-Emma....Emma acorde!

Abri os olhos e me deparei com o rosto da minha mãe.

-AAH! — eu gritei levando um susto.

-Não temos tempo pra drama, saia já daí, pegue suas coisas e vamos! Cade seu irmão? LUCCA!

Era muita informação para pouca eu. Me levantei tão rápido que os cantos dos meus olhos começaram a escurecer. Quando minha visão finalmente ficou normal, vi que não havia ninguém do lado de fora da estação de trem. Não....Pera.... Haviam duas pessoas ali, vestidas de branco, na entrada da estação.

Peguei minhas malas e quando fui checar as duas pessoas novamente, elas não estavam mais lá.

-Estranho....– murmurei para mim mesma.

-Ih, a viagem afetou você e agora ta falando sozinha? Credo! – disse meu irmão surgindo do nada ao meu lado. Peguei o joguinho dele e o desliguei.

-EI!

Me ajoelhei e fiquei a uma altura em que pudesse encarar seus olhos.

-Escuta aqui seu pirralho. Pare de mexer nisso aqui. Você tem ideia do que a gente vai passar e pra onde vamos? Não? Nem eu. Então comece a se ligar. Nós vamos abandonar nossa casa e ir para um lugar que nunca vimos na vida. Eu te amo Lucca , pare de ser infantil com esse seu joguinho idiota e tente encarar a realidade, ou pelo menos levar as coisas mais a sério.

Seus olhos se encheram de lágrimas e ele fez a coisa que eu menos esperava na vida. Me abraçou.

-Aí esta você! Estão loucos!? Deixem esta troca de amores para quando estivermos completamente salvos! Vamos logo.

Minha mãe pegou suas malas e as do Lucca e foi andando para a entrada da estação.

-Mãe, e o carr –

Ela já estava longe demais, nem me ouviria. O que faríamos com o carro?

-Emma...você pode devolver meu jogo agora? – perguntou meu irmão quebrando o silêncio e fazendo eu relembrar que ele ainda estava ali.

Joguei para ele o videogame e seus olhos brilharam, ele deu um sorriso e saiu correndo para a entrada da estação.

Novamente avistei os dois sujeitos estranhos. Os de branco. Parados na frente da entrada. Meu irmão passou por eles sem dar a mínima bola. Coloquei minha mala de costas, peguei minhas outras malas , e fui em direção a entrada mas quando olhei, os sujeitos haviam sumido novamente.

A caminhada até a entrada deve ter durado no máximo dez minutos, mas para mim, foi uma eternidade. Parei na frente da entrada da Estação de Trem e a fiquei encarando. Seria nessa estação que eu descobriria meu futuro, o exato lugar em que eu iria viver a partir de hoje.

Eu definitivamente não estava pronta.

Abri as portas para não continuar com todo aquele drama. Eu tinha mais é que relaxar e tentar ver o ponto positivo disso tudo...

Meus pensamentos foram interrompidos por um leve tremor de terra, que na verdade havia se tornado muito comum nos últimos meses. Enfim, quando finalmente entrei na estação, fiquei surpresa do quão bonita e limpa ela estava. Talvez porque estivesse vazia.

Além de vazia,também estava silenciosa, o único barulho audível era um pequeno 'plim' que vinha de um lugar meio distante. Deixei minhas malas no chão e segui o som do 'plim'.

Quando finalmente cheguei, encontrei um vendedor de passagens de trem dentro de uma cabine, (aquelas cabines que os vendedores normalmente ficam) destacando alguns ingressos e.. passagens. obvio.

-Com licença, aonde esta o trem que --

-Eu se fosse você, continuava aqui. — disse o velho sem olhar nos meus olhos. Descobri que o barulhinho 'plim' vinha do destacador de passagens. — Me recuso a ir para aquele lugar.

-Me desculpe, mas o que você quer dizer? Que eu fique aqui esperando a morte?

Ele deu um risinho e me encarou.

-É melhor você ficar aqui 'esperando a morte' , do que ir a Panem. Acredite.

-Você conhece esse lugar para onde vamos? O que você sabe sobre lá? E como? Por que aparentemente ninguem sabe muita coisa --

Ele bateu o destacador em sua mesinha, o que provocou um barulho muito alto e me fez calar a boca.

-Escute, quem entra em Panem, nunca mais sai. E não pense que só porque você é uma nova...'moradora' que não vai precisar participar dos jogos.

-Jogos? Que jogos?

Um apito distante que vinha do outro lado da estação fez eu me distrair.

-Parece que seu trem esta saindo. É melhor se apressar. -ele disse se recostando na cadeira e dando um sorrisinho.

-Me diz que jogos são esses, me conte sobre Panem, por favor.

Ele me encarou e me lançou um sorriso irônico, se aproximou e disse:

-May the odds be ever in your favor.

Olhei desconfiada pro velho e sai andando. Estava pensando em insistir para saber esse papo sobre jogos e sei la mais o que, mas coitado, supostamente era um velho gagá que não tinha o mínimo de juízo e ia ficar esperando a morte....destacando passagens de trem....

Morte legal.

Saí correndo peguei minhas malas e fui para o outro lado da estação, o lugar da onde tinha vindo o apito de trem. Tudo continuava muito silencioso, a única coisa que fazia barulho no momento eram meus passos e o 'plim' distante do destacador.

Finalmente cheguei ao outro lado da estação, onde comecei a ouvir algumas vozes vindas do andar de baixo. Achei uma escada e quando a desci, dei de cara com uma porta equipada de travas anti-pânico. As empurrei e abri a porta.

Logo que a abri, vi centenas de pessoas correndo. Era um caos. Não ia conseguir achar minha mãe naquela multidão de jeito nenhum.

-EMMA! EMMA! — ouvi uma voz gritando. Lá longe consegui avistar o casaco da minha mãe, um vermelho escuro,ela estava empurrando todas as pessoas tentando conseguir caminho.

Como ela, deixei a educação de lado e comecei a empurrar todas as pessoas que estavam na minha frente.

-EMMA. NUNCA MAIS FAÇA ISSO COMIGO PELO AMOR DE DEUS! -disse minha mãe afastando uma mulher e me abraçando.

-Desculpe mãe, eu só...

-Não importa. — ela disse secando uma lágrima. — Nosso trem sai daqui 2 minutos, seu irmão ja esta lá dentro, vamos, rápido! — ela pegou minha mão e foi me puxando até chegarmos no trem.

-Espere um minuto, tenho que checar se as passagens estão aqui. — ela começou a vasculhar a bolsa dela.

Enquanto isso fiquei observando as pessoas que passavam. Todos estavam desesperados. Não que isso me surpreenda porque né, ninguem estava preparado psicologicamente para ir a um lugar que nunca ouviu falar na vida só porque o nosso mundo.O nosso lugar, estava acabando.

Continuei encarando as pessoas e de repente encontrei o olhar de um menino, que estava do outro lado da estação. Ele estava me olhando tambem, mas desviou o olhar rapidamente. Ele parecia tão assustado quanto eu, mas ao mesmo tempo tentava manter a postura de 'machão'. Ele era...

-Emma?! Vamos logo! — disse minha mãe me puxando para dentro do trem.

Logo que pisei lá dentro, ouvi o apito novamente e as portas atrás de mim se fecharam . Olhei ao meu redor, todos ja estavam sentados em seus lugares, adultos, velhos, crianças... não tinha visto nenhum adolescente ainda, sem ser o menino lá de fora. Segui minha mãe pelo trem, nosso assento era no próximo vagão.

-Ei. -eu disse pro meu irmão que ja estava sentado. Sem mexer no seu joguinho. Sentei ao lado dele e ele me abraçou. -Vai dar tudo certo, ja estamos aqui, agora é só.... chegar lá e se adaptar.

O trem deu partida. Olhei para trás, só para dar uma olhada na reação das pessoas. Todos pareciam preocupados.

De repente em cima da porta do vagão, a parede se abriu e revelou uma TV. Um filme começou a passar.

Notas finais
gente, espero que vocês estejam gostando da fic (: deixem reviewss
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.