Notas iniciais
Fala galera! Desculpem a demora, tive uns contra tempos, mas aí está, o quinto e talvez mais eletrizante capítulo até agora, pelo menos no fim vão entender o que eu digo, haha. Apreciem, boa leitura.

Killian Jones havia passado os últimos sete dias construindo um casebre de madeira na beira da praia. Teve a ajuda dos amigos anões, – agora nem tão pequenos — de Snow White. A pequena construção era tão peculiar que couberam ali apenas uma cama velha, duas cadeiras feitas da mesma madeira das paredes da casa, uma mesa e bancos de lenha. Trouxera boa parte dos utensílios de seu navio para o lugar, aquele seria o seu lar e a intenção era apresentá-lo a Swan naquele dia que já se tornava noite com o cair do sol. Apesar da esperança em ver a filha de seu amigo Charming, Killian tinha na cabeça algo que fazia seu gancho roçar na nuca vez ou outra, a indecisão de Swan em relação a Regina. Para ele, a Rainha Má logo esqueceria o ocorrido, visando o bom convívio com filho Henry que de certa forma dividia com Swan, mas para sua surpresa, Emma tinha uma preocupação gigantesca em consertar o feito de uma semana atrás.

Pousou sobre a mesa um vaso com flores cor de rosa colhidas por Leroy no campo, o gancho gelado tocou nas pétalas rosadas, como se desejasse ardentemente que aquele macio sensível fosse o rosto de Emma. Ele não demorou ali dentro, esperava pela convidada no lugar de sempre, de frente para o mar, ao pôr do sol, quase onde a areia molhada de maré dividia-se da areia seca, mal sabia ele que ficaria ali plantado muito tempo até depois de anoitecer, ela não apareceria.

No loft, Henry aprontara-se para o encontro com a mãe adotiva, não passou o dia inteiro a convencer Emma de ir com ele, para o rapazinho era quase uma certeza de que ela o acompanharia e por mais que a xerife de Storybrooke tentasse disfarçar, sua pose de reflexão era sempre percebida.

Ele aproximou-se dela que estava sentada à mesa, apoiando a cabeça num dos braços.

— É melhor nós irmos já está escurecendo.

— Já está na hora? — perguntou ela assustando-se.

— Sim. — ele levantou uma mexa de cabelo loiro que caía no rosto da mãe. — Está com olheiras, você não dormiu?

Emma fez que não. Após a conversa com Regina, acreditava num sono recompensador dos seis dias em que não pregou os olhos direito, curiosamente não foi o que aconteceu, a salvadora continuava ansiosa demais, ou confusa demais para cair de cabeço num travesseiro, por mais que tentasse.

— Ainda não consegui dormir tudo o que eu queria dormir. Acho que vou pedir ao Gold um feitiço do sono.

— Não é preciso, Regina pode fazer isso por você.

Ele disse em tom bem humorado.

— O que está querendo dizer, garoto? Que Regina vai me pôr para dormir? Quer me transformar na próxima Adormecida?

— Se você pedir, agora que já se dão bem de novo.

— Não se iluda, ela pode estar sendo apenas simpática, faz isso mais por você do que por mim. Eu vou levá-lo na casa dela e vou até a praia, Killian me disse que tem algo para me mostrar.

— Hum... a surpresa, você vai gostar.

Henry parecia saber de algo.

— O que sabe sobre isso? — ela ergueu um pouco a face.

— Nada.

Ele sorriu sem mostrar seus dentes. Emma pôde notar no quanto o filho havia crescido, o rosto mais oval, o tamanho que era quase o seu e a voz mais forte, até o estilo das roupas que ele usava mudaram.

— Sei... se estiver me escondendo algo, vai se ver comigo, rapaz. — brincou com as bochechas dele assim que se levantou.

Chegaram à casa de Regina quando as primeiras luzes dos postes na rua começavam a iluminar toda sua extensão. Ela veio no fusca amarelo com o filho, não ia descer mas a insistência de Henry foi tanta que precisou. Tocaram juntos a campainha da casa e a dona dela surgiu ainda mais bela do que na tarde do dia anterior, completamente revigorada. Vestia um comum blazer azul e calça escura quando sorriu para eles ao abrir a porta.

— Já estava me roendo de sentir sua falta. — a morena abraçou o garoto com força que retribuiu, logo ergueu-se para falar com Emma. — Senhorita Swan, que bom que tenha vindo.

— Ahn... é... na verdade eu vim deixá-lo apenas, não vou ficar, Regina.

— Não? — Mills pareceu não ter se incomodado. — Que pena, irá perder um apetitoso salmão e a minha mais doce torta de maçã.

A loira engoliu seco, estava quase cedendo.

— Eu sinto muito, porém tenho...

Henry tratou de interromper.

— Tem que comer essa torta, vem. — o garoto a puxou pelo braço e foram entrando na casa muito depressa. Ela passou por Regina de olhos estatelados, fazendo um barulho fino com as botas que roçaram fortemente no chão do Hall de entrada da casa. Atrás deles, Regina fechou a porta e os seguiu muito elegante nos seus passos e entrelaçar de pernas como os de uma modelo. Na sala de jantar a mesa estava posta com visual de banquete, apesar de ser um simples jantar, o que fez os olhos da loira e do filho brilharem gentilmente.

— Uau! — Henry era o mais maravilhado.

Regina Mills trouxe em suas mãos uma bandeja com o peixe temperado com tamanha beleza. As folhas de vegetais em volta pareciam decorar o alimento, deixando-o com uma aparência ainda mais apetitosa. Emma olhava para o movimento da prefeita, colocando a bandeja sobre a mesa com exímio cuidado, fora a comida ali posta, nada parecia ter defeito, as luzes em volta da mesa deixavam a atmosfera elegante, a brilhar com os copos e talheres colocados em suas posições estratégicas, Regina de fato devia estar esperando por Emma também, haviam três pratos sobre a mesa.

— Sentem-se por favor, não fiquem aí parados como duas estátuas. — Regina os chamou, estendendo uma das mãos para indicar os lugares. — E senhorita Swan, não se preocupe, eu não coloquei nenhum feitiço na comida.

A loira sorriu tímida, logo se sentando e ajeitando a jaqueta vermelha de todas as ocasiões. Henry estava à frente dela e ao lado da mãe morena que sentou-se na cabeceira da mesa.

— Uau, mãe. Está com uma cara ótima!

— Eu fiz tudo isso pensando em você, meu amor. — Regina tinha a liberdade de já o servir, fez o mesmo com Emma que petrificada com a perfeição da cena nada disse. — Algum problema, senhorita Swan?

Ela fez que não de súbito, tomando garfo e faca nas mãos.

— Nenhum.

Na maior parte do tempo quem falava eram apenas Henry e Regina. A prefeita passara praticamente todo o jantar a questionar sobre seus últimos dias, suas novidades e o que havia feito com os avôs. Não que não interessasse a Emma a conversa, era importante que observasse mas sua atenção deixara o garoto, entregando-a à Regina, a quem fitava de banda com um peculiar sofrimento engasgado que pouco sabia o porquê de sentir no exato momento em que os cabelos escuros dela se movimentaram com um gracejo que fez, o sorriso algumas vezes aparecia sem ser forçado e o brilho dos dentes brincava de correr contra a luz toda vez que surgia. Em algum momento a rainha má percebeu a vigilância constante de Emma e a olhou muito curiosa.

— Qual o problema com a comida? Não tocou nela.

O prato de Swan estava intacto.

— Oh, desculpe, eu... eu estava distraída com a conversa de vocês.

— Distraída com a conversa ou com a minha mãe? — Henry sempre colocava as perguntas mais difíceis para Emma.

Regina observou Henry para depois fazer o mesmo com Emma ainda mais curiosa.

— Estava me encarando, senhorita Swan? Estou com algo estranho no rosto? Minha maquiagem está borrada?

Emma se viu encurralada.

— Não... é que... eu só... — quase hesitou — queria agradecer pelo jantar, foi muito gentil de sua parte me receber aqui, apesar dos pesares. — óbvio que havia inventado aquilo.

— Hum... acho bom que tenha gostado. — Regina tentava ser simpática. Nesse momento Henry foi servido de um pedaço de torta. — Você também vai querer o seu, miss Swan?

— Não por enquanto. — Emma respondeu.

— Você não sabe o que está perdendo, mãe. — o garoto disse e as duas olharam para ele.

— Ainda preciso me acostumar com você chamando a mim e a Emma de mãe. — Regina disse.

— É, até eu acho um pouco estranho. — Emma disse em seguida.

— Não fiquem com ciúmes, eu amo as duas.

O garoto quase falou de boca cheia.

— A mim mais do que a ela com certeza. — Regina brincou.

A loira quase engasgou com a bebida que levou aos lábios.

— Bem, eu já acabei, posso subir um pouco? — Henry disse depois de limpar a boca com um guardanapo de pano.

— É claro a casa é sua também, esqueceu?

Regina o selou na bochecha antes dele sair da mesa e correr para subir as escadas do casarão. Ela e Emma estavam sozinhas, dessa vez não iriam ficar caladas ou intimidadas uma com a outra. Passou-se um tempo, até Mills empilhar os pratos sujos um em cima do outro, Emma decidiu questionar.

— Regina, me chamou aqui pelo Henry ou por ter considerado tudo o que eu disse antes de ontem?

— O que você acha? — Regina a olhou com a cabeça pouca coisa baixa, enquanto arrumava a louça suja.

— Não consigo acreditar em você. — Emma terminava com o a bebida no copo.

— É uma pena, porque isso é um problema apenas seu, Emma.

Regina empurrou os pratos empilhados para frente, pousando os seus cotovelos na mesa para fazer uma pose com as mãos unidas ali em cima. Encarou a loira com ar desafiador.

— Eu sabia que não havia pensado em nada...

— Desculpe, mas pensar em quê? Eu deixei claro que não esqueci de nada.

— Nem vai esquecer. Eu devia ter vergonha de acreditar pelo menos um pouco que tudo estava mudado.

— Você achou que dormindo aqui iria me amolecer? Eu reconheço que fiquei tocada com a sua preocupação mas também não acredito que tenha feito isso de livre e espontânea vontade, provavelmente fez para ganhar pontos com Henry.

— E se fosse por isso mesmo, Regina? O que me diria?

— Já disse o quanto odeio quando fala o meu nome nesse tom de voz? — Regina agora tinha as duas mãos bem abertas sobre a mesa e se esticava para encarar Swan ainda mais de perto.

— Não adianta, eu sou muito idiota mesmo.

Emma levantou-se do lugar, largando o guardanapo como lixo em cima da mesa, os passos apressados ecoaram pelo chão assim como os de Regina que foi atrás dela.

— Você é egoísta, é isso que você é, você e sua mãe. — Regina esbravejou com certa acidez no tom que tornou-se o estopim da situação.

Swan virou-se imediatamente e sem pensar desferiu um golpe com o dorso de sua mão no rosto de Regina, o som estalado ecoou mais que os passos delas duas juntas.

Regina segurava seu rosto no lado batido, de costas para Swan, que nem um pouco arrependida esforçava-se para não debulhar-se em lágrimas, mas as primeiras gotas compridas romperam pelo seu rosto, enquanto fitava a rainha má quase agachada a se socorrer do susto e da dor da ardência na pele muito pálida.

— Eu sou muito idiota mesmo de perder minhas noites de sono por você.

Regina a olhou na posição em que estava, desejava sua morte naquele momento.

— O que foi que você disse?

— Que eu devia me arrepender de não dormir por pensar demais no meu erro, e no fundo nunca foi um erro, eu jamais adivinharia. — disse Swan entre sua respiração pesada que fazia com que ela erguesse e baixasse o busto muito depressa por muitas vezes. — Você não sai da minha cabeça, e eu quis acreditar que poderia consertar isso, mas pelo jeito não vai ser como eu queria. Você não vai permitir, talvez seja por isso que eu não consiga mais pregar os olhos em paz porque você não vai permitir, você sente prazer nisso e sempre vai sentir, você nunca vai acreditar em mim, não importa o quanto eu te pedir perdão.

A prefeita arregalou seus olhos muito escuros e encontrou os de Swan mais verdes que o normal, portando aquela aparência sofrida e as lágrimas inundando desde suas bordas ao contorno forte que eles tinham. Pôs-se ereta e também respirava estranha. Nada disse, só pôde sentir seu estômago embrulhar e não era por efeito da comida que havia preparado, era um enjoo proveniente do medo, ou do mal estar que gerou. Pela primeira vez assumiu a culpa, internamente, mas a culpa de que havia feito errado. Emma só podia dizer a verdade, e aquilo a fez sentir-se péssima, como nunca antes, era até pior do que o momento em que vira Marian e Robin se abraçando no Granny’s.

Regina sumiu dali, sem conseguir respondê-la, algo que nem a própria Emma esperou. Trancou-se no seu escritório, e chorou por trás da porta, levando as mãos à boca para não ser escutada.

Emma virou-se na direção da saída, tudo parecia em câmera lenta; Seus passos, sua respiração, até as mãos limpando o rosto das lágrimas. Henry do topo da escada assistiu a tudo e seu ar era de decepção total.

Notas finais
Tá lá, galera! Começou fraco mas agitou no fim, não acham? Bem, se gostaram digam, a história não para por aqui, ainda tem boas coisas para acontecer. Eu fico feliz pelos comentários de todos que vieram até agora, todos que acompanham, é bom ver o retorno de vocês, continuem dando as suas opiniões. Desculpem qualquer deslize, no mais, um abraço e até o próximo!