Notas iniciais
Vocês tem me dado uma vontade tremenda de escrever com esses pedidos, eu estou me esforçando para ser rápida, ok? Boa leitura.

Regina enxergava entre os espaços dos dedos de Emma Swan seu coração pulsar. O som proveniente dele era o único ruído que conseguia definir, num cenário onde apenas ela e a salvadora constavam. Ambas de pé, no meio de um saguão, onde o chão era misto de linhas negras e brancas, os pés da Rainha pareciam flutuar hora ou outra enquanto a sua frente Emma dava a impressão de ser uma estátua a oferecer o órgão mais vital do corpo de Regina. A morena quis dizer algo, mas sua voz não existia, eram palavras mudas, ela tentou e tentou outra vez e o desespero tomava-lhe conta de uma maneira assombrosa, Emma também não respondia e muito menos mexia-se. Algo a se notar eram os trajes incomuns da floresta encantada, um vestido longo azul real cintilante de pedras minúsculas, completo por um penteado exuberante em Regina e em Swan algo que Snow White vestia na época de fuga da Rainha, o traje de bandida.

A estátua de Emma fez-se móvel quando o coração em suas mãos fora apertado, uma dor que Regina implorou para não sentir. Os joelhos da morena desabaram ao chão e as mãos tocaram o lado esquerdo do peito, as mesmas palavras sem som saíam dentre os lábios da Rainha que suplicava com olhos assombrados pela vida. A mancha negra que pairava na vermelhidão do coração de Regina espalhou-se antes que os dedos de Swan fizessem-no explodir, foi o momento em que a Prefeita despertou.

A mulher colocou-se sentada na cama com o susto, a testa ensopada de suor franzia-se com a força da expressão melancólica da face. Quando virou seu rosto para encontrar ao seu lado Emma adormecida, gritou. Swan despertou com o exagero de Regina e pôs-se sentada muito próxima dela rapidamente.

— Regina, o que houve? — Emma perguntou embaraçada.

— Você só pode estar brincando...

Emma olhou em volta, e fitou Regina de volta tão estranha quanto a própria.

— Droga! Eu dormi...

— Saia da minha cama. — Mills tomou um travesseiro entre os dedos e atirou na salvadora. — Como ousa? Vou precisar queimar esses lençóis.

— Hey, espera um pouco... — a loira defendeu-se da travesseirada que levou, com as duas mãos. — Você desmaiou, eu te trouxe para cá, é assim que me agradece?

— Eu desmaiei?

A pergunta fez a face de Regina corar e Emma percebeu mesmo com a escuridão do quarto.

— Sim, você desmaiou e esperar você acordar no chão não era uma ideia muito confortável.

Já havia amanhecido quando Regina deu-se conta. Levantou e olhou da janela de seu quarto, tirando a cortina do caminho, a manhã se aproximando velozmente com um sol aquecendo o céu antes da chegada das nuvens. Emma levantou-se também, ajeitando a jaqueta amarrotada e limpando com um dedo o resquício de baba que secou no lado da sua boca. Esperou bastante até dizer mais alguma coisa.

— Bem, se você está bem, eu vou.

— Emma... — ela disse com voz branda, logo virando-se para Swan que já se aproximava da porta do quarto.

— O que, Regina?

— Eu só queria pedir uma coisa. Diga ao Henry que estou bem e que quero vê-lo.

— Oh sim, eu direi.

Emma assentiu com sobrancelhas pesadas.

— Por favor.

A salvadora saiu dali depois de observar Regina Mills. A mulher estava abatida, seu cabelo precisava ser lavado, e tinha leves olheiras de quem não tinha noites de sono dignas a muito. Diria a Henry que haviam feito as pazes, e no entendimento dela, haviam mesmo feito ou estiveram perto disso.

Emma voltou para casa, encontrando os pais e o filho aliviados ao verem sua figura adentrar o loft.

— Emma! Onde esteve a noite toda? Ligamos para você muitas vezes, seu pai me disse que tinha ido até a Regina, ficou lá todo esse tempo? — Snow foi a primeira a tagarelas perguntas, tinha Neal no colo.

— Mãe? — Henry levantou da mesa e andou até a mãe. — Você esteve com ela, não esteve? — o garoto tinha um brilho incomum no olhar.

— Sim, Henry, eu estive com ela.

Swan se pegou franzindo o cenho como se aquela afirmação que fez fosse muito estranha.

— A noite toda? — Charming fez uma cara tão cômica quanto a da filha.

— Sim. Ela teve um problema...

— Ela ainda está mal?

Henry estava preocupado.

— Ahmm... bem... é... ela se sentiu mal, mas melhorou. Foi isso. Por isso eu passei a noite lá, para o caso dela precisar.

— Mas então, ela te recebeu? Sem te lançar bolas de fogo ou explodir sua cabeça? — Snow surpreendeu-se.

— Sim, sem me lançar bolas de fogo ou explodir a minha cabeça, o máximo que ela me atirou foi um travesseiro.

— Travesseiro??! — os outros três questionaram juntos.

— Pois é. — Emma pegou Henry pelo braço. — Garoto, vamos conversar um pouco, só eu e você?

Ela fez um sinal com a cabeça para os pais que assentiram.

— Certo, vamos ao Granny’s, vocês encontram conosco depois? — Snow colocou Neal no carrinho e o carregou na direção da saída enquanto falava.

— Sim, iremos pra lá. — Swan fez que sim, vendo a mãe, o pai e o irmão saírem do loft logo em seguida, estava livre para conversar com o filho.

— Ela falou com você? — Henry logo voltou para uma cadeira de frente para Emma na mesa.

— Conversamos. Ela está bem e quer ver você.

Emma sentou e suspirou depois de falar. O garoto abriu um sorriso.

— Sério? Nós iremos.

— Nós? — Emma precipitou-se na cadeira. — Por que nós? Ela quer ver você, não a mim.

— Claro que nós, mãe. Você passou a noite com ela, vai ser bom que você apareça de novo.

A loira sorriu sem mostrar os dentes, os olhos demonstravam certa ternura para o garoto.

— Henry, nós conversamos pouco, e eu prometi não pisar mais lá.

—Você prometeu? Mas então não fizeram as pazes?

— Bem, é difícil explicar. Nós nos entendemos, só que não.

O rapaz pareceu desapontado.

— Não foi assim que eu planejei. — ele desabafou baixo.

— Sim, você que me fez ir até lá, não foi? O bilhete, nós desconfiamos.

— Fui eu, mas eu queria que ela entendesse você.

— Ela entende Henry, ela não me fez mal apesar dos foras, só que não há nada que nos aproxime mais do que você, esse é o nosso único vínculo.

Ele travou os lábios de modo insatisfeito.

— Tudo bem.

— Hey, não fique assim. Você achou que ela tivesse mudado, não foi? — Emma estendeu duas mãos para tocar nas do filho por cima da mesa.

— Ela mudou, eu tenho certeza. Ela só está magoada.

— É o que eu também acho um pouco.

— Eu gostaria que vocês fossem amigas.

— Talvez um dia, garoto, talvez.

Emma sorriu bondosa e apertou as mãos do garoto entre as suas. Seu pensamento foi de utopia, como se uma amizade entre ela e Regina fosse algo que nem outros mundos pudessem abrigar. Agradou-lhe cuidar dela na noite passada, estava perto de confessar a si mesma que adorou ter guardado o sono da Rainha Má, mas custava dentro de uma cabeça teimosa como a dela que assemelhava-se a da morena nesse sentido, eram duas cabeças duras.

Mais tarde no Granny’s, mais movimentado que o normal numa tarde de sábado, a família Snow White planejava a mudança para um lar maior. Henry palpitou informando de uma casa perto da rua onde Regina residia, os três adultos trocaram um olhar, Emma sentiu um frio estranho na barriga ao imaginar-se vivendo perto dela e ao mesmo tempo agradou-lhe, novamente custando a admitir.

No meio da conversa dos três, o sino da porta do café soou ligeiro. O som de passos pesados de botas de couro chamou a atenção de todos que em sua maioria espantou-se ao enxergar a figura que surgiu. Era Regina, trajando um tradicional blazer e calça escura, os habituais trajes da prefeita. No rosto a maquiagem havia tornado a figurar intensa, olhos ressaltados de negro e batom vermelho sangue. Mostrando sua postura incorrigível e superior, Mills buscou com seus olhos, no meio de outros tantos ali a observarem sua aparição repentina, alguém que encontrou a sorrir e chamar seu nome ao fundo, Henry.

Ela conseguiu sorrir para ele e o burburinho dentro do local cessou diante da visão. Enquanto acenou para o filho, passou os olhos pela mesa e encontrou a loira ao lado dele, segurando-se para não encher o rosto de alegria ao vê-la ali, mas era tarde, Regina conseguiu entender o brilho no olhar dela em questão de segundos.

Notas finais
Bem, eu provavelmente decepcionei nesse, mas gente, vamos com calma, hum? Gina é Gina, não tem jeito, vai valer a pena acompanhar, eu prometo. O muito obrigada vocês que tem lido e comentado, eu gostei demais de saber e quero mais opiniões, é muito importante para mim para que eu continue, certo? Beijo enorme, até a próxima.