Notas iniciais
Creio eu que esse foi o capítulo que tive mais dificuldade em escrever, já que os personagens não é de nosso universo, mas que se "baseia" de certo modo. É o fim da introdução da história e adentraremos ao início da trama de Iure, dando destaque aos costumes e religiões da Vila Spunk.

A bebida me limitou a distingui o que é tempo, o que é espaço; o que moral o que não é; o que amamos e o que vivenciamos.

Não me lembro do que aconteceu na noite anterior, apenas acordei com um balde de água gelada do meu tio.

– Acorde! – disse, nem bom dia, ou boa tarde, não sei.

Acordei nervosamente pelo frio da água, tentando me aquecer, tremendo excessivamente, fiquei sentado em frente ao Sr. Nervedj.

– Ai! Que dor de cabeça, que horas são? – perguntei.

– Já é 1 de luz, o sol está no ápice, você dormiu o dia inteiro no sofá como um cachorro velho no meio da rua! – Disse. E esta era mais uma forma de meu tio ser educado, de terno novamente, desta vez era cinza, com uma calça social de mesma cor, sapatos engraxados, cartola e bengala.

– Onde o senhor está indo? – perguntei, que dor de cabeça, o gosto seco na boca, precisava de água; ah claro, já estava todo encharcado.

– Iure! – gritou diz eufórico, enquanto arrumava a gravata em frente a um grande refletor, material raro – Creio que você esta surdo! Esta tarde, tenho que visitar o Sr. Thommas mais uma vez, depois irei à prefeitura, mercado e depois voltarei para irmos junto ao casamento!

– Ah... Claro – digo bocejando e me levantando, indo em direção ao corredor dos quartos e do banheiro.

– Hoje você não fará nenhum favor a mim, tome seu banho, beba seu café! E Iure? – perguntou.

– Sim? – colocando a cabeça em vista no corredor, disse com uma escova na boca e uma pasta espumante verde ao redor da boca.

Ele me olhou com escárnio. Tirei a escova da boca e continuei ali parado.

– Foi mal – disse.

– Esqueça! – disse retirando um saquinho de pano que deduzi estar recheado de moedas, pelo volume – Compre um smoking novo, não quero você com aqueles velhos ternos do seu avô!

Ele jogou o saquinho e agarrei no ar.

– Nossa! – disse sorrindo – Obrigado, tio!

– Tenho que ir! – ele ajeitou a cartola e caminhou em direção à saída – tenha uma boa tarde!

Ouço a porta se fecha, volto ao banheiro. Enquanto estava debaixo do chuveiro, (mas uma vez ele apresentava o problema e a água ainda estava salobra. Eca!) e pensei no que ocorreu noite passada. Nós bebemos, dançamos com as bailarinas, ouvimos a Sra. Bartogarden brigando com o Senhor Bartogarden. Saímos bêbado, Spencer, Michael, Finnik, Tyna, Alice e eu; andando pelas ruas e becos da vila Spunk, alguns relances depois, Alice, que estava sã, ajuda Finnik a adentra sua residência. Passamos horas supondo o aconteceu dentro da residência de Finnik.

Sai do banheiro com toalha na cintura, certifiquei se as cortinas estavam fechadas. Tudo Ok, adentrei o quarto, vesti uma camisa limpa e um calção de algodão, fechei a gaveta do armário, olhei para o espelho em cima do armário. Lembranças: continuamos gargalhando pelas ruas de Spunk, então um guarda brigou conosco, não sei como nos livramos de ser preso; algo haver com o pai de Tyna ser delegado da Vila. Após atravessamos mais cinco quarteirões, Spencer e Tyna se separaram de Michael e eu.

Segui do quarto a cozinha, onde me servi de uma xícara chá-cafeína e pão do trigo da padaria da Sra. Summer, a cafeína deslizava sobre as papilas gustativas da língua, descendo e aquecendo o meu corpo, me livrando do estupor que causou os drinks. Observei o meu pé de metal e outros socos de memória surgiram.

Nossas casas eram as mais distantes, como disse, ficava na Rua dos Sonhos. A casa do tio, um pouco mais no começo da rua, enquanto a de seus pais, perto do limite da muralha. Chegamos enfim ao quarteirão da nossa rua gargalhando...

“Cara, eu to muito bêbado!” – disse Michael com uma garrafa de bebida a mão.

“Ânimo, você vai se casar, amanhã” – gargalhei, gritamos juntos pelas ruas.

Não sei quem, mas alguém da vizinhança gritou.

“Vão perturbar os ouvidos de outra rua!”

“EU VOU ME CASAR!” – gritou Michael.

“ELE VAI SE CASAR!” – gritei, com uma lágrima escorrendo aos cantos do olho esquerdo.

“O que foi irmão?” – Michael perguntou.

“Estou chorando de felicidade!” – a carne da perna que estava presa ao pé de metal, doía, mas mesmo assim continuava caminhando – “Você vai se casar amanhã!”.

Dobramos as esquinas finais para nossa rua, eufóricos e felizes, enquanto nossos vizinhos berravam de raiva por uma noite de sono. Não sei como distrai, mas apenas ouvi Michael gritar.

“Cuidado” — disse tentando me segurar.

“Ai!” – gritei, escorregando no fio da calçada, Michael segurou em meu braço, tentando me fazer ficar de pé, mas acho que bebida e queda não combinam. Cai de costas no interior de uma carruagem com a frente arrebitada, ele logo em seguida, caiu em cima de mim. O joguei ao meu lado.

“Sai de cima, carrapicho de roupa!” – gritei rindo.

“Foi mal, perna de metal!” – respondeu.

Depois disso não me lembro de mais nada, apenas um suspiro, continuei observando o meu pé.

– Vamos Iure, esta perdendo o seu tempo! – peguei um pano e limpei o meu pé falso, engraxei o único par de sapatos e sai para me encontrar com o noivo, Spencer e os outros garotos, para a compra de ternos na malharia local.

Encontrei com eles na malharia de ternos masculinos Srta. Lucia, ela é mãe de Alice; então digamos que mesmo sendo o dia do noivo, Srta. Lucia deu bastante atenção a Finnik, o que pudemos fazer é esperar, de cada um os últimos remendos.

Depois saímos para beber um pouco, mas com moderação. Finnik ficou contando algumas piadas.

– Então rapazes, essa é difícil, qual é o cavaleiro mais redondo da mesa redonda? – perguntou Finnik.

– Não sabemos! – gritamos em uníssimo.

– O Sir. Cunferência! – respondeu.

Eram piadas idiotas, inteligentes, mas idiotas. A tarde chegou e a lua surgiu ao céu, exibindo o seu sorriso prateado. As garotas se reuniram na casa da Srta. Lucia, que junto com a filha, Alice, dava os últimos retoques na noiva. Soube disso quando a mesma me pediu para distrai o noivo, para não ver a noiva antes do casamento.

Recebemos bronca do Oficial Caesar, que além de ter um nome exótico, era baixinho e gorduchinho e vivia acompanhado de mais dois oficiais maiores que eles; era difícil leva bronca de alguém menor que você. Disse que deveríamos estar presos, mas nos poupou por conta da bebida grátis na Taverna do Céu e o por ser o casamento do Michael.

Toda a cidade se reuniu na igreja, na ala leste, a capela, reservada a casamentos. De um lado, a família do e amigos do noivo, estava mais cheia; do outro lado, a família da noiva, algumas garotas, sua tia Srta. Petúnia e seu primo Aberlado. Ninguém comenta sobre o que aconteceu com o restante de sua família, mas suponho que seja uma epidemia onde somente a mesma sobreviveu.

As cadeiras vazias foram ocupadas por outros convidados: Alice, Srta. Lucia, Sr. Thommas, Mary, Tyna, Finnik, Sr. Pertson, Sr. Rubya, Sr. Fliutcher, Sr. Jenning, sua esposa e seu assistente, Senhor Céus, o casal Bartogarden, dentre outras personalidades, toda a cidade se reuniu para a festa. A cerimônia ainda não aconteceu, o noivo já estava vestido, esperando a noiva, eu estava ao seu lado como padrinho e a tia da noiva como madrinha do outro lado, cada um vinha e cumprimentava ou abraçava o noivo.

O que me incomodou por um instante, antes da cerimônia iniciar, foi três senhoras de idade avançada que cochichavam perto de uma das entradas da capela. Eu já as conhecia da Casa dos Gerades, a casa de repouso local, onde minha vó que jaz partiu, morava antigamente. Caminhei em sua direção e pude ouvi-las um pouco de seu assunto.

– Que o Grande Sol não abençoe o seu casamento, onde já se viu uma mulher desqualificada se casar? – disse uma com o rosto horrorizado.

– Na casa do Senhor! – a outra clamou, com a boca aberta e estendendo os braços aos céus.

– É uma calúnia, eu falei a padre o quanto essa mulher é put...

– Com sua licença madames! – disse a interrompendo – O que as senhoras estão conversando? – perguntei as olhando de olhos semicerrados.

– Ah! O quanto esse casamento é sagrado! – exclamou uma.

– Divino! Abençoado pelo Grande Sol! – alegrou-se outra, botando a mão na boca por pronuncia o nome do Deus.

– Um Espetáculo! A noiva é encantadora! – mentiu a terceira.

Atravessei entre elas e fechei as portas, pois a cerimónia estava preste a começar, antes de voltar ao altar para minha posição de padrinho me virei a ela e disse.

– Algumas vezes, nós temos que fechar a maldita porta! – falei entre entrelinhas. Voltei ao altar.

A macha nupcial tocou, a noiva estava ao final do corredor formado pelos bancos da capela, todos se levantaram. Não confio em meus instintos, mas a noiva estava chorando, mesmo com o véu cobrindo seu rosto, sua maquilagem estava borrada.

O noivo sorria, enquanto os convidados de pé arremessavam pétalas de lírios, tradição do casamento a noiva, enquanto duas garotas segurava a cauda do seu véu. Aliás, duas garotas exuberantes, Anny e Elizabeth; respectivamente, uma filha do psicólogo local, o Dr. Conde e a outra da esposa do prefeito.

A noiva se posicionou no altar, o noivo beijou sua mão e levantou o seu véu.

– Você esta bem? – perguntou Michael a ela.

– Claro; este é... – não somente eu, mas toda a igreja notou o seu olhar para Aberlado, acho que o noivo apenas pensou que ela olhava para suas amigas que exibiam sorriso ao meu ponto de vista, em escárnio – o melhor dia da minha vida – voltou seu olhar ao noivo.

As palavras do padre seguiram a cerimônia, explicação que meu tio dizia ser ficcional, mas uma crença do que realidade. Era cultura, mesmo meu tio sendo cético, eu respeitava; o padre falou do Sol que surgia do nada e dele surgiu do ventre a mãe Lua, com ela tiveram dois filhos, o Ar e a Vida. O primeiro contato do Sol e da Lua causou Ordem, mais ao mesmo tempo o Caos, então o Céu controlava a elevação da Vida, isso explicava os Eclipses.

Dos Céus surgiram a Noite e o Dia, e a Vida modelou o primeiro casal de ser humano, que deram frutos a outros seres vivos. Entretanto, por os humanos apresenta uma característica que os deuses não possuem, o raciocínio e a emoção, a Vida criou a Terra e deixou um pedacinho de seu poder a ela, da Terra viveu os Humanos e surgiram as plantas e os animais.

Olhei para meu tio que fazia um sinal com o dedo em torno da orelha, “Louco”, mexeu a boca sem emitir som. Depois pegou uma carteira de tabaco e saiu da capela. Meu tio, muito cético para ficar escutando “baboseiras religiosas”, ao seu ponto de vista.

– Senhor Michael, você aceita Lindsay como sua esposa aos olhos do Grande deus-Sol e abençoados pela Mãe-Vida? – perguntou o padre.

– Aceito! – disse o noivo com um sorriso.

– Senhorita Lindsay, você aceita Michael como seu marido aos olhos do Grande deus-Sol e abençoados pela Mãe-Vida? – repetiu a pergunta.

– Não!

– O que? – perguntou o noivo, que desmanchava o sorriso do rosto. Todos da capela cochichavam entre si. Lindsay olhou para Aberlado.

Sinto muito! Mas não posso aguentar mais isso! – em lágrimas, a noiva saiu da capela, seguido de Aberlado.

– Espera... – gritou o jovem.

Os sussurros continuaram, Spencer se posicionou do lado do amigo. Srta. Petúnia correu em direção à noiva.

– Calma cara, vamos ver o que aconteceu? – disse Spencer me lançando um olhar.

– Isso, traremos mais notícias, fique aqui... – não sei mais o que aconteceu em seguida, apenas um som.

Um tiro.

Notas finais
Suspense, querido leitor... Pois bem, se você chegou até aqui, deixe seu comentário sobre o que achou do capítulo, recomende aos amigos e divirta-se formulando a trama e mistério que norteiam Iure e os personagens da Vila Spunk.