- Bom dia! Bom dia! E, bom dia! Hora de acordar pequeno Gerard. – Mikey entrou empolgado em meu quarto, abrindo as cortinas.
- Que horas são? – Perguntei ainda muito sonolento, escondendo a cabeça embaixo do travesseiro.
- Exatamente quatro e meia da tarde. – Disse calmamente, enquanto se sentava em minha cama.
- Cadê o Billie?
- Ele disse que depois que vocês transaram você apagou e ele resolveu te deixar dormindo e desceu. Foi fácil convencer a mamãe que você estava cansado. – Ele riu e cutucou meu pé. – Hey acorda Gerard, deixa de ser preguiçoso!
- Eu to acordado, você me acordou, lembra? – Resmunguei escondendo a cabeça novamente embaixo do travesseiro.
- Mau humor hein? Como foi com Billie ontem?
- Ele é louco... E bom de cama como sempre. – Murmurei rindo e balançando a cabeça negativamente me sentando na cama em seguida. – E você? Aquela parada com o David? Sai ou não sai?
- Ah ele não gosta de mim Gee... Você sabe... – Mikey abaixou a cabeça mexendo na borda da bermuda.
- Hey não fica assim. Estamos de férias, vamos sair. Nos divertir! – Levantei os braços para o alto, tentando convencê-lo de alguma forma.
- Se a aeronáutica era um inferno pra você, pra mim era um alívio por estar longe do David e não o ver sofrendo por outro. – Suspirou pesadamente.

- Não vamos mais tocar nesse assunto, hm? – Ele ficou calado, tentou evitar me olhar, pois eu conhecia meu irmão e sabia que seus olhos estavam marejados. – Mi... Parte pra outra vai. Existem tantas pessoas no mundo... Aposto que tem alguém afim de você e você ainda não enxergou. – Sorri. — E o David é um babaca. – O fiz esboçar um pequeno sorriso.
Então ele se lembrou de algo que deveria me contar.

- Sabe quem me ligou hoje? – Perguntou ele mudando de assunto, logo após passar ambas as mãos em seu próprio rosto.
- Quem? – Indaguei intrigado, presumindo já uma resposta, enquanto sentava na cama e me espreguiçava.
- Bob! – Exclamou com um sorriso nos lábios.
- Huuuuum... O lorinho! Que coisa fofa. – Disse rindo, enquanto apertava a barriga de Mikey para lhe fazer cócegas.
- Ele nos chamou pra sair, eu e você. – Sorriu de forma maliciosa.
- Quando? – Indaguei.
- Hoje em New York. – Sorriu, alisando sua própria barriga, agora esboçando um sorriso sincero de felicidade.
- Que dia é hoje? – Suspirei.
- 17.
- Que horas ele marcou?
- Sete da noite. Uma boate que o tio dele abriu. – Ele fez uma pausa. – Mas, não estou muito a fim de ir...
- Por que não? – Cocei a cabeça e bocejei, desajeitando ainda mais meus cabelos. – É só pegarmos o carro do papai.
- Ahn... Eu acho que você não vai querer ir. – Suspendeu as sobrancelhas.
- Eu quero sim! – Levantei, enrolando o lençol branco em minha cintura por estar nu e beijei a testa de Mikey com carinho, afinal de contas ele é meu irmão. Preciso cuidar dele.
- Liga pro Billie, e chama ele pra ir com a gente. – Sorriu.
- Orgia a quatro, é? – Perguntei rindo e entrei no banheiro.
- Deixa de ser bobo, Gee! – Desabou na cama novamente.
- Certo, vou ligar pra ele. – Pisquei para Mikey.
- Vou ligar pro Bob, e confirmar. – Disse Mikey já saindo do quarto.
- Ok. – Fechei a porta do banheiro.

Fiz rapidamente a barba, entrei no box e tomei banho rapidamente. Enrolei uma tolha na cintura e fui até o quarto, sentando na cama e pegando o telefone para ligar para Bilie.

- Atende gostoso... Atende... – Sussurrei ansioso. Passei a mão pela borda da minha toalha a ajeitando.
- Alô. – Ouvi uma voz feminina e rouca do outro lado da linha.
- Senhora Armstrong, aqui é o Gerard. Billie está? – Perguntei receoso. A mãe do Billie nunca foi muito com minha cara.
- Não, querido. Ele saiu com o Mike e não voltou ainda. – Pigarreou.
- Ah sim, obrigado. – Mordi o canto do lábio, suspirando.
- Você quer deixar recado, querido?
- Não senhora. Só peça pra ele retornar a ligação. – Esbocei um pequeno sorriso, mesmo que ela não pudesse ver.
- Ok. – Ela desligou e eu em seguida.

Terminei de me secar, peguei as roupas no armário e fui me vestindo lentamente. Uma boxer azul marinho, calça jeans preta, camisa vermelha, casaco preto. Por último um converse preto nos pés. Ajeitei o cabelo, peguei o casaco preto, e o coloquei sutilmente em cima dos ombros. Ele cobria as minhas coxas, mas não era tão longo a ponto de ser um sobretudo. Um cachecol marrom no pescoço e luvas pretas nas mãos. Saí do quarto, andando lentamente pelo corredor, enquanto passava os braços por dentro das mangas do casaco. Parei em frente à porta do quarto de Mikey e dei três batidas.

- Mikey, ta pronto? — Perguntei abrindo a porta e entrando no quarto do mesmo.
- Quase. – Respondeu ele sentado na cama e amarrando os cadarços.
- Ligou pro Bob? – Encostei-me à soleira da porta.
- Liguei e já confirmei a nossa presença. Ele disse que, se sairmos de lá muito tarde, podemos nos acomodar no apartamento dele até amanhã de manhã. – Levantou-se da cama, ajeitando a camiseta.
- Hum. – Fiz uma pausa. – E nossos pais?
- Lá em baixo vendo TV. – Descemos as escadas juntos. Ao chegar na sala, falei com meu pai e ele me deu as chaves sem problemas, avisei minha mãe que, talvez devido a hora, dormiríamos fora, e ela como sempre mandou eu ficar de olho em Mikey. Acho esse cuidado que ela tem um tanto engraçado. Trata o Mikey como se ele fosse uma criança, ou melhor, um bebê. Mais engraçado ainda é quando ela o deixa sem graça na frente dos amigos. Ele parece um tomate, de tão corado que fica.

Já estávamos no carro indo pra New York quando Mikey resolveu quebrar o silêncio.

- Gee. – Me chamou, atento ao caminho que nós fazíamos. Eram exatamente sete e dez e a lua já se fazia presente no céu azul, de New York. Pouco trânsito e muita tranqüilidade nas ruas pela qual passávamos.
- Sim. – Respondi também atento, só que ao volante.
- O que você acha do Bob? – Desviara o olhar para fora.
- Um cara legal. Por quê? – Parei no semáforo e o olhei.
- Por nada. – Suspirou, fitando agora, suas mãos.
- Ele é caidinho por você. – Soltei essa rindo, deixando Mikey literalmente corado e depois de mais uns minutos parados sai com o carro do sinal.
- Ele é um militar, e militares não são gays. – Havia um tom indecifrável em sua voz.
- Isso é verdade. Mas, pra toda regra há uma exceção. – Sorri, chegando ao local indicado por Bob. No caso, seu apartamento. Será que eu estou atrapalhando alguma coisa a dois?

Mikey saiu do carro rapidamente e foi falar com Bob. E eu fui em seguida. Bob ofereceu uma das vagas da garagem que ele possuía para eu guardar meu carro. Na volta, nos fez subir e esperar mais um convidado que ia nos acompanhar a nossa saída. Já que Billie não veio, eu vou ficar segurando vela. Sentei no sofá enquanto Mikey e Bob sumiram pelo corredor daquele apartamento. Ouvi a campainha tocar e fiquei esperando Bob aparecer para abrir, mas nada dele aparecer. A campainha tocou novamente e eu levantei.

- Bob! – Falei num tom alto, o procurando pelo apartamento. – Bob, a campainha ta tocando.
- Abre pra mim Gee. – Gritou do quarto. Será que ele e o Mikey estavam...? Ér... Não, não. Definitivamente não. Meu irmão não é tão fácil assim... Ou é? Ta bom já parei.
Fui até a porta e a abri rapidamente, me deparando com... NÃO! Não poderia ser...

Notas finais
owwnti *--* Obg a todos aos qe estao leendo.