Stronger feelings
27 Capítulo 27
Notas iniciais
Hotchner abriu a porta da sala e permitiu que eu entrasse primeiro, limpei as palmas de minhas mãos na calça que usava e avançei. Entrando na sala, Benjamin no mesmo segundo que nos ouviu olhou diretamente para a nossa direção, demorando seu olhar um pouco mais em mim.
— Benjamin Rogar esta é a agente Julia Barbosa — Aaron apontou na minha direção, só notei que ele já estava ao meu lado quando ouvi sua voz. — Ela quer conversar um pouco com você.
O homem continuou a fitar-me em silêncio, de cima abaixo de modo analisador.
— Mais uma para me acusar de algo que eu não fiz? — Perguntou com o olhar ainda fixo em mim. Sua mão tremelicou um pouco.
— Nós não estamos o acusando de nada, seguimos apenas as provas que temos e no momento, todas estão apontando para um assassinato onde o único suspeito é você. — Respondi de forma franca, também o olhando. — Se você for mesmo inocente acho que não irá precisar esconder nada para nós, não é?
Benjamin coçou a cabeça, parecia menos agitado no momento é devagar, concordou. Hotchner e eu puxamos duas cadeiras e nos sentamos de frente para Benjamin, de maneira que pudéssemos encará-lo nos olhos. Fiquei calada por um tempo, apenas o encarando e estudando o comportamento que ele estava tendo ali, seus jeitos e manias.
— Benjamin por que usar o nome Pennywise? — Perguntei ainda o olhando com curiosidade. — Sei que ele um personagem fictício de um livro de terror, mas por que usar esse nome para alter ego? O palhaco na história é um assassino de criança também.
Dei de ombros e prestei mais atenção no homem sentado à minha frente. Benjamin Rogar respirou fundo, ele não estava algemado e colocou os dois braços sobre a mesa, deixando o rosto apoiado por um tempo.
Ele então fechou os olhos e novamente respirou fundo mais uma vez; como se estivesse se controlando de alguma coisa.
— Eu sempre gostei desse nome, li o livro é o usei — Ele abriu os olho e me olhou ao responder. Apenas anui com a cabeça bem devagar.
— E foi por isso que matou aquelas crianças? Porque o palhaço dessa história também fazia isso? — O olhei mais fixamente ao fazer a pergunta. Benjamin me olhou indignado.
— Está me acusando de ter feito isso? — Ele perguntou, sua voz sofrera uma leve alteração.
— Não. Eu não estou o acusando disso, apenas fiz uma pergunta. — Respondi. Olhei brevemente para Hotchner de esgueira quando a mão de Benjamin tremelicou mais uma vez e ele tentou esconder isso de nós, ele tinha seu olhar vidrado no homem sentado na nossa frente. — Ok, então vamos mudar um pouco de assunto. Por que não me fala um pouco sobre esse seu alter ego? Pennywise.
Ao fazer aquela pergunta Benjamin mudou, seu olhar mudou de repente e isso não passou despercebido por meus olhos.
— Você o incorpora quando faz a animação das festas não é?
— O que tem ele? — Fui interrompida, Rogar agora estava apenas me olhando.
— Eu fiquei sabendo que o seu pai usava esse nome também, ele também trabalhou como palhaço, não foi? — Aquela pergunta causou algo nele, sua postura passou a ser outra, ele lentamente foi se endireitando, na cadeira. — Acho curioso que você esteja usando o mesmo nome que o seu pai também usava, sendo que, até onde eu soube, você disse que foi adotado e nem mesmo se lembra do pai.
Não houve uma resposta tão imediata, Benjamin se mostrou muito incomodado com aquilo. Ele passou as duas mãos pelo rosto, sua forma de agir passou a ser um pouco mais estranha.
— Seu pai também gostava do personagem do livro e o fez criar vida, ele também matava crianças e agora você está seguindo os passos dele? — Perguntei outra vez, inclinando minha cabeça para o lado. — Ou você...
— Não ouse falar sobre aquele infeliz outra vez, sua vadia! — Me interrompendo, Benjamin se colocou de pé de repente, batendo suas duas mãos sobre a mesa com brutalidade, provavelmente aquilo o machucou.
Assustando a mim e a Hotchner que fomos pegos de surpresa com aquilo. Ele segurou meu braço no mesmo segundo, puxando-me para que eu me levantasse da cadeira.
O susto foi apenas pelo barulho feito, acho que já estava esperando por aquele tipo de reação dele.
— Benjamin eu quero que você sente-se agora, por favor! — Ordenou Aaron com rispidez, olhei para o homem na minha frente, querendo saber se ainda era Benjamin Rogar quem estava ali na nossa frente.
— Venha você também, conte até três e então poderá flutuar também... — O homem virou o rosto na direção de Hotchner, seu olhar mudou de forma drástica quando ele começou a cantar. Deixando claro a nós dois que a pessoa ali na nossa frente já não era mais a mesma de minutos atrás. — Quer flutuar comigo, agente? Ou seria melhor se... — Ele me olhou. — Acho que você toparia não é?
Dei um único passo para frente, cruzando meus braços.
— Eu sei muito bem o que seu pai fez com você, — O provoquei, encarando-o diretamente nos olhos. — deve ter sido muito duro para você, ter que viver com tudo isso...
— Fale sobre aquele desgraçado novamente e eu juro que vou — Ele apontou o dedo na minha direção, o braço levemente esticado para frente.
— Que vai fazer o quê? — O desafiei não permitindo que ele continuasse, apoiando-me sobre a mesa. Estava estranhando o silêncio de Hotchner. — O que vai fazer comigo? Vai me matar da mesma forma como fez com aquelas crianças?
Ele eatreitou seu olhar quando o questionei outra vez, ainda de forma desafiadora.
— Está aqui só para ajudar o Benjamin? Você aparece quando ele está com problemas? — Continuei o questionando e Benjamin me olhou com falso espanto, logo mudou, agora parecia que eu o ofendi.
— Por favor, agente, não chame aquele molenga de Benjamin, chega a soar quase uma ofensa para mim. Vou deixar essa passar, mas só dessa vez. — Sua mão ainda tremelicava, mas agora mal conseguia se notar. Franzi meu cenho.
— Então na realidade você é o Benjamin? — Perguntei.
— Quem mais eu seria? — Ele respondeu de volta, numa forma quase arrogante. — O outro sequer merece usar meu nome ou o sobrenome! É um fraco!
— Foi você quem matou aquelas crianças? — Hotchner perguntou de repente, também avançando um pouco mais para frente e atraindo a atenção de Benjamin para si. — As matou e depois ligou para a polícia?
Ele apenas riu.
— Você parece ser tão inteligente agente, porque sempre faz perguntas quando já sabe as suas respostas? — Seu tom era claro e carregado de descaso. Um tipo de personalidade que não parecia pertencer a Benjamin Rogar. — Mas se isso for te trazer alguma satisfação, sim, eu a matei e não pensem que só porque estou preso aqui que isso irá me impedir de continuar fazendo isso.
O estudei por mais algum tempo, olhando-o de cima abaixo com muita calma e paciência enquanto ele ainda conversava com Hotchner. Prestava atenção em cada gesto que ele fazia, a forma como ele agia e falava também.
Tudo aquilo pertencia a uma outra pessoa. Me endireitei, voltando a minha postura inicial. Já poderia parar por ali mesmo, mas apenas continuei esperando por Aaron que, ainda estava a conversar com ele.
Quando a última pergunta foi respondida, o mais velho me olhou e fiz um aceno curto indicando que já poderiamos sair. Ele entendeu e então arrumamos as duas cadeiras que havíamos pego, deixando-as próximas a mesa, caminhamos aos mesmos passos até a porta da sala de interrogatório quando Benjamin, ou quem quer que estivesse ali no momento nos chamou.
Parando-nos no mesmo instante.
— Vocês sabiam que, se eu quisesse fazer isso e acreditem, eu quero fazer, eu poderia muito bem avançar em um dos dois a qualquer momento? — Nos viramos ao mesmo tempo e foi rápido, Benjamin pareceu correr até nós e atacou Aaron com tamanha força e violência.
Usando o próprio braço para empurrá-lo contra a porta, ele o manter daquele mesmo jeito, prensado contra a nossa saída dali de dentro. Forçando um pouco mais como se o tentasse sufocá-lo.
Eu tentei avançar mas ao fazer menção disso, Benjamin olhou na minha direção e sacou a arma de Hotchner, a apontando para mim. Conseguindo fazer com que eu parasse de imediato.
— Dê mais um único passo e você leva um tiro bem no meio da cara e ele também! — Ameaçou com firmeza.
Do outro lado da porta ouvíamos as batidas e as várias tentativas dos outros policiais para conseguir entrar ali.
— Usar arma não é do meu feitio, mas acho que posso abrir exceções para vocês dois não é mesmo? — Ele alternou o seu olhar entre mim e Aaron, estava claramente alterado.
Não sabia o que fazer ali, olhei para Hotchner e ele apenas fez um gesto com a mão como se me dissesse para não fazer absolutamente nada ali.
Levei minha mão até o coldre onde minha arma se encontrava, talvez se eu agisse rápido não aconteceria nada, mas se eu não fosse algo pudesse dar errado. Benjamin então olhou para mim e depois para Aaron mais uma vez, ergueu a mão que segurava a arma do agente e lentamente a colocou no chão.
Soltando Hotchner logo em seguida e soltando uma gargalhada alta.
— Vocês deveriam me manter algemado, para que algo parecido com isso não venha acontecer uma segunda vez. Posso não conseguir me controlar novamente. — Dizendo isso ele soltou Hotchner e se afastou dele, erguendo um pouco as duas mãos.
Ele nos deu as costas, voltando o seu caminho até a mesa e cadeira, enquanto isso Aaron já estava a me chamar para sairmos logo dali de dentro. Benjamin sentou-se, metendo seu olhar sobre nós e apenas nos acompanhou em silêncio quando deixamos a sala.
— O que foi aquilo? — Perguntei assim que saímos, dois policiais entraram no mesmo segundo, provavelmente para algemá-lo já que, ele se mostrou ainda mais perigoso do que pensávamos. — Você está bem?
O questionei assim que vi ele passar a mão pelo pescoço como se houvesse algo que o estivesse incomodando naquela área; a mesma por onde Benjamin o segurou na porta antes.
— Estou. Ele nos provocou, poderia ter nos machucado, mas o fez. Está querendo brincar conosco. — Ele respondeu sem me olhar, arqueei uma sobrancelha mantendo meus olhos fixos nele. Acho que ele estava mentindo sobre aquilo. — E você?
Dei de ombros.
— Não fui eu quem Benjamin atacou. — Respondi ainda o olhando e Hotchner fez o mesmo, me olhou por exatos cinco segundos e desviou seu olhar do meu. — Acho que deveria tentar conversar com ele outra vez, só que agora sozinha.
Mudei de assunto rapidamente, voltando meu olhar para o interior da sala, onde a cena que acontecia era de os policiais estavam algemando Benjamin.
— Nem pensar que vai fazer isso sozinha, não depois do que acabou de acontecer. — Hotchner imediatamente me respondeu, virando-se em minha direção.
— E por que não? — O questionei cruzando os braços.
— Não ficou claro depois daquela cena? — Fui questionada mais uma vez, Hotchner não pareceu gostar nem um pouco daquilo.
— Ele estará algemado o tempo todo agora, não vai conseguir fazer nada e nem mesmo irá tentar algo. — Eu permaneci de frente para ele, o encarando com firmeza. — E agora que conseguimos expor a outra personalidade acho que vale a pena conversar com ele, não viu como ele ficou quando mencionei o pai? Essa segunda personalidade se manifestou, talvez possamos conseguir mais alguma coisa.
Ele não respondeu, pelo menos não de imediato. Colocou as duas mãos sobre a cintura suspirado lentamente, Hotchner não estava me olhando no momento, assim como eu, ele teve sua atenção chamada assim que Rossi apareceu.
— Que bom que estão livres, temos mais informações sobre o caso e ele ficou ainda pior do que pensávamos. — Sua fala nos preocupou, ele nem mesmo precisou dizer mais nada, deixamos a sala com rapidez o seguindo para o local que usávamos para discutir o caso.
Spencer estava na frente para o quadro, prendia alguma fotos de crianças juntamente com as duas únicas que foram identificadas. Na mesa havia uma caixa com alguns DVDs e os VHS que Morgan mencionou que foram encontrados na casa de Benjamin e também mais três pilhas de arquivos.
— Conversamos com a família de Georgie Jones, os pais só notaram que o garoto não estava no quarto pela manhã e minutos depois a polícia chegou e falou sobre o que aconteceu. — Rossi começou a falar, apontando o indicado para a foto de Georgie. — As outras crianças foram identificadas, temos um total de dez até agora e todas ela são de abrigos de outras cidades.
— Deve ter sido por isso que não nos chamaram antes, Benjamin foi esperto, escolheu vítimas de outras cidades e assim não levantaria tanta suspeita — Reid comentou nos olhando. — JJ ligou e disse que conversou com dois abrigos de onde algumas crianças vieram e eles disseram que receberam a mesma ligação feita por Benjamin para a polícia, mas não fizeram nada porque pensaram que era apenas alguém passando trote.
— E ninguém se deu conta do sumiço das crianças? — Perguntei cruzando os braços.
— São todos abrigos comunitários e grandes, as crianças são de ruas e de acordo com eles, elas entram e saem a todo momento — Foi Rossi quem respondeu. — Não dariam conta mesmo que houvesse registro.
— E descobriram mais alguma coisa? — Perguntou Hotchner, olhando para os dois agentes.
— A legista disse que os meninos sofreram abuso antes da morte, mas as meninas não. — David pareceu ficar apreensivo ao nos contar aquilo, virei meu rosto no mesmo segundo para Hotchner.
— O pai abusava dele quando criança, talvez ele esteja recriando a sua infância — Fiz o comentário me sentindo também incomodada com aquilo. — E então, agora você me deixar conversar com ele agora?
Questionei Hotchner virando meu rosto para poder olhá-lo, aquilo mais soou como um pedido do que como uma pergunta.
— E quanto a Benjamin? Fizeram algum avanço com ele? — Spencer perguntou antes mesmo que Aaron pudesse responder.
— Bem, até onde parece ele pode mesmo ter a dupla personalidade, — Falei, direcionando meu olhar para o rapaz. — Mencionei o pai e o constante e como já era espero ele surtou, só que o estranho foi que ele não tratou Benjamin como a personalidade dominante e sim tratou a si mesmo, sequer gostou de ouvir quando o chamei de Benjamin. E e por isso quero conversar com ele novamente, mas quero fazer isso sozinha. Talvez eu consiga tirar bem mais dele.
Olhei de esgueira para Hotchner, vendo que sua reação já era esperada. Negação. Ele não iria me deixar fazer aquilo.
— E quanto ao conteúdo em mídia? — Aaron mudou o rumo da conversa apontando para a caixa sobre a mesa.
— Provavelmente filmes caseiros das festas em que Benjamin e o pai participaram. — Reid respondeu. — E pelos VHS acho mesmo que terá as filmagens do pai. Mas acho que isso só irá confirmar o que já sabemos: Pai e filho assassinos de crianças.
Olhei para eles, apenas na espera do próximo passo que iríamos dar. Se quiséssemos avançar naquele caso Hotchner teria de me deixar falar novamente com Benjmain. Levou mais de meia hora até que Hotchner finalmente me deixasse falar com Benjamin outra vez e agora sozinha. Claro que, não estaria assim tão sozinha, teria um policial comigo caso ele tivesse mais algum ataque e tentasse alguma coisa.
— Olha só quem voltou! — Ele disse abrindo os braços o máximo que as algemas lhe permitiam assim que entrei. — E onde está o outro agente? Ele ficou com medo e achou melhor te deixar sozinha aqui comigo?
— Com quem eu estou falando agora? — Perguntei me aproximando da mesa e parando de frente para ele. Seus lábios apenas se esticaram num sorriso doentio.
— Eu acho que você sabe com quem, agente. — Benjamin me respondeu, inclinando-se um pouco sobre a mesa. — O outro não dará as caras por um tempo, pelo que eu percebi terei de cuidar de tudo, como eu sempre faço.
Assenti e puxei a cadeira para poder me sentar. Não o interroguei como antes, as perguntas que estavam sendo feita eram apenas para provar de que aquela era de fato uma segunda personalidade de Benjamin.
E conforme aquele questionário continuava ficava mais claro que de fato, eu estava lidando com uma pessoa com dupla personalidade ali. Continuei a fazer as perguntas, sendo o mais gentil possível para que não houvesse nenhum tipo de barreira entre nós quando eu começasse a caminhar para o caminho no qual eu realmente queria.
Primeiro eu teria apenas de ganhar sua confiança e eu estava conseguindo isso; seria bem mais fácil de ter as respostas das quais precisávamos.
— Me escute agente, eu não quero ser rude com você, mas por que não faz logo as perguntas que quer mesmo fazer? — Ele me questionou, pendendo sua cabeça para o lado e me olhando como se estivesse me analisando. — Diga logo o que quer para que tudo isso termine logo e você volte para a sua casa e eu para a minha.
Suspirei enquanto assentia. Se ele queria que eu fosse direto ao ponto, era exatamente isso o que eu iria fazer. Notei quando o policial que entrou comigo pareceu ficar incomodado com alguma coisa, se remexeu um pouco inquieto no canto onde se encontrava, mas não prestei tanta atenção assim.
— Como quiser. — Respondi, repousando minhas mãos sobre a mesa. — Por que você matou todas aquelas crianças?
Perguntei encarando-o de forma séria e firme.
— Por que você acha que eu fiz isso? — Sua resposta veio em forma de pergunta, o que me irritou um pouco. — Eu gostaria de ouvir sua teoria.
— Porque o infeliz do seu pai fazia isso, mas eu aposto bem mais na possibilidade de que você tenha feito isso apenas para ganhar o reconhecimento que não ganhou durante a vida. Fazer com que as pessoas passem a te olhar pela primeira vez, o que você quer é apenas a atenção delas. — Respondi, esboçando um sorriso bem discreto ao ver que ele pareceu se incomodar com aquilo. — Sabe, eu assisti alguns dos vários vídeos das festas infantis em que você foi o Pennywise, exceto pelas crianças, ninguém mais lhe dá a atenção que você tanto quer.
Dei de ombros.
— Você é solitário, passa a maior parte do tempo fazendo seja lá o que for, as pessoas daqui nunca lhe deram atenção, só sabem que você é um ótimo cidadão e isso te deixa muito irritado. Para eles você é apenas o palhaço da cidade e nada mais que isso. — Fiz uma rápida pausa para analisá-lo, Benjamin estava calado. Respirava fundo como se estivesse se controlando. — Quer que eu continue? Tenho mais algumas teorias.
Ele balançou a cabeça muito lentamente.
— Se é uma agente do FBI quem está dizendo isso, quem sou eu para discordar não é mesmo? — Ele também deu de ombros. — Mas acho que tem algumas coisas erradas nisso, quer mesmo saber porque eu matei todas aquelas crianças, agente?
Cruzei meus braços esperando por sua resposta.
— Eu fiz o que fiz porque isso é bom, é algo libertador e muito excitante! — Seu tom se tornou um pouco mais baixo, suas palavras fizeram com que eu olhasse de outra forma agora. — Ficar perto delas durante as festas era algo muito bom, conseguia escolher as melhores, mas tinham as outras também... Aquelas que precusavam de ajuda... Não tem ideia de como essa sensação é, agente!
Permaneci calada, digerindo suas palavras e o encarando agora com severidade.
— Mas tenho de concordar no que disse, sobre eu querer atenção. De fato é exatamente isso, afinal, por qual outra razão eu teria ligado para eles? Eu queria que eles vissem do que sou capaz e consegui! — Ele soltou uma risada curta, porém sombria o bastante para que eu estremecesse naquela cadeira.
— Mas a razão principal para aquilo era para me satisfazer... Ter o sangue delas em minhas mãos... — Ele fechou os olhos respirando fundo e esboçando um sorriso largo em seus lábios. — Isso é ainda melhor do que sexo.
Meus lábios se entreabriram com aquelas palavras, já havia encontrado casos com assassinos cruéis, mas aquele... Dizer que aquele homem sentado na minha frente era cruel seria muito pouco para descrevê-lo.
— Que bom que confessou o que fez, Benjamin. — Disse enquanto afastava a cadeira para poder me levantar.
Benjamin ou seja lá quem for que estava sentado diante de mim começou a rir muito alto, a risada parecida com aquelas que os palhaços costumam usar com as crianças. Eu estava prestes a me levantar quando um disparo foi dado, assustado-me e me pegando completamente de surpresa ali.
Eu praticamente saltei da cadeira, olhando para a direção na qual o tiro viera. O policial que havia entrado comigo apenas para garantir que Benjamin não tentaria algo como ele fez com Hotchner estava com uma expressão de pura frieza e um olhar vingativo.
O braço que segurava a arma aos poucos foi se abaixando e ele colocou a arma no chão, enquanto ele levava as duas mãos para a cabeça e se ajoelhava, sabendo o que viria após aquilo.
Hotchner e o xerife Michael entraram em disparada na sala de interrogatório, o xerife correndo até o corpo já sem vida de Benjamin enquanto Aaron parou na minha frente perguntando-me se eu estava bem. Olhei para a esquerda, vendo o corpo de Benjamin inclinado para trás, sendo apenas sustentado pela cadeira e as algemas que o prendiam a mesa.
Ele foi morto na hora, o tiro certeiro e mortal atingiu o centro de sua cabeça com precisão. Tirando sua vida de imediato. Não havia motivos para que ele fosse socorrido e nem mesmo era necessário.
Encarava a cena sem saber o que fazer ou o que dizer, pisquei várias vezes voltando a encarar Hotchner. Ele ainda me perguntando como eu estava.
— Estou bem. — Escutei as minhas próprias palavras saírem da minha boca um tanto incertas, o zunido alto e cortante do disparo ainda soava em meu ouvido como se me deixasse surda por um tempo, mas não havia feito aquilo.
Eu estava apenas espantada demais com o que aconteceu.
Acompanhei em silêncio a cena do policial ser algemado e levado para fora da sala por Rossi e Michael. Ele não tentava reagir ou lutar contra a punição que receberia; na verdade ele estava aceitando tudo aquilo, sorria de forma vitoriosa enquanto olhava para o corpo sem vida de Benjamin.
Estava mais do que claro que ele fizera aquilo por vingança, pelas tantas crianças que foram mortas. O motivo? Poderia ser muitos, mas nenhum justificava o que ele fizera. infelizmente sua vingança acabou lhe custando o resto de sua vida.
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