Stories Of Red And Blue

8 Capítulo 8 - MidoTaka - Lu Daiki Seijuro, Usagi e EroCook


Notas iniciais
Peço desculpa pela demora a postar este capítulo. Simplesmente foi difícil escrever este par porque não é dos meus prediletos e sinceramente não gostei do resultado deste capítulo. E peço desculpa por quaisquer erros ortográficos que estejam no capítulo, agradecia muito se mos dissessem. Mesmo assim espero que possam ler. Espero que gostem!

Vozes e risos enchiam um grande salão iluminado por grandiosos candelabros brilhantes e um inconstante tilintar de copos a embaterem-se e o som de passos a aumentar entregava o facto de que a hora estava a chegar. E uma figura alta andava apressadamente de divisão em divisão numa euforia perturbante para os convidados daquele edifício.

– O número de convidados já foi confirmado e está de acordo com a previsão, a ementa está completa como no planeado, as flores também chegaram intactas, o bolo...já está calculado ser entregue pelo fim da cerimónia para que quando chegarem à sala estar tudo pronto nanodayo... — o indivíduo rabiscava num pequeno bloco de notas enquanto passava repetidamente a mão pelos seus cabelos esverdeados, obviamente num estado de puro pânico. Ele compreendia muito bem a importância deste dia e que ele era algo que seria único para a vida dele e de todos, por isso queria que este evento fosse o mais perfeito possível.

Ou talvez o pavor viesse apenas porque a OhaAsa afirmou que os cancerianos estavam em 8º lugar no ranking diário.

– Midorima Shintaro-san.. — uma voz doce vinda de uma brecha que abrira da porta atraiu a atenção do homem que estava focado em organizar o seu cabelo despenteado — A noiva deseja vê-lo..

– M-Mas— — engoliu em seco e recompôs a voz para uma mais autoritária. — Se alguém vir a noiva antes do casamento dizem que dá má sorte nanodayo.

– Ela dissera-me que podia dizer isso por isso informara-me de que se não fosse imediatamente ao quarto que ela iria, hm, partir todos os seus itens da sorte...ou o que quer que isso seja. — a mulher que falava soltou um pequeno riso contido quando viu a cara do homem empalidecer drasticamente e este, após recompor-se novamente, pousou o pente que segurava e, sem mais uma palavra, ultrapassou a senhora e dirigiu-se para o quarto mencionado.

– A-ham — Midorima, ao entrar no quarto depois de receber o consentimento para tal, chegou a corar um pouco com a visão demonstrada em sua frente. Uma mulher dos seus 25 anos, de estatura média e corpo elegante, encontrava-se em frente à janela do quarto, usando um longo vestido branco com alças no pescoço, drapeado na cintura e com a saia levemente apanhada de lado mostrando outra saia em tule. O brilho refletido no vestido branco junto com o sorriso angélico que a mulher lhe mandava faziam-no sentir ainda mais nervoso. Não podia mesmo arruinar este dia.

– Ainda bem que pudeste vir aqui. Espero não te estar a arruinar as preparações....Shintaro-nii-chan. — a mulher andou na direção do esverdeado e sorriu-lhe gentilmente.

– B-bem..e-estás me a i-interromper um pouco... — Midorima desviou o olhar da sua irmã para a janela evitando demonstrar o rubro presente na sua cara. — Mas não podia negar um pedido da estrela deste dia...

– És tão fofo, Nii-chan. — A irmã do esverdeado, de nome Midorima Aiko, afastou-se e foi-se sentar numa das cadeiras em frente a um grande espelho e foi respondida por um grunhido e um "C-cala-te". Ouviu o irmão suspirar e sentiu o seu olhar nas suas costas.

– Eu nunca pensei que viesse ao casamento da minha irmã solteiro...é até humilhante nanodayo...

– Não digas isso, Nii-chan, já tivemos esta conversa milhares de vezes e a minha resposta é a mesma — vais encontrar o teu verdadeiro amor quando o teu coração decidir. — este palavreado já o esverdeado conhecia como a palma da mão mas com o passar do tempo não via quaisquer progressos de que isso ia acontecer. Mas estava-se a desviar do assunto principal do dia: o casamento da irmã.

– E qual é a razão pela qual fui chamado...princesa? — Aiko sorriu quando ouviu o nome que o outro sempre a chamava quando ela tinha problemas. Suspirou e falou numa voz mais sincera e nervosa.

– E-eu estou....assustada....eu amo-o muito mas...e se ele não me amar tanto como pensa e me deixar? E se tudo correr? Se for tudo um grande erro? — a sua voz que crescia num tom mais agudo para o fim da frase, foi interrompida quando a mão de Midorima pousou no ombro dela e chamou a sua atenção.

– Tem calma, Aiko. Todos os pensamentos que estás a ter agora são normais mas tens de relaxar. Vai tudo correr bem, confia em mim. E se algo, de alguma maneira imaginável, correr mal, então eu vou tratar de resolvê-lo no momento e depois vai ficar tudo bem de novo. — ouvir as palavras asseguradoras do irmão trazia-lhe muita confiança e quando olhava para aqueles olhos verdes iguais aos seus sentia que nada na vida lhe iria correr mal. E teve confiança que esse pressentimento fosse verdadeiro. E que o sorriso que libertava agora fosse mais do que alívio momentâneo.

– Obrigada, Shintaro-nii-chan.

–X-

A cerimónia correu surpreendemente..bem. Os planos foram realizados ao milímetro do pormenor e, com a colaboração de todos, Midorima conseguiu ver que aquele fora realmente o melhor dia da vida da irmã. Mas então se não era o casamento que iria correr mal no dia dele questionava-se o que seria. E rezava para que não fosse algo pior do que esperava.

E, por mais que o mais importante já tivera passado, não conseguia afastar este presságio que tinha, esta sensação de insegurança. Por isso ainda andava pelo salão onde estavam todos os convidados com a sua expressão implacável e confirmava que não havia qualquer problema presente no local. E na sua busca acabou por receber um empurrão de um corpo forte e musculado, vindo de uma aglomeração de homens que estavam num circulo a comer, beber e conversar.

– Oops, desculpa lá. — um sorriso desajeitado foi lhe mandado ao que respondeu com um "Hmm" e um conserto na posição dos seus óculos. — Eh? Ah, tu és o irmão da Aiko-chan! Bem que ela disse que tinham olhos parecidos, mas o teu cabelo parece relva, hahahahaa. — um riso bruto foi cuspido da boca do outro e Midorima pôde apenas libertar um suspiro inaudível.

Na verdade ele nunca teve de acordo com o casamento da irmã com aquele brutamontes. Não lhe parecia correto — ele sabia que a irmã conseguia arranjar alguém muito melhor e tinha um grande pressentimento de que o homem exposto à sua frente, o atual marido dela, ainda a ia magoar muito. Contudo, apercebia-se que ele não tinha direito nenhum de opinar a decisão de Aiko e então apenas aceitou a resolução de boca fechada.

– Se eu.... — as primeiras palavras que falava para ele captou a atenção dos outros homens no grupo, que pararam a balbúrdia em que estavam para ouvi-lo. Levantou os olhos na direção do homem e falou numa voz agreste. — Se eu sonhar que alguma vez magoaste a minha irmã, eu juro que te mato. — não era da sua natureza ser ameaçador porém, quando o assunto era proteger a irmã, ele sabia o que conseguia fazer.

– Ai~, ai~, que medo~. — ouviu-se uns risinhos da parte dos outros e um sorriso presunçoso foi lhe mandado. — Quem é que pensas que és? Tu não passas de um nerd de ensino médio que se acha muito bom por ter conseguido um trabalho como secretário de um médico. — aquilo foi um clique no autocontrolo de Midorima e já cerrava o punho preparando-se para esmurrar o outro se não fosse um homem menor que os interrompeu.

– Nee, Masa-kun, já estás a abusar da brincadeira~ — o tom de voz do homem era de diversão o que fê-lo pensar que este podia estar simplesmente a zoá-lo mas, quando sentiu a mão deste a segurar-lhe o punho, viu que ele estava mais que desperto para o que ele ia fazer. — Vá, vá, Midorima-san, vamos sair daqui do pé dele. Ele está "naqueles dias" do mês, dê-lhe um desconto.

– T-Takao-senpai!! O que estás a dizer?!

– Vamos~ — deu um sorriso safado na direção da cara confusa de Midorima e arrastou-o para longe daquele lugar, certificando-se que paravam apenas num lugar mais afastado e silencioso. Só quando chegaram e o outro homem sentou-se nas escadas que se encontravam na frente da porta do local onde se deu a cerimónia conseguiu ver como ele era — cabelos pretos e lisos, com uns fios que lhe iam para a cara, olhos de um azul prateado que nunca tinha visto antes, uma expressão amigável, e traços de um corpo musculado por baixo do terno preto que usava. — Desculpe lá aquilo ali. O Masa já devia estar meio bêbado e ele fica sempre assim quando está naquele estado. — viu o outro sentar-se nos degraus e com relutância sentou-se também.

– E se ele ficar assim e um dia magoar a minha irmã....?!

– Hmm, eu conheço-o já faz um tempo, fui eu quem lhe ensinei a jogar, e sei que ele ama verdadeiramente a sua irmã. Ele nunca lhe irá fazer mal. — Midorima sentiu-se um pouco aliviado ao ouvir aquilo. Sabia que não devia confiar muito em alguém que acabou de conhecer, mas a sinceridade exposta nos olhos do outro não o permitiam duvidar das suas palavras. E quando ia perguntar o que queria dizer com "jogar" foi interrompido. — De qualquer maneira....porque foi escolher uma gravata cor-de-laranja?! Junto com o cabelo fica a parecer uma cenoura, hahaha.

– C-CALE-SE!! É o meu item da sorte, não tive escolha! — combateu muito o rubro que rastejava rapidamente para as suas bochechas.

– O que quer dizer?! Hoho já sei! Vou buscar uma cenoura à cozinha para tirarmos uma foto da mãe cenoura e da chibi~ — Midorima suspirou profundamente, irritado pelas palavras do outro. Porém nesse momento algo despertou dentro dele.

– Q-qual é o seu signo? — olhava para Takao enquanto empalidecia a cada segundo que passava.

– Eh? — a pergunta apanhou-o despercebido mas não se importou muito com isso. — Sou escorpião. Porquê a pergunta?

E foi aí que Midorima viu a sua vida a andar para trás. E na sua cabeça ecoava as palavras da senhora da OhaAsa que lhe tinham sido ditas naquela manhã "Hoje, os Cancerianos iram conhecer um ou uma Escorpião que lhes irá mudar a vida por completo. Mantenham-se atentos e não os percam de vista, ou então grandes sentimentos negativos surgiram dentro de vocês!" O esverdeado já quase sentia lágrimas a escorrerem-lhe pela cara. — Mas eu quero que ele vá-se embora..- Aquele era mesmo um dia de azar.

A voz de um colega de Takao a chamá-lo despertou-lhe a atenção e viu o outro desculpar-se que tinha de se ir embora, a levantar-se e esfregar os sedimentos que podiam ter-se impregnado nas suas calças e a dar um sorriso de despedida a Midorima.

– Como é que te chamas? — O maior sentiu-se como uma rapariga do colegial a perguntar o nome ao seu "príncipe encantado". Não que pensasse em Takao como um príncipe. Nunca. Ele seria mais um escravo. Porém ele nunca tinha sido muito social, e fazer uma pergunta daquelas era embaraçoso para ele.

– Ah, o nome é Takao Kazunari. Muito prazer. — um último sorriso e ele partiu. Deixando-o sozinho a ponderar onde já o tinha visto antes. Onde já tinha ouvido aquele nome antes.

–X-

Quando chegou a casa suspirou (nunca tinha suspirado tanto no mesmo dia, isso era de certeza), porém este de puro alívio. Finalmente poderia ter alguma paz e sossego depois de aguentar tanto barulho e perguntas repetitivas. "E quando você vai se casar?" foi a que ouviu mais. Era sempre a que ouvia. Os pais dele sempre o relembravam que seria bom escolher alguém para amar, tentar encontrar a pessoa correta. E ele já tinha 30 anos. Já sabia o que fazer da vida e não precisava dos pais para lhe dar conselhos amorosos. E então ignorava-os pela pura inutilidade das palavras.

Mas por dentro, após tanta busca e sofrimento, ele tinha perdido a esperança de descobrir a pessoa certa. Por mais itens que comprasse, não havia sorte que o levasse a encontrar o amor.

Contudo, não era só isso que o incomodava. Aquele homem que conhecera no casamento — Takao, era o seu nome — aparecia constantemente na sua visão, como um flash inesquecível. Não entendia o porquê mas não conseguia parar de ponderar a razão pela qual o rosto do outro era lhe familiar, porque o nome ressoava tão bem, qual era o significado dalgumas das palavras que o outro dissera anteriormente. Tudo parecia um enigma para o qual tinha a solução na ponta da língua. E como nunca foi masoquista, decidiu parar de se torturar e arranjar as respostas corretas.

Após tratar de trocar do terno para roupas mais confortáveis, ligar a televisão para manter-se a par das noticiais que passavam, decidir que tudo estava organizado o suficiente para ter um tempo de descanse e pegar no seu computador portátil, deitou-se relaxadamente no sofá e foi a um website de notícias que seguia. Tinha certeza absoluta que fora nas novidades daquele endereço que já vira mais que uma vez mencionado o nome do outro, então agora era só procurar. E esse trabalho sempre fora algo em que ele se sobressaía.

Após apenas 3 tentativas encontrou o que queria. BINGO. «"'Águia Negra' Bate Recorde de Vitórias Nacional" Takao Kazunari, o às e capitão da equipa de basebol nacional, bate o recorde de vitórias lendário de Masaichi Kaneda e torna-se o melhor arremessador da história do Japão.» Então era no basebol onde tinha visto o nome dele ser mencionado. Fascinante. Era difícil de acreditar que alguém com uma personalidade tão relaxada possuía um posto tão elevado na sociedade.

E intrigava-se de como ganhara tanta curiosidade por saber quem era o outro. Ele nunca fora assim, nunca se importara muito com ninguém ao ponto de chegar a pesquisar dados sobre a vida, especialmente de um homem que tinha conhecido no mesmo dia, então não entendia de onde viera todo o interesse em saber mais pormenores do outro que acabara por ler em vários websites e, não sendo um desportista, também não entendia o porquê de estar deitado em frente à televisão a ver gravações dos jogos da equipa do outro no Campeonato Nacional de Basebol Japonês.

Por momentos passou-lhe apenas um pensamento na cabeça: Será que estava a ficar homossexual? ......Não! Nunca! Ele não era homossexual! Nunca seria! Era apenas uma normal curiosidade! Estava admirado pelo que o outro conseguia fazer! Só isso!

Sentiu um pânico repentino passar-lhe pela espinha quando pensamentos muito particulares lhe vieram à cabeça e não o arrepiaram. Como seria o corpo dele por baixo do uniforme? E como seria o corpo nu dele por baixo do seu? Qual seria o sabor daquela pele que brilhou tanto no pôr-do-sol desta tarde?

Ele tinha que fazer algo para esquecer tudo antes que estas imaginações se propagassem e decidissem manter-se na sua mente. Tinha que haver algo que o ajudasse a esquecer. Um livro? Não, ler só poria mais cenários estranhos na sua cabeça e ele não precisava de mais. Música? Não, sabia que não iria se concentrar nela e apenas pensar no outro. Álcool? Esperem, como um médico podia por álcool como uma opção? Não era nada saudável. Mas isto era uma emergência e ele precisava de uma exceção.

Só uma garrafa de cerveja não lhe podia fazer muito mal, certo?

–X-

Errado. Tudo o que se passou esteve errado. Acordou com uma enorme dor de cabeça, à qual chamam de ressaca e, após acumular energia, abriu os olhos com grande esforço e olhou em volta. Várias garrafas de cerveja em variadas posições permaneciam na mesa em frente ao sofá, alguns cacos de vidros estavam caídos no chão e o controlo remoto da televisão encontrava-se desmontado e num canto da sala.

Levantou-se lentamente e suspirou. Ontem tinha mesmo ficado frustrado devido àquele pensamento. Ele não podia ser gay e mesmo que os pensamentos que existiam na sua cabeça dissessem o contrário, ele sabia que não era e ia confiar no seu instinto. E com essa confiança, depois de fazer a sua higiene, vestir-se e tomar o pequeno, saiu de casa com a sua compostura habitual para tentar refrescar a cabeça depois da noite violenta.

A leve brisa fresca da manhã fazia voar os seus cabelos e esfriava agradavelmente as suas bochechas um pouco coradas da ressaca. O ar puro que entrava nos seus pulmões regenerava-o e fazia a sua mente relaxar e acalmar-se de vez. O som das asas dos pombos a baterem quando ele passava por um local no parque a que tinha chegado era até nostálgico e as folhas de outono que deambulavam pelo céu traziam uma confortabilidade àquela manhã pacifica.

Uma figura tão familiar roubou-lhe a atenção quando a viu sentada no banco onde sempre descansara. Cabelos pretos e lisos, olhos azuis prateados que mesmo de longe brilhavam com a luz do sol, e um sorriso incandescente dirigido para o pombo que ele estava a alimentar com pedacinhos de pão.

Por momentos esqueceu-se que tinha pernas e apenas manteve-se ali a observar todos os movimentos do outro. Contudo, quando lembrou-se que tinha a habilidade de andar, fez o impensável e dirigiu-se na direção do outro. Errado. Tudo o que estava a fazer estava errado. Mas aquilo era uma luta que não podia ganhar. Então deixou o corpo derrotar a mente.

– Eh? Ahh, yo Midorima-san. — A voz divertida mas doce ecoava pelo silêncio do parque e fazia o seu coração acelerar despropositadamente. Ele não era suposto acelerar em primeiro lugar.

– Domo. — respondeu-lhe friamente e ao olhar de relance, por momentos, pareceu-lhe ver um flash de emoções a passar pelos olhos do outro. — O que está aqui fazendo tão cedo, nanodayo?

– Hm? Pergunto-lhe o mesmo, Midorima-san! — olhos azulados olharam para a fonte de água. — Eu venho sempre numa corrida matinal mas tive uma lesão no joelho num jogo e ainda não sei se posso. — a cara alegre de Takao transformou-se numa carranca quando este mencionou o impedimento que tinha de correr. — Por falar nisso! Midorima-san~ — sorriu-lhe brilhantemente o que fez ter que desviar a cara e consertar os óculos para esconder o rubro que surgiu. — Você é um médico né? Será que me conseguia arranjar uma consultazinha rápida hoje? É que eu preciso mesmo~ de saber o estado do meu joelho ou não vou poder jogar na próximo época! Por favor~~ Midorima-san~~não, Shintarou-san~~ não, Shin—

– Já percebi, Takao! Eu consigo marcar-lhe uma consulta hoje de manhã...mas não pense que recebe outro tratamento só porque o conheço e sei que está magoado, não estou preocupado ou assim. — suspirou e observou a expressão do outro que ficou surpresa mas depois começou a rir bastante.

– Hahahahaha, você é mesmo um tsundere, não é?!

– Cale-se Takao!! — sentiu o rosto queimar de vergonha. Aquilo não lhe podia estar a acontecer, podia?

– Hai hai~~ — o moreno limpou as lágrimas de riso no canto dos olhos e tirou um pequeno cartão dando a Midorima. — Tome, está aqui o meu número de celular. Me ligue para dizer as horas da consulta, tá? — sorriu e despediu-se, indo depois embora lentamente, deixando Midorima da calamidade daquele parque a olhar para o número impresso no cartão. Estava tudo errado.

–X-

Takao Kazunari era um homem seguro de si. Ele estava sempre confiante onde quer que ia porque sabia que se desse o melhor de si não havia quaisquer remorsos presentes. E sendo alguém que mesmo com obrigações aproveitava a vida ao máximo nunca teve grandes problemas em nada. Por isso não compreendia o nervosismo de ir ao médico. Bem, no fundo ele entendia, o médico não era qualquer um, era Midorima Shintaro, o cara com que estava atraído sexualmente desde que o viu uma vez na televisão. Achava os seus olhos esmeraldas hipnóticos e aquele cabelo tão peculiar único e perfeito. Sem falar que pela reportagem que tinham feito ao mesmo ele devia ter um corpo bem talhado devido a ir muitas vezes ao ginásio como foi mencionado. Então em segredo sempre desejou conhecê-lo.

Mas nunca pensou que isso iria acontecer, especialmente no casamento de um colega mais novo.

Consertou mais uma vez o cabelo e endireitou de novo as roupas, certificando que estavam bem compostos, até entrar no consultório de Midorima. Sentiu-se aquecer muito quando viu o esverdeado — nunca pensara que ele ficaria tão sensual numa bata de laboratório — e sentou-se na maca como foi ordenado.

– Então, aham, Takao-san, vem fazer um check-up de rotina e uma análise ao joelho certo?

– Sim, é só isso! — sorriu escondendo o nervosismo todo por trás de um sorriso e viu o outro murmurar que ia começar por ver o joelho. Engoliu em seco quando viu o outro dobrar-se, puxar-lhe as calças para cima e aproximar-se do joelho. Começou a pressionar-lhe nuns pontos e a mexer-lhe nas articulações porém a única coisa que pensava era na posição em que ele estava — de joelhos, com a cabeça perto do local entre as suas pernas. Tentava conter os pensamentos eróticos que estava a ter no momento mas imaginar aquela cara mais perto do local e aquela boca a chupar o seu—

– A-Ah! A-aí doí! — segurou os ombros de Midorima em tentativa de controlar a dor contudo a sua expressão contorceu-se numa de sofrimento. E o maior só sentiu o corpo a aquecer quando viu a cara de Takao e imaginou como seria se fosse ele a provocar aquilo e se estivesse a penetrá-lo lenta— Midorima-san! — saiu dos seus pensamentos quando ouviu o outro chamá-lo e libertou um suspiro.

– Você não está em condições de jogar, o seu joelho ainda está inchado e precisa de mais uma semana de recuperação. — escreveu algo em um bloco e depois arrancou o papel assinando-o. Mas o que tomou a atenção de Takao foi quando o esverdeado pôs um estetoscópio ao pescoço e ordenou-o. — Tire a camisola por favor.

Agora era o grande desafio. Aguentar ser tocado.

Tirou a vestimenta superior como pedido expondo o seu peito forte e abdómen um pouco definido. Pareceu-lhe ver o médico corar contudo pensou que apenas foi uma visão. A cada passo que o maior dava sentia-se ficar mais tenso e ao sentir a superfície fria do estetoscópio contra o seu peito libertou um gemido inoportuno.

– M-magoei-o? — Takao olhou para baixo para esconder a cara que ficou bastante corada depois daquele gesto e acenou com a cabeça que não. Sentia o material deslizar pelo seu corpo até assentar num local e fazer o mesmo percurso. A sua respiração estava acelerada e sentia-se que ficava mais excitado a cada momento passava. Já bastava, ele não conseguia aguentar mais.

Sorriu sedutoramente e olhou para Midorima, segurando a mão que tinha o estetoscópio e puxando-a junto com o braço para aproximar o corpo do maior.

– Sabe, há uma maneira mais eficaz de ouvir o meu coração? — antes que o outro pudesse questionar o que estava a fazer, pegou-lhe na bata e juntou as suas bocas. Esperava que o outro protestasse e tentasse-o empurrar para se separarem mas foi surpreendido pelos lábios do outro a fazer movimentos entusiásticos contra os seus. Se não tivesse mais trabalho a fazer teria sorrido e gritado de completa felicidade.

Chegou-se para trás na maca para chocar com as costas contra a parede porém assim dando espaço suficiente para que o canceriano subisse para a o local. Os braços de Midorima envolveram-se no seu corpo e empurraram-no para a cama para que se deitasse enquanto que os dentes dele mordiscavam os seus lábios como pedido para ele abrir a boca, coisa que fez sem muito esforço. A língua do outro entrou sem hesitação e começou uma longa e lenta exploração pela superfície húmida.

Separaram-se pela inevitável necessidade de ar mas, mesmo com a respiração muito ofegante, Midorima foi rápido em dar um tratamento de beijos e mordidas no pescoço de Takao. Aquela pele branca tinha um sabor doce, melhor do que o oshiruko que tanto gostava.

Sentiu o outro enrolar as suas pernas envolta da sua cintura para friccionar as ereções que os dois descobriram que tinham quando o maior desceu e começou a lamber e chupar lentamente num dos mamilos de Takao enquanto que o outro foi apertado e esfregado até ficar bem vermelhinho. Sentiu-se orgulhoso quando ouviu Takao a gemer e ao olhar para o seu rosto corado conseguia ver que estava a sentir prazer e isso deixou o feliz.

Ele próprio começou a ficar muito nervoso quando desceu os beijos e começou a tirar as calças e boxers de Takao Nunca tinha feito isto com um homem. E se fizesse um grande erro? E se não conseguisse dar prazer ao seu parceiro? E se tudo corresse mal e Takao acabasse odiando-o?

– Você parece muito tenso hehe — viu o moreno a tirar completamente as próprias calças e boxers e mandá-las para o chão. — Descanse~ apenas divirta-se~ Shin-chan~ — corou muito quando ouviu o seu nome ser mencionado assim mas naquele momento decidiu esquecer tudo. O que interessava era sentir-se bem, pormenores para mais tarde. Viu que Takao puxava para baixo o zip das suas calças e tirava dos boxers o seu membro enrijecido, mas antes que pudesse fazer algo empurrou o para baixo e segurou o seu membro.

– Você é o cliente aqui, eu é que faço o tratamento. — sussurrou no ouvido de Takao e sentiu-o estremecer quando começou a movimentar a sua mão de cima para baixo no membro, pressionando a glande com o polegar. Colocou três dedos em frente à sua boca e mordeu-lhe o lóbulo da orelha. — Chupe-os, Kazunari.

Takao sentiu o coração escapar uma batida quando ouviu o seu primeiro nome a sair dos lábios do outro e sem hesitação começou a chupar os dedos de Midorima. Ele não era virgem, mas sabia bem as consequências de fazer sexo sem lubrificação e não as queria sofrer. Respirou fundo quando o esverdeado tirou os dedos da sua boca lentamente, deixando o filete de saliva que os conectava partir-se e tentou relaxar o máximo ao sentir a penetração começar. Um dedo: apenas um incómodo que passava despercebido com o prazer da masturbação que sentia. Dois dedos: uma dor irritante mas facilmente controlável que após umas inalações de oxigénio profundas desapareceu. Porém no terceiro dedo sentiu realmente o orifício a ter que alargar e gemeu de dor baixinho, coisa que não passou despercebida por Midorima.

– Você está bem? Estou a ir muito depressa? — a preocupação presente na voz de Midorima chateavam um pouco o moreno que só queria que o outro, sempre composto, se divertisse um pouco. Movimentou as ancas para baixo como sinal de protesto, já que falar estava a ser extremamente complicado entre as respirações ofegantes. Midorima percebeu o que queria dizer e começou a fazer movimentos em tesoura com os dedos, a tentar alargar o mais que podia o interior do outro para não o magoar na penetração.

Talvez devesse fazer mais tempo contudo a vontade que estava a sentir não o permitiam esperar muito mais. Um medo de magoar o menor apoderou-se do seu corpo e fê-lo morder o lábio, hesitante de seguir em frente. Foi surpreendido por duas mãos tirarem-lhe os óculos que escorregavam-lhe pelo nariz devido ao suor causado pelo nervosismo e calor que sentia e a seguir apenas viu tudo esborratado no lugar de Takao.

– Não tenha medo Shin-chan, eu fico bem....-sentiu um beijo ser plantado nos seus lábios — Mas agora por favor...foda-me..

Perdeu todo o autocontrolo. Ouvir aquelas palavras fizeram-no perder o restinho de sanidade que ainda existia e sem quaisquer hesitações penetrou Takao, mesmo que ainda tivesse cuidado para não o magoar. O interior dele era muito apertado mesmo que tivesse sido alargado pelos dedos e a fricção que causavam no membro de Midorima era deliciosa. E como sabia que não aguentaria muito sobre aquela pressão começou uma masturbação forte e rápida no membro do menor para que ele relaxasse rapidamente. Não foi surpreendido quando este rebolou sobre o seu membro passado pouco tempo o que fez com que largasse um gemido rouco.

As estocada que fazia começaram hesitantes e desajeitadas mas após acertar num certo local que fez Takao largar um alto gemido procurou atacar esse ponto mais vezes possíveis e trazer a maior quantidade de prazer aos dois. E quando viu que o climax estava perto aumentou o ritmo da penetração e da masturbação permitindo-se gemer alto quando se libertou dentro de Takao, que passado pouco tempo gozou na sua mão com um grito alto. Definitivamente iria ter muitas perguntas e problemas mais tarde mas isso não importava. Nada importava tanto como o facto de que a pessoa com a qual acabar de fazer o que preferia chamar de "amor" disse.

– Shin-chan...eu amo-o...

–X-

Apenas o som do zip das calças a ser apertado foi ouvido no silêncio que se tinha instalado na sala. E os coxeios relutantes de Takao até à porta colocaram um sorriso sarcástico na cara de Midorima.

– Muito obrigado por tudo Midorima-san — desviou o olhar dos papéis para o moreno que o olhava sedutoramente e lhe mandava um sorriso malicioso — Talvez devesse começar a fazer consultas de rotina. Só para ver se está tudo em ordem. — o esverdeado não conseguiu nem combater o rubro que lhe preencheu a cara ao perceber o significado da frase.

– Cale-se Takao! Vá embora! — o menor apenas riu-se antes de se ir embora ainda a coxear.

De novo, um suspiro profundo foi libertado. Contudo, na boca que o libertou havia um sorriso raro e sincero. Talvez finalmente tivesse conseguido encontrar o amor. Mas uma coisa era certa:

" Eu também o amo, Takao...."

FIM

Notas finais
FELIZ ANO NOVO!!! Se chegaram até aqui peço-vos do fundo do coração que deixem um comentário a dizer o que gostaram, o que não gostaram, e o que acham que deve ser melhorado! Agradeço muito! Quero agradecer a todos os que me têm apoiado desde o início desta fic, quero agradecer muitíssimo do fundo do coração à Alice-chan por pôr me no mundo da escrita, quero agradecer tanto tanto tanto à Gryphon-san por me apoiar e POR ESCREVER UMA RECOMENDAÇÃO A ESTA FIC!!! ISSO É ESPANTOSO!!! E quero agradecer a ti, que estás a ler isto agora, por me deixares feliz, tão feliz, ao saber que alguém está a ler isto. Muito obrigado por existires e leres isto. Próximo capítulo - AoKaga - Anna Nyan Bjs e até ao próximo capítulo!!