Steampunk’s Adventures
3 3° Taverna azul
Notas iniciais
Vila Spunk era um local pequeno, mas que contem vários locais ainda a serem explorado.
Uma descrição detalhada, a vila é um conjunto de uma ou duas dúzia de quarteirões de prédio variando de um a dois andares, algumas casas apresentavam sótãos de entulhos ou porões coberto de teia de aranha, cercado por uma muralha de pedra. No centro encontrava a prefeitura local, o único prédio de quatro andares e que ocupava o espaço necessário para a construção de duas outras residências e em frente uma grande praça, onde todos os jovens se reuniam para namorar, passear ou simplesmente estudar.
Ao canto oposto a prefeitura, do outro lado da praça, esta o Campus de Estudo, local onde todo jovem deverá concluir o seus ensinos. Ao leste da cidade, ao nasce do sol, a área residencial, ao oeste, a área comercial e área de cultivo de gado e alimentos, onde caminhávamos em direção; outras regiões são o norte, onde existe um pequeno bosque e a mina de carvão, ao sul mais residências, uma igreja e o cemitério.
A vila também era repleta de becos e ruas sem saídas, então era fácil conhecer lugares novos. Ao certo ponto, quando tínhamos 11 anos, eu e Spencer resolvemos nos aventurar, seguindo o Sr. Pertson, do açougue; arrependo do que fiz, quando o mesmo nos levou a uma rua abandonada e nós o vimos matar um gado, aquela cena me traumatiza até hoje.
Passamos em frente à prefeitura com nossas bicicletas, Spencer parou em meio fio, freei em seguida. Por milagre, não bati em sua bicicleta logo atrás, era difícil pedala ou até mesmo frear, quando você tem um pé de metal, graças a engenhosidade do meu tio que aprimorou o veículo, isso não aconteceu.
– O que foi? – perguntei, ao o ver observando ao grande prédio da prefeitura, a meio caminho da área comercial.
– Explico melhor quando chegamos a Taverna dos Céus! – disse ele, voltando a pedalar a sua bicicleta, segui em seguida.
Chegamos ao Grande Comércio da Vila Spunk, uma larga avenida de lojas a cada lado, e nos becos e ruas laterais, as residências desses revendedores; entre as atrações existia a Loja de Perfume da Sra. Rubya, a barraquinha de artesanato do Sr. Fliutcher, o Açougue do Sr. Pertson e a taverna azul, mas precisamente a Taverna dos Céus.
O local era um prédio de madeira, de um andar, com pintura de azul celeste, por isso o nome “dos Céus”. Apesar de sua desproporcionalidade em relação aos outros prédios comerciais, boa parte da movimentação vinha de seu interior. Ao som de Blue vindo da flauta de Finnik, adentramos o local.
– Olá garotos! – quem veio nos atender foi o próprio Finnik, que tocava entre as mesas da taverna, com os clientes batendo palma em euforia, enquanto dançarinas sorridentes dançavam em um palco nos fundos, exibindo as pernas em conjunto. Finnik se afastou de volta ao palco, juntando-se com as dançarinas, caminhamos em direção ao bar.
– Seu tio fala mal de mim, mas ele sabe o que Finnik faz todos os dias e noites, se embriagando e tocando na taverna? – disse ele sentando-se ao balcão e chamando o Senhor Céus.
– Ele tem uma loja de instrumentos musicais, não mora ainda na casa da avó e não reprovou no teste final escolar, você tem a mesma idade que ele e reprovou duas vezes! — respondi
Ambos tinham 19 anos, mas Finnik foi educado na escola tardiamente, e mesmo assim conclui o seu curso primeiro que Spencer. Meu tio queria que ele fizesse o projeto maquinário e pudesse ficar entre a elite, mas assim como sua irmã, optou pelo outros frutos do comércio.
– Então que dizer que seu tio nem se importa das vadiagens que ele faz as noites na taverna? – perguntou, reformulando a pergunta.
– Sim, ele se importa, mas sabe, chegou a conclusão que se algum descendente de Bannabard não exerça carreira dos engenheiros ou cientistas, mas que pelo menos não seja desempregados como o mesmo, Finnik e Mary já concluíram o seus cursos e já possuem emprego! O que mais você quer Spencer? – respondi um pouco agressivo.
– Ei calma pé de metal – respondeu Spencer – não esta mais aqui quem falou!
– Me desculpe, é que eu não tive uma manhã tranquila! – respondi.
O Senhor Céus nos atendeu.
– O que desejam meninos?
– Duas Thupalit, mas uma com leite de gado, meu amigo ainda não resiste aos problemas do álcool! – ele riu.
– Muito engraçado, quero o mesmo que ele, mas sem leite!– disse ao Senhor Céus.
– Muito boa escolha meninos! – disse enxugando a mãos e o balcão com uma toalha branca, enquanto preparava os drinks, depois se retirou para servir os novos clientes que adentravam constantemente o local.
– Então, qual o problema? – perguntou Spencer
– Nenhum! – respondi.
– Vamos lá, socialize com seu amigo! – ele disse abrindo um sorriso bobo.
– Nada, cara!
– Seria dinheiro?
– Você não tem!
– Seu projeto?
– Esta tudo correndo bem! – menti.
– Então... Ah já sei! – disse com o polegar levantado, olhou para os lados, observou que Finnik estava a distância – Seria sobre a Mary?
No momento que ele tocou aquele assunto, me passou várias coisas em mente, como tornei amigo de Spencer e Michael, a primeira vez que conheci Mary, o sonho que tive com Michael, e por fim, Mary e suas amigas, esta manhã, me veem de toalha no meu quarto.
– Não, sim... – gaguejo – que dizer, mais ou menos!
Spencer não respondeu, apenas esperou uma resposta, e seria um bom lance para não contar a minha maior e verdadeira angustia; o pesadelo. Afinal, Spencer era meu melhor amigo, e me conhecia melhor, até melhor que meu tio. Então falar de Mary seria uma ótima, ou não, oportunidade.
– Meus Céus, ela te viu pelado! – ele falou um pouco mais audível do que o normal.
– Primeiro, eu estava de toalha! – digo aproximando e sussurrando – E segundo, vai espalhar para a vila inteira?
Ele pôs as mãos na boca.
– Foi mau cara! – disse seguindo de uma golada de Thupalit.
– E o que você tinha a me dizer em frente ao prédio da prefeitura? – perguntei.
– Ah claro! – disse colocando o copo de volta no balcão – bom, minha avó disse que arranjaria um emprego a mim, caso eu passe no teste final escolar!
– Que ótimo! – digo – e onde seria?
– Bom... Você sabe que minha avó é grande amiga do Prefeito da cidade!
– Não...
– Sim, vou ser o secretário dele! – disse ele abaixando a cabeça ao balcão.
– Apenas sinto muito – disse entre risos.
O prefeito Jenning é conhecido por ser um grande nacionalista, foi eleito três vezes consecutivo; e sua família tinha um grande histórico de cargos políticos, sendo o 17° da família a ter a cadeira da prefeitura. Entretanto ele tinha um defeito, sua rigidez e exageros no comando, seu secretário, que não de saber o nome, exerce também a função de mensageiro, providenciado de sua refeição diária, motorista da mulher do prefeito, entre outros, então provavelmente tinha uma ideia de como Spencer sofreria o substituindo.
A porta da taverna abriu, revelando Michael e sua futura esposa, Lindsay.
– Bebidas na minha conta! – gritou para todos escutarem.
Todos gritaram e comemoraram, dando tapinhas em sua costa, então ele nos viu e andou em nossa direção.
– Spencer e... Iure! – disse alegre nos abraçando.
– Oi! – cumprimentou Lindsay e pude ver que ela olhava de um jeito estranho a Spencer.
– Oi! – respondemos de volta, eu e Spencer.
– Bem querido, vim deixar aqui com seus amigos! – disse ela sorrindo e feliz – amanhã nos casamos, mas eu tenho que me divertir com as garotas, curtir o último dia de solteira! – disse entusiasmada.
Eles então se beijaram, aquela cena me irritou saber que aquela garota está traindo ele, me senti triste por ele.
– Divirta-se! – disse ele depois do beijo.
– Até mais garotos! – disse acenando e mais uma vez olhando a Spencer, enquanto Michael pedia um drink no balcão. Ela deu um último beijo provocativo em Michael e caminhou em direção à porta de saída da taverna – Não se exalte querido! Cuidem bem dele garotos!– disse enviando um último beijo de longe, na porta.
– Ela não é encantadora? – perguntou Michael que começava a se embebedar com um copo de Thupalit.
– Muito! – respondeu Spencer
Olhei para ele, ele fez em código que não caiu ao charme dela.
Uma garçonete passou em nossa frente, era Tyna, ela olhou zangada para Spencer e caminhou em direção a cozinhas no fundo. Talvez ela notasse o quanto Lindsay estava cortejando-o. Spencer ficou nervoso.
– Com sua licença rapazes! – deu um último gole da bebida, se levantou e caminhou em direção à cozinha, logo atrás de Tyna.
– O que houve com ele? – perguntou Michael que agora sentara do meu lado.
– É ela! – respondi.
Michael não entendeu de primeira, depois fez um “O” com a boca.
– Ela?! – perguntou.
– Sim, ela!
– Esta bem! Nada mais a dizer!
Pegamos os copos bebemos ao mesmo tempo, nos olhamos e rimos do que havia acontecido. Então comecei um enredo para uma conversa.
– Então, você deve esta muito feliz com seu casamento amanhã? – perguntei.
– Ah claro! Lindsay é encantadora, ela me completa, tem uma família humilde, se bem que... – ele deu uma pausa.
– Se bem que o que? – perguntei curioso – ah foi mal, é pessoal?
– Não! – ele riu – é que meus pais não gostaram muito da ideia de nos casarmos!
– Sério? Por quê? – perguntei.
– Sabe, nem eu mesmo sei – ele olhou para o seu copo vazio, notei seu olhar distante — mas e você?
– Eu? Ah, não sei, apenas vivendo!
– Sei, vejo como você olha para a Mary!
Finnik parou a canção com sua flauta, para dá abertura a mais um espetáculo. A vila também era cheias de artista, além do Sr. Finnik; Senhor e Sra. Bartogarden, são um casal de anões da cidade que compunha no elenco da taverna, ela cantava junto com seu marido, que também tocava um acordeão, divertia o público com suas músicas satíricas.
Mas a sensação desta noite era Alice, uma pianista local. Senhor Céus contratou a quatro luas cheias atrás, ele acreditou que talvez não fosse um bom show, mas a taverna encheu-se mais quando ela vem tocar o seu piano. Uma menina doce, de pele alva e cabelos negros, o Senhor Céus comprou um novo piano a ela, graças ao sucesso e instalou em seu palco; ela não me interessava, mas interessava a mais alguém.
Michael me cutucou e apontou em direção a Finnik.
– Olhe! – ele disse.
Observei Finnik que se sentava a primeira mesa, próxima ao palco e em como admirava a garota. A mesma, concentrada em cantar e a tocar em seu piano, olhava de vez em quando a Finnik e corava.
– Eles se amam mesmo! – disse.
– O amor, é tão lindo — disse Michael, mais uma vez, olhando para o horizonte como se tivesse em outro mundo — Um brinde ao amor?
– Um brinde ao amor – digo, pensando em Mary, oh querida e Mary... E Michael e seu casamento na próxima noite.
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