Stronger feelings

23 Capítulo 23


Notas iniciais
Olá girls! Domingo é dia de não fazer nada e de capítulo novo também! Boa Leitura!

De volta à delegacia os dois dvds encontrados realmente eram filmagens do elemento matando as duas ultimas vítimas que havíamos encontrado antes, Hotchner e JJ estavam ainda interrogando Nathan Petrelli e enquanto isso ficaríamos na sala, assistindo os vídeos recebidos e buscando por mais pistas sobre o elemento que as estavam matando.

Iríamos acabar virando o restante da noite ali na delegacia, montando o perfil do unsub para podermos apresentá-lo aos policiais logo pela manhã. Já havia perdido as contas de quantos copos de café tomei é aquilo não parecia estar dando muito certo, pois eu ainda me sentia cansada.

Mas nem ligava muito, minha mente estava ocupada demais pensando na ligação que eu havia recebido antes, a música qe foi tocada e na voz que escutei ao dizer meu nome. Era a voz de James.

Ao amanhecer toda a equipe encontrava-se ainda reunida na sala, já tínhamos o perfil pronto e só estávamos esperando pela chegada dos policiais.

Meu celular tocou novamente, o mesmo número de antes e recusei no segundo toque, Rossi que, praticamente sentava a exatamente uma cadeira de distância de mim olhou-me ao ouvir o toque. Seu olhar era o mesmo de quando estávamos no carro, um misto entre o "pode atender" e o "está tudo bem com você?".

Rossi era um homem esperto, talvez estivesse percebendo que havia algo de errado comigo e também percebeu que eu estava tentando disfarçar aquilo. Não queria ter minha mente ocupada com aquilo.

— O que conseguiram com Petrelli? — O agente Greene entrou na sala de repente, parecia agitado; possivelmente por ainda termos um assassino a solta.

— Ele confessou, foi difícil, mas conseguimos fazê-lo, confessou que são duas pessoas no comando, mas assim como Robin ele não sabe quem está na liderança — JJ respondeu de forma vitoriosa. — Mas temos que pegar quem está matando essas moças.

— Essa pessoa deve ser muito boa, fazer com que alguém como Petrelli faça parte disso... Quem é esse cara? — Rossi questionou.

O homem assentiu.

— Bem, se vocês estiverem prontos já podem passar o perfil — Falou, ficando um pouco mais agitado. — Meus homens estão esperando.

Hotchner se levantou e chamou pela equipe, o seguimos até onde todos os polícias da delegacia estavam no esperamos. Fizemos a fila, nos preparando para começar a passar o perfil e então meu celular tocou.

Discretamente o tirei do bolso olhando na identificação quem era que estava me ligando e me espantei quando vi que era meu pai, franzi meu cenho ficando já um tanto preocupada. Ele não me ligaria assim do nada, não sem que nada tivesse acontecido.

Caminhei até Hotchner.

— Eu posso atender? — Perguntei mostrando o celular para ele. — É meu pai, acho que pode ser algo importante.

Ele me olhou, inclinando um pouco sua cabeça e então assentiu.

— Está tudo bem? — Ele perguntou, franzindo sua testa de forma que sua expressão mostrasse uma mínima preocupação.

Provavelmente por ter percebido a minha por estar recebendo uma ligação do meu pai.

— É isso o que eu vou descobrir agora. — Respondi me afastando do restante da equipe assim que ele autorizou a minha saída breve para atender a ligação.

Me dirigi até uma sala isolada e que se encontrava vazia, como não iria demorar muito poderia usá-la por alguns poucos minutos. Fechei a porta me apressando para atender, meu pai não me ligaria assim sem que algo importante ou sério não tivesse acontecido; ainda mais sabendo que eu estava trabalhando.

— Alô, pai? — Falei num tom entre o impaciente e preocupado, tentei não pensar que alguma coisa tenha aconhecido com ele; não havia outra razão para ele ter me ligado. — Pai?

Perguntei novamente, sentindo minha voz saiu completamente preocupada quando ele não me respondeu de imediato.

— Half of what I say is meaningless, but I say it just to reach you, Julia... — Fechei os olhos lentamente ao ouvir sua voz e uma risada baixa em seguida. Senti como se todo o meu corpo travasse ali mesmo, a menina assustada que fora sequestrada com a mãe anos atrás havia voltado. — Julia, Julia, ocean child, calls me... So I sing a song of love, Julia...

James parou de cantar e então riu novamente, uma risada um pouco mais baixa que a anterior, porém que soou igualmente sombria.

Tinha meus lábios entreabertos sem ter uma resposta para aquilo, minha mente praticamente berrava comigo para que eu tivesse alguma reação.

Ele estava ligando do número do meu pai, como eu poderia conseguir pensar direito quando a única coisa que se passava na minha mente era: Ele estava com ele.

— Quer que eu continue? Eu sei que gosta dessa música tanto quanto eu, seus pais a cantavam para você quando era criança, não é mesmo? — Ele perguntou numa forma provocativa. Falado sobre meus pais com descaso. — Apesar dele ser brasileiro e sua mãe americana e bem, a música é britânica... Foi por causa dessa música que você recebeu esse nome, Julia?

Não respondi.

— Se não for me responder, então me deixe chegar na minha parte preferida da canção, — Ele continuou falando. — E eu tenho certeza de que você sabe, é bem assim: Julia, seashell eyes, windy smile, calls me... So I sing a song of love, Julia.

Respirei profundamente, foi quase impossível naquele instante não me sentir tão exposta e desconfortável como eu fiquei ao ouvi-lo falar meu nome. James sabia demais da minha vida, detalhes que nem mesmo alguém próximo a mim sabia, como aquela música tinha de fato uma pequena influência na escolha do meu nome.

Ninguém que me conhecia e era tão próximo a mim sabia que meus pais a cantavam para mim, principalmente quando eu ainda era criança.

— Só vou lhe dar um único aviso, — Esforcei-me ao máximo para que a minha voz saísse. Meu coração batendo quase tão rápido quanto um tambor. — Se você o machucou ou sequer tocou um único dedo nele, pode ter certeza de que eu mesma vou caçá-lo e te matar, seu verme imundo!

O ameacei com firmeza em minha voz, estranhando o tom usado para fazê-la. Apesar de ter dito aquilo num tom firme me senti como se estivesse sido incapacitada de fazer algo.

Do outro lado da linha ele apenas riu, o que me deixou irritada, seu jeito sempre tão debochado me irritava e era provável que ele soubesse sobre isso também.

— Você não quer nem mesmo saber o porquê de eu estar com o celular dele? Não está curiosa sobre isso, Julia? — Perguntou de forma provocativa. — Ou você é seu papai estão tendo um relacionamento assim tão ruim que não está nem um tiquinho preocupada com ele?

— Eu sei muito bem o que você está querendo fazer e posso te garantir que não vai conseguir, agora por que não se entregue para que assim eu possa vê-lo apodrecendo na cadeia? — Minha voz se manteve firme, eu precisava ser forte naquele momento ou ele usaria minha fraqueza contra mim.

James riu alto outra vez, como se ele estivesse se divertindo com aquilo. E realmente estava.

— Não, eu tenho outra ideia e essa é bem melhor que a sua minha querida. — Seu tom foi se tornou aos poucos cada vez mais baixo. — Vamos brincar um pouco, como fazíamos quando era criança. Você sempre gostou de brincar, podemos fazer isso como nos velhos tempos!

Estava quase afastando o telefone da minha orelha quando ele me interrompeu.

— Se você encerrar essa ligação pode ter certeza de que eu faço você se arrepender de ter feito isso! E quem irá pagar será o papai aqui... — Ele ameaçou. Seu tom estava agora completamente diferente de antes.so havia uma forma dele saber que eu iria desligar; ele estava me observando. — Você acha que eu estou brincando, Julia? Primeiro de tudo; você realmere acha que eu ainda estou preso naquele buraco que o seu chefe me jogou?

Ele soltou uma risada mais alta. Meu corpo ainda se encontrava totalmente travado ali. Nem mesmo conseguia mover um único músculo que não fosse do braço erguido que mantinha o celular em minha orelha.

— Acho que o branco a deixa mais corajosa para que conseguia me enfrentar desse jeito, — Ele comentou, adivinhando a cor da blusa que estava usando. — Mas você sabe que prefiro muito mais quando você está vestida com aquele belíssimo colete azul do FBI... Ele ficou muito bonito com aquela blusa clara que estava usando mais cedo. Tão sexy a minha Julia.

— Cala essa boca!— Ordenei com rispidez, sentindo-me muito desconfortável e exposta com seus comentários. — É melhor calar essa boca ou eu juro que...

— Preste bastante atenção em minhas palavras Julia, nosso jogo ainda não acabou, se você por algum momento pensou nessa possibilidade esteve muito errada durante todos esse tempo que passou. — Ele fez uma pausa, senti um longo arrepio na espinha ao ouvir aquilo.

— Eu e você ainda temos uma história muito longa e eu sou o único que pode dizer quando ela irá acabar! — Seu tom foi se tornando mais gentil. Ainda que houvesse vestígios de deboche em sua voz. — Entenda que você nunca irá se livrar de mim, minha querida. Você é minha e sempre foi, temos uma ligação lembra? E uma ligação assim tão forte não é quebrada tão facilmente.

Outra risada.

— Tome cuidado com o que diz porque o seu papai poderá ter o mesmo destino que a sua mamãe — Dizendo isso ele simplesmente encerrou a ligação, deixando-me ali parada sem ter uma reação exata para o que havia acabo de acontecer.

Segurei meu celular com força, sentindo minha mão se fechar o máximo que conseguia. Se eu fosse dona de uma força era provável que eu tivesse destruído o aparelho ali mesmo. Estava tudo começando outra vez, James estava me perseguindo novamente e dessa vez envolveu meu pai no meio daquilo.

Aceitava seu jogo, ele poderia fazer qualquer coisa comigo, mas não deveria envolver meu pai naquilo. Meu celular tocou outra vez, agora com o toque indicando que eu havia recebido uma nova mensagem.

A abri e a li, sentindo a minha raiva apenas crescer.

"Estava mesmo muito linda com aquele vestido que usou no disfarce de ontem, uma pena que só o usou para pegar um bandidinho qualquer. Deveria usar algo do tipo mais vezes."

Apaguei a mensagem assim que a li, bati a palma da minha mão sobre a mesa me vendo ali novamente com raiva. Ele não podia estar solto novamente, teria recebido uma ligação que estaria me informando sobre sobre tal assunto.

Mas não era isso que me preocupava no momento, ele me ligou através do número do meu pai... Meus pensamentos já estavam a mil, sequer conseguia manter-me calma, pensar no que ele poderia estar fazendo com ele me deixava ansiosa. Nervosa a um ponto que minha única vontade ali era gritar de raiva.

A porta da sala se abriu, levei um susto ao ouvi-la, acho que estava tão perdida em meus pensamentos que sequer notei que era Hotchner quem estava entrando na sala.

— Julia o que?...

— James Sawyer realmente está preso? — Perguntei com pressa o interrompendo e encarando-o da mesma forma.

Deixando de lado todo o meu lado profissional ao questioná-lo. Eu só precisava de respostas antes de dar o primeiro passo. Hotchner franziu seu cenho, parando no mesmo lugar.

— O que?...

— Só me responda se ele está realmente preso e que você tem cem por cento de certeza disso! — Pedi de forma mais exigente e com mais pressa ainda. — Pelo amor de Deus anda logo!

Esbravejei me arrependendo de ter feito aquilo no segundo seguinte. Fechei meus olhos lamentando por minha atitude e então voltei meu olhar para ele.

— Sim. Nós o predemos e eu tenho total certeza disso. — Ele finalmente respondeu, estava certo daquilo e sua voz mostrava a certeza disso, eu mesma havia o visto sendo preso. Recordava-me muito bem daquela cena, porém após a ligação eu já não tinha mais essa certeza de nada. — Por que está perguntando isso? O que aconteceu?

Passei a mão por meu rosto, nem percebendo que estava andando de um lado para o outro de forma agitada e quase descontrolada.

Parte dos meus pensamentos estavam distantes demais de onde eu realmente estava.

Só parei quando Hotchner me segurou pelo braço, forçando-me a parar de uma vez para encará-lo.

— Julia se acalme e me diga o que está acontecendo. — Ele pediu com um tom levemente ríspido e também autoritário, soltando-me e tomando uma certa distância de mim.

— A ligação que recebi do número do meu pai, não era ele me ligando e sim James Sawyer. — Falei de uma vez, precisando fazer uma pausa rápida para que eu pudesse recuperar o fôlego. — E se, ele ligou do número dele só pode significar uma coisa: Que ele está lá no Brasil e que está com meu pai!

— Você precisa se acalmar, Julia — Hotchner pediu, as duas mãos levantada na altura de sua barriga, ele deu um único passo para frente, percebendo que eu estava começando a me descontrolar.

O fitei arregalando meus olhos de leve, me enfureci ainda mais.

— Não! Você não vai me pedir para ficar calma quando esse desgracado está com o meu pai e obviamente solto! — Gritei com raiva apontando o dedo para o mais velho.

Hotchner me fitou e lentamente sua expressão se tornou séria e quase impossível de ser lida. Ele agora como chefe.

— Só vou pedir mais uma vez, agente. Se acalme. — Ele ainda me olhava, dizendo cada palavra agora como meu chefe, nosso nível hierárquico ficando claro; apesar dele não ter jogado isso na minha cara eu fui obrigada a tentar fazer isso. Querendo ou não, precisava respeitá-lo.

— Desculpe-me, senhor. — Pedi respirando fundo, já me sentindo um pouco mais calma que antes.

Mesmo que aquilo parecesse quase impossível de ser feito no momento. O mais velho permaneceu ali parado na minha frente, apesar da distância mantida de mim pude perceber certa hesitação em se aproximar um pouco mais, aquilo possivelmente causado por estarmos dentro de uma delegacia.

— Eu vou ligar para a penitenciária onde Sawyer está preso, — Ele falou ao mesmo passo que balancei minha cabeça como se concordasse com ele. — Ligue para a Garcia e peça para ela rastrear o número que te ligou e enquanto isso eu e você cuidaremos do caso por aqui. Tudo bem?

Ergui meu rosto o fitando, não queria ficar presa dentro de uma delegacia. Mas sabia que tentar convencê-lo a me deixar sair em campo não resolveria e nem mesmo adiantaria de alguma coisa.

Seria inútil tentar.

— Tudo bem. — Respondi anuindo com minha cabeça novamente.

Ele se afastou e então caminhou até a porta da sala, pronto para sair dali.

— Senhor. — O chamei, fazendo-o parar e me olhar. — Não conte aos outros sobre isso, por favor. Não quero preocupar ninguém ou envolver alguém nisso tudo, eu sinceramente nem iria te dizer nada sobre isso...

— Não vou. — Respondeu me interrompendo, seu olhar agora totalmente fixo no meu.

O mesmo tipo de olhar de algumas horas atrás, quando nos beijamos pela segunda vez num corredor de um hotel.

Agradeci com um aceno rápido, nossos olhares ainda cruzados e calados como sempre ficávamos um com o outro continuamos daquele jeito até que ele pareceu lembrar-se o que iria fazer e sair dali. Deixando-me sozinha com a única tarefa de ligar para Penélope.

Pelo menos uma hora havia se passado, a equipe estava em campo após receber uma ligação falando sobre um homem que parecia se encaixar perfeitamente no perfil montado. Na delegacia, os únicos ali éramos eu e Hotchner, cuidando do problema chamado James Sawyer.

Já havia feito contato com Garcia, ela me retornaria com a informação necessária e enquanto isso tudo o que eu tinha para fazer era esperar. Tentava mostrar que aquilo não estava me deixando uma pilha de nervos, apenas fingia que estava mais calma que antes e mesmo que aquilo fosse uma mentira quase deslavada, Hotchner parecia acreditar naquilo.

Assustei-me quando ouvi o toque baixo do meu celular soar, foi automático o pensamento de que poderia ser novamente outra ligação de James, mas assim que vi que se tratava de Garcia, me senti um pouco menos alterada.

— Olá Julia, consegui o que pediu. — A mulher falou num tom animador, ela não sabia o real motivo do meu pedido, tudo o que sabia era que eu precisava disso e nada mais. Não via motivos para ter que envolver os outros naquilo; apesar de já ter feito isso com Hotchner.

— E então?... — Perguntei tentando esconder minha ansiedade com aquilo.

— Bem, a última ligação que você recebeu veio daqui de Virgínia, só não consegui uma localização precisa de onde ela veio. — Ela fez uma breve pausa, conseguia ouvir seus dedos batendo contra o teclado do outro lado da linha. — E eu tomei a liberdade de também rastrear outro número suspeito, aquele que você recebeu quase seis ligações... Então, são todos locais também, mas com esse eu consegui três localizações; em Atlanta, aqui em Virgínia e a última em Washington.

Suspirei, aquela não era bem a resposta que eu queria ouvir. Nada daquilo fazia muito sentido.

— Tem algum endereço? — Perguntei esperançosa, mesmo sabendo que não podia esperar a resposta que eu queria.

— Infelizmente não meu amor — Garcia respondeu. — Só consegui as localizações das torres, de onde o sinal veio. Sinto muito.

Dei de ombros.

— Já ajudou bastante, Penélope. — Esbocei um sorriso breve ao dizer aquilo, não era de todo mentira, mas também não era de todo verdade. — Obrigada, mama.

Brinquei ao usar um dos apelidos que Morgan costumava chamá-la, ela riu do outro lado da linha e então se despediu e desligou.

Fiquei ali sozinha dentro da sala por mais um tempo até que ouvi novamente a porta ser aberta, era Hotchner outra vez.

— James continua preso. Pedi para que eles verificassem e ele continua no mesmo lugar para onde o mandamos — Ele falou me fitando enquanto se aproximava de onde eu estava sentada. A mesma certeza com a qual me dissera aquilo antes estava presente em sua voz naquele momento. — E está em solitária, não teria como ele ligar para você ou sair de lá.

Sacudi minha cabeça em negação, o vi ficar parado numa distância pequena de mim.

— Há muitas outras maneiras de ele ter conseguido fazer isso — Respondi sem olhá-lo, eu queria mesmo acreditar que ele estava preso, mas depois de receber a última ligação dele... Como eu poderia acreditar cem por cento naquilo?

Ainda mais quando eu não estava conseguindo fazer contato com meu pai.

— Então você sabe que ele pode ter mandado alguém fazer isso. — O mais velho falou, no mesmo tom de antes.

— Era a voz dele do outro lado da linha, não era uma gravação ou algo do tipo — Falei. — Ele me ligou, cantou exatamente o mesmo trecho de uma música que somente meus pais cantavam e ainda por cima sabia qual a relação dela comigo. Sinto muito se não consigo levar muito a sério que aquele cretino continua preso.

Dei as costas para ele, andando em círculos de um lado para o outro.

— Uma pessoa como James gosta de mexer com a cabeça das pessoas, é isso que lhe dá prazer e o está deixando que ele vença ficando dessa forma — Aaron começou a falar, parei para prestar atenção em suas palavras. — Ele está brincando com você, está mexendo com algo pessoal e importante, ele está fazendo o mesmo que fez a você anos atrás. Não pode permitir que ele continue.

Mordi meu lábio com força, logo parando de fazer aquilo ao perceber que estava o machucando.

— Eu sei disso, mas não consigo simplesmente deixar de lado, ele sabia como eu estava vestida ontem e sabe como estou vestida agora também... — Confessei, a mão em minha cabeça. Aquilo já estava me cansando.

— Eu entendo. — Falou num tom mais compreensivo.

— Eu só vou me sentir bem e também mais calma no momento em que meu celular tocar e for meu pai do outro lado, me dizendo que está tudo as mil maravilhas com ele. — Falei suspirando lentamente.

— Julia, — Ele me chamou, o olhei no mesmo segundo. — Pode responder no inglês, por favor? — Pediu Hotchner com muita calma, quase como se estivesse rindo minimamente daquilo.

Nem mesmo percebi que havia dito aquilo no português. Talvez estivesse tão atrapalhada e nervosa que sequer estava prestando muita atenção no que dizia.

— Só vou me acalmar totalmente quando meu pai me ligar — Respondi resumindo tudo o que havia dito antes, olhei para o meu celular sobre a mesa, esperava por uma ligação dele de forma ansiosa.

Não queria estar daquele jeito. Bati o dedo na superfície dura da mesa, numa tentativa de aliviar o nervosismo daquele momento e quase dei um pulo da cadeira quando ouvi meu celular tocar.

Rapidamente o tirei da mesa, olhando para a tela e vendo que na identificação mostrava o contato do meu pai. Atendi quase desesperada.

— Julia? — Ele perguntou quase espantado do outro lado. — Por que tem quase vinte ligações perdidas do seu número aqui?

Suspirei completamente aliviada ao ouvi-lo. Até mesmo meu coração pareceu bater em seu ritmo normal de antes.

— Só queria saber se está tudo bem com você — Respondi no português, ele não estava falando em inglês comigo e também não queria que Hotchner entendesse o que estava sendo conversado ali. — Estava preocupada, só isso.

Dei de ombros. Do outro lado da sala o vi se levantar e se afastar um pouco mais para atender o seu celular.

— Aconteceu alguma coisa que queria me contar, Ju? — Ele perguntou. Eu pensei em contar a ele o que havia acontecido, deixá-lo a par de tudo o que vinha acontecendo com o caso James Sawyer, mas isso só faria com que ele se preocupasse. Não podia fazer aquilo com ele.

— Não aconteceu nada. — Menti. — Só fiquei preocupada mesmo, precisava saber se você estava mesmo bem. Faz um bom tempo desde a nossa última conversa.

Ele fez um som com a boca. Queria parecer despreocupada, para não levantar suspeitas.

— É verdade, mas se isso te fizer se sentir melhor, bem seria muito pouco para descrever a vida que estou levando por aqui, Ju. — Ele respondeu, seu tom de voz já um pouco mais leve que antes. — Sei que é uma perda de tempo te pedir isso, ainda mais agora, mas você deveria passar um tempo por aqui. Seria muito bom para você.

Torci meus lábios.

— Quem sabe um dia, nada é tão impossível assim não é mesmo? — Respondi dando de ombros novamente. — Bom, eu preciso desligar agora, tudo bem?

— Está trabalhando não é? — Ele questionou. — É... Tudo bem. Vê se não some mais, Julia. Não quero uma filha para me ligar uma vez a cada ano.

Fiquei calada por um tempo, pensando numa resposta.

— Tchau Julia. — Ele falou de repente.

— Tchau, pai. — Respondi e então desliguei, colocando o celular sobre a mesa novamente e o encarando por um tempo.

Aconteceu como eu queria que viesse a acontecer, recebi a ligação do meu pai, ele disse que estava tudo bem e me senti mais aliviada.

Mais leve também. James ainda estava preso, e claro que eu ainda tinha minhas desconfianças sobre aquilo, mas o importante mesmo era saber que em meu pai ele não havia sequer tocado de fato.

— O pegaram. — Hotchner falou, virando-se para mim e desligando o celular logo o guardando no bolso do paletó.

— Quem eles pegaram? — Perguntei o olhando sem entender direito aquilo.

— Zachary Bennet e Harrison Backer, eram eles quem estavam matando as moças — Respondeu, por um segundo eu havia me esquecido de que estávamos no meio de um caso enquanto aquela confusão com James acontecia. — Vamos arrumar tudo e ir embora logo.

Notas finais
~ Não pensem que acabou, tem mais coisa para acontecer.