Notas iniciais
O capítulo tarda, mas não falha! jsaosjaios Assim que minhas férias acabarem terei tempo de postar todas as semanas, e vou tentar fazer isso com todas as minhas fics. Mas, vocês me conhecem, sabem que a tia Bella é organizaaaaaaaaaaaada que é uma beleza. sjaiosjia

— POV DARYL —

— Sarah, eu... — comecei enquanto pressionava seu corpo contra a parede, temendo que ela fugisse.

— Não fala, por favor — ela sussurrou, fechando os olhos.

— Eu preciso — insisti, segurando seu rosto.

— Não, você não precisa de nada — Sarah abriu seus olhos, e agora era eu quem se encontrava preso naquela imensidão verde.

Suspirei frustrado. Sabia que tinha feito besteira, mas era a minha garota. Ninguém devia por as mãos nela, ninguém! Eu realmente estava me fodendo para os motivos de Merle, contudo, ele era meu irmão.

Droga! Eu estava confuso e minhas mãos doíam, resultado de todos os socos que desferi em minha única família, sangue do meu sangue. De todas as pessoas envolvidas, eu só conseguia odiar a mim mesmo.

Seus olhos grandes e profundos continuaram a me encarar, e eu não sabia mais como reagir. Todo esse tempo que passamos juntos, todo esse tempo vivendo nessa porra de apocalipse, e jamais pensei que me importaria tanto com uma pessoa quanto me importo com Sarah.

Suas mãos pequenas e delicadas infiltraram-se em meu cabelo e puxaram-me para mais perto, deixando seus lábios a poucos centímetros dos meus. Ela hesitou. Hesitou por um pequeno momento, mas que pareceu a eternidade. E então, no segundo seguinte estávamos enroscado em um beijo feroz, quase violento.

Puxei-a pela cintura, deixando que nossos corpos tivessem o maior contato possível, sendo que a barriga agora dificultava um pouco as coisas. Aos poucos o beijo foi tornando-se mais calmo e controlado, terminando em um longo selinho.

Parei por um momento, encostando minha testa à sua.

— Eu sinto muito — murmurei por fim, mantendo meus olhos fechados. Eu era realmente covarde por não ser capaz de lhe encarar. E eu era um idiota maior ainda por não estar aqui para protegê-la.

— Eu também. Sinto muito por não ter te contado antes. É só que... Eu não queria que vocês brigassem. Eu sou uma idiota! — disse com a voz embargada, desligando o registro do chuveiro.

Até aquele momento eu não havia de fato reparado que estávamos sob ele.

— Esqueça isso. Não posso prometer que tudo vai ficar bem, mas talvez voltem a ser como antes — fui o mais sincero que o momento me permitiu.

Estiquei-me para puxar a toalha que se encontrava sobre um dos bancos do vestiário, e envolvi seu corpo pequeno no tecido agora não tão macio, devido à precária lavagem. Demorei-me em cada centímetro de sua pele, percorrendo cada parte de seu corpo tomando cuidado com seus ferimentos. Esse simples detalhe fez com que minha garganta apertasse, mas tentei me concentrar para não acabar fazendo besteira. Deixei que ela se vestisse e então voltamos para nosso "quarto", passando por todos os olhares atentos do grupo.

Deitamos em nossa cama sem nenhuma palavra e ela aconchegou-se em meu peito, recostando seu rosto na curva de meu pescoço. Apenas deixei que ela chorasse, acariciando seus cabelos.

A verdade é que todos estavam desestabilizados emocionalmente, não era um caso isolado apenas meu e de Sarah. Cada um naquele grupo reagia de uma forma diferente a toda a pressão que estava sobre nossas cabeças. Atrás de cada rosto cansado havia muito mais do que podíamos enxergar, mas uma coisa era certa: havia medo. Na verdade, havia muito medo, por mais que nenhum deles quisesse admitir. Tentávamos sermos fortes, principalmente Merle, Rick, e eu, contudo, o inimigo era forte, e tinha condições de nos destruir em um piscar de olhos.

Apertei Sarah com um pouco mais de força, e por um momento desejei ter a facilidade que ela tinha em exteriorizar seus sentimentos. Eu estava assustado, apavorado, mas ao invés de me mostrar assim, tentava me mostrar forte e confiante. E quer saber, isso é uma grande merda. Não havia apenas uma pessoa dependendo de mim, agora havia duas, e eu não podia me dar ao luxo de fraquejar.

Houve um tempo em que minhas ações afetavam apenas a mim mesmo, em que tudo que eu fizesse, se desse errado, o único que sairia ferrado era eu. Mas e agora? Várias pessoas naquele grupo contavam com o Daryl, o cara que não se abala com nada, que consegue manter a linha quando tudo vai por água abaixo, e infelizmente, era assim que eu devia me mostrar, mas cara, olhe só para o Rick. Ele sempre fora o exemplo desse grupo, o cara que tomava as decisões imediatamente, sem um segundo de hesitação, e olha só o que essa droga de mundo fez a ele.

Eu não queria ser o próximo Rick, o cara destruído com uma esposa morta e um filho pra criar. Eu queria ser mais que isso, apesar de ser uma tarefa praticamente impossível. Todos naquele grupo tinham sorte por ter o direito de viver mais um dia.

Passei a mão por meu rosto, extremamente irritado pelo rumo que meus pensamentos haviam tomado. Sarah já dormia em meus braços, então decidi que era uma boa hora para descansar os olhos para encarar mais um dia difícil.

***

Acordei pela manhã ao ouvir Hershel lendo alguma passagem da bíblia para suas filhas. Talvez fosse um pouco tarde para começar a acreditar que existe um Deus, principalmente na droga de mundo em que estamos vivendo, então simplesmente levantei, aconcheguei Sarah na cama e fui para o banheiro, dando um jeito no rosto antes de me juntar aos outros na parte inferior da prisão.

— Daryl, Hershel? — Rick entrou na prisão a nossa procura, e assim que entramos em seu campo de visão ele acenou com a cabeça, indicando o lado de fora da prisão.

Coloquei minha besta nas costas e segui-os até a parte mais afastada, perto das grades que circundavam o bloco. Por um momento me perguntei o que era tão secreto para nos levar tão longe dos olhos dos outros, mas deixei a curiosidade de lado e escorei minhas costas na parede, esperando que Rick começasse.

— Bom, tem uma coisa que vocês não sabem sobre minha conversa com o Governador — Rick iniciou frustrado, passando a mão pelos cabelos como se não soubesse como continuar. — Antes de anunciar a guerra, ele propôs que fizéssemos uma troca, e então todos estariam seguros.

— E que tipo de troca seria essa? — perguntei incrédulo, rindo ironicamente. Nada seria capaz de parar aquele filho da puta. Ele queria vingança pelo que fizemos em Woodbury, mas... Se houvesse apenas uma chance de fazê-lo parar...

— Ele quer Michonne. É só isso que ele quer, então todos teremos uma nova chance — Rick respondeu tentando soar firme, todavia, nem ele mesmo era capaz de acreditar no tom de sua voz.

— E você acha que isso vai dar certo? — disse após um momento.

— É o único jeito, nossa única esperança — apontou Rick determinado.

O silêncio reinou por um longo tempo, e nem mesmo Hershel, o homem de Deus, foi capaz de ter algo a dizer a fim de salvar alguém do sacrifício. Acho que em situações extremas acabamos deixando nossas convicções de lado.

— Vai contar para os outros? — perguntei.

— Só depois que acabar — Rick respondeu rapidamente. — Tem que ser ainda hoje, e com discrição.

E como faríamos isso com todas essas pessoas dentro da prisão? Simplesmente a prenderíamos e a entregaríamos de mão beijada para o cara que mais odiamos?

— E você tem um plano? — questionei já me virando em direção à prisão.

— Direi a ela que precisamos conversar, longe dos outros — explicou simplesmente.

Droga, droga de consciência. Não podíamos fazer isso, não com um de nós. Michonne era nova ali, mas era parte do grupo, nos ajudava. E se ele pedisse Sarah, ou mesmo Merle, entregaríamos por um bem maior? Não era assim que as coisas funcionavam.

— Não somos assim, cara — justifiquei por fim.

Encarei Hershel, esperando algum tipo de apoio, mas ele simplesmente abaixou a cabeça, como se apenas tivesse conformado com o destino dela pelo bem de suas filhas.

— Não. Não mesmo — decidiu interferir, mesmo sem muita convicção, e então se retirou.

— Se fizermos isso evitaremos uma briga, ninguém mais morre. Você trocaria a segurança de Sarah, do seu bebê, de Judith... Por uma pessoa que mal conhecemos? — Rick tocou justo no ponto.

Eu tinha medo de que a resposta para aquela pergunta me fizesse ainda menos humano, e infelizmente a resposta era não. Por nada nesse mundo eu colocaria a segurança de Sarah em jogo.

— Certo — concordei com aceno, sem mais nada a dizer.

— Precisamos de outra pessoa — ele continuou. Eu sabia que ele estava falando de Merle. Quem mais teria sangue frio para prender Michonne e entregá-la ao nosso inimigo? Além do mais, ele conhecia as fraquezas de Woodbury melhor do ninguém.

— Falarei com ele — era o mais justo a se fazer. Depois da nossa briga, ou melhor, da surra que lhe dei, talvez eu devesse conversar com ele, lhe dar uma chance de consertar a merda que ele fez.

— Eu farei isso — Rick comentou.

— Eu vou junto — insisti novamente.

— Não, eu vou sozinho — e então ele se foi, entrando na prisão novamente.

A que droga de ponto estávamos chegando? Sacrificando pessoas pelo bem do grupo? Na verdade, a que ponto eu estava chegando? Eu não deveria me preocupar desde que a minha segurança estivesse assegurada, mas estar nesse grupo há tanto tempo estava virando minha cabeça. Sem querer, estava me tornando um deles, parte deles.

Voltei para a prisão e encontrei uma bagunça de colchões — ou restos do que um dia foram — e corri em direção a cela onde Sarah estava, apenas para encontrá-la sentada em um dos cantos, abraçando os joelhos.

Eu me sentia um lixo por esconder a verdade dela. Quando ela descobrisse o que fizemos, ela nos odiaria, eu tinha certeza. Por um tempo ela tentou esconder o quando se importava, mas agora havíamos voltado à estaca zero, e eu via muito mais da menininha que encontrei sozinha naquela casa do que da mulher forte e destemida que havia nos ajudado a limpar cada bloco daquela prisão.

Ela estava assustada, muito mais do que todos daquele grupo, e eu sabia o porquê.

Apenas abaixei-me ao seu lado e a abracei com força, e acho que pela primeira vez eu rezei. O que mais eu poderia fazer? Agora já não dependia só de nós, e se existisse um Deus em algum lugar, era hora Dele começar a trabalhar para ajudar aqueles que merecem.