Notas iniciais
Olá, leitoras e leitores! Tá tudo certinho? Como vocês podem imaginar, o capítulo 23 tem momentos de tensão. Já peço desculpas antecipadas por qualquer deslize, nas notas finais nos encontramos novamente, boa leitura!

Regina não poderia imaginar cena pior. Não houve tempo para pensar ou supor o que Emma fazia envolta aos lençóis com ele, para a Rainha era apenas uma situação e não suportou olhar para aquilo muito mais. Tampou os lábios com uma mão e quase desabou ao chão. Andou para trás, onde encostou na parede do corredor e fechou bem os olhos, sentindo o amargo gosto da ânsia de vômito que teve.

Regina, muito abalada, balançava a cabeça negativamente, quando decidiu sair em passos apressados do apartamento. Da cama o pirata ouviu o som dos sapatos da Prefeita ecoarem e sumirem, ela havia ido embora, e não pôde esconder sua extrema satisfação.

O plano havia dado certo.

Sabendo que o efeito do clorofórmio era limitado, o pirata decidiu não abusar do tempo nem de Swan, por mais que quisesse. Olhou para o corpo completamente entregue e adormecido da loira de um jeito sofrido e ao mesmo tempo debochado. Tinha ideia do mal que estava provocando para ambas, e não sentiu sequer uma gota de arrependimento, faria mais vezes se quisesse só para ter o prazer de ver a cara de Regina Mills estampando decepção.

Já no meio da manhã, sem Killian por cima de seu corpo nu, ainda enrolada na roupa de cama, deixada de bruços , Emma despertou com o pinicar de uma enxaqueca. Seus olhos se abriram com dificuldade, tudo estava embaçado à primeira vista. Ela virou-se, ficando de barriga para cima na cama, e deu por si nua debaixo do lençol.

O zumbido de silêncio que reinava por ali incomodava sua cabeça que quase girou inteira quando Emma tentou olhar rapidamente seu próprio quarto, reconhecendo-o um tempo depois.

— Como é que eu vim parar aqui? — perguntou rouca para si mesma.

Jurou a ela mesma que acordara em outro momento, vendo Mary Margaret, Neal, David e Henry saindo antes de falar com Regina ao telefone. Seria um sonho? Diante do seu cansaço e dor de cabeça, ela acreditou que sim.

Mais tarde na delegacia, sentindo-se melhor, ainda remoía a dúvida. Se fosse mesmo um sonho, não poderia ter sido tão real. Sabia de cór as palavras ditas à Regina no celular e lembrava-se de ter chegado tarde da casa dela na noite anterior, mas nada justificava.

O pai trouxe-lhe café.

— Tome. Trouxe o seu favorito. — entregou o copo de isopor a filha. — Veja quantas ocorrências. Os lojistas andam reclamando de invasão durante a noite, provavelmente tem alguém ou um grupo por trás disso. — comentou David. Ela tomou seu café sem escutar qualquer coisa que ele havia dito. Estava aérea. — Emma? Você me ouviu?

— Oi? — disse ela no susto, virando para fitá-lo na mesa ao lado.

— Você me ouviu? Acho que vamos precisar fazer rondas noturnas novamente, os lojistas estão reclamando.

— Oh sim — disse ela limpando o canto da boca, fez que sim um pouco relapsa. — Vamos verificar...

Regina não apareceu no seu escritório no Town Hall. Voltou para casa trancando-se, para voltar à estaca zero no quesito sofrimento. Sentia-se tão mal que não teve ideia de como havia conseguido dirigir até em casa. As pernas bambas fizeram-na apoiar no corrimão de uma das escadas do casarão e sentar por ali. Enfiou os dedos nos cabelo pelos lados da cabeça e soluçou por duas vezes. A imagem de Emma e Hook veio-lhe a cabeça, muito, até que precisou desabar em lágrimas negras de delineador.

Talvez se o coração estivesse dentro de si a dor fosse ainda maior. Naquele momento entendeu o motivo de tê-lo retirado uma segunda vez.

Ao final daquele dia, Emma ligou para Regina do apartamento. Não foi atendida. Na segunda tentativa, esta para o celular da Prefeita, também não obteve retorno. Tentaria uma terceira vez se não tivesse estranhado tanto.

— O que foi? — era Henry que chegava perto da mãe loira, enquanto ela fitava o visor do aparelho celular, na esperança de Regina chamar de volta.

— Nada, garoto. Regina não atendeu ao telefone, nem o celular. — ela olhou para ele.

O garoto observou o relógio na parede da cozinha.

— Ela já saiu do gabinete a uma hora dessas. Pode ter ido a algum lugar.

— Não, ela me pediu pra ligar.

— Vocês iam se encontrar hoje?

— Combinamos, mas eu sempre ligo antes e ela me atende na hora.

Henry coçou a cabeça, começou a pensar.

— Ela pode ter esquecido o telefone em algum canto, talvez daqui a pouco você consiga falar.

E foi o que Emma fez, não tendo a resposta novamente. Ela não conseguiu esperar mais.

Teimosa como era, saiu de casa já de noite, crendo que algo de muito incomum havia acontecido para Regina não respode-la. Chegou até a mansão da Rainha no seu fusca amarelo, percebendo a fachada do casarão ser dominada por um breu. Desceu do veículo e caminhou até a porta, tocando na campainha insistentemente.

Regina da cama em seu quarto, tão escuro quanto a casa toda, ouviu. A rainha estava deitada como um feto, abraçada a um travesseiro e já tinha os olhos inchados da tarde inteira desperdiçada aos prantos. Ela sabia que era Emma. Continuou deitada, espremendo-se mais contra o macio objeto que levou ao ouvido para tampar o som que vinha do andar de baixo.

A Salvadora estava aflita. Rodeou a mansão, bateu nas janelas, e nada. Se Regina estivesse doente corria risco, pensou ela.

— Regina! — chamou alto. Onde mais ela poderia ir? Emma parou e pensou. Lembrou-se do mausoléu da família e do parque, também lembrou-se do Granny’s, mas algo dizia-lhe que ela estava li dentro. — Regina! Você está aí dentro? — gritou novamente. Ela rodeou a casa para chegar a porta outra vez e esmurrar a madeira maciça com as mãos fechadas. — Eu sei que você tá aí dentro, fala comigo, o que houve? Regina!!

— Vá embora! — disse uma voz ríspida de dentro da casa. A salvadora quase pulou de onde estava.

— Regina?!

— Vá embora! Some da minha vida... — Regina esbravejou da escada. Desceu os degraus com dificuldade, muito frágil e chegou até a porta principal da mansão para continuar gritando: — Vá embora daqui! Eu odeio você! Odeio... odeio... odeio o que você fez! Eu odeio você, eu odeio... eu odeio!!

Do lado de fora Emma parecia pasma. Suas forças para socar a porta sumiram, ficou mais pálida que a tinta branca das paredes da mansão.

Houveram mais gritos desesperados atrás da porta, e Regina ajoelhou-se ao chão, colocando as mãos sobre a boca para tampar os soluços do choro esganiçado.

Emma se foi tão abalada quanto a Rainha. Não entendeu absolutamente nada, só quis afastar-se dali por puro pavor dos gritos de ódio que ouviu.

Nos dias que se foram, a Xerife passou de carro pela mansão de Regina todo final de tarde, tentando encontrar coragem para ir até ela e arrombar aquela porta. Ela precisava entender o que Regina sentia. O receio de ser algo muito grave crescia.

Ao que tudo indicava, a prefeita andava trabalhando em casa, não apareceu no gabinete por cinco dias seguidos. Emma ligou, e ligou mais uma centena de vezes, nunca era atendida. O único que era recebido na mansão era Henry. O garoto relatou à Swan do abatimento da mãe morena e que toda vez que tocava no nome da loira o rosto da Prefeita se fechava pavorosamente.

Emma estava quase desistindo de entender o que poderia ter acontecido com Regina, o por quê de tanto ódio, quando em uma daquelas tardes entrou no Granny’s Diner e viu exatamente a Prefeita ocupar um dos lugares numa mesa. Seu rosto se abriu em alegria, porém recebeu o olhar mais gelado de sua vida. Regina parecia de volta aos costumes de Rainha má e não poupava a pose.

Quando viu Swan aproximar-se, levantou de seu lugar para sair dali, sentiu náusea ao ter de se deparar com quem julgava tê-la traído.

Antes de alguma delas dizer qualquer coisa, Emma procurava nos olhos de Regina a resposta, mas sofria por não reconhecê-la.

— Pode me dizer o que foi que eu fiz pra você? É um pesadelo ou você tá completamente louca? — Emma tentou segurá-la pelos ombros, Regina a empurrou com violência, chamando a atenção de todos os moradores de Storybrooke presentes no restaurante.

— Saia do meu caminho, sua traidora! — Regina cuspiu.

— É o quê?!!

— Saia do meu caminho, agora!

— Como sair do seu caminho? O que que tá acontecendo? Me fala, pelo o amor de Deus! — Emma avançou novamente até a Prefeita, que imediatamente encheu a mão direita de fogo para intimidar a Salvadora. Emma parou, assustada. O restaurante inteiro assistia a cena. — Regina, por favor... fala comigo... me explica.

— Você devia ter vergonha de me dirigir a palavra. Ah! Me lembrei, vergonha é uma coisa que você nunca vai ter, sua traidora, mentirosa! — bradou a Rainha.

— Eu? O que que é isso? O que que você tá querendo fazer comigo? Você tá querendo me enlouquecer? Que que eu te fiz, Regina? — exigiu saber a loira.

— Ah, agora você não se lembra?

— Do que é que você tá falando?!

— Vai me dizer que não se lembra de nada? Eu não acredito em você. Você me usou, me usou... você e aquele pirata. — a Prefeita fraquejou com a última frase.

— Hook? — Emma surpreendeu-se. — O que tem ele?

— Vocês dois! Eu vi! Eu estava lá, eu vi você. E não adianta negar, agora eu sei, eu sei exatamente o que você queria de mim. Vingança!

Henry apareceu no restaurante de súbito e acompanhou os olhares assombrados de todas as testemunhas, e não eram poucas. O filho de ambas estava tão alheio quanto todos do assunto que discutiam a Rainha e a Salvadora.

— Não! Nunca. Não, é claro que não!

— Sim, Emma... eu sei, você me usou, apenas admita...

Era como se Swan tivesse recebido um golpe no estômago, ao mesmo tempo que aquilo fora o gatilho para recordar do ocorrido na manhã daquele dia em que a confusão iniciou-se; a conversa pelo celular com Regina, a porta que fechou ao sair do apartamento, o lenço tóxico enfiado em seu rosto e o gancho.

— Hook... é claro! Hook... — ela ligou os pontos, apertou os pulsos com raiva. — Maldito!

A Prefeita não suportou ficar ali. Enfiou-se no meio das pessoas e correu para fora do restaurante, sumindo numa nuvem de fumaça. Emma foi atrás, não houve tempo algum para alcançá-la.

— Mãe? O que estava acontecendo? — Henry deixou o burburinho que se fez dentro do estabelecimento para ir atrás delas, encontrou apenas a loira do lado de fora.

— O Gancho. — ela dirigiu-se ao filho. — Eu vou matá-lo!

Notas finais
Muito bem... Emma vai precisar correr contra o tempo, não acham? Será que ela consegue mudar a cabeça da Regina? E o Hook? Fiquem à vontade para dar a opinião de vocês, certo? Eu adoro ter esse contato com cada leitor que me acompanha, e assim vocês me ajudam a que rumo dar a história. Falando um pouco da história em si, eu havia dito a algumas de vocês que tinha planos de envolver a relação delas duas na boca do povo de Storybrooke, mas quero deixar claro que envolver o Hook acabou substituindo esse plot, ok? Apesar de ser uma escolha dolorosa eu opinei por dar essa emoção final para a fanfic. Sim, meus amores, estamos na reta final da histórinha de Starting, haverão mais alguns capítulos pela frente para a conclusão final, e até lá já teremos a nova fanfic que eu estou criando entre Emma e Regina. Não se desesperem com o anuncio do fim, certo? Um agradecimento especial à Sappho que me destravou nuns detalhes e me dá suporte sempre! Obrigada, princesa! Como havia dito, tem agradecimento sim, porque você merece! Beijo a todos, obrigada pelo retorno de sempre, pessoal! Vocês são incríveis! Até o próximo capítulo. ;*