Story of my Life
44 44- Winter inside (parte 1)
Notas iniciais
POV Quinn
Desde que o amanhecer chegou iluminando tudo algo dentro de mim continuava na escuridão, era um aperto, um sentimento ruim, algo que tirava-me o ar e durante toda a manhã me acompanhou para onde fui. Eu iria encontrar com Rach daqui a pouco e sei que quando nossos olhares se encontrarem vou ser presenteada com seu maravilhoso sorriso 1000 watts e tudo ficará bem, pois é impossível ver aquele sorriso e sentir algo ruim.
Enquanto esperava Rach e Claire saírem do colégio meu celular vibrou anunciando uma mensagem de Santana e logo começamos a conversar e ela contar alguma bobagem, como alguém pode ser tão chata até por mensagens?
Senti um olhar sobre mim e levantei meu olhar encontrando um lindo olhar castanho intenso e perfeito e nesse momento senti meu mundo se iluminar por um momento, meu coração acelerou rapidamente e eu poderia facilmente ter um ataque cardíaco a qualquer momento... Esse é o efeito de Rachel Berry sobre mim... Era assim na época do colégio é assim em nosso presente e sei que no futuro as coisas seguiram assim, pois não importa quantos anos se passem eu sempre vou ter o mesmo olhar para ela... Como se sempre você a primeira vez.
Rachel Berry é capaz de iluminar a noite mais sombria com seu olhar e salvar qualquer pessoa com seu sorriso, nenhuma palavra conhecida por mim poderá descrever as sensações que essa mulher me causa, se eu sou trouxa por ela? Com toda certeza do mundo... Nós temos muito o que conversar ainda, temos um passado ao nosso lado, mas no tempo certo sei que ela se abrirá comigo, posso esperar seu tempo, seu espaço, afinal esperei cinco anos para tê-la em minha vida novamente.
Enquanto ela atravessava a rua caminhando em minha direção senti a sensação ruim voltar, alguma coisa estava tremendamente errada.
Observei Rach sorrir largamente enquanto andava passo a passo até mim, mas um barulho cortou a rua antes parada fazendo todos os pelos do meu corpo se arrepiarem, olhei para o lado e observei um carro aproximando-se rapidamente dela e o pânico cresceu dentro de mim... Por favor, não... Não deu tempo de falar, não deu tempo de me mexer... Tudo aconteceu em questões de segundos e não importa o quão rápido eu fosse eu jamais poderia chegar a tempo até ela.
Sabe quando você observa seu mundo a um palmo da sua mão e em segundos tudo muda drasticamente diante dos seus olhos e você se encontra impotente diante os fatos? Seu mundo antes perfeito desaba e tudo vira um caos.
Era exatamente isso que estava acontecendo.
Meus sentimentos estavam uma mistura de pânico, pavor, medo, raiva, tristeza, desespero, agonia, dor... Tudo isso misturada enquanto eu me via paralisada por um segundo.
Observei a cena por um momento e notei a caminhonete parada e... Finn... Maldito seja... Ele está desacordado com um pequeno corte na cabeça e Rachel... Deus por favor, não... Senti meu sangue congelando enquanto observava minha mulher caída em minha frente.
Rachel estava deitada na rua e em sua volta tinha cacos de vidro e sangue... Muito sangue... Uma pessoa tem em media de 4 a 6 litros de sangue no corpo, mas ali no chão eu podia jurar que via uns 2 litros... Rach tinha cortes pelos braços, perna e um profundo corte na cabeça, seu nariz sangrava e isso era um péssimo sinal. Sem me importar me ajoelhei no chão ao lado dela não me importando com nada.
— Amor por favor, fala comigo – pedi sentindo as lágrimas descendo pelo meu rosto – Não faz isso comigo amor — implorei para ela enquanto aproximava-me mais dela – Respira Quinn – falei comigo mesma respirando fundo três vezes antes de focar em Rach — Rachel! Pelo amor de Deus fala comigo! Amor? Rach? Por favor, Deus, não faz isso... Amor olha para mim... Abre os olhos... Não se atreva e me deixar Rachel... Amor por favor... Amor... – chamava, implorava mais ela já não me respondia – ALGUÉM POR FAVOR, CHAMA AJUDA – gritei desesperada enquanto o desespero me consumia – Você não vai me deixar está ouvindo Rachel Berry – falei colocando minha mão em seu pescoço tentando sentir a pulsação que já não se encontrava ali.
NADA! Essa palavra se repetia na minha mente, isso não pode acontecer, não posso perde-la novamente, não posso viver num mundo onde ela não exista.
— Pensa Quinn... Pensa... Pensa... – murmurei vendo a movimentação ao nosso redor aumentar — É isso – exclamei para mim mesma.
Quando estávamos no colégio Sue nos fazia participar de aulas de primeiros socorros, nunca pensei que seria útil até hoje, mas graças aquelas aulas eu sei o que fazer.
Delicadamente tirei o braço de Rachel que estava em cima de sua barriga e deposite ao seu lado com todo o cuidado do mundo antes de levar minhas mãos até seu tórax e apoia-las ali e começar a fazer pressão. Fiquei de joelhos para facilitar meus movimentos enquanto continuava pressionando aquela região fazendo força para pressionar seu coração, depois de segundos parei a massagem para fazer respiração boca a boca nela, soprando ar para seus pulmões. Não sei quanto tempo se passou, poderia ser minutos ou horas, mas naquele momento tudo estava acontecendo em câmera lenta enquanto eu forçava seu tórax e o ar em seus pulmões... Ignorei o som das pessoas ao meu redor e escutei somente o som da ambulância cortando a rua.
— O socorro está vindo meu amor – falei depois de fazer mais uma respiração boca a boca e continuei a massagem – Aguenta só mais um pouquinho – pedi.
Não pude acreditar nos meus próprios olhos quando senti Rachel tremer embaixo de mim... Obrigado! DEU CERTO! Ela voltou.
Quando senti Rachel tremer eu parei meus movimentos automáticos de pressionar seu tórax e levei meu olhar até seu rosto notando seu olhar aberto encarando-me por míseros segundos antes de fechar os olhos novamente e senti meu corpo sendo empurrado para longe, fazendo-me cair sentada com as mãos apoiadas no chão em cima dos cacos, mas não me importei... Minha atenção estava em Rachel e nos enfermeiros que a cercavam fazendo alguns procedimentos.
Quando os paramédicos estavam colocando-a na maca levantei-me rapidamente e senti um corpo se chocar com o meu.
— Ela... Ela... – Claire tentava falar, mas o desespero estava consumindo-a impedindo-a de fala enquanto o seu choro sofrido saia... Olhei para Hanna estava parada ao lado da namorada e falei.
— Eu explico depois o que houve, eu preciso ir com ela... Hanna a chave do carro está lá dentro, vão para o hospital... Você consegue dirigi – perguntei e ela assentiu – Leve Claire para lá e avise Hiram – disse seguindo os paramédicos para dentro da ambulância, mas parei caminhando até Claire novamente – Vai ficar tudo bem ok – disse para ela antes de me virar e entrar na ambulância.
— Você conhece a vitima? – perguntou o paramédico e assenti.
— Ela é minha namorada.
— Entre que estamos sem tempo – disse e rapidamente entrei sentando-me ao lado da maca enquanto observava os dois paramédicos fazendo alguns procedimentos em Rachel.
— Qual é o nome dela? – perguntou o segundo paramédico para mim.
— Rachel Berry – falei vendo seu olhar aumentar, mas logo recuperou a postura.
— Você sabe qual é o tipo sanguíneo dela?
— É O negativo – respondi sem olhar para ele.
— Ela está sangrando pelo ouvido – disse um paramédico para outro e senti o meu medo aumentando, isso era um péssimo sinal.
— Ela está tendo outra parada – disse o paramédico e observei o aparelho marcando sua pulsação caindo novamente e as lágrimas começando a aumentar novamente.
Sentia meu corpo travando enquanto eu observava aqueles batimentos caindo e rapidamente a noite passada veio a minha mente... Nós duas estávamos deitadas no sofá vendo um filme qualquer depois de todos terem ido embora e senti o coração de Rachel batendo durante horas enquanto sentia seu carinho em meus cabelos... Como tudo pode mudar assim? Seu coração estava batendo ontem e agora ele está parando.
Eu olhei para o corpo de Rachel desesperada tentando ver alguma coisa, mas apenas via seu corpo se debatendo por conta dos choques que levava em seu peito... Nunca saberia explicar essa sensação, pode-se passar anos e anos jamais conseguiria descrever esse sentimento de ver a pessoa que você ama indo embora diante dos seus olhos.
Escutei o paramédico falando ao telefone depois da sessão de choques acabar e pelo que entendi o hospital estava com falta desse tipo sanguíneo e senti meu desespero crescendo dentro de mim.
— Você conhece alguém que tenha o tipo sanguíneo dela? – perguntou para mim e apenas pensei em nossos amigos.
— Os pais delas estão a caminho e eles provavelmente são do mesmo tipo sanguíneo que o dela – respondi olhando para minha namorada.
Senti a ambulância parando e os paramédicos logo desceram e desci atrás acompanhando minha namorada com os olhos, observei alguns rostos conhecidos, mas apenas segui em frente ignorando seus chamados e observei alguns médicos se aproximarem da maca e a levarem para dentro de uma porta, mas quando fui segui-la um dos médicos me parou.
— Você não pode passar – avisou para mim e nem tentei discuti, apenas parei para ver os rosto que antes havia ignorado. Estavam ali Cris, Frannie, Hiram, Shelby, Claire, Hanna e Santana junto com Britt – Alguém de vocês é O negativo e pode doar?
— Eu sou – respondeu Claire soltando-se de Hanna enquanto se aproximava do médico – Eu posso doar.
— Eu também posso – falou Britt dando um passo a frente – É só nos levar até onde precisamos ir – disse para o médico e Claire juntou-se á ela para segui-lo.
— O que aconteceu Quinn? – perguntou Hiram com lágrimas nos olhos e suspirei antes de contar para eles.
Contei sobre noss encontro, sobre como o acidente aconteceu e quem o causou, falei sobre como Rach estava no local e o que aconteceu, observei Hiram e Shelby se abraçarem chorando, Santana falava alguma coisa em espanhol provavelmente xingando Finn, Cris estava desabando e Frannie e Hanna estavam ao seu lado tentando segura-la para ela não ir ao chão... Olhei para a cena sentindo meu coração se apertando com o desespero deles, afinal meu desespero é igual.
Observei em silêncio as pessoas a minha frente e apenas me encostei na parede em frente aquelas portas azuis e deixei meu corpo deslizar para o chão.
Rachel poderia morrer e se isso acontecesse eu não sei o que seria da minha vida, não sei ficar sem ela... Não suportaria perde-la novamente...
— Quinnie? – chamou Santana tirando-me dos meus pensamentos enquanto se ajoelhava a minha frente – Você não quer se limpar? – perguntou docemente para mim e olhei pela primeira vez para minhas roupas.
Minha blusa estava vermelha, minha calça jeans estava com marcas de sangue e minhas mãos estavam machucadas com pequenos cortes de caco? Deve ter sido a hora que fui empurrada.
Estou suja com o sangue de Rachel... Estou suja com o sangue do meu amor... Esse sangue todo deveria estar dentro dela, não em mim... Isso não está certo, ano está... Pensei sentindo as lágrimas se formando em meus olhos novamente.
— San ela não pode morrer! Eu demorei cinco anos para tê-la em minha vida novamente, ela não pode ir embora... Eu não vou suportar perde-la desse jeito – disse tropeçando nas palavras enquanto as lágrimas desciam pela minha face – Eu não posso perder o amor da minha vida.
— Para de pensar assim Quinnie... Vai dar tudo certo... A Rachel é forte e vai sair dessa – disse para mim com um pequeno sorriso no rosto enquanto tentava esconder sua preocupação e notei Frannie ajoelhando-se à minha frente enquanto puxava-me para um abraço e eu chorava igual uma criança ouvindo ela sussurrar coisas em meu ouvido igual quando éramos crianças.
— Está frio – sussurrei em meio ao choro fazendo minha irmã se separar de mim e me fitar – Está frio Frannie... Está tudo congelado dentro de mim... Sem ela não tenho nada...
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