Still Miss You
2 Capítulo 1 — No Good In Goodbye
Notas iniciais

Capítulo 1 — No Good In Goodbye
Três batidas sutis na porta foram o suficiente para que a garota abrisse os olhos desnorteada, com a respiração um tanto acelerada devido ao seu último pesadelo.
— Wanda. — ela pôde escutar o tom robótico da voz de Visão. — Tudo bem aí?
— T- Tudo sim. — a garota respondeu ao se encarar no espelho, que ficava ao lado da cama: a cara de choro, a pele pálida e as olheiras de sempre permaneciam ali como de costume. Levantou-se de sua cama e correu até o banheiro se aprontar, levando uma muda de roupas, sem sequer esperar o provável anúncio de Visão de que “já estava na hora de ir”.
Por mais que aquele dia pudesse machucá-la, Wanda Maximoff escovava os dentes ansiosamente. Pela primeira vez, estaria vendo o pequeno garotinho homenageado com o nome de seu falecido irmão, filho de Clint Barton. O aparentemente dócil Nathaniel Pietro Barton. A Maximoff não se sentia muito segura, já que seria a primeira vez que saía da sede dos Novos Vingadores desde sua alta do pronto socorro. A maioria das coisas que sabia sobre os dias atuais eram contadas por Visão, como o incidente de Samuel Wilson com um homem que dizia ser o “Homem-Formiga” e as buscas retomadas de Bucky Barnes. Eram dias aparentemente calmos na vida de todos os Vingadores, e havia chegado a hora de Wanda tentar ter um pouco de tranquilidade também.
Terminou de pentear os cabelos e admirou seu reflexo no espelho: a maquiagem escondia as olheiras e dava um pouco de cor para o rosto, além de amenizar a face chorosa que ela carregava há semanas. O típico vestido preto combinando com os colares e a jaqueta vermelha, além das botas e da meia. Uma referência ao dia em que lutou ao lado dos Vingadores e o dia que mudou sua vida para sempre. Suspirou e saiu do banheiro, voltando para o quarto e abrindo a porta.
Ousou comparar a expressão de Visão com um sorriso quando ele a viu.
— Você está ótima. — o androide falou, tirando um meio sorriso de Wanda. — E pronta, pelo visto.
— Você sabe que estou ansiosa — a feiticeira falou, saindo do quarto e fechando a porta. — Irei ver Nathaniel, além de ser a primeira vez que saio desse lugar em semanas... Estou nervosa.
— Você sabe que vai dar tudo certo, não sabe? — Visão a encarou com ternura, fazendo com que ela desviasse de seus olhos mecânicos com vergonha.
— Espero que sim.
— Vamos? — Clint entrou no corredor, encarando os dois. — Laura está ansiosa para lhe conhecer, Wanda, assim como as crianças.
— Bom... — ela forçou um sorriso. — Fico feliz em saber. Vamos sim.
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O pouso em meio ao gramado verde foi calmo, e Visão, Wanda e Clint desceram da nave da S.H.I.E.L.D. Os olhos da Maximoff se perderam, admirando todas as coisas das quais havia sido privada por tanto tempo: o ar livre, a grama com aroma de chuva, a terra molhada e a água caindo sob seus cabelos. Barton fez menção de tirar o casaco e dar para Wanda, porém Visão o interrompeu com um olhar confiante, como quem dizia “ela está se divertindo, deixe-a fazer isso”. A feiticeira levantou a cabeça e fechou os olhos, deixando a garoa molhar seu rosto de forma suave, a qual ela não sentia desde a infância. Poderia ficar ali para todo o sempre, até que sentiu metal tocar em seu ombro.
— Vamos entrar? — ele falou calmo e ela assentiu.
O trio caminhou até a porta do pequeno chalé de Barton, parando na varanda enquanto ele procurava as chaves no bolso. Antes de abrir a porta, o herói lembrou-se de um aviso:
— Wanda, você se incomodaria em tirar as botas para entrar? — Wanda estranhou a pergunta. — Á essa hora, Laura já deve ter terminado a faxina e eu não quero arranjar confusão... — ele coçou a nuca e ela riu.
— Sem problemas. — ela retirou as botas assim como o gavião, o que fez Visão se sentir minusculamente excluído: afinal, ele planava. Não havia nada para sujar.
Barton abriu a porta e, antes mesmo de entrar, foi recepcionado com o abraço de uma pequena garotinha, a qual ele pegou no colo.
— Papai! — a menina o abraçava forte e com um sorriso estampado nos lábios. — Eu estava com saudades!
— Eu também estava Lila. — Clint disse, beijando a bochecha da filha. — Onde está o Cooper? E a mamãe e seu irmãozinho?
— Estão todos na cozinha, papai. A mamãe está fazendo bolinhos de chuva! — ela desceu do colo do herói e correu para dentro da casa, fazendo sinal para que a seguissem.
Sem graça, Wanda e Visão entraram atrás de Clint e seguiram-no até a cozinha, onde viram Laura fritando alguns bolinhos enquanto Cooper mimava o irmão menor, que estava em uma pequena cadeirinha de balanço perto da mãe. Ao ver o pai, Cooper correu até ele e o abraçou, sendo girado no ar pelo pai coruja e ganhando um beijo em sua bochecha. Barton foi até a esposa e a abraçou por trás, sussurrando algo em seu ouvido, fazendo ela se virar e selar rapidamente seus lábios.
Porém, o que realmente chamou a atenção de Wanda foi Nathaniel Pietro Barton. O bebê foi pego da cadeirinha pelo pai, que beijou sua testa e caminhou até a Maximoff com o filhote nos braços, enquanto um largo sorriso amarelo estampava seu rosto.
— Então... — Visão tentou quebrar o silêncio que havia se estabelecido. — Esse é o famoso Nathaniel Pietro.
— Exatamente — Clint concordou e encarou a feiticeira, chegando mais perto dela. Laura desligou o fogo e foi até o lado do marido, sorrindo terna para Wanda e Visão.
— Fico feliz em conhecê-los, mas acredito que já saibam quem eu sou. — ela riu sem graça e ambos assentiram. Barton olhou fundo nos olhos de Wanda e aproveitou a deixa.
— Quer pegá-lo?
A Maximoff hesitou, dando um leve passo para trás. Encarou o doce bebê no colo de Barton, o qual tinha os seus olhinhos mel abertos e fixos nela. Suas bochechas rosadas faziam Wanda se lembrar da calma e suave infância que tivera com o irmão, tirando um meio sorriso da mesma. Ainda receosa, encarou os olhos robóticos de Visão em busca de ajuda e respostas. Ele apenas assentiu calmo.
A garota fixou seus olhos novamente no bebê, e concordou para Clint. O herói deixou a criança nos braços de Wanda, a qual teve certa dificuldade para segurá-lo até ser auxiliada por Barton. Observou todas as feições do garotinho em seu colo, acariciando levemente sua bochecha com uma das mãos. Nathaniel deu um leve sorriso com o gesto, o que fez Wanda sorrir também. O primeiro sorriso sincero em tantas semanas.
— Bom, os bolinhos de chuva estão prontos. — Laura falou, dando sinal para que todos fossem comer. Clint e suas crianças logo entraram na cozinha junto de Laura, mas quando Visão fez menção de ir, viu que a Maximoff nem havia ligado para a fala de Laura. Apenas continuava brincando com o pequeno Nathaniel Pietro.
— Wanda? — Visão perguntou e ela o encarou com um leve sorriso. — Você vem?
— Pode ir fazer companhia para eles... Eu vou ficar bem por aqui. — a Maximoff admirou o pequeno bebê novamente. O androide assentiu e foi até Clint devagar, quase sem tirar os olhos de Wanda e esbarrando na cadeira da mesa, arrancando risos dos Barton.
Tudo no pequeno garotinho fazia a Maximoff ter boas lembranças do irmão, ainda que Barton e Pietro não tivessem nenhum grau de parentesco. Decidiu divertir um pouco o pequeno bebê, fazendo leves movimentos com uma das mãos acima da cabeça do menino, criando flocos de neve e outras coisas delicadas com sua aura vermelha, tirando algumas leves gargalhadas do pequenino.
Na mesa, todos observavam com ternura a cena, felizes por ver o carinho com o qual a heroína tratava o pequeno Barton.
Cada memória era boa na mente da menina, o que a fazia mostrar várias coisas diferentes com sua magia: desde os flocos de neve até folhas caindo no outono, peixinhos mergulhando no oceano... Tudo apenas carinhoso para o menininho. Porém, as memórias de Wanda começaram a escurecer. Lembrou-se de quando ficou presa no prédio com Pietro, quando ainda eram menores, e do sofrimento que ambos passaram, mas seu irmão sempre a dizia que eles ficariam bem. Lembrou-se dos dias que passaram na HYDRA, da agonia que sentia ao ter sido separada do irmão. Também se lembrou de todos os experimentos que fizeram em seu corpo, alterando sua genética. E logo um turbilhão de memórias da batalha contra Ultron vieram á tona, desde o ataque em Sokóvia até o momento em que Pietro caiu morto no chão, enquanto seu grito de agonia dava um ar ainda mais sombrio para a cena.
Quando se deu por conta do que estava fazendo, Nathaniel chorava em seu colo enquanto todos a olhavam pasmos. Ela estava perdendo o controle novamente, estava perdendo o controle de si mesma. Olhou em volta e seus braços e pernas tremularam, mas Visão caminhou até ela com tempo suficiente de pegar o bebe no colo antes que ela cambaleasse para trás e esbarrasse no sofá. Encarou todos, apavorada, e saiu pela porta, correndo desesperadamente. Visão entregou Nathaniel para Barton e, rapidamente, saiu porta afora também, indo atrás de Wanda.
A mesma estava na varanda, apoiada na cerca de madeira do chalé, observando a chuva enquanto soluçava. O cheiro de terra molhada a fazia se tranquilizar, mas não parecia suficiente. Wanda chegara até a conclusão de que, não importava quando tempo se passasse, ela não estaria pronta para o mundo de novo. Sem Pietro, ela era fraca e não conseguia seguir em frente, e ele estava morto. E não havia nada bom em dizer adeus.
— Wanda...
— Você pode negar — ela falou em meio a soluços, sem encarar o androide. — Mas eu sei no que estou me transformando. Visão, você não percebe? Eu sou um mons...
— A culpa não foi sua, Wanda, você não é um monstro. — ele se aproximou e apoiou-se na cerca também, ficando ao lado dela. — Você está confusa, está perdida. Tudo é novo para você sem Pietro ao seu lado e...
— Visão, eu fiz uma criança chorar. Se isso não é ser um monstro, então eu não sei o que sou.
As lágrimas continuavam escorrendo pelo rosto da feiticeira, o que fazia Visão se preocupar. Nada lhe parecia plausível senão alguma atitude tola ou que provavelmente não funcionaria. Mas ele se importava demais para deixar que ela continuasse naquele estado deplorável e regredisse, depois da semana de melhoras na base dos Novos Vingadores.
Visão se aproximou cautelosamente e colocou sua mão sobre a dela, fazendo com que ela o encarasse.
— Você é Wanda Maximoff. Você ajudou a salvar a Terra das mãos de Ultron. Pietro não morreu em vão e a culpa não é sua. Não se julgue um monstro apenas por não ter superado a morte de alguém importante para você. Consigo ver como é difícil, mas você vai conseguir superar. Por mais que negue, você é forte. Eu acredito nisso.
A feiticeira hesitou por alguns segundos, mas acabou por entrelaçar seus braços em torno do androide, o abraçando forte. O mesmo retribuiu o abraço, afagando os cabelos da menina delicadamente enquanto ela ainda soluçava, mas com menor intensidade. Wanda se separou dele e tentou sorrir, como forma de agradecer, e ele apenas a puxou novamente para outro abraço.
Barton observava sutilmente pela janela da sala e sorriu ao ver tamanho carinho entre os dois. Sentiu a mão de sua esposa tocar seu ombro e virou-se.
— Clint. — ela falou. — Ela parece perigosa.
— Ela está perdida, amor. — ele respondeu. — Ainda não superou a morte do irmão. Mas sabe... — o herói encarou novamente a janela. — Visão pode ajuda-la a se recuperar logo. Boto toda a minha fé nisso.
Laura sorriu e pegou Nathaniel do colo do pai, mimando o filho enquanto Clint atacava mais uma vez os maravilhosos bolinhos de chuva de Laura Barton.
— Muito obrigada. — Wanda falou para o androide, ainda abraçada a ele e em meio a soluços.
— Você não deve me agradecer. Estou aqui para lhe ajudar, Wanda.
Ela sorriu ainda abraçada a ele, e se deixou relaxar.
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Assim que o helicóptero havia pousado, naquela madrugada, a primeira coisa que Wanda tinha feito fora ir descansar e dormir, sem sequer se comunicar com algum outro vingador senão Visão e Clint. Barton voltou para seu chalé, se despedindo dos vingadores. Porém, antes de pensar em relaxar, Visão fora interrompido por Steve Rogers.
— Visão. — Rogers chamou. — Preciso falar com você.
**
Raramente, os Vingadores usavam a sala de reuniões da sede como faziam naquele momento. Visão viu todos sentados em volta da mesa retangular de vidro: Natasha Romanoff, Samuel Wilson... Todos estavam ali. Steve Rogers se levantou e chamou a atenção de todo o resto.
— Vingadores, trago notícias. — o Capitão América falou. — Temos uma missão.
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