Stay Alive
2 Capítulo 2
Abri o armário e peguei meu ultimo par de sapatos, os coloquei na mala e a fechei.
Eu estava pronta.
Aliás, pronta eu não estava. Não queria sair da minha casa, abandonar minha vida normal, deixar tudo pra trás e ir morar em outro lugar.
'Vamos Emma, você devia estar feliz. Você nunca gostou de ser normal, e talvez conviver com os outros te faça sentir mais......anormal?'
Meu nome é Emma e tenho 16 anos. Não. Eu não sou uma vampira, não sou uma semi-deusa, não sou uma bruxa, não sou uma fada. Eu não sou nada,pra ser sincera. Sou uma das poucas humanas que ainda existem.
Pois é, sou a pessoa mais sortuda do mundo como vocês podem ver. Eu podia ter sido convidada pra uma escola de bruxaria ou talvez ter nascido com um dom ou sei la, meus pais podiam ser vampiros mas NÃO. Eu era COMPLETAMENTE normal. Tinha uma vida mais do que tediosa e perguntava todo dia a deus...ou aos deuses,sei la... o por que de eu ter nascido.Mas enfim, no momento, o mundo estava acabando.
Todo mundo deveria estar triste desesperado e etc, mas eu não estava. Eu estava triste por ter que deixar tudo pra trás, mas feliz por um outro lado.
Me entendam. Depois que todas as criaturas,bruxos, semi deuses, lobisomens e bla bla bla resolveram se 'revelar', surgiram ainda mais criaturas, porque nada mais era secreto.
Conclusão : quase todas as minhas amigas receberam a carta de matrícula para escolas de magia, minha melhor amiga descobriu que seu pai, que ela nunca tinha visto na vida, era Apolo. A minha vida virou um caos completo. Eu sempre achei que alguem chegaria na minha casa e falaria : 'Ah, Ola Emma gostaria de informar que você na verdade é uma bruxa/fada/gremlin/goblin' qualquer coisa. Mas nunca ninguem veio. E assim, eu fui uma das poucas que continuou levando a vida normalmente.
Mas agora, tudo iria mudar.
Há dois anos atras, previram que o mundo ia acabar,mais especificamente,amanhã.
E eles estavam certos.
Tudo apontava para o fim. Rachaduras do tamanho de Goblins na rua, chuva ácida quase sempre, pessoas morrendo com doenças e sintomas que nunca haviam sido vistos na vida.Todos achavam que era o fim.
Pois é, não era.
Havia um lugar. Um lugar bem distante, chamado Panem, o único lugar que não havia sofrido mudança nenhuma. Nenhuma chuva, nenhuma rachadura, nenhum sinal de mudança,de fim do mundo nem nada,e o presidente de lá, resolveu anunciar que acolheria todos, mas em troca, precisaríamos pagar uma taxa, que minha mãe nao fez questão de revelar o valor,mas pelo visto era bem cara, já que tinham várias pessoas sem condição de pagar e que ficariam aqui. Esperando a morte.....Jeito legal de morrer..... Enfim, diziam que foi tudo contra a vontade desse presidente aí, o que eu não duvido nada porque, quem em sã consciencia iria abrigar vampiros,lobisomens,anjos,criaturas místicas e blablabla no propio país? Nem por todo o dinheiro do mundo alguem em seu juízo completo faria isso.
Bom,talvez ele não estivesse em seu juízo completo.
–Emma?Já esta pronta? — ouvi minha mãe gritar do andar de baixo.Peguei minhas 3 malas, a de mão, a de costas e a de rodinhas e desci, com dificuldade, mas desci.
Lá em baixo estava meu irmão de 10 anos, preso em seu Nintendo 3Ds.
'Sorte dele que não se preocupa com nada.'
–Mãe? Pra onde nós vamos?
–Estamos indo para a estação de trem que nos levará ao lugar... — disse a minha mãe parecendo não prestar muita atenção no que eu estava falando.
–Tá...mas como vai ser? aonde vamos ficar... — eu disse ajudando ela a colocar as malas no carro.
–Chega de perguntas, você é muito chata. — disse o meu irmão sem tirar os olhos do joguinho ridiculo dele que dava um dor de cabeça do demônio.
–Cala a boca Lucca.
–Parem com isso vocês dois. Emma, tudo que eu sei você tambem sabe..
Ergui uma sobrancelha e disse :
–Ok. Vamos rever o que faremos hoje então.
–Primeiro,entrem no carro. Não esqueceram nada? Joguinhos,roupas,etc...
Nós dois entramos no carro sem dizer nada, o que significava um 'pela milésima vez,não esquecemos nada'.
–Ótimo..bom,iremos até a estação de trem. Disseram que lá nos darão instruções do que fazer e...por enquanto é isso.
Que bom.O destino da minha vida a partir de hoje estaria em uma mísera estação de trem que eu fui duas vezes na minha vida inteira. Estou vendo que as coisas vão dar certo.
Coloquei meus fones de ouvido e enconstei a cabeça no vidro. Fechei meus olhos e tentei esquecer de tudo.
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