Story of my Life
70 70- Até o infinito
Notas iniciais
POV Rachel
— O que aconteceu com você? – perguntei segurando em meus braços aquele corpinho tremulo – Está tudo bem – falei tranquilamente para ela mesmo que por dentro estivesse explodindo – Fica calma meu anjo – pedi alisando os cabelos castanhos da menina a minha frente – Nada vai acontecer eu prometo, fica calma agora – falei escutando o choro – Calma, shiiu, fica tranquila – pedi repetindo as mesmas palavras por longos minutos enquanto continuava o carinho em seus cabelos tranquilamente.
Eu sou a adulta aqui, preciso estar calma, repeti em minha mente.
— O que aconteceu Julie? – perguntei novamente para a menina agarrada a minha cintura – Quer me contar o que houve? – perguntei vendo-a a assentir, mas ainda incapaz de falar qualquer coisa – Está tudo bem, não precisamos ter presa, temos todo o tempo do mundo meu anjo – garanti sentindo-a me apertar novamente enquanto o choro recomeçava – Calma – pedi tranquilamente tentando acalma-la – Vem comigo meu anjo – pedi abaixando-me para pega-la no colo e com muito esforço a senti passando seus bracinhos pelo meu pescoço.
Fechei a porta com o pé e senti suas lágrimas em meu pescoço e rapidamente abracei seu corpo com toda minha força enquanto começava a caminhar com ela pela sala até chegar e sentar no sofá.
Sentei com todo o cuidado do mundo e fiz o máximo para não me mexer muito para deixa-la confortável em meu colo enquanto agora passava minhas mãos por suas costas tranquilamente e repetia inúmeras palavras de carinho para ela.
Lembrei-me de quando o papai ou o pai me acalmavam, poderia demorar, mas a tranquilidade que eles sempre transmitiam em seus abraços ou em suas palavras sempre acalmavam meu coração e o choro ia diminuindo até parar e com ela parecia estar funcionando.
OBRIGADO PAPAI E PAI!
Não sei quanto tempo se passou desde que ela ficou em meu colo, mas aos poucos minhas palavras pareciam surgir algum efeito, pois seu choro começou a diminuir até restar apenas sua respiração pesada.
— Vai ficar tudo bem – falei vendo-a levantar seu rosto e levantei minhas mãos para limpar delicadamente suas lágrimas.
Julie estava com seus olhos e com seu nariz vermelho por conta do choro excessivo, mas o que mais me chamava atenção era a marca em seu rosto. Com todo o cuidado, mal tocando sua pele passei minha mão por seu rosto contornando a marca de uma mão em sua face vermelha. O cantinho de sua boca estava com um leve corte, nada grave porém marcante demais para apagar da minha mente.
Eu não precisava perguntar para saber como aquela marca havia parado ali, estava claro demais.
O que tinha acontecido para ela ganhar essa marca?
Sentia minha mente rodando por inúmeras possibilidades, mas nada justificaria esse tapa.
A marca do tapa estava vermelha marcando sua pele, o canto de sua boca havia um pequena quantidade de sangue seco mostrando o corte existente ali.
— Quem fez isso com você meu anjo? – perguntei colocando seus cabelos atrás da orelha e peguei suas mãos com as minhas tentando passar confiança para ela.
Não importa o que houve, não importa o que aconteceu, isso passou de todos os limites. Eu vou conversar com Claire mais tarde e depois de sua resposta vou ligar para Santana. Julie não ficaria com Matt, não depois do que houve.
— O papai – disse baixinho abaixando sua cabeça envergonhada.
— Hey! – chamei sua atenção – Não precisa ter medo ou vergonha de me falar nada – falei tranquilamente – Quer me contar agora o que houve?
— O papai chegou estranho novamente – disse para mim – Ele falava todo enrolado e estava muito bravo – contou.
Matt estava bebendo?
— Ele estava falando como meu anjo?
— Ele gritava mesmo eu não falando nada e estava falando todo enrolado.
— Ele estava andando meio engraçado? – perguntei escolhendo com cuidados minhas palavras.
— Ele estava – disse com a voz triste – Ele estava brigando comigo por ter vindo ver a Claire ontem, depois alguém ligou no celular dele e tudo piorou – falou fazendo uma pausa para respirar – Ele estava ainda mais bravo e quando eu falei o porque ter vindo aqui ele se irritou de verdade e me bateu... Foi a primeira vez que ele me bateu assim – contou e senti seu corpo tremulo novamente – Ele saiu e me deixou sozinha... Eu não queria ficar sozinha, ai vim atrás da Claire – disse com os olhinhos cheios de lágrimas – Cadê a Claire? – perguntou com a voz tremula e percebi que logo ela iria chorar novamente.
— Ela ia ficar com a Hanna no treino das lideres de torcida, mas pela hora ela deve estar chegando a qualquer momento – falei olhando o relógio da parede – Acha que pode esperar ela aqui comigo?
— Posso – falou triste.
— Vamos passar algo no seu rosto meu anjo? – perguntei e ela rapidamente negou.
— Eu não quero.
— Não tem problema, não precisa ser agora, mas quando a Claire chegar nós podemos passar algo ai?
— Uhun.
— Escuta – pedi – Ela chegou – avisei escudando a porta da frente sendo aberta e no mesmo momento a voz de Hanna e Claire preencheram o local.
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Já faziam quase três horas desde que Claire e Hanna chegaram e desde então as três estão juntas deitadas no colchão assistindo algum filme qualquer.
Quando Claire a viu ela tentou a todo custo se acalmar para conseguir ajudar a irmã, mas ela estava muito nervosa e enquanto Hanna distraia Julie conversei rapidamente com ela explicando toda a situação, pedindo para ela manter a calma, pois a irmã precisava dela.
De hoje não poderá passar minha conversa com Claire, preciso contar para ela sobre meus planos para tentar adotar Julie. Não é como se eu estivesse querendo arruinar uma família, é justamente o contrario. Eu sinto dentro de mim que preciso protegê-las, pois as duas passaram por muitas coisas e precisam de um lar onde receberam amor, cuidado, proteção e não vejo Matt fazendo isso por elas.
— JULIE – gritou alguém na rua e rapidamente me coloquei de pé observando as meninas sentarem-se assustadas e o olhar de Claire estava preso no meu – JULIE SAIA DAI AGORA – gritou novamente – JULIA! JULIE.
— É o papai – falou Julie baixinho para Claire que rapidamente a abraçou sussurrando algo em seu ouvido, provavelmente tentando acalma-la, pois mesmo não estando ao lado dela eu podia ver o leve tremor em seu corpo.
— JULIE EU SEI QUE ESTÁ AI, SAIA AGORA QUE EU ESTOU MANDANDO – gritou novamente e caminhei até a porta.
— Vocês ficam aqui dentro – falei seria para as três.
— JULIE – gritou novamente.
— Eu vou ir atende-lo – falei abrindo a porta e rapidamente a fechei encarando com raiva o homem a minha frente.
— Eu quero minha filha – disse irritado e caminhei para frente da casa não deixando-o se aproximar da porta atrás de mim – Eu sei que ela está com aquela desnaturada da Claire – disse para mim – SAIA AGORA JULIE – gritou novamente me ignorando.
Observei-o melhor e notei que apesar das marcas profundas embaixo dos olhos, a roupa toda amassada, nesse momento ele não estava bêbedo, mas um leve cheio de álcool estava presente.
— Você não tem o direito de vim até minha casa e começar a fazer um escando na minha porta – disse para ele e observei-o se aproximar.
— Minha filha está aqui, então eu posso fazer o que eu quiser até a Julie vier aqui – disse ignorando-me tentando passar por mim e rapidamente coloquei meu corpo na sua frente – JULIE SAIA, SE NÃO SAIR VAI SER PIOR.
— Você não sente vergonha do que está fazendo? – perguntei irritada – Você agrediu sua própria filha – falei apertando minhas mãos sentindo a raiva crescer dentro de mim.
— Ela estava errada, mereceu apanhar. O que eu faço ou deixo de fazer na educação da MINHA filha é meu problema – avisou para mim – Você e nem aquela aberração da Claire não tem direito de opinar... Eu não quero ela convivendo com vocês, não quero que ela se torne igual à Claire... Eu tenho nojo daquela menina.
— Você...
— Eu também tenho nojo de você – respondeu uma voz atrás de mim e fechei meus olhos por um momento sentindo meu coração errar uma batida... Isso era tudo o que eu queria evitar... Era justamente ela que eu queria proteger e mais uma vez parece que falhei – Você pode pensar o que quiser de mim, mas eu não vou permitir que você me afaste da minha irmã – disse parando ao nosso lado – Eu amo a Julie e ela é minha família e nosso laço você jamais vai poder cortar.
— Eu posso cortar o que eu quiser menina – disse se aproximando dela e rapidamente me coloquei em alerta, ele não iria mais machucar minha filha.
— Não ouse chegar perto dela – avisei com raiva.
— Você estragou nossa família, sua mãe teria nojo de você igual a mim... Eu não vou deixar você estragar minha única filha.
— Mamãe teria vergonha de você – disse irritada – Não ouse falar dela para mim, pois ela ao contrario de você sabia o que família significava... Ela lutou pela nossa família até o ultimo suspiro dela ou você já esqueceu? – perguntou com lágrimas nos olhos – Você nos deixo à sorte, eu cuidei e protegi minha irmã enquanto você sumia, eu e a Julie precisamos do nosso pai, mas sempre que olhávamos para qualquer canto daquela casa nunca víamos ninguém... Você foi fraco enquanto deveria ser forte... Nós também sofremos com a perda da mamãe, mas ao contrario de você nós duas permanecemos juntas seguindo o desejo da mamãe... Eu sempre via você como um herói quando criança, mas eu estava totalmente engana, você é fraco, você é um covarde que agrediu a própria filha... Julie é uma criança – disse para ele e apenas tive tempo de me colocar em sua frente para receber aquele tapa queimando minha face – Rach...
— POR QUE ESTÁ FAZENDO ISSO PAPAI? – perguntou outra vozinha fina e olhei para a porta observando Hanna tentando segurar Julie que chorava olhando para ele – Rachel me desculpa – pediu soltando-se de Hanna e correndo até mim abraçando-me pela cintura enquanto chorava e observei o homem observar a cena estático no lugar enquanto em seu rosto passava por várias emoções, raiva, medo, indignação e acima de tudo ódio.
— Hey está tudo bem meu anjo – garanti retribuindo aquele abraço ignorando totalmente a ardência em meu rosto – Não chora Julie – pedi pegando seu rosto entre minhas mãos e limpando as lágrimas – Vai tudo ficar bem – falei deixando um beijo em seu rosto.
— Vai para o carro agora Julie – observei-o falando enquanto fechava as mãos em punho – Agora... Se despeça delas e vá para o carro – disse olhando com raiva para mim.
— Papai...
– Se não quer piorar a situação me obedeça agora.
Observei-a segurando o choro enquanto se virara e corria até Hanna dando um abraço na mesma e vinha até Claire que a segurou em seu colo apertando o corpo da irmã contra o seu.
— Nós vamos ficar juntas para sempre né? – perguntou baixinho somente para Claire, mas como o silêncio cortante estava presente, cada palavra foi ouvida.
— Nós sempre vamos ficar juntas, lembra-se da nossa promessa? – perguntou colocando-se de joelhos tentando segurar o choro enquanto olhava para a irmã.
— Eu cuido de você e você cuida de mim – falou Julie pegando a mão da irmã e apertando-a – Eu sou seu anjo e você vai ser o meu.
— E eu vou ser o seu – repetiu Claire abraçando-a novamente e deixando um beijo em seu rosto – Eu te amo daqui até o infinito.
— Até o infinito Claire bear – disse deixando um beijo na irmã e veio me abraçar – Mamãe estaria orgulhosa certo?
— Mamãe estaria muito orgulhosa de nós – respondeu para a irmã que se soltou dela e caminhou até mim.
— Obrigado Rachel – disse me abraçando apertado e deixei um beijo em sua testa.
— Não precisa me agradecer, vai tudo ficar bem – garanti para ela e observei-a caminhando até o carro parado em frente de casa.
— Tchau – disse para mim antes de entrar no carro e foquei minha atenção no homem parado a minha frente.
— Isso não vai ficar assim – disse para mim.
— Nisso nós concordamos, pois eu não vou permitir que um descontrolado como você machuque-a novamente – disse mexendo minha cabeça em direção ao carro – Se eu fosse você eu me preparava, pois você logo vai receber noticias minhas.
— Você não vai destruir minha família – disse avançando e me mantive firme.
— Você destruiu nossa família Matt – disse Claire parando ao meu lado olhando-o com raiva – Se você ousar levantar sua mão novamente contra minha irmã eu mato você – disse com raiva e peguei sua mão apertando-a.
— Eu tenho vergonha de você – falou com desprezo para ela.
— Não mais do que eu tenho vergonha de ser sua filha – respondeu
Claire e observei-o caminhando rapidamente até o carro e logo o carro saiu em disparada.
— Claire – tentei falar mais rapidamente a senti abraçando-me enquanto chorava.
— Ele bateu em você por minha culpa – disse desesperada e apertei meus braços ao seu redor – Me perdoa.
— Não foi sua culpa Claire – falei para ela – Eu me colocaria na frente de mil tapas por você sem nem pensar – garanti vendo um pequeno sorriso em seu rosto – Vem, vamos entrar e tomar alguma coisa – disse abraçando-a de lado – Não precisa chorar mais, vai ficar tudo bem – disse novamente – Nós precisamos conversa.
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