Streets Of Philadelphia
24 23 - Pais e Filhos
Notas iniciais
Hoje tem músicaaaaa Pais e Filhos do Legião Urbana, quem gosta? Foi a Gnoma Synystra que me ajudou *--* ela que escolheu a música, se não gostarem, batam nela HAUAHAHAHS mentira, não façam isso.. Link pra musica http://www.youtube.com/watch?v=jgYzyL9m1p0
Obrigada por tudo ducks, me digam se gostaram ou não tá? Bjs e vamos jogar *-*
PS: Cristina é o nome da minha mãe :D kkkkkkk
23 – Pais e Filhos
POV Brian
Parado em frente à casa dela não me fazia sentir coisas boas, ao contrário, eu sentia toda dor, culpa e remorso por tê-la abandonado. Um suspiro profundo tomou conta de mim, arranjei forças para levantar e sair do carro.
Toquei a campanhia e uma mulher veio me atender. Aquela era minha mãe? Não podia ser! Estava tão abatida, triste e envelhecida... Não parecia ter 39 anos.
- Eu... Eu... – gaguejei como um idiota. Minha mãe apenas sorria fraco, estendeu a mão direita para mim e me convidou para entrar
- Venha Brian! – ela continuou a sorrir, a segui pelo quintal até chegarmos á sala. A casa não havia mudado em nada, os móveis antigos e empoeirados não saíram do lugar. A sala não estava arrumada, o sofá não tinha mais cor e as janelas ficavam fechadas. – Não repare a bagunça filho, vem, sente-se aqui! – ela pediu, eu sentei-me de frente pra ela. Mas aquele ambiente triste me fazia mal e só então pude ver o quanto minha mãe sofrera nesses últimos anos
- Mãe, meu Deus! Olha pra senhora! Não anda se alimentando? E essas janelas, por que estão fechadas? Não quer deixar o Sol entrar? – perguntei indignado
- Meu Sol sempre foi você meu anjo, depois que você partiu eu não quis mais viver Brian. – Ela enxugou algumas lágrimas – Seu pai me traiu, lembra? Então decidiu ir embora quando você nasceu e...
- Não precisa lembrar! – eu disse ríspido
- Desculpe... – ela disse com um pouco de medo – Você não muda nada não é? Continua estourado... Assim como seu...
- Pai? Ah mãe me perdoe, eu não quero ser como ele! Dói ouvir que a senhora me acha igual á ele e que... Eu me ache igual á ele... – eu disse de cabeça baixa, minha mãe se levantou com dificuldade e me abraçou
- Tudo isso já passou meu amor... Eu não quero que se aborreça com isso. Sempre será melhor que seu pai. Mas... – ela segurou meu rosto e me obrigou a olha-la – Você está com um olhar diferente, andou fazendo alguma coisa errada Brian? – Como ela sabe? Minha mãe parecia ser vidente nessas horas, ela percebeu minha reação e balançou a cabeça negativamente – O que está acontecendo Brian?
- Nada... – menti, tentei desviar meu olhar, mas ela me segurou e direcionou seus olhos para o meu pescoço
- Você não usa mais? A correntinha? – ela disse com tamanha tristeza, tive de falar a verdade
- Não mãe... Er, quer dizer... Eu usava até que...
- Usava? Brian o que está acontecendo? – ela alterou a voz, naquele momento eu parecia uma criança medrosa e comecei a chorar
- Estou fazendo tudo errado mãe, meus amigos estão me odiando porque virei as costas pra eles... Eu traí a mulher que amo por causa de uma garota qualquer... – Minha mãe ouvia cada palavra atentamente, eu contei toda a história a ela, todos os detalhes e até a tal coisa misteriosa que Catharina tinha
- Brian, seja como for, essa garota não é confiável! Como você pode deixar seus amigos por causa de alguém que mal conhece? – ela estava decepcionada. Levantou-se do sofá e estendeu sua mão pra mim
- O que? – perguntei
- Vem comigo Brian, vamos lembrar de quem você realmente é... – ela me puxou até meu antigo quarto. Nada mudara, todos os móveis, livros que eu adorava e até mesmo o Tooti, meu ursinho, estava lá
- Mãe a senhora guardou tudo! – eu disse sentando na cama
- Olhe ao redor Brian, nada mudou desde que você foi embora, você apenas cresceu. Mas a sua essência jamais foi outra. – Olhei pra ela com cara de quem não entendia nada – Eu sei que aí dentro nada mudou, você sempre será meu Sol, e o heroi de todo esse pesadelo – minha mãe esticou-se para pegar um porta retrato antigo. Lágrimas caíam sem que eu pudesse controlar – Lembra disso? – era uma fotografia antiga onde eu e Jimmy estávamos abraçados em uma praia. Éramos crianças felizes e que não viam a maldade dos homens. Ao nosso lado estavam os pais dele, sua irmã Sara e a minha mãe. Todos sorriam, se abraçavam, se respeitavam
- Eu sinto falta disso mãe...
- Sente falta por quê? Que eu saiba, Jimmy nunca deixou você. Ele está ao seu lado durante anos, então você não devia sentir falta de algo que nunca lhe deixou certo? – ela sorriu fraco, e abriu os braços, me puxando para um daqueles abraços de urso
- Posso levar essa foto mãe? Para Jimmy ver...
- Claro que pode meu amor, leve e conserte toda essa besteira ok? Mas me prometa uma coisa...
- O que a senhora quiser...
- Que vai ser feliz... Você Brian, vai fazer essa moça, Mayara né? – assenti – Faça essa moça feliz, mesmo que seja por um mês ok? Faça o que seu pai nunca me fez de fato... – ela me beijou na testa e ficamos ali, juntos como há muito tempo não fazíamos.
- Eu te amo Cristina Haner – sussurrei
- Eu te amo mais Brian Haner – Eu queria que ela viesse morar comigo, mas minha mãe era cabeça dura e então decidiu ficar em Huntington Beach. Mas eu prometi que todo fim de semana iria visitá-la.
Depois de horas com ela, tomamos um café da tarde e eu fiquei a contar histórias e confusões que Jimmy me metera nesses últimos meses. Ela ria alto, com a felicidade estampada em seu rosto, parecia mais jovem naqueles minutos
- Vamos jogar uma partidinha? – apontei para as cartas de poker sobre a mesa da sala
- Eu... Ah filho tanto tempo não jogo isso! Nem sei mais as regras! – ela riu
- Com quem que eu aprendi a jogar mesmo? Qual é coroa, vamos lá, tá com medo de perder? – desafiei-a. Minha mãe sorriu, seus olhos brilhavam de tamanha felicidade. Poucas vezes na vida eu me diverti tanto como naquele dia, só Jimmy me fazia rir mais quando contava suas histórias.
Minha mãe nunca perdera a habilidade e ganhou de mim várias vezes
- Está enferrujado hein Haner? – ela zombou de mim
- Nunca ganhei de você – sorri – Ganhei de todos que já joguei, menos de ti mãe – ela sorriu
- Você sempre comete o mesmo erro! Desde sempre, nunca soube blefar – ela riu de mim – Ficamos jogando várias partidas, minha mãe me ensinava todos os truques que ela usava e eu confesso, ela era boa pra caralho. Não sei porque, mas ela insistia que eu aprendesse o jogo
- Porque quer que eu aprenda mãe? É só um jogo! – eu disse rindo
- Nunca se sabe quando uma simples partida pode salvar nossa vida Brian... É bom que você aprenda tudo, já pensou que pode salvar alguém com isso? – como sempre ela era vidente, parecia saber o que eu iria fazer. Não disse nada, apenas sorri pra ela e continuamos a jogar. Ah, claro eu perdi várias e várias vezes...
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A noite chegou e eu precisava ir embora
- Mãe, eu já vou... – levantei do chão e a ajudei. Guardamos as cartas de poker e ela me acompanhou até a porta
- Quando você volta?
- Semana que vem, se der tudo certo! Espero trazer Jimmy pra ver a senhora! Isso é, se ele ainda olhar na minha cara – ela me abraçou e colocou a foto em minhas mãos
- Ele vai sim querido, você já sabe o que fazer... – recebi um beijo na testa e assim saí dali, segui meu caminho de volta á Filadélfia.
Pelo retrovisor vi minha mãe acenar, dobrei a esquina e deixei uma Cristina Haner a gritar meu nome, mas levei comigo a promessa de fazer tudo diferente.
Cheguei á Filadélfia depois de algumas horas na estrada, já estava escuro quando parei em frente á minha casa. Meus amigos estavam gritando, rindo, se divertindo. Eu podia ouvir a festa do lado de fora. Como eu queria fazer parte de tudo aquilo outra vez...
Meu celular tocou e afastou meus pensamentos
- Alô?
- Brian? Sou eu, Catharina...
- Ah, fala... – tratei-a com desprezo
- Preciso te ver amor, pode me encontrar? — E eu precisava acertar minhas contas com ela. Aceitei o convite e arranquei o carro. Fui de encontro á Catharina, porém, mal sabia eu que as coisas não seriam tão passivas como eu imaginei.
“É preciso amar as pessoas como se não houvesse o amanhã. Porque se você parar pra pensar, na verdade não há” (Legião Urbana)
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