois de chamá-lo de Pennywise.

O rapaz cruzou os braços, se apoiando na cadeira por completo. — Esse nome não me parece tão estranho assim, — Ele disse, num tom levemente mais baixo, como se estivesse pensado em alguma coisa. Eu também já escutara aquele nome antes… Olhei para ele.

— Acho que devemos ligar para Garcia e pedir um auxílio, — Dei de ombros ao sugerir aquilo. Ele concordou e então disquei seu número, colocando-o no viva voz assim que ela atendeu.

Peça e vocês receberão. — Ela disse de forma casual.

— Garcia o que pode encontrar sobre um palhaço chamado Pennywise? — Foi Spencer quem respondeu, parecendo um pouco apressado com aquilo. Assim como eu também estava.

Só um segundo… — Ela ficou em silêncio por um tempo, até que voltou. — Bem, eu encontrei várias referências a um tal de Pennywise, porém ele é apenas um personagem de um livro de terror…

— It. — Eu e Reid falamos ao mesmo tempo, aquele nome era tirado de um livro. Que era muito provável que Spencer também já o havia lido. — Sem ser do livro, tem mais alguma coisa? Algum Pennywise que participa de festas infantis?

Perguntei.

Ok, meus dois espertinhos preferidos, deixem-se ver aqui… Sim tem! Mas é um palhaço que vivia no Texas há uns quarenta anos atrás, trabalhava como palhaço em festas infantis assim como o Benjamin. Vou puxar um nome aqui, só um segundinho — Ela parou de falar por breves segundos e logo retornou. — O palhaço do Texas nada mais é do que pai do nosso palhaço aí em Minnesota. Jonny Carson Rogar.

Ficamos em silêncio.

Jonny ganhava a vida como palhaço, tanto em festas como em parques de diversão e tudo o mais que vocês podem imaginar que possa ter palhaço. — Ela continuou a passar as informações sobre o pai de Benjamin. — Mas a vida dele não era assim tão divertida como parece, Jonny recebia várias acusações por agressão e abuso e também agressão ao menor, mas nunca chegou a ser preso por falta de provas.

— Por que não estou surpresa com isso? — Comentei num tom baixo, soltando um longo suspiro.

E não parou por aí, no mesmo ano em que essas acusações foram levantadas, uma série de assassinatos de crianças também começou a acontecer no Texas, crianças eram encontradas esquartejadas e enterradas num terreno baldio qualquer — Penélope pareceu incomodada ao dizer aquilo e não era pra menos, algo daquele tipo deixaria qualquer um incomodado mesmo.

— As crianças que foram encontradas na casa de Benjamin também foram esquartejadas, ele deve estar seguindo os passos do pai. — Sugeriu Reid de forma pensativa. Assenti lentamente.

Olha, tem muita coisa aqui sobre isso, eu vou pesquisar mais fundo é assim que terminar envio tudo para vocês. — Penélope falou do outro lado da linha. — E já adianto que o que tem aqui não é nada legal, até daqui a pouco meus bebês!

Ela então desligou e enquanto isso continuamos com os vídeos, assistindo o maior número deles.

•••

Passei a mão no rosto assim que o décimo vídeo foi encerrado, havíamos notado mais mudanças no comportamento de Benjamin e decidimos fazer uma pausa para descansarmos um pouco.

— Não é estanho Benjamin e seu pai usarem o nome de um personagem de uma história fictícia como seu alter ego? — Spencer perguntou enquanto arrumava a mesa com os arquivos que tínhamos sobre aquele caso; os poucos arquivos.

Estava de frente para o painel que usávamos contendo algumas das informações sobre Benjamin e algumas das crianças (apenas duas agora) que foram identificadas.

— Talvez os dois sejam fãs do Stephen King? — Dei de ombros o olhando.

— A história é de um palhaço assassino que mata crianças… — Benjamin tem quarenta e dois anos, nasceu provavelmente em 1975 e o livro foi publicado em 1986… Ele teria em torno de seus onze anos, tem um pouco sentido o que disse. — Spencer começou a falar muito rápido enquanto passava aquelas informações. — Se o pai de Benjamin era o palhaço há quarenta anos, então ele teria apenas dois anos quando tudo começou…

Fechei meus olhos com aquilo.

— É preciso ser muito cruel para abusar de uma criança de apenas dois anos — Senti um frio na espinha com aquele pensamento, não conseguia nem mesmo imaginar o que se passava numa mente de alguém assim.

Olhei para o quadro na minha frente, não tínhamos muito para chamar aquilo de caso. Já estávamos em Eden Praire fazia quase duas horas e meia e não havíamos dando tantos passos assim. Nem mesmo estava entendendo muito bem aquele caso.

— Conseguiram alguma coisa com os vídeos? — Hotchner entrou na sala onde Spencer e eu estávamos, assustando-nos por não estarmos esperando por ele.

— Por hora muito pouco, mas descobrimos que o pai dele também trabalhava como palhaço anos atrás e houve casos de crianças mortas e enterradas também. — Spencer respondeu, virando-se para o mais velho. — Fora que Benjamin possa ter sofrido anos de abuso com o pai.

Hotchner cruzou os braços e o olhou com um pouco de dúvida.

— Tem certeza disso? Benjamin mencionou que foi adotado quando tinha dez anos. — Falou. — Nem mesmo lembra dos pais biológicos.

— Garcia puxou um pouco sobre a história dele, Benjamin usa um alter ego quando esta como palhaço, Pennywise — Comecei a responder. — O pai usava o mesmo nome quando trabalhava com isso também.

Spencer me olhou rapidamente.

— Ela vai reunir todas as informações que tem sobre ele e irá nos enviar, mas acho que ela teria nos contado sobre a adoção.

Assenti.

— E como foi a entrevista com Benjamin? — Perguntei olhando para o homem.

— Serei sincero em dizer isso, Benjamin Rogar estava muito ansioso e agitado demais durante todo o tempo que conversei com ele.— Relatou Hotchner nos olhando. — Ele também disse que está sentindo muita dor de cabeça, isso desde que chegou. Uni as sobrancelhas pensativa.

— E o que ele falou sobre o apagão que ele diz ter tido? — Spencer o questionou.

— Ele estava em casa tomando água quando apagou, disse que acordou com a polícia entrando em sua casa e viu que estava sujo de sangue. — O mais velho tinha agora o olhar fixo no rapaz.

— Eu acho que sei com o que estamos lidando aqui — Me pronunciei. — Benjamin disse sobre a dor de cabeça, estava ansioso e com com a mudança de humor, o mesmo que vimos nos vídeos e também o apagão que ele sofreu… Acho que Benjamin por ter o distúrbio de múltipla personalidade.

Os dois agentes me olharam ao me ouvirem dizer aquilo, não era um chute.

— Os sintomas são vários como automutilação, comportamento impulsivo, ansiedade e vários outros — Comecei a explicar, evitando um pouco entrar muito nos termos técnicos. — Algo bem comum nesses casos são os momentos em que a pessoa sofre um blackout ou a perda de memória.

Os dois não falaram nenhuma palavra enquanto eu ainda explicava a minha teoria sobre o nosso suspeito. Mesmo que não estivesse olhando, conseguia sentir o peso do olhar de Hotchner sobre mim; percebi que já não me sentia mais tão constrangida ou sem jeito por receber seu olhar como acontecia antes.

— Quase todos os adultos, uma porcentagem de noventa e oito por cento com esse distúrbio relatam ter sofrido algum tipo de abuso durante a infância e isso se aplica a Benjamin. — Gesticulei brevemente para a foto do homem sobre o mural onde tínhamos os detalhes daquele caso. — O pai abusava dele quando criança e isso acaba desencadeando o distúrbio. Muitas pessoas que desenvolvem isso tem como principal fator o abuso.

Parei por um segundo, apenas para recuperar o fôlego e voltar a falar com mais calma.

— Claro que isso é apenas uma teoria, não tem como ter certeza se é mesmo isso. — Dei de ombros.

— Acho que isso pode vir a ser uma verdade, quando assistimos os vídeos, sempre que alguém o chama pelo nome artístico de Pennywise é como se outra pessoa viesse — Spencer nos lembrou, não havíamos visto todos os vídeos, mas aquele tipo de comportamento estava presente neles; exceto no primeiro que assistimos. — Acho que seria bom falarmos com ele, chamando-o por Pennywise como as crianças faziam para ver se é mesmo o que a Júlia disse.

Fez-se silêncio por um momento, Aaron alternava seu olhar entre mim e Spencer, como se ele estivesse pensando em algo.

— Na verdade precisamos saber o exatamente que houve com ele momentos antes dele apagar. — Falei mais uma vez. — Porque foi isso o que fez com que ele matasse as crianças e ligasse para a polícia. Mas primeiro, acho melhor conversar com ele para ter mesmo certeza de que ali dentro tem um homem com outro alguém dentro da mente dele.

— Quer conversar com ele? — Ao me questionar, Hotchner olhou diretamente para mim, ele parecia levemente surpreso com aquilo. Olhei para os dois lados, não entendi muito bem o que ele quis isso com aquela pergunta.

— Eu sou formada em psicologia, não se lembra? — Respondi contendo uma risada. — E além disso, talvez eu consiga tirar mais informações com ele.

Spencer concordou.

— É, ela está certa. Julia entende melhor disso e também é mulher, geralmente os homens tendem a ficarem mais confortáveis na presença de uma, ainda mais se ela for jovem. — Seus lábios se contorceram rapidamente e ele olhou para Aaron. — Acho que vale a pena tentar.

Antes de responder, o celular de Hotchner apitou, provavelmente era um alerta de uma mensagem recebida porque ele olhou para a tela e dois segundos depois já estava a nos encarar.

— Rossi está vindo, conseguiu algumas informações sobre as crianças com a legista, quando ele chegar quero que tentem conversar com a família de Georgie Jones — Ele apontou para Spencer. — Julia, você em não vai interrogá-lo sozinha.

Não contestei, juntei os lábios comprimindo a risada e apenas abaixei a cabeça segurando a vontade de rir ali mesmo. Ele pareceu até um pai ao dizer aquilo, como se temesse que algo viesse a acontecer durante o interrogatório.

— Ok. — Concordei evitando o olhar, pois sabia o que poderia acontecer. — Podemos ir então?

Hotchner apenas maneou a cabeça em concordância e então saímos da sala. Passamos por mais duas iguais antes de chegar até a sala onde Benjamin Rogar estava. Parei de frente para o vidro olhando para o homem ali sentado, seu comportamento já era mais diferenciado de antes. Mexia os dedos de forma constante, de fato ele estava agitado. Bem mais agitado que antes.

Meu celular tocou, o toque já conhecido de que eu acabara de receber uma nova mensagem. O peguei olhando para a tela, era meu pai. A respondi rapidamente voltando a me focar, aquela já era a quinta mensagem que ele me enviava só naquela semana; querendo saber como eu estava e se estava tudo bem. Era inevitável que eu não contasse sobre o que estava acontecendo e claro que omiti algumas partes, tudo o que ele sabia era do problema com a insônia e nada mais que isso, ele não fazia a menor ideia sobre James e seu retorno.

— Seu pai? — Ele perguntou com a voz mais baixa. O olhei de esgueira.

— É sim. — Respondi balançando a cabeça. — Preocupado comigo em excesso como sempre. Aaron pareceu sorrir.

— Ele é pai, é inevitável, ele vai sempre se preocupar com a filha. Todo pai é exatamente como ele — Respondeu, olhando-me tão rápido que mal se podia dizer que ele fez mesmo isso.

— Então, vamos? — Ele então gesticulou para o interior da sala mais adiante, dando a entender que deveríamos seguir. Com a cabeça apenas concordei.

— Vamos. — Respondi soltando um breve suspiro e me preparando mentalmente para fazer aquilo.

Notas finais
Beijos e até os comentários!