Strangeness and Charm
3 Ensaio sobre ela
Notas iniciais
– Hey Frost, Korsak – sorriu ao se sentar na própria mesa – bom dia!
– Bom dia, Jane... O que faz aqui? – perguntou um Frost totalmente confuso com a presença da colega e assustado com tanta animação
– Já estou de volta! – respondeu ainda mais animada e ao perceber que os amigos não tinham entendido desfez o sorriso e foi se posicionar entre as mesas deles – Falei com o Cavanaugh e estou de volta à ação, Casey precisará viajar a trabalho então achei melhor voltar para que vocês não se sentissem tão sozinhos.
– Ah, então isso explica o que disseram mais cedo sobre o Casey ter te trazido ao trabalho... – Korsak continuou rindo – Está de babá nova Rizzoli?
– Ou será que agora devemos te chamar de detetive Jones? – perguntou Frost fazendo o colega gargalhar e engasgar com o café que tomava
– Chame como quiser, Barold – Jane sorriu, fazendo Frost ficar sério e Korsak rir ainda mais – e ele só me deu uma carona... e então resolveu descer para tomar café comigo e falar com minha Ma – o sorriso de Jane se desfez novamente e deu lugar a uma expressão de criança quando se chateia por não ganhar o que quer.
– Então ele é o seu novo motorista? – perguntou Korsak fingindo seriedade, Jane não respondeu, apenas mandou um sorriso sarcástico e mudou de assunto.
– Como foram essas duas semanas em que não estive aqui?
– Foi bem mais tranquilo, só tivemos dois casos semana passada e apenas um há dois dias, mas já estamos resolvendo – respondeu Korsak
– Você parece atrair os vilões, Rizzoli, quando não está aqui eles aproveitam para descansar e poder planejar mais barbaridades para você resolver quando volta. – então começou a digitar algo em seu computador.
– E não podemos esquecer a magnífica ajuda de nossa mais nova médica legista. – completou Korsak soltando um risinho.
– Oh sim, magnífica, estranha, porém magnífica – Frost pareceu pensativo e Jane que não entendia do que estavam falando disse:
– Parece que temos alguém apaixonado – riu
– Ela é uma bela mulher, não se pode negar – defendeu-se Frost
– Sim, uma bela e estranha mulher, não se esqueça – Korsak notou a expressão de Jane e completou – Outro dia desci até o necrotério e a vi conversando com o morto.
– Bem... Você conversa com bandidos – Jane fez os outros rirem.
– Cavanaugh a deixa assistir os interrogatórios, ela parece saber quando o suspeito está mentindo pelo modo como ele age, Cavanaugh crê que isso é de grande ajuda. – disse Frost, como se avaliasse o que acabou de dizer.
– Really? Oh meu deus, acho que o Cavanaugh contratou uma vampira! – Jane fingiu espanto
– Não podemos esquecer que ela fala sem parar e não faz suposições – Korsak deu ênfase a ultima palavra
– Oh não... Contratamos uma bruxa vampira – disse Jane sarcasticamente arrancando gargalhadas de todos
– Por que não aproveita e desce para conhecê-la, Jane? A doutora parecia ansiosa em te conhecer – sugeriu Korsak
– Irei, mas antes me deixe pegar uma tocha e um crucifixo.
****
A mulher dentro da sala tinha literalmente um coração nas mãos, segurava com tanto cuidado e estava tão concentrada que Jane sentiu medo de entrar na sala e assusta-la, então se deixou ficar na porta, observava o trabalho da outra e lembrava-se da primeira vez que a viu, na igreja, em seu casamento com Casey, lembrava claramente que a loira sorria para ela, lhe passando a coragem que agora Jane gostaria de não ter tido. Agora dentro da sala a moça não sorria, não ainda, estava usando jaleco e apenas a parte da frente do cabelo estava preso para trás, mas Jane se atrevia a dizer que estava ainda mais bonita que o dia em que olhava as portas e a decoração da igreja e a viu entre os convidados. A doutora continuava perdida observando cada detalhe do coração do homem que estava deitado na mesa de autópsias, Jane sorriu, a moça ali dentro tinha realmente o poder de ver o coração dela, parecia bobo, mas realmente acontecia, não da forma como ela estava olhando o coração do homem na mesa, mas sim de uma forma diferente, de uma forma... melhor, definitivamente muito melhor.
– Está aí há muito tempo? – perguntou a loira ao perceber a presença de Jane
– Hã? Oh, sim... quero dizer, não! Eu não estou aqui, parada na porta, há muito tempo – se explicou.
– Frost me disse que só voltaria na próxima semana – notou o distintivo na cintura da morena – mas parece que já está de volta...
– Sim, estou, meu noivo... aliás, meu marido precisou viajar a trabalho e como não aguentava mais ficar em casa decidi que estava mais do que na hora de voltar – explicou-se novamente, não sabia o porquê, mas fazia cara de quem pede desculpas por algo.
A loira, que ainda segurava o coração do homem continuou avaliando Jane, viu o quão diferente ela estava, não usava um vestido de noiva, é claro, e agora seu cabelo estava solto e bagunçado, mas não era exatamente essa a diferença que a doutora notara, (claro que esta também foi notada e também elogiada mentalmente pela loira) Jane parecia feliz por vê-la, ainda parecia receosa como da primeira vez que conversaram, mas desta vez, a loira poderia jurar que Jane estava feliz por vê-la. Continuaram se olhando, buscando cada detalhe da outra.
– Ele foi morto por conta do afogamento – a loira resolveu quebrar o silêncio
– O que disse?
– Havia resíduos de pólvora perto do local de entrada do lado esquerdo, mas o projéctil se fragmentou durante a sua passagem pelos tecidos, provavelmente o atirador não tinha muita consciência do que fazia, pois a bala desviou ao se chocar com uma estrutura óssea, fazendo com que apenas parte do projéctil fosse na direção do coração, mas não houve perfuração cardíaca e há poucos sinais de luta, seu pulmão estava cheio de água e a redução da taxa de oxigênio causou danos em todos os tecidos, principalmente nas células nervosas, depois de chegar aos alvéolos, a água entrou no sangue e penetrou nos glóbulos vermelhos, destruindo-os. Com isso, o potássio presente nessas células vazou para o plasma sanguíneo e em concentração elevada, o potássio é fatal, ele acaba com a diferença de carga dentro e fora da célula, impedindo a transmissão dos impulsos nervosos e, assim, a contração muscular, então com isso o coração parou de bater. – explicou a loira como se explicasse a uma criança que uma mais um é dois.
– Vamos com calma doutora, então ele morreu porque foi afogado, o tiro só ajudou a deixa-lo mais fraco, porque o atirador não tinha prática?
– Sim!
– E não podia ter dito isso antes? – perguntou a morena, mas a loira não respondeu, apenas mandou um sorriso para Jane que achou o suficiente – Eu ainda não sei o seu nome... – procurou no jaleco da loira – Dr. Isles.
– Sou Maura Isles.
Fale com o autor