Notas iniciais
TO DE VOLTA POOOOOOVO ~todos pula~ Gente, vou justificar tudinho, juro. Então, metade do atraso foi por desleixo. A outra metade foram problemas sérios. Todas vocês acompanham a droga de novela que é minha vida, tudo o que passei e tenho passado. Enfim, fiquei dois dias internada em um hospital psiquiátrico õ/ ~agora sou uma louca de papel passado~ porque tive consecutivas crises de choro, transtorno de ansiedade, estresse, algumas coisas que fiz comigo mesma que não merecem ser mencionadas... '-' Até segunda-feira eu estava tomando tarja preta para dormir e antidepressivos. Aí tiraram meu tarja preta e tive uma noite inteira em claro, tempo o suficiente para bolar o capítulo, que ao meu ver ficou fraco, mas realmente espero que gostem e me perdoem. Amo vocês e... OBRIGADA TIA THAATY QUE COMENTOU TODOS OS CAPÍTULOS! Juro juradinho que assim que sobrar um tempo eu vou responder todos eles!

— POV SARAH —

Permiti-me olhar para Maggie uma última vez, recebendo um olhar triste em retorno. Infelizmente isso não seria capaz de consertar a grande catástrofe que estava para acontecer.

Daryl marchava apressado em direção à cela de Merle, e tudo o que eu podia fazer era acompanhá-lo a passos cambaleantes, sem sequer conseguir tocá-lo.

Que tipo de monstro eu era? Estava colocando-o contra sua única família! Eu nunca pedi por isso! Justo agora que as coisas estavam indo bem, ao menos aqui dentro da prisão... Por que eu sempre era a pessoa que acabava com tudo?!

— Daryl! Para, por favor! — gritei com o fôlego que me restava.

— Me deixa em paz! — ele rosnou, sem sequer parar para encarar-me.

Minhas pernas travaram e senti as lágrimas correrem por meu rosto de forma descontrolada. Agora eu podia ver a cela de Merle e Daryl caminhando lentamente até lá.

Assistia a tudo estática, como um filme em câmera lenta.

Ao ouvir os passos, Merle levantou seus olhos em direção ao irmão, e antes mesmo que pudesse se defender, foi acertado por um soco certeiro em seu rosto.

— Seu maldito! — Daryl bradou enquanto Merle ia de encontro ao chão.

Em nenhum momento ele deixou de golpeá-lo, ao passo que durante todo o tempo, Merle permaneceu imóvel, sem revidar nenhuma vez.

Seus olhos se encontraram com os meus, e contrariando a lógica, ele sorriu, como se estivesse conformado com aquilo.

Aquela cena foi a gota d'água.

— Daryl, para! Pelo amor de Deus! — implorei com a voz embargada, mas nada parecia ser forte o suficiente para trazê-lo de volta à consciência. — Rick! — chamei a plenos pulmões o nome da única pessoa que podia me ajudar.

Não foi necessário muito tempo para que ele se aproximasse, afinal, praticamente todos do grupo estavam o redor da confusão, tão chocados quanto eu.

Rick segurou Daryl, afastando-o de Merle que se encontrava ofegante e encolhido no chão. Aparentemente, Rick não estava conseguindo contê-lo sozinho, então Michonne interferiu, arrastando-o para longe.

Eu sentia-me tonta, sufocada e... horrível. Era impossível explicar o quão horrível eu me sentia.

— Você ficou louco?! — Rick rosnou assim que Daryl parou de se debater, mas ele sequer deu atenção a Rick.

Daryl direcionou seu olhar para mim, e tudo que vi foi uma imensidão de dor e vazio. Agora ele parecia apenas um garotinho vulnerável frente ao ato que tinha cometido.

­— Sarah — ele chamou-me, caminhando em minha direção.

Apenas neguei lentamente com a cabeça, virando-me para a direção oposta, correndo para longe.

Eu precisava ficar sozinha, colocar todas as ideias em seus devidos lugares.

Quando dei por mim, já estava na torre de observação onde estivemos juntos há algumas noites atrás. Deixei minhas costas escorregarem pela parede, então sentei-me de forma desconfortável no chão, de modo que ninguém pudesse me ver.

Acariciei minha barriga ao sentir meu bebê mexendo-se nervosamente em meu ventre.

— Eu sei que você sente tudo isso, meu amor. E eu... Eu sinto muito. Só queria que tudo fosse diferente, que... Meu Deus! Eu só queria que você não precisasse ver o que existe lá fora — sussurrei em meio aos soluços que não consegui silenciar.

— Ficar assim não vai resolver — ouvi uma voz pouco familiar soar ao meu lado. Levantei os olhos e encontrei Michonne escorada em uma das grades da passarela.

— E o que vai resolver? — perguntei secando algumas lágrimas com as costas de minhas mãos.

— O seu problema de agora eu não sei, mas posso te dizer algo que vai valer muito mais: Levanta esse traseiro daí e ergue a cabeça. Aquelas coisas lá fora não querem saber dos seus problemas, só querem te devorar, e pode ter certeza que eles não vão esperar você se sentir bem. Aquele cara sentado no trono de Woodbury não vai se importar se você está grávida, ele vai querer derrubar o máximo que puder aqui dentro. Quem ele vai escolher? O cara da besta, talvez o Rick... Vai fazer com que eles trabalhem pra ele. E você? Vai ficar aqui sentada chorando ou vai fazer alguma coisa pelas pessoas que realmente gosta?

Fiquei sem reação por alguns segundos até que realmente consegui processar as suas palavras. Em todos os meses em que convivemos, jamais havia a visto concluir uma frase sequer, sempre evasiva, sempre misteriosa, e agora ela estava aqui, dizendo as coisas que eu realmente merecia ouvir e que ninguém teve coragem de me dizer.

Ela já virava as costas para ir embora, deixando-me sozinha com minhas lamentações.

— Espera — pedi enquanto me levantava. — O que você quis dizer com "fazer alguma coisa pelas pessoas que realmente gosto"?

— Quanto tempo faz que você não mira uma arma bem no meio dos olhos daqueles desgraçados? — disse pausadamente virando-se em minha direção.

— Muito tempo — sussurrei envergonhada.

— Acha que vai estar preparada caso tenha que passar por isso de novo? — perguntou desembainhando sua espada.

— Não — neguei com a cabeça, encarando o chão.

— Vem comigo — chamou já caminhando para fora da torre, então apenas a segui em silêncio.

Caminhamos cerca de cinco minutos até chegarmos ao portão principal da prisão, aquele que havia sido derrubado pelo Governador.

Alguns walkers caminhavam despreocupadamente por ali, emitindo alguns grunhidos, que tornavam-se cada vez mais ferozes com nossa aproximação.

Michonne parou à alguns centímetros da grade, batendo sua mão com força, deixando-os ainda mais alvoroçados.

— Olha só pra todas essas coisas ali fora, só esperando por uma oportunidadezinha de cravar os dentes na nossa carne — disse baixinho, dessa vez chutando a cerca.

— Estamos seguros aqui — murmurei, recuando um passo.

— Esse é o problema. Todo mundo pensa que é seguro — ela riu sem humor — Mas e se todos esses filhos da puta se amontoassem aqui na cerca? Seria como uma cerquinha de madeira.

Estava começando a entender onde ela realmente queria chegar.

— Você acha que devemos derrubá-los? — questionei, dessa vez me aproximando de onde ela estava.

— Um a um — concluiu enfiando sua espada em uma das brechas da cerca e perfurando o crânio do mais próximo. — Só não faça com que eu me arrependa do que vou fazer agora — ameaçou-me, tirando sua outra espada da bainha e entregando-a para mim.

— É pesado, nunca vou conseguir usar uma coisa dessas — suspirei tentando achar uma posição confortável para segurar aquela coisa.

— Só achei que você precisasse de algo mais silencioso que uma arma e mais agressiva que uma faca — deu de ombros derrubando mais alguns errantes pela cerca.

Acenei lentamente, segurando a espada com força enquanto tentava acertar algum walker pelas brechas minúsculas da cerca.

— Como você sabe que uso facas? — indaguei quando finalmente consegui acertar um deles e quase fui ao chão quando seu peso cedeu, obrigando a espada a descer junto com sua cabeça.

— Vi sua coleção — respondeu-me, tirando minha espada da cerca.

— Andou mexendo nas minhas coisas? — brinquei, estreitando os olhos.

— Só vi — deu de ombros novamente, e quase identifiquei um sorriso em seus lábios. Algo nela me lembrava Daryl no começo.

O resto da tarde arrastou-se lentamente, e logo meus braços latejavam, implorando por um descanso. Minhas pernas já não estavam suportando meu peso firmemente, e minha disposição parecia se esvair aos poucos. Meu corpo já não suportava tanto esforço quanto no início da gravidez, e agora meus movimentos pareciam cada vez mais limitados, o que me assustava profundamente.

Suspirei exausta, e Michonne acenou levemente, como se consentisse com minha saída. Entreguei-lhe sua espada, e ela apenas negou, deixando que eu ficasse com ela.

Cansada demais para qualquer coisa, marchei a passos largos para dentro da prisão. Não estava com ânimo para conversar com ninguém, e nem mesmo vi onde Daryl estava quando entrei no bloco.

Deixei a espada em um dos cantos e peguei minhas roupas, uma toalha, e então resolvi tomar um banho para tentar espantar o desconforto em meus músculos. Sabia bem que a água gelada não seria capaz de fazê-lo, mas era muito mais algo psicológico do que físico.

Voltando pelos corredores do bloco, avistei Daryl escorado em uma das paredes, com ambas as mãos enfaixadas. Não lhe dei atenção e apressei o passo. Meu estômago revirou-se nervosamente, essa situação estava acabando comigo. Ele nada fez, apenas ficou parado observando-me, e seu olhar queimava em minhas costas.

Assim que cheguei ao banheiro, despi-me apressada e desajeitadamente, na ânsia de que a água gelada pudesse lavar de mim toda aquela agonia.

Girei o registro e coloquei-me abaixo do chuveiro de uma vez só, repousando minha testa na parede enquanto fechava os olhos e pressionava minhas têmporas. Então eu chorei, chorei copiosamente.

Chorei por mim, por meu bebê, por minha situação, e também pela situação na qual o mundo lá fora se encontrava. Apenas desabei.

Os passos ecoaram no ambiente fechado, e eu estava tão frágil... Simplesmente não havia como torturar-me um pouco mais.

Eu não precisava de palavras ou explicações, apenas de conforto, apenas... de Daryl.

Ele aproximou-se lentamente de mim, apertando-me em seus braços, e de repente, era como se a água fria se fizesse quente e acolhedora. Era tudo o que eu precisava, e sinceramente, que se ferrassem as consequencias, no momento eu não tinha emocional para aquilo. Eu só... Bem, eu só precisava me desligar de tudo.

Notas finais
Por favor, comentem! Sinto falta de vocês