Notas iniciais
Desculpem o pequeno atraso nesse capítulo, ele deveria ter saído ontem, mas por conta de um imprevisto precisei deixar para hoje. Boa leitura!

Com a confusão de falas dando lugar a cochichos, Regina tentou ignorar o pessoal que ali constava, dando meia dúzia de passos na direção de seu filho que correu de onde estava para abraça-la com afeto. Os dois fecharam os olhos e se apertavam com força como se não se vissem a uma eternidade. Regina desvencilhou-se pouca coisa de Henry, tocou seus ombros e fitou o rosto do rapazinho para então sorrir docemente.

— Senti sua falta, meu amor.

— Eu também, mãe. — ele tornou a abraça-la. — Que bom que você está de volta.

— Eu nunca sai daqui de verdade, querido.

A frase fez Henry Mills sorrir. Ele a pegou pelo braço e a puxou em direção a mesa onde sentavam ele e a família Snow White. O sapato dela quase rangia no chão com a hesitação em sair do lugar e quase era arrastadas pelo filho.

— Vem aqui, senta com a gente, você é bem-vinda.

Emma desfez o brilho bobo dos olhos com um piscar, sorriu sem mostrar os dentes, meio de lado pela posição que estava sentada, contrária à Regina e o filho.

— Hey... — ela fitou a mãe adotiva de seu filho se aproximar, sem saber o que dizer ao certo daquilo.

—Hey... — Regina respondeu e desviou o olhar quando percebeu que a loira a observava. — Como vão vocês?

— Muito bem.

Snow e Charming responderam ao mesmo tempo. A prefeita assentiu envergonhada, enxergando ao lado do casal que sentava lado a lado o carrinho do pequeno Neal, o que lhe tomou um apreço grande.

— Mas... ele andou crescendo de uns dias para cá. — disse a Mills almejando tocar o menino.

— Sim, algumas semanas maior. — Snow disse muito orgulhosa.

— Posso pegá-lo no colo?

Charming e Snow trocaram um olhar a princípio preocupado, ele assentiu para ela que acabou permitindo Regina com o mesmo gesto. Mills ergueu a criança nos braços, segurando –o com cautela máxima. A cena era assistida por Emma que se pegou sorrindo novamente, Henry ao lado dela também gostou do que viu.

A morena segurou o pequeno príncipe por uma boa quantidade de minutos até o mesmo resmungar um choro pelo colo da mãe, ela o entregou à Snow.

— Já faz algum tempo que você não pega uma criança no colo. — Snow White comentou enquanto embalou o menino em sua manta branca.

— Sim, é... — Regina disse, fazendo que sim e logo sentando-se no mesmo banco de Emma e Henry, as duas se olharam de lado da mesma forma.

— Ahmm... toma alguma coisa? — Swan perguntou.

— Não, obrigada. Eu estou bem.

Foi o momento em que o silêncio tomou conta da mesa. Henry entre as duas mães quebrou o gelo.

— Que bom que você veio, mãe, eu estava mostrando essa casa, — ele abriu uma folha de jornal mostrando a Regina. — parece perfeita, e fica perto da sua.

— Humm... parece ótima, e poderei ver o senhor mais vezes, hum?

Regina tocou os cabelos de Henry enquanto dirigia-lhe a palavra.

— Isso vai ser muito bom, até mesmo quando precisar da Emma...

— Hum? — a morena perguntou com frio na barriga.

— É. Ela não te ajudou ontem? Vai poder te ajudar sempre se a gente estiver perto.

Emma ao lado deles parecia suar frio, os olhos estavam abertos demais e o restante do rosto empalidecia.

— Ela não me ajudou, Henry... quero dizer, ela só estava preocupada comigo.

A loira quis dizer algo:

— Isso, apenas preocupada! Eu quis assegurar que a Regina ficaria bem.

Regina se mexeu na cadeira.

— Exatamente, e eu fiquei bem.

Snow percebeu o nervosismo exacerbado da filha, enquanto Charming na sua “enxeridez” masculina acabava por complicar ainda mais.

— Afinal, o que aconteceu com você ontem, Regina? E qual era o assunto urgente que tinham para tratar, você e Emma?

Ambas engoliram em seco, Henry as salvou.

— Era sobre mim.

— Isso! — responderam juntas a loira e a morena.

O homem cruzou os braços, achando graça da cena. Snow nesse momento, com Neal nos braços também sentia o tom cômico na situação, mas preferiu calar-se.

Algum tempo depois, fora do café, a caminhar pelas calçadas de Storybrooke, o grupo seguia pelos quarteirões, curiosamente com Henry, Charming e Snow com o carrinho de Nealde uma certa distância atrás e Emma e Regina passos à frente. Fitavam o céu que naquele dia em especial tinha um tom de azul mais forte que o normal, a ausência de nuvens também era percebida, mas aquele era um detalhe minúsculo perto da palpitação no peito da loira que não compreendia a atitude de seu corpo toda vez em que estava com Regina tão perto, acontecia desde a noite passada e parecia ter piorado com a presença dela no Granny’s, naquela tarde.

— Eu sei que não tenho muito jeito na hora de admitir certas coisas, mas preciso agradecê-la pelo o que fez ontem, você ficou lá comigo a noite inteira. — disse Regina, com as mãos nos bolsos do blazer.

— Por mais que isso pareça algo inusitado, eu não me senti bem te deixando sozinha. Eu não sabia o que tinha acontecido, estávamos conversando e de repente você caiu, tchum... — Emma fez o som de algo caindo no chão com os lábios.

— Talvez um dia eu consiga explicar o que aconteceu, só consigo recordar de perder a visão quando você falava aquelas coisas, você poderia ter ido embora depois de ter me deixado na cama.

— Não achei que devia. Você estava mal, quase bebeu, e se acordasse e fizesse isso? Poderia ser ainda pior.

— Talvez fosse melhor que eu tivesse bebido, pelo menos eu não me lembraria de nada.

— Então você consegue se lembra bem das coisas que me disse e das coisas que eu disse para você?

— Eu consegui me lembrar de tudo, senhorita Swan.

Emma suspirou, cruzando os braços enquanto andava.

— Isso quer dizer que...

Quando Emma pensou e completar sua pergunta, Henry surgiu entre elas.

— Estão falando de mim?

As duas se olharam, ambas com expressões acanhadas.

— Na verdade eu estava pensando em convidar o senhor para jantar na minha casa, amanhã, que tal? — Regina disse depois de algum tempo, voltando os olhos ao filho e jogando seus cabelos curtos para trás.

— É sério isso? Mas é claro que eu vou.

— Então está combinado. Você pode até mesmo dormir lá se assim quiser.

— Acho que não há problema algum em ir, tem mãe? — Henry fitou Emma.

— Não... claro que não — respondeu a loira —, acho bom que façam isso, tem tempo que você não dorme no seu quarto e na sua cama.

— Como se a minha cama no loft não fosse minha também.

Os três riram leve.

— Você também está convidada, senhorita Swan.

Regina fazia um carinho manso num dos ombros do filho enquanto olhava para ela. Fez o convite sem pensar muito, a verdade era que precisava oferecer algo a Emma pelo ocorrido na noite e consequentemente manhã daquele dia. Henry não pode deixar de sorrir de orelha a orelha, muito satisfeito com a iniciativa de Mills.

— Eu? — Emma apontou para o próprio peito ao mesmo tempo que franzia o cenho.

— Sim, você.

— Ahn... — ela demorou um bocado para dizer alguma coisa. — vou ver a minha agenda, pode ser que eu tenha algum compromisso.

— Hey, qual é, mãe? Você não tem agenda. Vamos!

Ele a puxava pelo braço.

— Eu vou pensar, Henry, eu vou pensar. — disse Emma ondulando os ombros e baixando as pálpebras, como se se tratasse de uma denguice.

— Henry está certo, seria bom se você fosse, mas se não quiser ir, eu entendo.

Regina abriu um sorriso de aparência falsa, causando em Swan uma má impressão.

Quaisquer movimentos, palavras e expressões eram avaliados de ambos os lados, se Regina sorria daquele modo era um mal sinal para Emma, e se Emma relutasse no convite era mal sinal para Regina.

O passeio acabara. A tarde caiu, dando lugar a noite, a prefeita de volta ao cenário da cidadezinha, logo não era mais assunto nas esquinas e lojas. O ambiente já estava naturalmente deserto pelo horário avançado da lua no céu.

Emma estava sentada nas escadas que levavam ao apartamento, por decisão própria, com aquele tempo para ela, pensativa e solitária. Remoía os acontecimentos do dia e principalmente o insistente foco em Regina Mills. Ela segurou os joelhos e encolheu-se quando ele chegou, aquele que chamavam de Hook.

— Ah! Eis a princesa da floresta encantada! — disse o homem que parecia ter acabado de sair dos livros de histórias, roupas de capitão e cheiro de maresia.

— A que devo a honra da visita, capitão?

Emma disse abafada. Killian percebeu um desanimo no olhar da loira e logo repreendeu-se, sentou-se ao lado dela, pousando as botas lustradas no degrau abaixo deles.

— Sirvo para o seu problema? — disse ele menos presunçoso.

— Eu não tenho um problema.

Ele tomou ar antes de voltar a fita-la e dizer algo.

— Swan, posso acreditar em você, mas vai continuar pensando nisso, seja lá o que for.

— Por que acha que eu tenho um problema?

— Não pareceu satisfeita ao me ver, na verdade você ainda nem olhou nos meus olhos.

Ela o fez de imediato em seguida.

— Satisfeito?

— Hey, vamos lá... não é assim. — ele levou o gancho ao rosto dela. — Está estranha.

Ela bateu no metal gelado, desviando de sua pele.

— Me deixa.

— Quer dizer que eu fico uma semana sem te ver e você me recebe assim? E pensar que eu iria aparecer de surpresa no Granny’s hoje à tarde.

— Espera... tem me vigiado? — ela quase gaguejou.

— Eu sempre terei meus olhos em cima de você, Swan. A propósito, Regina andava sumida.

— Assim como você, o que fez esse tempo todo? Eu quase fui até o seu navio te fazer uma visita, me faltou coragem.

— A mesma coragem que me faltou para ir até a casa dos seus pais pedir a sua mão.

Ela suspirou com pesar no peito.

— Hook... eu... aquele beijo... não crie falsas esperanças.

— Oh, não... não são falsas esperanças, são as mais verdadeiras possíveis, você quer isso tanto quanto eu, o que há? Eu não ter aparecido mudou a sua cabeça depois de tudo o que passamos na última semana?

— Não... — ela disse de imediato, fitando o pirata com firmeza. — não foi você o que mudou em mim, foi Regina. — ela foi tão direta que Hook engoliu seco.

— O quê? — ele pareceu invocado.

— Regina. Ela é o novo desafio, ela sempre foi o desafio. De longe é o desafio mais difícil que eu vou enfrentar. Nenhum dragão, nenhuma feijão mágico, nenhum outro mundo me deixa tão confusa quanto ela.

— Ainda por causa de Marian? — ele tentou uma aproximação de seu corpo. — Swan, você decidiu trazê-la, ela morreria, sua atitude foi digna de uma princesa.

— Sim, mas ainda me culpo por isso, eu me sinto estranha, ela nunca vai me perdoar de verdade.

Emma tinha o olhar distante.

— Você quer saber a minha opinião sobre isso? Ela merece a solidão, por tudo o que fez.

— Você não está muito longe dessa condição, não é o homem mais puro da história. Certa vez ela disse que vilões nunca tem finais felizes, e por alguma razão eu fico mal por isso, ela foi vítima da mãe dela, por isso fez o que fez. Há algo em mim que me incomoda agora, algo que me perturba, como se eu pudesse ajudá-la a mudar isso.

— Como você ajudaria?

— É algo que eu ainda preciso saber. — Swan soou baixo.

Ele ergueu-se.

— Eu creio que não, princesa. — ele fez que não, fitando a loira com seus olhos muitos azuis — Se sentir que precisa de um colo, me procure, eu não irei atrás de você se você não quiser, e bem que eu queria que você quisesse e apesar disso, amanhã eu estarei te esperando na praia, eu tenho algo para você, talvez você goste, não aceito um não como resposta.

Ele pareceu chatear-se, não era para falarem de Regina ou da forma como Emma sentia-se em relação a ela naquele momento. Ia se foi, descendo o restante das escadas e sumindo do campo de visão de Emma mais depressa do que apareceu. Ela agora estava ainda mais confusa, seguir seu coração não dizia que devia apoiar-se em Hook, mas dizia que devia ajudar Regina.

Notas finais
Tá lá, pessoal! Então, o que acharam? Quero agradecer aos comentários, e pedir que continuem comentando, é muito bacana mesmo quando vocês falam pra continuar, eu me sinto ainda mais inspirada. Bem, em breve o próximo, não prometo pra quando, pode sair amanhã, depois de amanhã ou ainda depois, mas que terá um próximo terá, fiquem tranquilos. Se quiser, deixe a opinião de vocês, sugestões, tudo é super bem vindo. Desculpe qualquer deslize, erros ou algum detalhe que deixei passar, no mais obrigada por acompanhar! ;*