Notas iniciais
Tá aí, meus anjos, a continuação. Boa leitura!

Regina passou longos segundos a fita-la, custava-lhe crer que aquela sentada ao seu lado no carro era Emma, mas o olhar de hesitação para Swan era resultado da vergonha que estava sentindo por tê-la arremessado contra uma árvore três noites atrás.

— Co...co.. como saiu do hospital? — perguntou relutante.

— Eu fugi, minha mãe me ajudou, eu sei que não era para fazer isto, mas eu precisava falar com você. Regina, apenas me ouça.

Emma falava coisa atrás de coisa, Regina ainda estava dura, quase encostada na porta ao lado do volante do carro.

Foi possível ver como os olhos verde escuros de Swan brilharam, de uma emoção imensurável, Regina precisaria ceder baseada na dúvida da reação de Emma. Aos poucos voltou a se sentar normalmente no banco, ajeitou o sobretudo negro e fitava Swan vez ou outra.

— O que você quer? Fale logo.

Swan respirou fundo, precisando muito daquilo.

— Não vá embora, não saia da cidade.

Regina fitou a salvadora no mesmo segundo. Sua expressão não era muito agradável.

—Quem te disse isso?

— Você disse, pelo menos eu acho que disse, com outras palavras, mas disse.

— Eu não sei do que você está falando.

— Sabe, você sabe, Regina. Não vá embora, não agora, não depois do que... — Emma interrompeu por dois segundos — ... depois do que eu descobri, mas antes de qualquer coisa, pense no Henry.

Regina riu-se debochadamente.

— Você quer me obrigar a ficar aqui por Henry? Eu estaria fazendo um favor para ele, saia do meu carro.

— Regina, entenda, você não pode ir embora assim, pensa em como ele se sentiria se você desaparecesse.

— Eu não irei desaparecer, e eu mandaria uma carta para ele, eu já tenho tudo pronto... e você não tem nada com isso, devia deixar de me amolar.

— É por minha causa?

Emma tentou tocá-la, Regina encolheu-se como se o toque de Emma a fizesse sentir nojo.

— Vá embora, ou eu te faço dormir tempo o suficiente para ir embora de verdade para muito longe e nunca mais ter de olhar para sua cara.

A salvadora fez que não com a cabeça, a mesma que começou a pinicar de dor.

— Eu sei que diz da boca pra fora, você não vai me fazer nada, você não vai embora, você blefa demais, Regina.

— Cale a boca.

— Não! — a loira ofegou, piscava demais. — Você... você... — esforçou-se para prosseguir, Regina tocou-lhe a testa e pescoço.

— Você está quente! É melhor você voltar para o hospital antes que morra no meu carro. — o motor do carro voltou a roncar, Mills fez malabarismo no volante.

— Eu estou bem, não desvie do assunto, Regina. — Emma balbuciou. — Não me leve de volta para o hospital... — Emma segurou um dos braços da prefeita que no volante quase perdeu a direção.

— Emma! — a morena berrou e empurrou a loira — Emma pare! — Foi obrigada a frear bruscamente. O olhar de Regina para Emma estava carregado de pânico. — Você viu o que me obrigou a fazer, senhorita Swan!? Saia agora do meu carro!

Ela berrou pela segunda vez. Ao seu lado a loira aparentando cansaço com olheiras grotescas, ainda tentaria sua última chance.

— Perdão! Perdão, Regina... — a visão ficou escura — Acho que você deve me tirar daqui...

Regina teve uma ideia bizarra ao seu ver, teria de salvá-la das sensações que a enfeitiçaram, as dores, o cansaço e os delírios. Pensou em chamar Mary Margaret e David, ou Henry, todavia nenhum deles resolveria o que ela própria havia provocado. Em seu íntimo uma sensação de culpa novamente, mais uma das tantas que carregava.

Minutos mais tarde, Emma enxergava as luzes embaçadas através do vidro do carro de Regina, que se movimentava pelas ruas que a loira não pôde calcular castigada pelo torpor. Sua visão sumiu por vários outros minutos e quando recobrou algum sentido, estava sendo carregada por Regina pelas escadas do casarão, era segurada em um dos braços e pela cintura firmemente sendo conduzida para algum canto da casa.

Quando tombou o corpo de Emma na cama, Regina, tirou-lhe os sapatos, até mesmo a jaqueta jeans que Swan também trajava, tudo aquilo com extremo cuidado, a loira dizia coisas sem nexo, talvez com significados apenas para ela mesma, o que a prefeita pouco considerou, até mesmo quando ouviu um “Regina, eu preciso de você” dos lábios estremecidos de Emma. Sentou-se ao lado do corpo estendido da loira.

— Regina... me perdoa... eu não queria.

— Shh... quieta. — a Rainha ergueu uma mão, levando os dedos até a testa de Emma, um brilho reluzia quente, envolvendo o corpo de Emma conforme palavras mágicas eram pronunciadas entre sussurros.

— Regina... — Emma chamou depois de longo tempo, era como se houvesse adormecido há horas. — por que me trouxe aqui?.

— Cale-se Emma, é o único modo de parar os seus delírios.

— Eu não estou delirando. — dizia a loira com a boca seca, recuperou a cor rosada dos lábios, a visão e energia, mesmo que pouca. Notou onde estava, surpreendendo-se.

— Estou fazendo um favor à você, então deixe-me terminar.

— Eu já estou bem, Regina.

Regina Mills parou para olhar a mulher deitada ao seu lado, respirou pesadamente, como se lamentasse.

Swan pareceu aflita, sentou-se na cama.

— Por que você me atacou naquela noite, Regina?

— Odeio precisar dizer isso, mas... Des...des...desculpe, eu não tinha intenção. — a morena fechou a cara para dizer aquilo.

— O que eu fiz de errado?

A prefeita procurou por uma paciência que não tinha.

— Você me assustou.

— Eu te assustei? Aquilo foi um beijo, somente um beijo. — Emma praticamente sussurrava.

— Você anda fora de si, — Mills procurava as palavras certas — dormiu ao meu lado numa noite, me bateu no rosto em outra, e me beijou. — ela fitou Emma bem nos olhos. — Está querendo me deixar como você, eu não sou como você, Emma Swan.

Regina pareceu abalada, Emma tocou-lhe uma das mãos.

— Tudo isso tem um motivo... e por isso eu corri atrás de você agora, eu preciso te dizer tantas cosias, mas há uma que não pode mais esperar, e é por isso que você não pode fugir deste lugar, porque eu amo você, Regina, eu amo você, eu estou insana por você.

A prefeita sacudiu a cabeça como se tivesse levado um balaço, uma das mãos subiu-lhe até a testa que tocou mas desceu para tampar os olhos e depois os lábios, fazia um sinal negativo.

— Não é possível, Emma. — disse ela abafada pelos dedos.

— Me perdoa. Me perdoa por isso, é que dói tanto. — Swan começava a desperdiçar as primeiras lágrimas.

— Você está louca, louca... — Regina tentou levantar-se bruscamente mas foi impedida pelos braços de Swan.

A loira puxou a prefeita de volta, olhos lacrimejavam. Apressada tocou-lhe as bochechas maquiadas e disse muito próxima dos lábios avermelhados:

— O beijo, você respondeu, você gostou, eu senti... não me nega sentir isso, porque dói muito quando eu sinto você distante de mim, por favor, me deixa te salvar, é só isso que eu desejo... — a angústia, quase aflição na forma pela qual Emma pronunciava as palavras tornou-se um alívio gigantesco quando sua boca encostou na dela e iniciou o beijo mais esfomeado da vida delas.

Então tocaram ambos os rostos, as mãos de Emma desceram pela nuca de Regina, abrindo-lhe a gola da blusa de cetim branco e mais abaixo os botões pouco complicados de se romperem.

O calor da boca de Emma desceu pelo pescoço perfumado da Rainha Má, no fim cedendo ao arrepio incontrolável que surgiu no instante. Sua blusa caiu-lhe os ombros, revelando seu busto coberto por uma lingerie perolada, ela arfou. As pestanas tremilicavam fechadas, sentia-se perdida, ao mesmo tempo dentro de um desejo irrecusável.

— Emma... — dizia a morena num fio de voz — ... não... não...

Mas Swan só voltaria a falar quando empurrou o corpo da prefeita para encaixar por cima dele e prendê-la em si. Os rostos se encontraram novamente assim como os lábios rentes demais na fala rouca de Emma:

— Sim, Regina... sim!

Notas finais
Enfim, podemos dizer que elas estão se entendendo :D Mas bom, preciso pedir milhares de desculpas por qualquer coisa que não tenham gostado ou que eu tenha escrito mal, algo que eu sempre faço aqui, todos vocês que estão acompanhando e comentando me dão muita força em continuar escrevendo, então eu também agradeço mais uma vez! Vou fazer o próximo com muito carinho, tenham certeza disso, um beijo enorme, até lá. ;)