Story of my Life
2 2- Você ainda se importa
Notas iniciais
Encontrar Kurt definitivamente era a ultima coisa que eu desejava, não mantive contato com ninguém com quem havia estudado por motivos óbvios, não queria ninguém que pudesse lembrar-me do colégio, e ali estava ele na minha frente enquanto esperávamos o garçom trazer nossos pratos, não havia como negar seu pedido de conversar comigo. Até agora conversamos apenas o básico, sei que ele se formou em jornalismo e é um grande critico, lembro-me de uma de suas criticas em relação a minha roupa durante um evento em que eu havia participado. Ele havia mudado muito, não apenas fisicamente, sei que ele casou com Blaine e que ele trabalhava num estúdio de musica e dança.
— Você mudou muito Rachel, eu não reconheço mais você – comentou-o enquanto tomava seu vinho.
— Temos que mudar certo, afinal o tempo não parou desde a ultima vez que nos vimos – respondi simplesmente o vendo assentir.
— Nós éramos melhores amigos não é? – perguntou-me e apenas assentir temendo as próximas palavras de sua boca, eu não queria e não daria nenhuma explicação para ele, não posso, não hoje nem nunca – Porque você simplesmente foi embora? Você amava o clube Glee e estávamos nas nacionais e com certeza iriamos ganhar, mas você simplesmente sumiu do mapa e tudo o que seus pais contaram quando eu fui até sua casa é que você havia vindo pra Nova York antes do tempo, simples... Sem falar nada... Eu era seu melhor amigo, merecia alguma consideração de sua parte – falava magoado encarando-me – Porque nunca apareceu para o reencontro com a turma? Sempre te enviamos os convites e sei que você recebeu.
— O que você espera que eu diga a você depois de tantos anos? – perguntei – Eu não devo nenhuma explicação para ninguém nem para você, eu não sei por que você simplesmente resolveu aparecer agora, mas se veio até mim para cobrar alguma coisa vai perder seu tempo... O clube Glee era apenas um clube qualquer – falei sentindo meu coração se apertar, era totalmente mentira essas palavras, naquele clube me conheci como pessoa e como artista, tudo o que sou devo ao Sr. Shue, foi naquela sala aonde surgiu meu amor por ela, onde nos apaixonamos... Mas ele não pode saber que eu me importo – Não apareci porque eu não me importo... Porque você simplesmente não pode entender isso? Eu não ligo Kurt — precisei ser firme em cada vez que recebi o convite durante esses anos eu sempre quis voltar mais não podia, ela estaria lá e eu faria o que? Simplesmente os abandonei, abandonei-a, não podia voltar.
— Nem com a Quinn você se importou não é? – atacou-me ele fazendo meu coração parar de bater ao mencionar esse nome – Você tem noção do quanto ela sofreu quando descobriu que você havia partido? Naqueles dias após seu sumiço ela parecia uma morta viva, não comia, não falava e se recusava a entrar na sala do coral porque se lembrava de você, seu nome foi algo que se tornou proibido de se falar perto dela, pois quando ouvia ela simplesmente desabava e ninguém conseguia acalma-la... – enquanto ele falava meu peito estava se partia, eu tinha consciência de tudo o que fiz para ela, mas saber a extensão dos danos era diferente, as lágrimas estavam tentando a todo custo sair mais eu preciso segura-las... Minha cabeça está estourando de dor... Merda... – A Quinn não teve uma vida depois que você se foi, você sabe o quanto ela bebeu durante as festas? Depois que estava completamente bêbeda pedia para chamar você? Graças a Deus as notas delas não cairam, para tentar aplacar a dor que VOCÊ causou mergulhou nos livros e cada vez mais se fechava... – contava-me ele enquanto eu tentava me manter firme mais me quebrando por dentro – Depois das nacionais Puck deu uma festa, ela bebeu muito, muito mesmo mais do que qualquer um já havia visto, depois de chamar e pedir para você voltar e ninguém conseguir acalma-la ela se trancou no banheiro da casa, pedíamos para ela sair, mas nada a fazia abrir a porta, apenas escutamos o choro baixinho vindo de lá dentro, depois tudo ficou em silêncio e entramos em desespero... Os meninos arrebentaram a porta depois de varias tentativas de chama-la e nada, ela estava caída no chão e em cima da pia havia duas caixinhas de remédio da mãe do Puck aberta... – ele estava olhando em meus olhos enquanto me contava... Não posso acreditar nisso... Não posso... Minha Quinnie... Ela... Não, não pode ser... As l[sgrimas que eu estava segurando estavam começando a descer... Ela não podia ter tentando se matar... Não... O que eu fiz? O que eu poderia fazer? Eu era apenas uma menina na época... Merda... Kurt estava atento as minhas reações então simplesmente deduzia a pergunta muda em meus olhos – Ela não se lembra de muita coisa daquela noite, tudo o que se lembra era que a dor precisava sumir, levamos ela ao medico, ele fez uma lavagem nela e dois dias após o ocorrido ela simplesmente saiu do hospital, parou de beber e se fechou dentro dela... Quinn foi para a faculdade e se formou com honras em Direito e é uma grande advogada... Me diga ainda que não se importa Rachel Berry, você pode negar o quanto quiser mais vejo em seus olhos que se importa...
— Eu...
— Não terminei ainda de falar... – cortou-me ele – Eu não sei o por que você sumiu, todos ficaram bravos e desapontados com você, te jugaram sem saber os seus motivos e confesso que eu mesmo fiz isso, me senti traído por você, mas cada pessoa daquele coral sente sua falta... Sabia que Santana apesar de estar brava com você por ter feito o que fez com Quinn é a única que não te julgou na época, apenas disse que você deveria ter seu motivo para fazer o que fez – disse ele enquanto eu me mexia em minha cadeira desconfortavelmente, minha cabeça estava pesada e estava com muita dor, Deus porque essa dor não passa, eu já havia tomado quatro comprimidos hoje... – Eu vim atrás de você agora porque eu ainda sinto sua falta, falta da minha melhor amiga e não dessa pessoa que tenta se passar por fria à minha frente, você se importa ainda... Porque tenta negar tanto? – perguntou-me ele, como ele poderia me conhecer depois de tanto tempo? – Vai acontecer uma reunião do clube Glee daqui uns dias em Lima e eu quero que você vá, por favor, vamos – pediu-me ele, como eu poderia voltar depois de tudo o que eu fiz? Como eu posso encarar aquelas pessoas? E principalmente se eu visse Quinn, não sei o que vai acontecer, não posso fraquejar depois de tanto tempo... – Ela sempre esperou que você aparecesse, mesmo que nunca falasse nada, sempre que a porta se abria ela era a primeira a se virar com um discreto sorriso mais esse sorriso morria logo em seguida e sua expressão voltava a se tornar seria novamente, pois não era você ali na porta.
— Eu não posso... Eu sinto muito mais não posso – me desculpei o vendo assentir – Eu preciso ir... Não posso ficar aqui agora... – falei abrindo a bolsa e tirando dinheiro e jogando em cima da mesa, aquela conversa toda me sufocava a cada segundo, eu estava perdendo meu controle e essa dor não passa... – Eu preciso ir para casa... Desculpa mesmo por qualquer coisa, tchau – falei me levantando e saindo em direção à porta do restaurante ouvindo Kurt me seguindo e chamando-me...
Nova York é conhecida por sempre ter muitos taxis mais cadê um quando se precisa? Droga... Como eu tinha intensão de ir para a peça e depois para casa não havia ido de carro... Se arrependimento matasse eu com certeza estaria caída no chão agora.
— Rachel espera eu vou levar você – falou ele parando ao meu lado – Eu te trouxe e te levo, meu carro está ali na frente, vamos.
Concordei não tendo muita opção nesse momento, simplesmente o segui até seu carro e entramos.
— Preciso saber onde você mora – falou ele ligando o carro enquanto eu passava o meu endereço.
Kurt ligou o radio e ficamos em completo silencio, ele respeitava meu silencio e estava grata a ele por isso... Eu apenas preciso deitar e esquecer esse dia... E quem sabe me livrar dessa dor... Peguei meu celular e li um e-mail que Cris havia me mandado... Cris era Cristina minha agente, ela simplesmente era a minha única amiga, a pessoa que eu chamaria para qualquer coisa... Ela é fantástica... Amanha graças a Deus era pouca coisa para fazer, uma sessão de fotos e uma entrevista numa radio.
— Você está gravando um CD não é? – perguntou-me ele para quebrar o silencio enquanto Cannoball começou a tocar na radio.
— O Cd está pronto, mas ainda não vamos lançar ele, só daqui um mês – falei sorrindo.
— Sei que hoje foi uma completa surpresa para você em me reencontrar, sei que não somos mais amigos como antes Barbra, mas quero dizer que estou orgulhoso da profissional que você se tornou — comentou ele sorrindo enquanto olhava rapidamente para mim e depois voltando a dirigir – Você sempre sonhou com a Broadway e alcançou seu objetivo mais foi muito mais além do que qualquer um poderia imaginar... Seu primeiro Cd está ai, sua música é um sucesso e sempre está estampando as mais diversas capas de revistas, é uma das mulheres mais cobiçadas de Nova York e uma das mais bonitas segundo a revista magazine, seu Cd promete ser um sucesso, você foi fantástica Rach.
— Obrigado Kurt – agradeci com um sorriso enquanto apontava aonde era meu prédio – É aquele ali aonde eu moro – comentei o vendo estacionar o carro – Obrigado por tudo.
Senti meu celular vibrando em meu bolso e vi o nome do papai na tela e Kurt me falou silenciosamente para que eu atendesse.
— Alô papai – cumprimentei-o sorrindo levemente, meus pais sem sombras de duvidas são uma das razoes para eu estar de pé, eu não teria conseguido vim para Nova York sem eles, sem o apoio deles e compreensão... – Papai você está ai? – perguntei tirando meu celular do ouvido e vendo se a ligação ainda estava ali e ouvi um fungo... Isso não pode ser boa coisa — Papai sei que o senhor esta ai... O que esta acontecendo...? – perguntei sentindo meu coração se apertar ao ouvir seu choro e o desespero começar a crescer dentro de mim... – Papai pelo amor de Deus o que esta acontecendo? – Insisti vendo Kurt olhando-me preocupado enquanto eu tentava entender o que se passava.
— Rachel...
— Papai o que esta havendo? – perguntei escutando ele explodir num choro sofrido.
— Rachel você precisa vim para casa...
— Como assim ir para casa papai? Aconteceu alguma coisa com o pai? Responde papai – pedi sentindo o desespero crescer dentro de mim.
— Você tem que ser forte Rachel – pediu-me ele.
— Co... Como... Como assim? – perguntei gaguejando já imaginando a resposta e eu não queria ouvir... – Só seja direito, por favor...
— Leroy... Ele... Ele... Ele morreu Rachel, eu sinto muito te falar assim estrelinha – falou tentando manter a voz firme enquanto eu explodia num choro e Kurt soltava o cinto e tentava falar comigo, mas tudo o que eu escutava era ele tentando me explicar, mas não conseguia ouvir muita coisa...
Ataque cardíaco? Encontro com quem? Quem? Meu pai morreu... Eu não estava mais sentindo nada, apenas o desespero crescendo... Senti Kurt pegar o celular que havia derrubado e falar alguma coisa com papai e logo depois se virou para mim... Meu pai morreu... Como isso pode acontecer?
Meu pai Leroy sempre foi maravilhoso comigo, cozinhávamos juntos, cantávamos juntos... A primeira vez que assisti Funny Girl foi com ele... No pior momento da minha vida ele estava ao meu lado... Mesmo quando papai não concordou com minha decisão de deixar Lima, pai sempre esteve presente e arrumou tudo rapidamente para que eu pudesse vim para Nova York... Lembro como se fosse ontem, quando eu cheguei à minha cidade dos sonhos eu estava destruída e em pedaços... Como papai é medico ele não podia deixar o hospital de Lima, então Pai Leroy veio comigo e ficou cuidando de mim até que eu pudesse respirar novamente, deixou casos importantes em seu escritório de direito para cuidar de mim... Ele não podia ter partido... Como assim? Porque? Eu não entendo... Ele estava bem da ultima vez que veio para Nova York com o papai, lembro-me de seu ultimo abraço quando estávamos no aeroporto esperando o voo para Lima... Eu nunca mais voltei para lá então meus pais sempre vinham para Nova York... Quando papai foi comprar nossos lanches Leroy sentou comigo e me deu um longo abraço falando do quanto estava orgulhoso de mim e estava muito contente com as minhas musicas para o álbum. Ele sempre me protegeu... Tudo estava passando como um filme em minha mente e nada ao meu redor importava... Nada estava fazendo sentido...
Kurt me chamava mais eu já não ouvia, minha cabeça piorou e a dor começou a dominar tudo, se fosse em outro momento eu estaria entrando em desespero por perder os sentindo, não que isso acontecesse com frequência mais mesmo assim, mas nesse momento não importa mais... Eu só quero que a dor pare... E agora tudo está girando e não vejo problema... Eu acolho de bom grado essa escuridão.
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